VIOMUNDO

Diário da Resistência


Bicadas sangrentas no ninho: Goldman, sobre João Dória
Você escreve

Bicadas sangrentas no ninho: Goldman, sobre João Dória


28/09/2016 - 11h58

Captura de Tela 2016-09-20 às 14.44.30

Para conhecer melhor João Dória

por Alberto Goldman, em seu blog

A disputa para a prefeitura de São Paulo indica que, no quadro atual, apenas dois entre os seguintes três concorrentes têm a possibilidade de chegar ao segundo turno: Celso Russomano, Marta Suplicy e João Dória.

Todos eles abordam os mesmos temas, baseados nas pesquisas de opinião pública que mostram quais são os principais problemas levantados pelo eleitor, seus anseios e expectativas.

As soluções apresentadas por esses candidatos não diferem, em profundidade, umas das outras. Mais médicos, mais hospitais, mais remédios, mais gestão, mais educação, mais segurança, mais, mais, mais, sem que se possa ter a convicção das possibilidades reais de   realização, tanto do ponto de vista operacional quanto financeiro.

Russomano e Marta já são figuras conhecidas da população.  Já têm atividade política há bastante tempo e já foram candidatos e/ou executivos de maior ou menor sucesso. Tem virtudes e defeitos que são de conhecimento público.

João Dória é candidato pela primeira vez e não é conhecido pelos eleitores. Pertence, como eu, ao PSDB, o principal partido do Estado de São Paulo, que se orgulha de ter em seus quadros parte dos principais e mais respeitados políticos brasileiros.

Por isso mesmo é preciso colocar sobre ele uma lupa para que se conheça melhor sua história e seu caráter e saber se o eleitor paulistano deve arriscar seu voto para um mandato de 4 anos na principal cidade do Brasil, com seus enormes problemas. Haddad e Pitta são exemplos que ficarão em nossa memória.

Quem é esse personagem que se apresenta como “o novo” como se isso, por si só, fosse uma virtude?  Vou mostrar que usa métodos velhos, que tem sido a marca de atuação de grande parte dos candidatos em nosso país, e o faço através de seu histórico público e privado e de suas declarações.

Dória diz não ser político, mas administrador, empresário.

Não é verdade. Ele mesmo se vangloria em ter sido presidente da Paulistur, no governo Mario Covas, e presidente da Embratur, no governo José Sarney, ambas empresas estatais da área do Turismo. Seu material de propaganda divulga que foi coordenador da campanha “Diretas Já”, o que também não é verdade.  Exerceu cargos políticos, remunerados, profissionalmente. Agora é candidato a prefeito.

Dória comete um grave erro ao colocar o “político” em contraposição ao “administrador”. No exercício das funções públicas essas duas características não são polos opostos. Pelo contrário, têm que se amalgamar. Quando se trata da “administração” da coisa privada bastam os instrumentos de conhecimento – informações, estudos, pesquisas – e materiais – computadores, tratores, enxadas, escavadeiras – que se usa para cumprir as tarefas necessárias para produzir lucros.

Contudo, quando se trata da coisa pública não bastam instrumentos intelectuais e materiais. É essencial, imprescindível, a visão política, isto é, o resultado social. A política é a alma das tarefas realizadas para atender o interesse público. É ela que diferencia o público do privado.

Dória se diz empresário. Tem várias empresas, é verdade, e divulga em seu material de propaganda que, através delas, é um dos principais geradores de negócios do Brasil. No entanto, como empresas de eventos, não produzem qualquer bem ou serviço diretamente, apenas estabelecem e ampliam relações entre empresários e agentes públicos (deputados, senadores, secretários, ministros, governadores), atividade lícita que se chama de lobby, que lhe permitiu acumular um patrimônio declarado surpreendente de centenas de milhões de reais.

Esse sucesso financeiro o faz afirmar que é um administrador, um gestor.

No entanto, administrar recursos públicos em benefício do povo é uma atividade bem diferente de administrar recursos privados para benefício próprio. São processos e objetivos distintos, nem sempre sem conflitos e contradições, e exigem uma visão política e social de natureza muito especial.

Esse curto período de campanha já permite analisar o seu perfil. Dória não relutou em usar de todos os recursos lícitos e ilícitos, operacionais e financeiros, para angariar votos em uma prévia que está sendo avaliada pela Justiça Eleitoral. Nesse período prévio a lei veda o uso de quaisquer recursos financeiros para buscar votos para decisão dos filiados ao partido. Despesas só podem ser feitas pelo diretório municipal, mas ele as fez com recursos próprios. Além disso, não titubeou em usar as relações pessoais com o governador para obter apoios através da pressão de dirigentes do Estado sobre os filiados ao partido.

