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New York Times descreve o Brasil como ameaça ao planeta; leia o artigo
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New York Times descreve o Brasil como ameaça ao planeta; leia o artigo


03/03/2021 - 14h51

Da Redação

O dólar atingiu a marca de 5 reais e 77 centavos esta tarde.

São várias as preocupações dos investidores, mas no horizonte está o fato de que o Brasil pode ser um dos últimos grandes países do mundo a controlar a pandemia e ter a perspectiva de uma retomada econômica.

O real só não corre o risco de derreter por causa do colchão de reservas internacionais de US$ 355,4 bilhões ao final de janeiro de 2021, construídos ao longo dos governos Lula e Dilma.

Mas o investimento estrangeiro direto fechou o ano em janeiro de 2021 com retirada de US$ 17,3 bilhões.

O Brasil já não figura entre as dez maiores economias do mundo. E pode piorar.

Nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden prometeu que até maio terá doses para imunizar todos os 330 milhões de norte-americanos.

Hoje, o governador de São Paulo disse que até dezembro conseguirá imunizar os 44 milhões de paulistas.

O principal jornal do mundo, New York Times, publicou longo artigo em que apresenta o Brasil como um mau exemplo para o mundo.

O Viomundo fez a tradução apenas para que nossos leitores saibam o que os empresários globais estão lendo sobre o Brasil:

A crise da Covid no Brasil é um alerta para o mundo inteiro, dizem os cientistas

O Brasil está registrando um número recorde de mortes e a disseminação de uma variante mais contagiosa do coronavírus, que pode causar reinfecção.

Por Manuela Andreoni, Ernesto Londoño e Letícia Casado

RIO DE JANEIRO – A Covid-19 já deixou um rastro de morte e desespero no Brasil, um dos piores do mundo. Agora, um ano após o início da pandemia, o país está estabelecendo outro recorde doloroso.

Nenhuma outra nação que experimentou um surto tão grande ainda está lutando contra o número recorde de mortes e um sistema de saúde à beira do colapso.

Muitas outras nações duramente atingidas estão, em vez disso, dando passos provisórios em direção a uma aparência de normalidade.

Mas o Brasil está lutando contra uma variante mais contagiosa, que atropelou uma grande cidade e está se espalhando para outras, mesmo quando os brasileiros descartam medidas de precaução que poderiam mantê-los seguros.

Na terça-feira, o Brasil registrou mais de 1.700 mortes de Covid-19, o maior número de vítimas da pandemia em um único dia.

“A aceleração da epidemia em vários estados está levando ao colapso de seus sistemas hospitalares públicos e privados, o que pode em breve se tornar o caso em todas as regiões do Brasil”, disse a Associação Nacional dos Secretários de Saúde em nota.

“Infelizmente, a vacinação anêmica e o ritmo lento em que estão se tornando disponíveis as vacinas sugere que este cenário não será revertido no curto prazo.”

E as notícias pioraram para o Brasil — e possivelmente para o mundo.

Estudos preliminares sugerem que a variante que varreu a cidade de Manaus não só é mais contagiosa, mas também parece capaz de infectar algumas pessoas que já se recuperaram de outras versões do vírus.

E a variante ultrapassou as fronteiras do Brasil, aparecendo em outras duas dezenas de países e em pequeno número nos Estados Unidos.

Embora os testes com várias vacinas indiquem que elas podem proteger contra doenças graves, mesmo quando não previnem a infecção com a variante, a maior parte do mundo não foi inoculada.

Isso significa que mesmo as pessoas que se recuperaram e pensaram que estavam seguras por enquanto ainda podem correr risco, e que os líderes mundiais podem, mais uma vez, suspender as restrições cedo demais.

“Você precisa de vacinas para barrar essas coisas”, disse William Hanage, epidemiologista da Harvard T.H. Chan Escola de Saúde Pública, falando de variantes que podem causar reinfecções.

“A imunidade que você obtém com seus cemitérios ficando sem espaço, mesmo isso não será suficiente para protegê-lo.”

O perigo de novas variantes não passou despercebido aos cientistas de todo o mundo.

Rochelle Walensky, diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, implorou aos americanos nesta semana para não decepcionarem as autoridades.

“Por favor, ouça-me claramente”, disse ela. “Nesse nível de casos com propagação de variantes, podemos perder completamente o terreno conquistado com tanto esforço.”

Os brasileiros esperavam ter visto o pior do surto no ano passado. Manaus, capital do estado do Amazonas, foi tão atingida em abril e maio que os cientistas se perguntaram se a cidade poderia ter atingido a imunidade coletiva.

Mas, em setembro, os casos no estado começaram a aumentar novamente, deixando as autoridades de saúde perplexas.

