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Brasil considera que houve ruptura da ordem democrática


23/06/2012 - 23h38

23/06/2012 –

Nota  nº 155

Situação no Paraguai

O Governo brasileiro condena o rito sumário de destituição do mandatário do Paraguai, decidido em 22 de junho último, em que não foi adequadamente assegurado o amplo direito de defesa. O Brasil considera que o procedimento adotado compromete pilar fundamental da democracia, condição essencial para a integração regional.

Medidas a serem aplicadas em decorrência da ruptura da ordem democrática no Paraguai estão sendo avaliadas com os parceiros do MERCOSUL e da UNASUL, à luz de compromissos no âmbito regional com a democracia.

O Governo brasileiro ressalta que não tomará medidas que prejudiquem o povo irmão do Paraguai.

O Brasil reafirma que a democracia foi conquistada com esforço e sacrifício pelos países da região e deve ser defendida sem hesitação.

O Embaixador do Brasil em Assunção está sendo chamado a Brasília para consultas.

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Comunicado da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) sobre a situação no Paraguai

Assunção, 22 de junho de 2012

22/06/2012

Os Chanceleres e Representantes dos países da UNASUL, junto ao Secretário-Geral da Organização, viajaram à República do Paraguai em cumprimento do mandato dos Chefes e Chefas de Estados da UNASUL reunidos na cidade do Rio de Janeiro, em 21 de junho de 2012, com o objetivo de conhecer in situ todos os aspectos da situação política do país.

Para tanto, mantiveram reuniões com o Presidente Fernando Lugo.

Adicionalmente, reuniram-se com o Vice-Presidente Federico Franco, com dirigentes políticos de diversos partidos e com autoridades legislativas, de quem lamentavelmente não obtiveram respostas favoráveis às garantias processuais e democráticas que lhes foram solicitadas.

Os Chanceleres reafirmam que é imprescindível o pleno respeito das cláusulas democráticas do MERCOSUL, da UNASUL e da CELAC.

Os Chanceleres consideram que as ações em curso poderiam ser compreendidas nos artigos 1.º, 5.º e 6.º do Protocolo Adicional ao Tratado Constitutivo da UNASUL sobre Compromisso com a Democracia, configurando uma ameaça de ruptura à ordem democrática, ao não respeitar o devido processo legal.

Os governos da UNASUL avaliarão em que medida será possível continuar a cooperação no marco da integração sul-americana.

A missão de chanceleres reafirma sua total solidariedade ao povo paraguaio e o respaldo ao Presidente constitucional Fernando Lugo.

Veja também:

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Stédile: Agronegócio tem mais poder econômico que o governo federal brasileiro

Gilberto Maringoni: Só Washington não vacilou com o golpe paraguaio





7 comentários

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Dr. Rosinha: Paraguai, golpe parlamentar orquestrado « Viomundo – O que você não vê na mídia

24 de junho de 2012 às 22h52

[…] Brasil considera que houve ruptura da ordem democrática […]

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Apavorado por Vírus e Bactérias

24 de junho de 2012 às 18h51

Os pimpões que aqui escrevem acham que Lula é o “superman” do Sul e poderia resolver todos os problemas. Não tentem nos fazer de trouxas com falácias idiotas e absurdas. Não tentem nos engambelar falando mal da diplomacia brasileira. Somos idiotas a ponto de não sair detonando essas mega empresas e os caras que aqui as apóiam. Mas não somos idiotas a ponto de aceitar as imbecilidades provocativas de um grupelho facistóide.

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Bonifa

24 de junho de 2012 às 12h39

A presença do Presidemnte Lula impediria o desfecho deste golpe covarde, insidioso e altamente perigoso para o destino dos povos latinoamericanos. Não que a Presidente Dilma não seja uma excelente chefe de estado, mas o problema é que as forças oligárquicas e retrógradas do Continente sentem que a diplomacia do Brasil enfraqueceu e que dentro do Brasil as forças progressistas estão dispersas.

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lulipe

24 de junho de 2012 às 11h21

Blá blá blá é o mote da diplomacia brasileira após lula assumir o poder. Respeitada por sua competência, hoje vive uma situação de descrédito perante o mundo, fazendo bobagens atrás de bobagens, se “aliando” a notórios ditadores e párias internacinais.Os diplomatas, assistentes e oficiais de Chancelaria, ou seja, as três carreiras típicas de estado que integram o serviço exterior brasileiro, decidiram entrar em greve por tempo indeterminado há poucos dias.Essa é nossa diplomacia, esperar o quê???

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Julio Silveira

24 de junho de 2012 às 10h12

Minha reflexão sobre a resposta brasileira trouxe-me uma associação com outro fato histórico, que gerou um dos períodos mais negros da história da humanidade. Lembrei-me que a Europa diante da ascensão de Hitler negou-se a reconhecer perigo em sua retórica e que como resultado o mundo foi mergulhado na segunda guerra mundial.
Certamente poderão dizer que o Paraguai não é Alemanha, nem que Franco é Hitler, realmente são bem diferentes, mas as diferenças param por aí. Vejo grande semelhança no papel que desempenham os países quando podem dar recados de forma a brecar estímulos a institucionalidade. Estímulos que podem, ali na frente, se virar contra os mais conformados e solidários com os povos. Esquecem que esses mesmos povos são e serão as vitimas em todos os momentos.

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Jair Orichio Junior

24 de junho de 2012 às 01h37

Azenha, o povo tomou a TV Pública do Paraguai. Link aqui http://www.desdeparaguay.com/tvpublica, e já passa de 01h39min e além do Lugo, centenas de pessoas estão falando na TV Pública na Rua…

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José X.

23 de junho de 2012 às 23h49

Ou o Brasil exerce algum tipo de “imperialismo” aqui na América do Sul ou logo logo vai estar cercado de bases militares americanas. Esse caso do Paraguai deveria ser a gota dágua. Aliás, por mim o governo brasileiro deveria se assegurar (inclusive militarmente) que esse golpe paraguaio não tenha consequências sobre a operação de Itaipu. Mais ainda, deve reagir energicamente contra qualquer tentativa de instalação de uma base militar americana no Paraguai.

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