Dona Lô, a famigerada MP 557, a Marcha das Vadias e o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher

Tempo de leitura: 6 min

Dona Lô e a Ação Brasil Carinhoso

por Fátima Oliveira, em Tá lubrinando — escritos da Chapada do Arapari

– E o Brasil, hein Dona Lô?

– No ritmo e no compasso de espera de Cachoeira… Até quando ele resolver falar, pois como disse Neruda: “Não há silêncio que não termine”…

– A senhora acha mesmo?

– Ô, se acho!  E você não Pedro? Com esse furdunço tá tudo parado, tudo espantado, num silêncio que dá pra ouvir folha ciciando…

– É! Eles que são brancos que se entendam, né não Dona Lô?  Senhora, ando desarcoçoado com a política…

– Essa gente que se dane e que se lasque, o povo é que não pode ser prejudicado em seus direitos. É o que importa! O governo não pode se deixar emparedar. Quem dever que pague, oxê! Mas Dilma está indo bem, na medida do possível, e o povo tem reconhecido que está, embora muitas coisas internas ao governo estejam atrapalhando, sobretudo na área de saúde da mulher. Não vê essa famigerada MP557? É uma coisa que o povo ainda não entendeu bem a maldade nela embutida, mas vai acabar entendendo.

– …

– Acho até que Dilma já entendeu. Ora se entendeu! Tanto que alavancou Eleonora Menicucci à condição de ministra da Mulher; a coisa tá no banho-maria e o prazo de validade da MP557 vence no dia 31 de maio; aí a melhor coisa é Dilma deixar que caduque e ponto final. Mesmo que caduque, fica a mancha das coisas atravessadas e de má-fé… Foi uma coisa estabanada e desnecessária, mas que deu um senhor trabalho, ah isso deu! Principalmente porque esgarçou as relações de confiança do movimento em relação ao governo… Em suma: “Quem não sabe assar, queima”. Foi o que fez o ministro Padilha e sua turma, mas estão aprendendo. Ou deixam de lado a arrogância e calçam as sandálias da humildade, ou não irão muito longe… Porém achavam que sabiam tudo. Ledo engano! Agora estão se dando conta que isso aqui, o Brasil, é um animal grande demais pra ser esquartejado ao primeiro golpe. Há muitas conquistas decorrentes de lutas históricas quanto aos direitos das mulheres, então esquartejar tudo isso e dar o lombo para os fundamentalistas, né fácil, não!

–…

– Mas deixa para lá! Tenho de cuidar de minha vida. Espero que Sarney, como presidente do Senado, abra seu saco de bondades, que ele está a dever, e sente nessa tal de MP557, não levando essa coisa à votação! Como sabemos, Sarney prima pelo respeito de “Quem tem com o quê me pague não me deve nada” rsrrsrssr… É mais por aí do que por bondade para com as mulheres. Nem importa, tá valendo… Meu interesse agora é Estela assumir a Matinha de Dona Lô e as obrigações de nossa família aqui na Chapada do Arapari. Mais nada!

– Ai, nem no São João vai vir por aqui?

– Ainda não sei Pedro.  Vou ficar mais tempo lá em São Luís, vindo aqui só pros festejos e em caso de precisão, das grandes. Estou pensando em voltar a escrever. Quero registrar minhas memórias e as da Família Tropeiro, que a rigor, se encerra comigo, por ser a única descendente direta dela. Acho que longe daqui conseguirei escrevê-las. Já tentei dar conta por aqui, mas a inspiração não flui. Mudando de ares, quem sabe, não é? A ideia de ir para São Luís tem mais a ver com a proposta da escrita das memórias do que com Bernardo propriamente, eis a verdade! Antes dele, a ideia da mudança já existia. Não falei antes pra não deixar Estela capionga… Aquilo é arengueira que faz dó. Nem parece, mas é!