Uma tentativa do governador do Amazonas, Wilson Lima, de impor uma nova quarentena antes do feriado de Natal, encontrou forte resistência de empresários e políticos proeminentes próximos ao presidente Jair Bolsonaro.

Em janeiro, os cientistas descobriram que uma nova variante, que ficou conhecida como P.1, havia se tornado dominante no estado.

Em poucas semanas, o perigo ficou claro quando os hospitais da cidade ficaram sem oxigênio em meio a uma multidão de pacientes, levando dezenas de pessoas à morte por sufocamento.

O Dr. Antonio Souza continua assombrado pelos rostos horrorizados de seus colegas e parentes de pacientes quando ficou claro que o suprimento de oxigênio de seu hospital de Manaus havia se esgotado.

Ele pensa na paciente que sedou, para poupá-la de uma morte agonizante, quando o oxigênio acabou em outra clínica.

“Ninguém deveria ter que tomar essa decisão”, disse ele. “É terrível demais.”

Maria Glaudimar, enfermeira de Manaus, disse que se sentiu presa em um pesadelo no início deste ano, sem fim à vista.

No trabalho, os pacientes e seus familiares imploraram por oxigênio e todos os leitos de terapia intensiva estavam ocupados.

Em casa, seu filho contraiu tuberculose após contrair Covid-19 e seu marido perdeu 10 quilos enquanto lutava contra o vírus.

“Ninguém estava preparado para isso”, disse Glaudimar. “Foi um filme de terror.”

Desde então, a crise do coronavírus diminuiu um pouco no Amazonas, mas piorou na maior parte do Brasil.

Os cientistas se esforçaram para aprender mais sobre a variante e rastrear sua disseminação por todo o país. Mas recursos limitados para testes os mantiveram atrás da curva para determinar que papel a variante está desempenhando.

Anderson Brito, um virologista brasileiro da Universidade de Yale, disse que seu laboratório sozinho sequenciou quase metade dos genomas de coronavírus de todo o Brasil.

Enquanto os Estados Unidos realizam o sequenciamento genético em cerca de um em 200 casos confirmados, o Brasil sequencia cerca de um em 3.000.

A variante se espalhou rapidamente.

No final de janeiro, um estudo de pesquisadores do governo descobriu que ela estava presente em 91 por cento das amostras sequenciadas no estado do Amazonas.

Até o final de fevereiro, as autoridades de saúde relataram casos da variante P.1 em 21 dos 26 estados brasileiros, mas sem mais testes é difícil avaliar sua prevalência.

Durante a pandemia, os pesquisadores disseram que as reinfecções de Covid-19 parecem ser extremamente raras, o que permite que as pessoas que se recuperam presumam que têm imunidade, pelo menos por um tempo.

Mas isso foi antes da P.1 aparecer e os médicos e enfermeiras começarem a notar algo estranho.

João Alho, médico de Santarém, cidade do Pará, estado que faz fronteira com o Amazonas, disse que vários colegas que se recuperaram da Covid há 19 meses voltaram a adoecer e deram positivo.

Juliana Cunha, uma enfermeira do Rio de Janeiro que trabalha nos centros de testes da Covid-19, disse que presumiu que estava segura depois de pegar o vírus em junho passado. Mas em novembro, depois de apresentar sintomas leves, ela testou positivo novamente.

“Eu não conseguia acreditar”, disse Cunha, 23 anos. “Devem ser as variantes.”

Mas não há como ter certeza do que está acontecendo com as pessoas que são reinfectadas, a menos que suas amostras antigas e novas sejam mantidas, sequenciadas geneticamente e comparadas.

Uma forma de conter o aumento seria por meio de vacinas, mas a vacinação no Brasil, como em tantos países, tem sido lenta.

O Brasil começou a vacinar grupos prioritários, incluindo profissionais de saúde e idosos, no final de janeiro. Mas o governo não conseguiu garantir um número suficientemente grande de doses.

Os países mais ricos abocanharam a maior parte do suprimento disponível, enquanto Bolsonaro tem sido cético quanto ao impacto da doença e das vacinas.

Pouco mais de 5,8 milhões de brasileiros — cerca de 2,6 por cento da população — receberam pelo menos uma dose da vacina Covid-19 até terça-feira, de acordo com o Ministério da Saúde. Apenas cerca de 1,5 milhões receberam ambas as doses.

Atualmente, o país usa o CoronaVac de fabricação chinesa — que testes de laboratório sugerem ser menos eficaz contra o P.1 do que contra outras variantes — e o da farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca.

