VIOMUNDO

Diário da Resistência


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As guerras do ópio no Afeganistão


02/04/2010 - 13h04

30/3/2010

por Alfred W. McCoy[1], no Tom Dispatch e reproduzido no Asia Times Online 

Por vias que a maioria dos observadores não vêem, o governo Obama já está enredado no ciclo infinito de drogas e morte no Afeganistão do qual não há saída óbvia e que não tem fim à vista.
Depois de um ano de debates cautelosos e medidas caras, o presidente Obama finalmente deu os primeiros passos para uma nova estratégia de guerra no Afeganistão, às 2h40 da tarde do dia 13/2/2010, numa remota vila-mercado chamada Marja na província de Helmand, no sul do Afeganistão. Enquanto um enxame de helicópteros sobrevoava os arredores de Marja levantando nuvens de poeira, centenas de Marines dos EUA invadiam os campos de papoula em direção à parte murada da cidade.
 
Depois de uma semana de combates, o comandante geral dos EUA general Stanley A. McChrystal chegava à cidade com o vice-presidente do Afeganistão e o governador da província de Helmand. Sua missão: falar a uma coletiva de imprensa sobre a estratégia new-look de combate aos guerrilheiros baseada em levar “o Estado” e “o governo” a vilas remotas exatamente iguais a Marja.
 
Em ocasião cuidadosamente planejada com a presença de cerca de 200 moradores locais, pressupostos favoráveis ao “Estado” e ao “governo”, o vice-presidente e o governador, contudo, enfrentaram fúria inesperada e muito clara. “Se vierem com tratores”, disse uma viúva afegã, apoiada num coro de fazendeiros locais, “terão de passar com os tratores sobre mim e terão de me matar, antes de destruir minhas papoulas”.
 
Para aqueles plantadores de papoulas e outros milhares como eles, a volta do controle governamental, por democrático que seja, implica sempre a mesma ameaça mortal: a erradicação do ópio.
 
Entre tiros e gritaria, os comandantes militares norte-americanos, por estranho que pareça, pareciam não saber, até aquele momento, que Marja pode ser descrita como a capital mundial da heroína – com centenas de laboratórios, cuidadosamente camuflados nas casas de tijolos de argila da região, onde se processa regularmente a colheita local de papoula e se a converte em heroína de alto grau de pureza.  De fato, os campos da Província de Helmand produzem nada menos que espantosos 40% da produção mundial do ópio ilícito, e boa parte da colheita é comercializada em Marja. Correndo por aqueles campos de ópio para atacar os Talibã no primeiro dia da ofensiva, os Marines passavam sem ver pelo seu verdadeiro inimigo, a força que mantém viva a guerrilha Talibã; e perseguiram o que não passa de floração nova de guerrilheiros camponeses cujas armas e salários são pagos pelos pés de papoula. “Não se pode vencer essa guerra”, disse um funcionário da embaixada dos EUA, de volta de uma viagem de inspeção pelos distritos do ópio, “sem acabar com a produção de drogas na Província de Helmand.”
 
De fato, enquanto o “Air Force One” voava rumo a Cabul, domingo, James L. Jones, Conselheiro para Segurança Nacional do governo Obama, dizia aos jornalistas que o presidente Obama viajara para tentar persuadir o presidente afegão Hamid Karzai a dar prioridade à “luta contra a corrupção, que tiraria o alento dos narcotraficantes”. O comércio de drogas, acrescentou ele, “alimenta o motor econômico a favor dos ‘insurgentes’”.
 
Assim como os plantadores de Marja estragaram a festa ‘jornalística’ do general McChrystal, assim também os mesmos plantadores e suas colheitas conseguiram subverter todos os governos e todos os Estado que se tentou implantar no Afeganistão nos últimos 30 anos. Durante a guerra oculta da CIA nos anos 80s, o ópio financiou os mujahedeen ou “combatentes da liberdade” (como os chamava o presidente Ronald Reagan), que finalmente forçaram os soviéticos a abandonar o país e derrotaram o Estado marxista cliente.

No final da década dos 90s, os Talibãs, que haviam tomado o poder em praticamente todo o país, desafiaram a legitimidade internacional porque protegeram o ópio e lucraram com ele – até que, ironicamente, foram derrubados do poder apenas alguns meses depois de mudar de curto e proibir a colheita. A partir da intervenção militar pelos EUA em 2001, uma maré montante de ópio corrompeu o governo em Cabul e devolveu o poder aos Talibãs ressurgentes, cujos guerrilheiros assumiram o controle sobre porções cada dia maiores do interior do Afeganistão.
 
Essas três eras de guerra praticamente sem interrupção alimentaram um crescimento sem controle da colheita de ópio no Afeganistão – que subiu de apenas 250 toneladas em 1979, para 8.200 toneladas em 2007.  Nos últimos cinco anos, a colheita afegã de ópio é responsável por 50% do PIB nacional e é matéria prima para a produção de mais de 90% da heroína que circula no planeta.
 
