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Com aposentadoria garantida de R$ 20 mil mensais, Rodrigo Maia diz que “todo mundo hoje consegue trabalhar até os 80 anos”; veja para crer
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Com aposentadoria garantida de R$ 20 mil mensais, Rodrigo Maia diz que “todo mundo hoje consegue trabalhar até os 80 anos”; veja para crer


09/02/2019 - 13h30

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

“Todo mundo consegue trabalhar até 80 anos”, afirma golpista Rodrigo Maia

No Brasil da expectativa de vida média de 75 anos, que chega a baixar para 58 anos nas periferias de grandes cidades, Maia quer convencer a população de que trabalhar até morrer é necessário para seguir pagando a dívida pública.

Esquerda Diário

Em entrevista à Globonews na noite de 06 de fevereiro, o recém-eleito presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, alternou discursos demagógicos e chantagens para tentar legitimar o ataque histórico às aposentadorias. Selecionamos a seguir alguns trechos da entrevista na íntegra que pode ser vista aqui.

Logo no começo da entrevista os jornalistas da Globonews questionaram se a apresentação quase simultânea de dois projetos polêmicos na Câmara: o pacote anticrime de Moro e a Reforma da Previdência poderia prejudicar o andamento desta última. Rodrigo Maia prontamente respondeu que a prioridade da Câmara é dar andamento a proposta de PEC da Reforma da Previdência que ainda será apresentada pelo governo mas que já foi “vazada” pelo Estadão. A previsão, segundo o deputado, é de que a proposta de reforma já possa ir a plenário na segunda quinzena de maio deste ano.

A todo momento, Maia buscava enfatizar que as opiniões contrárias ao projeto estavam sendo administradas, conversadas, dizendo que se estaria alcançando um consenso de que a Reforma da Previdência é realmente necessária para o país, mas sempre deixando escapar certo tom de ameaça:

“…ou nós aprovamos a reforma da Previdência ou o que vai estar projetado para os próximos anos no Brasil não é coisa muito boa.”

Para garantir mais apoio à mãe de todas as reformas, Maia se apoia fortemente na crise dos estados, fazendo reuniões com vários governadores, inclusive os da chamada “oposição de esquerda” o que, para o bom entendedor significa: o PDT de Ciro Gomes e também o PT. E anunciou que no próximo dia 20 os governadores de todo o país se reunirão em Brasília, confirmando sua presença, para discutir o apoio à Reforma da Previdência. No mesmo dia, as centrais sindicais seguirão protelando a possibilidade de organizar os trabalhadores desde seus locais de trabalho, para fazer uma reunião que, na prática, envolve predominantemente os altos escalões das centrais sindicais.

Rodrigo Maia, “guardião dos ritos democráticos”?

Em outro trecho da entrevista, Maia faz demagogia dizendo que vai prezar por seguir os ritos democráticos em contraposição às intenções do governo Bolsonaro em criar um atalho para uma aprovação mais rápida da Reforma da Previdência. Segundo a Globonews confirmada pelo próprio Maia, o governo estaria defendendo o que se chama de Emenda Aglutinativa, uma manobra para juntar os principais itens da Reforma endurecida de Bolsonaro à proposta de Reforma da Previdência que já havia, em parte, desde o governo Temer e que já estaria pronta para ir a plenário, tentando assim, acelerar o processo pulando etapas.

No entanto, o que está por trás da demagogia de Maia é garantir que não haja brechas a questionamentos jurídicos que eventualmente possam atrasar ou inviabilizar a reforma:

“Respeitar o rito é garantir o processo legítimo e democrático. Até porque, se não, onde é que vai parar a votação da Previdência: no Supremo. Então vamos respeitar o rito. Hoje o mercado estava nervoso porque eu falei da segunda quinzena de maio e que a gente tinha que respeitar o rito. Não respeitar o rito é talvez aprovar e não levar”

“…ninguém vai prejudicar nenhum trabalhador mais simples” ?