A sua falta de zelo pela coisa pública ficou evidente quando, conforme apuração da Folha de São Paulo constatou-se que tomou ilegalmente uma área de terra para somar à sua propriedade em Campos de Jordão.

Na entrevista à Jovem Pan ainda justificou que a incorporação era produto de um acordo de desafetação onerosa, feito com o prefeito anterior do município, em que ele teria trocado o imóvel por algum equipamento doado para a cidade, acordo esse que não foi “homologado”, segundo suas palavras, pela Câmara Municipal do município.

Ora, se não foi “homologado”, não aconteceu, não houve um ato jurídico perfeito. Nunca poderia incorporar bens públicos apenas através de um “acordo” com o prefeito ou com o Executivo municipal.

O fato é que tomou a área, mostrou não respeitar a diferença entre o interesse público e o interesse privado e, processado, foi tentar um arranjo que legalizasse o mal feito.

Há pouco, sob as luzes das câmeras de TV, Dória esteve na Escola Marina Cintra, onde estudou por 4 anos (se vangloria em dizer que estudou em escola pública sem citar que também estudou em escolas de elite, o Colégio Rio Branco e a FAAP).  Muito emocionado ao ler seu histórico escolar, verteu lágrimas.

Doria diz que vai abrir mão do salário.  Para um homem com o patrimônio de centenas de milhões que significado tem isso?  Todos os dirigentes públicos que recebem o seu salário não são dignos de respeito?  Muitos vivem disso, e só disso, honestamente. Merecem nosso profundo respeito ou valem menos que Um Dória?

Em outra cena preparada para a TV, Dória visitou o hospital do Campo Limpo e bateu boca com o seu diretor. Sem conhecer a realidade e sem quaisquer escrúpulos provocou enorme constrangimento acusando o diretor de desidia, um funcionário público que muitas vezes luta para dar um mínimo de condições de funcionamento a um equipamento médico em uma época em que todos estão submetidos à má gestão do governante e à penúria de recursos.

Em entrevista ao ser perguntado se vai lotear os cargos da prefeitura, caso eleito, nega que o fará ao mesmo tempo em que justifica a mesma atitude do governo do Estado para obter apoio político para a sua pretensão eleitoral. Uma contradição evidente. Perguntado sobre o acordo com o PP de Paulo Maluf disse que agora o PP não é do Maluf, é do Guilherme Mussi. Curioso. Mudou alguma coisa?

Enfim alguns toques sobre a personalidade de João Dória. Vamos acompanhar com a lupa. Afinal é candidato a prefeito da nossa metrópole e é candidato do meu partido, o que me demanda uma responsabilidade bem maior que a de qualquer cidadão.

Livro do Luiz Carlos Azenha
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

A Trama de Propinas, Negociatas e Traições que Abalou o Esporte Mais Popular do Mundo.

Por Luiz Carlos Azenha, Amaury Ribeiro Jr., Leandro Cipoloni e Tony Chastinet



16 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

FrancoAtirador

29 de setembro de 2016 às 05h01

.
.
Curiosidade

Que tipo de Isonomia é essa da Lei Eleitoral,
em que um Indivíduo aparece na Televisão

durante Anos Consecutivos, até as Vésperas
da Campanha Eleitoral, e então se candidata.

Enquanto outros nunca apareceram na Tela
ou, se apareceram, foi só para receber críticas.
.
.

Responder

FrancoAtirador

29 de setembro de 2016 às 04h38 Responder

FrancoAtirador

29 de setembro de 2016 às 04h28 Responder

FrancoAtirador

29 de setembro de 2016 às 03h59

.
.
A Direitaxa Paulistana

Agora, convenhamos, quem diria, até algum tempo atrás,
que a Marta estaria no PMDB, apoiada por Cunha, MiShell,
Serra e Kassab, dizendo na Mídia que nunca foi de Esquerda.

A partir do momento em que o Fernando Haddad assumiu
o Protagonismo Político Dentro do PT na Cidade de São Paulo,

a hoje Direitaxa se Abalou Emocionalmente com tal Gravidade
que não conseguiu esconder o Rancor e a Sede de Vingança.

Parece que o Objetivo Principal passou a ser o de Liquidar o PT
e Não Mais o de Desempenhar Bem o Cargo por Outro Partido.

Pode ser um Erro de Julgamento à Distância, mas a Impressão
é de que à Senadora Paulista, agora no PMDB, não interessa
ir para o 2º Turno da Eleição, mas sim impedir que Haddad vá.
.
.

