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Diário da Resistência


Bilionária brasileira dá R$ 45 milhões para reconstruir Notre Dame e R$ 0 para o Museu Nacional
Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Bilionária brasileira dá R$ 45 milhões para reconstruir Notre Dame e R$ 0 para o Museu Nacional


17/04/2019 - 23h10

Enquanto Notre-Dame recebe bilhões em doações, Museu Nacional ganha R$ 1 milhão em ajuda

Até hoje, a Associação dos Amigos do Museu recebeu apenas R$ 15 mil de pessoas jurídicas e R$ 142 mil de pessoas físicas no Brasil. Maiores doações vieram do exterior

Por O Dia

Rio – O incêndio da Catedral de Notre-Dame criou uma onda imediata de solidariedade na França.

A situação é bastante diferente do que ocorreu no Brasil, em setembro do ano passado, quando o Museu Nacional foi destruído pelo fogo.

Até hoje, a Associação dos Amigos do Museu recebeu R$ 15 mil de pessoas jurídicas e R$ 142 mil de pessoas físicas no Brasil.

A maior doação individual foi de R$ 20 mil e possivelmente teria partido de um cientista ligado ao museu.

Do exterior, o Museu Nacional recebeu R$ 150 mil do British Council e cerca de R$ 800 mil — que podem chegar a R$ 4,4 milhões –, do governo da Alemanha. A reconstrução do Museu Nacional está estimada em cerca de R$ 100 milhões.

A bilionária brasileira Lily Safra e a fundação em nome de seu marido, Edmond Safra, banqueiro sírio-libanês morto em 1999, anunciaram uma doação de 10 milhões de euros para o fundo de reconstrução de Notre-Dame.

“Essa onda de solidariedade na França me deixa agradavelmente surpreso e me dá esperança de que aqui também os milionários brasileiros façam doações. Estamos precisando muito”, afirmou o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner.

“O Brasil não se dá conta disso, mas o que perdemos aqui é muito maior do que o que foi perdido na Notre-Dame. Não estou falando do prédio, mas de uma coleção de 20 milhões de itens, dos mais diferentes países, biodiversidade, animais extintos, múmias, peças de tribos indígenas que não existem mais, é um acervo muito mais importante para a humanidade”, disse.

Entre as preciosidades do acervo brasileiro estava o crânio de Luzia, ser humano mais antigo das Américas, com cerca de 11 mil anos, recuperado dos escombros após o fogo. Havia ainda toda uma coleção de múmias egípcias – inteiramente perdida no incêndio.

No caso do Brasil, doações como essas não podem ser deduzidas do Imposto de Renda, como ocorre em diversos países da Europa — a França entre eles.

“Essa é uma questão que o Brasil deveria rever”, diz Kellner. “Fiz doutorado nos Estados Unidos e sempre me surpreendeu a vontade do americano de fazer filantropia. Mas eles têm o benefício fiscal.” Na França, a isenção fiscal em casos de doações semelhantes pode chegar a 80%.

Famílias e empresas ricas doam à Notre-Dame

A restauração da catedral gótica, que custará várias centenas de milhões de euros, já conta com o apoio de algumas das empresas e famílias mais ricas do país, como a Total, ou a L’Oréal.

Até agora, mais de 800 milhões de euros, equivalente a R$2,5 bilhões, foram arrecadados em doações, o que provocou queixas entre líderes políticos e sindicais, ou seja, um montante tão rapidamente levantado para salvar um monumento quando há outras prioridades no país.

Um ex-líder dos “coletes amarelos”, grupo que protesta há cinco meses contra a política fiscal e social do governo, considerada injusta, criticou a “inércia” dos grandes grupos franceses diante da “miséria social”, enquanto um representante da esquerda radical, Manon Aubry, cobrou desses grandes grupos que “paguem primeiro seus impostos”.

* Com Estadão Conteúdo e AFP

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8 comentários

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Wagner Souza

19 de abril de 2019 às 18h32

Quando minha esposa me disse a respeito desta doação eu imediatamente dei o nome aos bois ou a vaca neste caso, eu sabia que era ela, uma senhora mais preocupada com a historia da Franca que a historia de seu próprio pais de origem. So lendo Paulo Freire para entender esta gente, leiam e leiam Paulo Freire, Jesse de Souza e outros para entendermos como pensa se e que pensam esta gente covarde e estupida!