A partir da declaração do próprio Maia de que a questão não é “se” e sim “quando” a Reforma da Previdência será votada, a jornalista da Globonews então pergunta “qual” a reforma que será votada, Maia responde:

“…eu sou a favor de uma regra de transição mais curta. Todos nós temos uma expectativa de vida maior. Quando a gente chega a 60 anos, ela aumenta mais ainda. Nós temos que entender que trabalhar até 62 anos sem transição não é problema nenhum. Todo mundo consegue trabalhar hoje até 80, 75 anos.” e, buscando amenizar a afirmação anterior emenda: “É claro que tem algumas categorias especiais. Essas vamos tratar de outra forma.”

Após essa declaração, a entrevista enveredou para discutir um dos pontos da reforma que é o de desvincular o Benefício de Prestação Continuada (BPC) do valor do salário mínimo. Demonstrando evidente nervosismo, Maia se contradiz, dizendo ora que é falsa a informação de que o BPC teria um valor abaixo do salário mínimo para, em seguida fazer acrobacias no discurso para dizer exatamente o contrário:

“há um debate há muitos anos no Brasil sobre desvincular ou não o salário mínimo da aposentadoria. O governo vai fazer uma proposta de você antecipar o BPC garantindo um valor numa idade mais nova para que seja uma construção ao longo dos anos… quando você antecipa, claro que fica abaixo do salário mínimo…”

e depois escapa do assunto afirmando que não vai mais ficar explicando a reforma do ministro que ainda não foi apresentada.

Para uma vida de trabalho precário e sem direitos, Bolsonaro quer rebaixar a aposentadoria a menos de 1 salário mínimo

Desde que se estabeleceu a regra de contagem do tempo de contribuição e não do tempo de serviço, o ônus da cobrança acaba recaindo sobre o trabalhador e não sobre as empresas que fraudam o INSS, por exemplo.

Com o avanço da terceirização e do trabalho precário, não são poucos os casos de empresas que se apropriam dos descontos de INSS nos contracheques de seus funcionários e simplesmente dão o calote na contribuição previdenciária. São esses os trabalhadores que, junto aos exércitos de desempregados e trabalhadores informais, engrossam as filas de solicitação de um benefício para sobreviver quando já não conseguem garantir com seu trabalho o mínimo para se sustentar.

O país, as empresas, se beneficiaram e se beneficiam, e muito, da riqueza produzida pelos braços desses trabalhadores. As mesmas empresas que passam impunes por suas dívidas milionárias com o INSS.

Para garantir a Reforma da Previdência, o governo tenta jogar os trabalhadores uns contra os outros, dizendo que direitos conquistados com muita luta são privilégios, enquanto seguem intocados os verdadeiros privilégios: empresas que devem bilhões à previdência e que seguem com seus lucros bilionários ilesos de qualquer cobrança dessa dívida.

A população sabe que a Reforma da Previdência não vem para acabar com as desigualdades e sim acentuar a maioria delas. O próprio Maia cita controversamente que a Reforma da Previdência não tem o apoio da maioria da população:

“Outro dia vi uma pesquisa de uma instituição financeira, que perguntava: você é a favor ou contra a reforma da previdência? E 70% era a favor. E em outra pergunta: você é a favor ou contra a idade mínima? 60% era contra. Então essa pessoa não era a favor da reforma da previdência”

Se, contra a Reforma da Previdência que esboçava o governo Temer, os trabalhadores do país foram capazes de fazer história com a greve geral de 28 de abril de 2017, que conseguiu impor uma derrota, ainda que parcial, ao ataque que se avizinhava. Só não foi mais longe porque as maiores centrais sindicais do país desmontaram por baixo a possibilidade de avançar naquele momento.

Hoje a tarefa de reorganizar novamente essa força dos trabalhadores em todo o país está na ordem do dia! É criminoso cada dia de trégua que as maiores centrais sindicais do país como CUT e CTB insistem em manter, em meio às definições do que significa a terra arrasada em que Bolsonaro quer transformar o país.

PS do Viomundo: Rodrigo Maia trabalhou na vida, em bancos, exatamente entre 1993 e 1997. Desde então mama nas tetas do Estado. Vinte anos recebendo dinheiro público. Pelos anos de mandato, já teria direito a uma aposentadoria de R$ 20 mil mensais pelo Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC), ao completar 60 anos e/ou 35 anos de contribuição.