A devastação do meio ambiente e o desmanche social que essas três décadas de guerra provocaram empurraram o ópio para cada vez mais fundo no tecido social do Afeganistão, a tal ponto que a situação hoje praticamente não pode ser nem compreendida, nem modificada, nem pelas mais brilhantes mentes de Washington (como tampouco pode ser, nem compreendida, nem modificada pelas mais incapazes e mais incompetentes). Gaguejando entre ignorar o ópio e exigir “total erradicação”, o governo Bush capengou durante sete anos, enquanto a heroína ganhava mercados mundiais; de tanto gaguejar e capengar, ajudou a criar uma economia da droga que corrompeu, devorou e paralisou o governo de seu aliado Presidente Karzai.
 
Atualmente, a produção de ópio alimenta 500 mil famílias afegãs, cerca de 20% da população nacional, e financia uma guerrilha dos Talibãs que, desde 2006, só fez expandir-se para o interior do país.
 
Para entender a Guerra do Afeganistão, é indispensável entender um ponto: em países pobres, com Estado que não oferece serviços básicos, a agricultura é a base de todas as políticas – e os camponeses e agricultores ligam-se a senhores-da-guerra ou a rebeldes, pelas mesmas razões pelas quais se ligariam a um Estado que provesse as condições mínimas de sobrevivência. O objetivo último da estratégia da contraguerrilha é estabelecer a autoridade do Estado. Quando a economia é ilícita e, por definição, escapa a qualquer controle pelo Estado, a tarefa da contraguerrilha torna-se gigantesca. Mas se acontece de os guerrilheiros capturarem aquela economia ilícita, como fizeram os Talibãs, nesse caso a contraguerrilha passa a ser tarefa quase, na prática, irrealizável.
 
Ópio é droga ilegal, mas a colheita de papoulas no Afeganistão continua na base de redes de confiança social que ligam as pessoas em todas as etapas da cadeia de produção. Os empréstimos são indispensáveis para a semeadura, as relações de trabalho são vitais na colheita, a estabilidade é indispensável para a comercialização e a segurança é indispensável para o embarque. A economia do ópio é tão dominante e problemática no Afeganistão de hoje que é indispensável propor a questão da qual Washington foge há nove anos: é possível pacificar um narco-Estado maduro?
 
A resposta a essa questão crucial deve ser buscada na história das três guerras do Afeganistão nas quais Washington esteve envolvida nos últimos 30 anos – a guerra oculta da CIA nos anos 80s, a guerra civil dos anos 90s (iniciada pelo financiamento produzido pela CIA, de 900 milhões de dólares) e, desde 2001, a invasão, ocupação e campanhas contraguerrilhas movidas pelos EUA. Em cada um desses conflitos, Washington tolerou o tráfico de drogas feito pelos seus aliados afegãos e entendido como preço do sucesso militar – política de negligência considerada benigna que ajudou a fazer do Afeganistão o mais consumado e maduro narco-Estado que há hoje no mundo.
 
Os anos 80s: guerra secreta da CIA, crescimento dos campos de papoula e dos laboratórios de refino
 
O ópio surgiu como elemento-chave da política afegã durante a guerra oculta da CIA contra os soviéticos, a última de uma série de operações secretas desencadeadas nas terras montanhosas dessa região da Ásia, que se estende por 6.500km, da Turquia à Tailândia. No final da década dos 40s, enquanto a Guerra Fria ganhava ímpeto, os EUA, primeiro, planejaram e executaram ataques encobertos contra os comunistas nessa área de montanhas – em Burma durante os anos 50s, no Laos nos anos 60s, e no Afeganistão nos anos 80s. Numa dessas ironias de que a história está cheia, a influência da China comunista e da União Soviética coincidia com a zona asiática do ópio, numa mesma região montanhosa – motivo pelo qual a CIA, desde o início, construiu alianças muito ambíguas com os senhores-da-guerra locais.
 
A primeira guerra de Washington no Afeganistão começou em 1979, quando a URSS invadiu o país para salvar um regime-cliente marxista com sede em Cabul, capital do Afeganistão. Vendo aí uma oportunidade para atacar seu inimigo da Guerra Fria, o governo Reagan passou a trabalhar em íntima associação com a ditadura militar paquistanesa, no que seria campanha da CIA para expulsar os soviéticos e duraria dez anos.
 