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Zé Maria

18 de abril de 2019 às 17h20

Ela “era” Brasileira, Gaúcha, antes de se casar com um Milionário.
Coincidentemente a Mulher do Roberto Marinho também era Lily.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lily_Safra#Vida_pessoal
https://extra.globo.com/famosos/a-vida-de-luxo-amores-tragedias-de-lily-safra-que-doou-88-milhoes-notre-dame-23607365.html

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Zé Maria

18 de abril de 2019 às 17h11

Essa é a Elite Impatriótica, Predadora das Riquezas Nacionais,
adorada por uma Classe Média Burra e Servil que se ilude
que o Dinheiro é capaz de mudar até a própria Nacionalidade,
Que pensa que um mero sobrenome pode transpô-la à condição
de naturalidade européia branca escravocrata de matriz colonial.

.
Excerto do Livro “A Elite do Atraso de Jessé de Souza:

“A construção de uma elite toda poderosa que habitaria o Estado só existe, na realidade, para que não vejamos a elite real, que está “fora do Estado”, ainda que a “captura do Estado” seja fundamental para seus fins.
É uma ideia que nos imbeciliza, já que desloca e distorce toda a origem do poder real.
Nesse esquema, se fizermos uma analogia com o narcotráfico, os políticos são os “aviõezinhos” do esquema e ficam com as sobras do saque realizado na riqueza social de todos em proveito de uma meia dúzia.
Combater a corrupção de verdade seria combater a rapina, pela elite do dinheiro, da riqueza social e da capacidade de compra e de poupança de todos nós para proveito dos oligopólios e atravessadores financeiros.

O “imbecil perfeito” é criado quando ele, o cidadão espoliado, passa a apoiar a venda subfaturada desses recursos a agentes privados imaginando que assim evita a corrupção estatal.
Como se a maior corrupção – no sentido de enganar os outros para auferir vantagens ilícitas – não fosse precisamente permitir que uma meia dúzia de super-ricos ponha no bolso a riqueza de todos, deixando o resto na miséria.
Essa foi a história da Vale, que paga royalties ridículos para se apropriar da riqueza que deveria ser de todos, e essa será muito provavelmente a história da Petrobras.
Esse é o poder real, que rapina trilhões e ninguém percebe a tramoia, porque foi criado o espantalho perfeito com a ideia de Estado como único corrupto.”

https://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2017/10/1928756-leia-trecho-de-a-elite-do-atraso-de-jesse-souza.shtml
https://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/dallagnol-explica-a-corrupcao-no-brasil-cristaos-de-verdade-foram-para-os-estados-unidos.html

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marcio gaúcho

18 de abril de 2019 às 14h49

Essa mulher pode fazer com o dinheiro dela o que bem entender. Mas, dizer-se “brasileira”, não pode!

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José Braga

18 de abril de 2019 às 12h13

Pergunta se ela doou algo para as vítimas de brumadinho. Doou nada.
Nenhuma novidade. Ela só doou para Notre Dame pq o nome dela aparecerá na midia de todo o mundo.
É o velho egoísmo de sempre. So ajuda alguma pessoa se puder aparecer e colher os aplausos dos outros. Se ninguem ficar sabendo, entao, nao ajuda ninguem.

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Francisco del Moral Hernandez

18 de abril de 2019 às 09h52

Entendo a consideração e o mérito da noticia. Mas pensemos: se esses 45 mi fossem direcionados à reconstrução, como seriam geridos.. será que da mesma forma como geralmente o são, com desvios, falta de objetividade, criação de grupos gestores do fundo pouco preocupados com a reconstrução em si? Sem querer colocar os históricos defensores e que deram a vida pelo museu em um mesmo saco, não apareceriam “hordas” de urubus para saquear este fundo?. Desculpem a acidez, mas o Brasil está vivendo um momento muito difícil, a seriedade está sendo colocada à prova.

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Patrick

18 de abril de 2019 às 08h58

Ela fez doação expressiva, possivelmente de valor próximo, para o Instituto Internacional de Neurociências, coordenado por Miguel Nicolelis e localizado em Macaíba/RN (próximo a Natal) e talvez por isso distante dos olhos de quem está no eixo Rio-São Paulo. Por favor, apontem a hipocrisia dos outros inúmeros bilionários brasileiros que nunca doaram nada a ninguém, devemos reconhecer que Lilly Safra, nesse pecado, está no final da fila, não na sua frente.

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    Vinícius J

    18 de abril de 2019 às 12h11

    Na moral irmão intelectual, para que serve a neurociência? Para desenvolver remédios que tornem meu filho um possivel médico ou engenheiro?
    Na minha opinião a cabeça do ser humano deve ser estudada pelo viés social, ao paço que a consciência é adquirida no contexto social e a inteligência é coletiva.

    Mas como o conhecimento é campo vasto e livre e lhe faço outra pergunta, 45 milhões para o corcunda francês? Você vive no planeta terra? no hemisfério sul? ja olhou para janela hoje?


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