–…

– Com o Almoço Comunitário do Dia das Mães, uma invenção de Estela, a sua marca oficial de dona da Matinha, pois foi a primeira vez que fizemos aqui um almoço coletivo na data, vou mais é pegar maresia, que me faz tanto bem… Virei  aqui de visita, sem nenhuma responsabilidade que não seja matar saudades. Cabe à Estela tocar daqui pra frente. Com o dizem os meninos: fui!

– Quer dizer então que está passando o bastão? Por que não faz que nem sua bisavó, sua avó e sua mãe Donana, que tocaram a propriedade dos Tropeiros até na hora do último suspiro?

–…

– Entendo, elas eram viúvas e lhes cabia tocar a propriedade com a morte do marido. Não é o seu caso. A senhora é filha, não tem descendentes, não tem porque se entonar aqui… Tem sim direito a uma vida fora daqui agora que nem mãe tem mais para cuidar.  Sem falar que já fez muito por todo mundo daqui. Todo mundo já possui anzol, aprendeu a pescar e ainda conta com as políticas sociais do governo. Isso aqui virou um oásis de prosperidade. Ninguém depende mais da Família Tropeiro para sobreviver, não é verdade?

– Isso mesmo! E vem aí a Ação Brasil Carinhoso para coroar o que já está indo bem… Aqui na Chapada do Arapari 100% das famílias que precisam estão no Bolsa Família e a criançada delas na escola! O Grupo Escolar daqui é exemplar, desde os tempos de Donana, que ficava no pé da caboclada para colocar a filharada na escola. Funciona como uma escola urbana das melhores, isto é: tem a turma do pré-escolar, não tem classes multisseriadas, embora só tenhamos aqui até a 5ª. série. Mas há o ônibus escolar, que leva quem precisa terminar o Ensino Fundamental para a escola na cidade, que fica a 25 Km daqui. Falta uma creche, quem sabe ela seja implantada agora com o Brasil Carinhoso, não é? Estela tem de juntar a mulherada daqui para pressionar o prefeito, que é devagar quase parando. E é pra já, no ano corrente ainda!

– Mas esse Brasil Carinhoso tem o quê mesmo?

– Valei-me Pedro, como você está por fora meu filho! Não viu Dilma na TV no Dia das Mães, não? Agora acreditei que anda desinteressado da política mesmo! A Ação Brasil Carinhoso é um adendo, ou um reforço, ao Brasil Sem Miséria, digamos que é um aprimoramento do Brasil Sem Miséria, focado na faixa etária de 0 a 6 anos, coisa necessária…

– Estou vendo TV muito pouco. Tive overdose de cachoeirices…

– Ah, bem! Estou compreendendo. Tá demais mesmo meu filho, puro mangue podre… Mas escute…

–…

– Ô Maria Helena, por favor, minha filha, traga aquele jornal que está na mesinha de cabeceira de minha cama… E traga uma aguinha também, minha rosa… Pois bem Pedro, o propósito de Dilma é “tirar da miséria absoluta as famílias que tenham crianças com até 6 anos de idade”, já que, como disse a presidenta: “a faixa de idade onde o Brasil tem menos conseguido reduzir a pobreza é, infelizmente, a de crianças de 0 a 6 anos ”. A Ação está projetada para beneficiar cerca de 4 milhões de famílias: “garantindo uma renda mínima de R$ 70 a cada membro das famílias extremamente pobres que tenham pelo menos uma criança nessa faixa etária”.

–…

– Enfim, para se assenhorar mais do assunto, leia o jornal. A matéria está bem clara. E leia também o discurso da presidenta no Dia das Mães. Há um porém. Ela, a Dilma, esqueceu de dizer que o Dia das Mães foi oficializado por Getúlio Vargas, em 5 de maio de 1932… E por hoje chega de conversa mole! Tô indo ali no Grupo pra Oficina das Mulheres sobre Remédios do Mato, em comemoração ao Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, que será amanhã, 28 de maio. Viu o sucesso da Marcha das Vadias em muitas partes do Brasil? As mulheres em movimento não param e os governos se quiserem sossego que se espertem!

