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Crimes de Mariana e Brumadinho:  Samarco, Vale e BHP Billiton violam direitos de milhares de atingidos; vídeo e fotos
Fotos: Comunicação do MAB e Sind-UTE/MG
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Crimes de Mariana e Brumadinho: Samarco, Vale e BHP Billiton violam direitos de milhares de atingidos; vídeo e fotos


05/11/2019 - 09h32

Brumadinho e Mariana: resultados da ganância pelo lucro e o desprezo pela vida por parte das mineradoras. Fotos: MAB e Corpo de Bombeiros de Minas

Da Redação, com informações do MAB e Sind-UTE/MG

No momento em que o crime de Mariana completa quatro anos e o de Brumadinho, nove meses, a Vale comemora aumento de lucro e produção no terceiro trimestre em comparação com o mesmo período de 2018.

O lucro foi de R$ 6,5 bilhões; alta de 13%.

A produção de minério de ferro atingiu 86 milhões de toneladas; crescimento de 35%.

“O balanço da empresa demonstra claramente que para a Vale o lucro está acima da vida, como sempre o MAB denunciou”, diz nota do Movimento dos Atingidos e Atingidas por Barragens.

A situação dos milhares de atingidos pelos crimes da  Samarco/Vale/BHP Billiton, em Mariana, e Vale/BHP Billiton, em Brumadinho, comprova.

Em 5 de novembro de 2015, por volta das 15h, a barragem do Fundão, em Mariana (MG), se rompeu, despejando 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração no meio ambiente.

Dezenove pessoas morreram.

A lama tóxica foi devastando tudo o que achava pelo caminho: plantações, animais, monumentos históricos do período colonial, ecossistema ao longo da bacia hidrográfica do rio Doce, que nasce na divisa dos municípios de Ponte Nove e Rio Doce (MG).

Varreu o rio Doce desde Mariana até o povoado de Regência, município de Linhares, litoral do Espírito Santo, onde fica a sua foz. 

Os detritos minerários percorreram 650 quilômetros, passando por 43 municípios.

Milhares tiveram as vidas arrasadas. Perderam casa, emprego, formas de sustento, esperança.

Nesse domingo, 3/11, reuniram-se em Mariana para recordar a tragédia de quatro anos atrás e discutir a situação atual.

“Foram muitas promessas não cumpridas. A Samarco afirmou que a nova Bento Rodrigues [um dos subdistritos de Mariana] estaria construída em 2018, até agora nada. Existem mais de 400 famílias desabrigadas por conta desse crime. Nenhum reassentamento coletivo foi feito”, denuncia Guilherme Camponez, do MAB.

“Isso é produto da negação permanente de participação dos atingidos no planejamento da reparação dos atingidos. Atualmente, cerca de 48% dos atingidos sequer são reconhecidos pela Renova”, acusa.

A Fundação Renova foi criada pelas próprias mineradoras e o governo de Minas para gerenciar a crise e o processo de  reparação social e ambiental dos atingidos.

É como raposa tomando conta do galinheiro.

Segundo ainda Camponez,   quatro anos após a tragédia de Mariana verifica-se aumento considerável de doenças respiratórias, de pele, depressão e casos de suicídio na região.

Também participaram da reunião no domingo em Mariana os atingidos  pelo rompimento da barragem  do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro de 2019.

Era hora do almoço. Às 12h28min30s a barragem se rompeu, matando 270 pessoas, 18 ainda desaparecidas.

“A atuação da Vale na bacia do rio Doce é a mesma na bacia do rio Paraopeba: protelar a reparação, negar a participação e o reconhecimento aos atingidos e atingidas”, observa Ana Galeb, uma das representantes de Brumadinho.

“O que mudou de Mariana para cá é  que os atingidos se organizaram e impuseram outro tipo de resistência”, avalia.

A Renova, explicou o MAB ao Viomundo, só considera como atingido quem teve familiar morto ou a lama chegou até a porta de casa.

Em consequência, milhares são sequer reconhecidos como atingidos.

É o caso de 5 mil pessoas da área rural de Brumadinho.

Fernanda Perdigão, do Comitê Popular da Zona Rural de Brumadinho, detalha isso numa entrevista  ao Roda de Conversa, programa do Sindicato Único dos

Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG). A coordenadora-geral do sindicato, Denise Romano, participou. Confira abaixo.

Sind-UTE Outras Palavras

O crime da Vale S/A em Brumadinho completou mais de nove meses. No último dia 21/10/2019, o Roda de Conversa debateu a contínua violação de direitos que a mineradora segue promovendo contra os/as moradores/as atingidos/as.

Para falar sobre o assunto, esteve presente Fernanda Perdigão, do Comitê Popular da Zona Rural de Brumadinho, e a coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Denise Romano.

Para Fernanda, é preciso que o conceito de atingido e atingida seja revisto. “Quem sofreu com o crime não foram apenas as famílias das 272 pessoas assassinadas. A mineradora segue violentando o modo de vida das comunidades, o turismo, a economia e, principalmente, a agricultura familiar.”

Ela citou como exemplo o caso de piscicultores que têm mais de uma tonelada de peixes congelados, mas, não conseguem vender porque as pessoas, por falta de informação, acham que estão contaminados pela lama de rejeitos.

“A Vale controla a informação, os territórios, já que tem interesse em comprar parte das áreas atingidas pelos rejeitos, e também o futuro das pessoas.”

Denise destacou que a mineradora é responsável por um processo ininterrupto de violação de direitos, propiciado pela ausência do poder público. “

O governo do Estado não se faz presente no município para acompanhar as consequências após o crime. Nesse sentido, fica mais barato para a mineradora arcar apenas com o pagamento das indenizações.”

A resposta do povo a essa situação é a organização da luta coletiva.

“Estive em Barra Longa, distrito atingido pelo crime da Vale em Marina, em 2015, e vários representantes do sindicalismo e movimentos sociais participaram da Jornada de Lutas dos Atingidos, que teve o lema ‘A Vale destrói o povo constrói’. O intuito foi construir uma casa na localidade, de forma a organizar a batalha contra as mineradoras criminosas e a Fundação Renova”, explicou Denise.

Nesse contexto, ela convidou a todos e todas para uma reflexão. “Desde 2015, sabe quantas casas foram construídas para os atingidos e atingidas? Nenhuma. E a Vale não construiu porque não quis.”

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