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10 comentários

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john

13 de fevereiro de 2019 às 14h10

Já podemos comprar armas?
Já podemos caçar?
Eu quero comprar armas e caçar um bicho que vive em brasília que se chama ‘espirito-de-porco’, uma especie de vagabundo que nunca fez nada de bom para a sociedade. Um bicho que não é predado por nada aqui no brasil e que é considerado pelos trabalhadores uma verdadeira praga que alastra por todo pais. Normalmente vivem em bandos e adoram mamar nas tetas suculentas.

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valmir martns

12 de fevereiro de 2019 às 18h34

larga não de enrolação rodrigo maia a previdencia não esta falida poque o dinheiro esta no bolço de vcs
vcs tem ums dos melhores salario para não fazer nada ainda tem que ter uma posentadoria que e uma fortuna larga não de ser filha da tupa mardito e ainda quer foder com o pobre sendo que vcs não dão comdição do pobre trabalhar

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Deputado trabalhador

11 de fevereiro de 2019 às 05h57

Com o salário dos deputados e as mordomias eu nem me aposentava trabalhava até dentro do caixão dormindo

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    john

    13 de fevereiro de 2019 às 14h13

    vc viu como ele é gordinho? logo logo vamos voltar ao “canibalismo”, esse ai seria um bom prato. Assadinho com uma maça na boca…

Silas

09 de fevereiro de 2019 às 22h50

Esse é o risco que se corre em votar em partido de direita.
A média de idade nas periferias e cidades pobres, estados pobres, não deve ser nem de 60 anos.
Uma coisa é morar em alphaville, outra é morar em franco da rocha, Francisco morato etc.
Alias, aposto que esse rodrigo maia nunca levantou as 5 hs da manhã para trabalhar. Filhinho de papai.

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Jonas

09 de fevereiro de 2019 às 22h43

O Ciro Gomes apóia o Maia, então, tá tudo certo.
A oposição do Ciro é ao PT não é ao governo.
Enfim, é 171 esse PDT.
O mais engraçado de tudo é que o Ciro está cometendo o mesmo erro que a Marina Silva cometeu em 2014.

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Zé Maria

09 de fevereiro de 2019 às 19h15

A Defórma proposta pela Milícia do Guedes,
que só beneficia Seguradoras e Bancos,
vai deixar os Municípios Menores sem Arrecadação,
onde, basicamente, o que gira o Comércio
são os Aposentados e os Funcionários Públicos,
que terão a Renda Reduzida até pela Metade.

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LUIZ Benedito

09 de fevereiro de 2019 às 17h43

Caro deputado trabalhe oitenta anos com um salário mínimo. Talvez você consiga viver até cem anos..fdp

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Netho

09 de fevereiro de 2019 às 17h33

“Botafogo”, “Botafogo”, “Botafogo”.
O “Botafogo” que preside a Câmara dos Deputados sucedeu o “Caranguejo” que se encontra encarcerado.
O “Botafogo” foi eleito com os mesmo votos da base parlamentar do “Caranguejo”.
Um trilhão e trezentos bilhões de reais, em dez anos, implica concluir que estamos falando de cento e trinta bilhões por ano, equivalente a quase onze bilhões mensais.
É disso que se trata: esses onze bilhões mensais que seriam destinados à previdência público-estatal para financiá-la, passam a ser destinados aos bancos privados do país para que lucrem mais 8 bilhões anuais, depois de descontado o imposto de renda.
Há um claro conúbio entre o “Botafogo”, como herdeiro do “Caranguejo”, para abastecerem o Posto Ipiranga do combustível financeiro.
Até agora o Ministério Público e a Polícia Federal não deram um pio, sequer um passo adiante, na investigação do “Botafogo”.

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    JOSE EUSTAQUIO CARDILO

    13 de fevereiro de 2019 às 19h45

    Tá na cara que temos que fazer essa reforma, mas não pra prejudicar o povo. Será que Rodrigo Maia ficharia alguns funcionários na sua empresa com 60 anos de idade? Será que ele com 65 anos aposentaria pela regra da previdência com teto máximo de 5 mil reais? Acho que primeiro teríamos que fazer reforma politica diminuindo pela metade o número de politicos (QUE SAO OS VERDADEIRO CÂNCER DO PAIS). E acabar com a farra de ter esse monte de partido que cada ano que passa aumenta ainda mais essa cachorrada mamando no país e colocando a culpa no aposentado assalariado. QUE PAIS É ESSE!!!,


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