Chapada do Arapari, 28 de maio de 2012

Dia Internacional de Luta pela saúde da Mulher e Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna

Decreto nº 21.366, de 5 de Maio de 1932 – Declarando que o segundo domingo de maio é consagrado às mães

O Chefe do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil:

Considerando que vários dias do ano já foram oficialmente consagrados à lembrança e à comemoração de fatos e sentimentos profundamente gravados no coração humano;

Considerando que um dos sentimentos que mais distinguem e dignificam a espécie humana é o de ternura, respeito e veneração, que evoca o amor materno;

Considerando que o Estado não pode ignorar as legítimas imposições da consciência coletiva, e, embora não intervindo na sua expressão, e do seu dever reconhecê-las e prestar o seu apoio moral a toda obra que tenha por fim cultuar e cultivar os sentimentos que lhes imprimem, força afetiva de cultura e de aperfeiçoamento humano,

DECRETA:

Art. 1º O segundo domingo de maio é consagrado às mães, em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano, contribuindo para seu aperfeiçoamento no sentido da bondade e da solidariedade humana.

Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 5 de maio de 1932, 111º da Independência e 44º da República.

GETULIO VARGAS

Francisco Campos

(Publicado no Diário Oficial da União de 09 de maio de 1932)

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Comentários

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[…] Dona Lô, a famigerada MP 557, a Marcha das Vadias e o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulh… […]

Janduir Feiutosa

Em minha opinião o ministro Padilha induziu a presidenta Dilma ao erro com aquela historia do NASCITURO. E ficou mais feio ainda quando ele declarou que não sabia quem havia enxertado o nascituro na MP. Não entendo como ele continua ministro, já que o e falso erro dele e a indução à presidenta a errar foi de muita gravidade. Tem uma coisa que não bate bem. Dilma mandou retirar o nascituro, que realmente não cabia ali e o Padilha continua ministro.

Wilson Santel

É, finalmente o ministro Padilha teve que deixar sua arrogância de lado e baixar a cabeça.

Estava na hora disso começar a acontecer, não só com o Padilha, mas com muitos outros.

Parece que começamos a vive ruma nova era na nossa política nacional.

Luiza

Fátima a Dona Lô é linda e iluminada

Luiza

Dona Lô foi muito educada com Padilha

João Antônio

Cara Fátima Oliveira, a Dona Lô é uma figuraça; e acerta sempre, tenhoa companhado os prognósticos dela. A MP 557 tem que ir pro brejo, que não é do Cruz. Vida longa para Dona Lô

Tetê

Dizem que hoje, pela primeira vez desde que é ministro o Padilha está num evento com algumas feministas de expressão na luta da saúde da mulher.
Será que ele está ensaiando uma recomposição, já que a MP 557 tá indo pro brejo e pro mangue? Ou é o vice-versa? O governo pode estar demonstrando que está amaciando pra dar o bote no dia 31. Sarney serve pra tudo, não podemos confiar.

Seminário “O Enfrentamento da Morte Materna na Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher”, dias 28 e 29 de maio em Brasília.
Eu só queria ter visto a cara do ministro Padilha na abertura, num espaço onde ele temd e deixar o proselitismo na porta de entrada.

Alberto

Dona Lô só na maciota da política. Muito boa a fala “Essa gente que se dane e que se lasque, o povo é que não pode ser prejudicado em seus direitos. É o que importa! O governo não pode se deixar emparedar. Quem dever que pague, oxê! Mas Dilma está indo bem, na medida do possível”
E foi perfeita quanto ao Padilha

“Em suma: “Quem não sabe assar, queima”. Foi o que fez o ministro Padilha e sua turma, mas estão aprendendo. Ou deixam de lado a arrogância e calçam as sandálias da humildade, ou não irão muito longe… Porém achavam que sabiam tudo. Ledo engano! Agora estão se dando conta que isso aqui, o Brasil, é um animal grande demais pra ser esquartejado ao primeiro golpe. Há muitas conquistas decorrentes de lutas históricas quanto aos direitos das mulheres, então esquartejar tudo isso e dar o lombo para os fundamentalistas, né fácil, não!”

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