Responder

    FrancoAtirador

    29 de setembro de 2016 às 04h19

    .
    .
    Em Resumo, a Senadora Marta se Desequilibrou Psicologicamente

    e se juntou à Escória Política de São Paulo – PMDB de MiShell e Skaf,

    PSDB de Serra e de Andrea Matarazzo que alugou o PSD de Kassab –

    para se vingar de Haddad, Dilma e Lula, sem se importar com nada,

    numa Atitude Irracional de Ira Kamikaze, Destrutiva, Suicida e Amarga.
    .
    .

FrancoAtirador

29 de setembro de 2016 às 00h09

.
.
Só Vão Votar em ‘Homens Probos e Santos’

Esquecem que as Últimas Eleições Municipais
ocorreram antes das “June Journeys 2013”.

Derrubaram a PEC 37 e Ensacaram a Política
no Mesmo Saco de Farinha da Corrupção.

Obviamente para Equiparar os Corruptos
do PSDB, do DEM, do PMDB, do PP e PQPs

com os Corretos como o Prefeito Haddad
e a Própria Presidente da República Eleita.

Depois, Misturaram Tudo no Cartel de Mídia
e Jogaram no Panelão de Lama Fervente
PrÁcabáCúmTúduÍssuQuistáí, e acabaram.

Uma Técnica Antiga do Nazi-Fascismo,
que, de Tão Manjada, de Novo deu Certo.

2014 foi 1962. Passamos do AI-1 de 1964.
Já Estamos a Caminho do AI-2 de 1965.

E Basta a Mídia Estrangeira nos Esquecer
que virão os Demais Atos Institucionais.
.
.

Responder

FrancoAtirador

28 de setembro de 2016 às 23h30

.
.
Cara! O MalaFeia Está, Acintosamente e Agressivamente,

Cometendo Crimes na Internet. E Não São Só Eleitorais.

https://twitter.com/PastorMalafaia
.
.

Responder

Mineiro

28 de setembro de 2016 às 19h22

O paulista é tucano de berço mesmo. O paulista se O maioral E melhor do que todo mundo. A arrepublica de SP tem o que merecem e o pt pode se retrar de SP porque esse estado facista não merece um prefeito como ele. Vamos tucanalhas prega o cacete na paulista da que eles merecem.

Responder

Mineiro

28 de setembro de 2016 às 19h15

A arrepublica de SP gosta mesmo é de tucano desgraçado que mete o cacete neles. Paulista não tem solução é facista e despolitização desde o berc

Responder

Crazy horse

28 de setembro de 2016 às 16h30

Ao meu ver São Paulo vai ter o prefeito que merece, Doria é o representante mor da elite paulista de mocassin, bermuda e camisa polo.

Responder

Edgar Rocha

28 de setembro de 2016 às 15h49

Beijinho no ombro pro Goldman. Este negócio de responsabilidade com a coisa pública é tão anos 80. Que falta de delicadeza. O Dória é um luxo só. Ai, que loucura! Com o que o Goldman tá preocupado? Com a possibilidade de alguém tão fino ferir a imagem do PSDB? Pra que isto, gente? Quem tem Moro tem Deus. E quem tem Morais não teme nada! Cidade é detalhe, meu querido. O que importa é o chiquetê de ter um prefeito com a imagem exata do eleitorado tucano. Pra que esconder, Goldman? A Globo vazelinisa tudo. Favelado tá ligando? Quem gosta do Huck gosta do Dória, ué? O Greca já abriu o jogo, não viu? Você falou dele, falou? Não. Então fica quieto que gente invejosa fica feia no convescote. No final, tu vai ter que ir lá pedir a bênção pro cara. Fica na tua. Tira onda, meu, aproveita. Tu não vai ter que tomar mais aquele antibiótico de alto espectro antes de ir na favela pegar na mão de preto. Chega de unheiro e beijo com cheiro de colgate. Não vai mais ter cheiro, colega. Aquele cheirinho. Vai dizer que nunca te incomodou? Pergunta pro Greca que ele te conta. quem gosta de cheiro é o Aécio, meu. Tu bem sabe porque. O cara não sente cheiro de mais nada, chapa. Mais nada, kkkkkkk.
Cadê os emoji desta porcaria de site?!

Responder

Luiz Carlos P. Oliveira

28 de setembro de 2016 às 13h32

PSDB tem os mais sérios e competentes políticos do país? O Goldmann bebeu?

Responder

Sidnei Brito

28 de setembro de 2016 às 13h00

2018: disputa entre Serra e Alckmin já começou.
Ambos querendo ter a honra de perder para Lula pela segunda vez.

Responder

FrancoAtirador

28 de setembro de 2016 às 13h00

.
.
Em São Consciência, Ninguém Vota no John Dólar.

Mas, como a Eleição é no Município de São Paulo…

https://pbs.twimg.com/media/CtcjvEoWAAALx_Q.jpg
.
.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!