Margareth Dalcolmo, pneumologista da Fiocruz, um importante centro de pesquisa científica, disse que o fracasso do Brasil em montar uma forte campanha de vacinação preparou o cenário para a crise atual.

“Devíamos vacinar mais de um milhão de pessoas por dia”, disse ela. “Essa é a verdade. Não fizemos, não porque não sabemos como fazer, mas porque não temos vacinas suficientes. ”

Outros países devem prestar atenção, disse Ester Sabino, pesquisadora de doenças infecciosas da Universidade de São Paulo, que está entre as maiores especialistas na variante P.1.

“Você pode vacinar toda a sua população e controlar o problema apenas por um curto período se, em outro lugar do mundo, aparecer uma nova variante”, disse ela. “Vai chegar lá um dia.”

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que chamou a variante de “novo estágio” da pandemia, disse na semana passada que o governo está intensificando seus esforços e espera vacinar cerca de metade de sua população até junho e o restante até o final do ano.

Mas muitos brasileiros têm pouca fé em um governo liderado por um presidente que sabotou isolamento social, repetidamente minimizou a ameaça do vírus e promoveu remédios não testados muito depois de cientistas dizerem que eles claramente não funcionavam.

Ainda na semana passada, o presidente falou com desdém das máscaras, que estão entre as melhores defesas para conter o contágio, alegando que fazem mal às crianças, causando dores de cabeça e dificuldade de concentração.

As projeções da vacina do Sr. Pazuello também foram recebidas com ceticismo.

O governo fez na semana passada um pedido de 20 milhões de doses de uma vacina indiana que não concluiu os testes clínicos.

Isso levou um promotor federal a argumentar em um processo judicial que a compra de U$ 286 milhões “coloca milhões de vidas em risco”.

Mesmo que seja eficaz, será tarde demais para muitos.

Tony Maquiné, um especialista em marketing de 39 anos de Manaus, perdeu uma avó, um tio, duas tias e um primo, em poucas semanas, durante o último aumento de casos.

Ele diz que o tempo se tornou uma sucessão de esforços frenéticos para encontrar hospitais com leitos grátis para os vivos, enquanto organiza funerais para os mortos.

“Foi um pesadelo”, disse Maquiné. “Estou com medo do que está por vir.”

Manuela Andreoni e Ernesto Londoño reportaram do Rio de Janeiro e Letícia Casado de Brasília. Carl Zimmer contribuiu com reportagem de New Haven, Connecticut.

Na média dos útimos 7 dias, o Brasil teve 55.579 casos, contra 57.789 dos Estados Unidos. Estamos prestes a assumir a “liderança”




4 comentários

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Bruno S.

06 de março de 2021 às 12h31

“O dólar atingiu a marca de 2 reais e 77 centavos esta tarde.”
tá certo isso produção?

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    06 de março de 2021 às 15h36

    Obrigado, corrigido, desculpe nossa falha.

Zé Maria

03 de março de 2021 às 17h07

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O Brasil tem Dois Grandes Laboratórios de Produção de Vacinas, a saber:
Butantã, em São Paulo, e FioCruz-Manguinhos, no Rio de Janeiro.
Mas o (des)governo Bolsonaro/Guedes/Pazuello/Mourão prefere importar
dos Laboratórios Farmacêuticos dos EUA – ou forçar que os Governadores
importem de outros Países – a produzir a própria Vacina aqui no País.
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Responder

Zé Maria

03 de março de 2021 às 16h51

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A Inoperância Criminosa de Jair Bolsonaro e seus Miliquinhos Amestrados de Quepe
jogou o Brasil no meio de uma Guerra Comercial na Produção e Venda de Vacinas
dos Laboratórios Farmacêuticos Norte-Americanos (Pfizer, Moderna,
Johnson&Johnson)
– esses fazendo Lobby Escancarado na Mídia Empresarial ‘Fake News’ braZileira-
contra os Russos (Gamaleya/Sputnik V) e os Chineses (Sinovac/Coronavac).

Com a forte Propaganda da Imprensa-Empresa pró-EUA formando a Opinião Pública,
a População Brasileira está sendo Induzida ao Engano pelo (des)governo Bolsonaro/Pazuello/Guedes/Mourão que acaba de anunciar a Compra de
100 Milhões de Doses do Laboratório Pfizer, quando é sabido que a Grande
Maioria dos Municípios do Brasil não possuem Equipamentos (Freezers)
para Acondicionamento dessa Vacina à Baixíssima Temperatura (-70º C)
sem o qual há Perda do Efeito Imunizante.

(https://br.sputniknews.com/brasil/2021030317061094-governo-bolsonaro-decide-comprar-vacina-da-pfizer-diz-revista)

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