VIOMUNDO

Diário da Resistência


Com o golpe, Brasil ajuda EUA a desmontar bloco da América do Sul
Foto Gerdan Wesley
Você escreve

Com o golpe, Brasil ajuda EUA a desmontar bloco da América do Sul


20/04/2018 - 21h01

Foto Gerdan Wesley

Brasil e outros 5 países suspendem participação na Unasul, dizem fontes

Por Lisandra Paraguassu, na Reuters, sugerido por Franco Atirador

BRASÍLIA (Reuters) – O Brasil junto com Argentina, Paraguai, Colômbia, Chile e Peru anunciaram na quinta-feira que irão suspender por tempo indefinido sua participação na União das Nações Sul-Americanas (Unasul), informaram à Reuters fontes nesta sexta-feira.

A decisão de suspender a participação na organização foi tomada em Lima, em uma reunião à margem da Cúpula das Américas.

De acordo com as fontes, diplomatas se reuniram com a intenção de tentar encontrar uma solução para a paralisia do bloco, mas sem sucesso.

O grupo de seis países —que reúne as nações mais ricas da região— tenta uma ação mais radical para forçar uma ação da Unasul.

Os seis cobram a indicação do embaixador argentino José Octávio Bordón como novo secretário-geral.

Bordón foi indicado pela Argentina no início do ano passado e foi apoiado pelo Brasil e pelos outros países do grupo.

O governo brasileiro defendia que a presença do argentino à frente do bloco diminuiria o viés político da Unasul, até então dominada pelos países ditos bolivarianos.

No entanto, não houve consenso para a nomeação de Bordón e, desde então, o bloco está praticamente inativo.

A divisão entre os chamados bolivarianos e conservadores, que hoje domina a organização, impede que sejam tomadas decisões por consenso, como exigido pelo estatuto do bloco.

Segundo uma fonte do Itamaraty, que pediu para não ser identificada, a nomeação de Bordón como secretário-geral está sendo bloqueada pela Venezuela, embora isso nunca tenha sido colocado de forma aberta nem tenha sido apresentada uma alternativa.

Ao mesmo tempo, disse a fonte, os países não conseguem consenso para suspender a Venezuela como fizeram no Mercosul.

A decisão do Brasil e dos outros cinco países de suspender sua participação na Unasul “é uma tentativa de se fazer alguma coisa, encontrar uma solução”, disse a fonte do Itamaraty.

“Ninguém quis ainda decidir sair da Unasul, mas se nada acontecer alguém vai acabar saindo”, acrescentou.

Em carta enviada ao chanceler da Bolívia, Fernando Huanacuni —que ocupa a presidência pro-tempore do bloco—, os ministros das Relações Exteriores dos seis países informaram que deixariam de participar das atividades da Unasul a partir da última quarta-feira.

Na quinta-feira, o Itamaraty enviou um comunicado aos demais órgãos do governo brasileiro avisando da decisão. De acordo com o texto, ao qual a Reuters teve acesso, os seis países trataram, em sua carta a Huanacuni, de um “conjunto de problemas relacionados ao funcionamento da organização” mas, principalmente da situação de “acefalia” do bloco.

Na prática, a Unasul está paralisada há um ano e meio.

A suspensão na participação foi confirmada por fontes de outros governos envolvidos no movimento.

“Está confirmado, foi enviada uma carta à Bolívia comunicando a suspensão”, disse à Reuters uma fonte da chancelaria paraguaia.

Uma fonte do Ministério das Relações Exteriores do Peru reforçou os motivos apresentados pelo membro do Itamaraty à Reuters.

“A Unasul funciona por meio de consenso e dentro de Unasul há tais discrepância entre os membros sobre as visões políticas e econômicas que a torna inoperante”, disse a fonte peruana.

“É bem difícil chegar a um consenso quando há diferenças de opiniões tão marcadas… está implícito que este mecanismo já não tem sentido”, acrescentou. “Como não resolve nada, (a Unasul) acaba sendo um gasto supérfluo, pagando cotas por una coisa que não serve.”

Uma porta-voz da chancelaria argentina confirmou à Reuters o envio da carta ao chanceler boliviano.

“O novo é a carta que enviamos ao chanceler da Bolívia, expressando a desconformidade”, disse. “Não participar das instâncias e atos enquanto estiver tudo assim, sem secretário-geral e com a organização parada”, acrescentou.

Na chancelaria chilena, informaram que a decisão de não participar da Unasul valerá “até que não existam resultados concretos que garantam o funcionamento adequado da organização”.

O chanceler boliviano, no entanto, disse não ter sido comunicado oficialmente da suspensão.

“Não temos nenhuma informação oficial… os mecanismos e os procedimentos internos requerem formalidades”, disse Huanacuni, em Quito.

“Mas lembremos que a integração sul-americana no que ser refere, por exemplo, à (questão) migratória é uma realidade”, acrescentou. “A Unasul é uma realidade geográfica e histórica.”

A Unasul foi criada em 2008 por iniciativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ex-presidentes da Venezuela Hugo Chávez e da Argentina Néstor Kirchner, com a intenção de aumentar a integração regional.

As mudanças dos governo dos países, no entanto, com um viés mais de direita, como Paraguai, Argentina, Brasil, Peru e, agora, Chile, mudaram a configuração do bloco e selaram a divisão na região.

Reportagem adicional de Marco Aquino, em Lima; Daniela Desantis, em Asunção; Alexandra Valencia, em Quito; Nicolás Misculin, em Buenos Aires; e Antonio de la Jara, em Santiago

Leia também:

Aécio queria indicar delegado para investigá-lo: quem era?



4 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Julio Silveira

23 de abril de 2018 às 13h27

O Brasil é um país tão subordinado, capacho, de instituições tão sem senso de patriotismo e cidadania, que diferente de países exemplares em proeminencia, como o proprio States, Russia, China e outros com vocação soberana, não tem qualquer preocupação legal com sua segurança juridica institucional. Tanto que permite que haja desenvoltura na circulação de quem qualifico como traidores dos interesses nacionais do país. Gente que firmam a cultura da naturalidade na aceitação dos prejuizos que causam ao país e sua cidadania. Essa a razão de estarmos como estamos, e que passa imperceptivel aos olhos destreinados por quem não tem cultura civico-patriotica. Aqui interesses economicos se tornam ferramentas, que justificam trair para atender aos interesses de nossos adversarios de interesses, que são os países proeminentes que ousam afirmar sermos seu quinta. Países alienigenas, predadores em fase de invasão cultural. Eles usam seus serviças a soldo que amansam o povo para facilitar a aceitação de uma invasão exploratória, como qualquer imperio do passado. Vexaminosa para qualquer cidadão que aspire ter um país que se nivele aos grandes no contexto dos países, e não um arremedo de país, uma colonia com um entreguismo desbragado, aceito como natural, feito de infiltração cultural a base da venalidade.

Responder

Guanabara

21 de abril de 2018 às 22h27

“Segundo uma fonte do Itamaraty, que pediu para não ser identificada”.

A reportagem inteira, recheada de “declarações” de “fontes” sem identificação.

Responder

FrancoAtirador

20 de abril de 2018 às 21h25

OPERAÇÃO CONDOR 2 CONTRA A BOLÍVIA

O braZil Canta de Galo com a Bolívia
Mas é uma Galinha dos Estados Unidos

http://www.causaoperaria.org.br/paises-que-sofreram-golpe-abandonam-unasur

Responder

    FrancoAtirador

    21 de abril de 2018 às 21h26

    .
    .
    O PSDB continua Operando em favor dos EUA,
    com Aloysio no Min. das Relações Exteriores.


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!