Foi operação secreta, mas diferente de outras operações secretas dos anos da Guerra Fria. Primeiro, o confronto entre a operação secreta da CIA e a guerra convencional dos russos devastou o frágil equilíbrio ecológico das montanhas do Afeganistão; destruiu a agricultura tradicional além de qualquer possibilidade de recuperação imediata; e fez aumentar a relevância do tráfico internacional de droga para a sobrevivência das populações locais. Além disso, e igualmente importante, em vez de a CIA fazer sua própria guerra oculta, como fizera nos anos da guerra do Laos e do Vietnã, no Afeganistão a CIA “terceirizou” grande parte das operações, que foram entregues ao serviço secreto [ing. Inter-Service Intelligence (ISI)] do Paquistão; criou assim o que em pouco tempo seria aliado poderoso, mas cada vez mais problemático.
 
Quando o serviço secreto do Paquistão apresentou seu cliente-aliado afegão Gulbuddin Hekmatyar, como líder supremo da resistência antissoviéticos, Washington – praticamente sem alternativas – aceitou-o.
 
Nos dez anos seguintes, a CIA entregou cerca de 2 bilhões de dólares aos mujahedeen afegãos através do ISI. Metade desse dinheiro foi entregue diretamente a Hekmatyar, fundamentalista violento, conhecido por ter jogado ácido no rosto de mulheres sem véu na Universidade de Cabul [2] e, depois, pelo assassinato de opositores que disputavam a liderança do seu grupo. Em maio de 1990, quando a CIA tentava por fim às suas operações no Afeganistão, o Washington Post publicou matéria de primeira página na qual acusava o principal aliado da CIA, Hekmatyar, de operar uma cadeia de laboratórios de refino de heroína em território paquistanês, sob proteção do serviço secreto do Paquistão (ISI).
 
Em meados dos anos 70s não se produzia heroína nessa área. A guerra secreta da CIA serviu como catalisador que converteu a fronteira Afeganistão-Paquistão na principal região de produção de heroína do planeta. À medida que os guerrilheiros mujahedeen capturavam as principais áreas agricultáveis em território do Afeganistão no início da década dos 80s, começaram também a recolher um imposto revolucionário sobre a papoula, pago pelos camponeses que os apoiavam.
 
Depois de os guerrilheiros afegãos terem levado o ópio para o outro lado da fronteira, passaram a vender matéria prima para centenas de laboratórios paquistaneses de refino de heroína que operavam sob proteção do serviço secreto do Paquistão. Entre 1981 e 1990, a produção afegã de ópio foi multiplicada por 10 – de 250 toneladas, para 2.000 toneladas. Apenas dois anos depois de iniciada a operação em que a CIA apoiou secretamente os guerrilheiros afegãos, o Procurador Geral dos EUA anunciou, em 1981, que o Paquistão já era fonte de 60% da heroína que chegava aos EUA. Na Europa e na Rússia, a heroína paquistanesa rapidamente conquistou parcelas cada vez maiores dos mercados locais e no próprio Paquistão o número de dependentes subiu de zero em 1979, para 1,2 milhão apenas cinco anos depois.
 
Depois de investir 3 bilhões de dólares para destruir o Afeganistão, Washington simplesmente partiu de lá, em 1992, deixando atrás de si um país totalmente devastado, com mais de um milhão de mortos, cinco milhões de refugiados, alguma coisa entre 10 milhões e 20 milhões de minas ainda não desativadas, a infraestrutura arruinada, a economia em frangalhos, e vários senhores-da-guerra armados e prontos para lutar entre eles pelo controle da capital. Mesmo depois de Washington ter finalmente interrompido o financiamento secreto para aquelas operações, no final de 1991, ainda assim o serviço secreto do Paquistão continuou a favorecer os senhores-da-guerra locais, em sua meta de longo prazo, de instalar um regime cliente pashtun em Cabul.
 
Os anos 90s: Senhores-da-droga, dentes de dragão e guerras civis
 
Durante os anos 90s, senhores-da-guerra locais sanguinários misturaram armas e ópio numa receita letal, parte de uma luta brutal pelo poder. Foi quase como se o solo estivesse semeado com dentes de dragão que, como conta a lenda, brotavam repentinamente e convertiam-se em soldados armados, gigantescos exércitos deles, saltando da terra de espadas em punho e prontos para a guerra.
 
Quando as forças da resistência do Norte finalmente arrancaram Cabul das garras do regime comunista – que sobreviveu ainda por três anos depois da retirada dos soviéticos – o Paquistão ainda financiava seu aliado Hekmatyar. E ele, por sua vez, descarregou seus canhões sobre a capital sitiada. Resultado: só nesse ataque morreram mais 50 mil afegãos. Mas nem um massacre dessas proporções bastaria para levar ao poder aquele fundamentalista impopular. Então o serviço secreto do Paquistão (ISI) criou e armou uma nova força, os Talibãs. Em setembro de 1996, os Talibãs afinal conseguiram capturar Cabul, o que só lhes rendeu mais cinco anos de guerra contra a Aliança do Norte, nos vales do norte da capital.
 
Durante esses anos de uma guerra civil que parecia interminável, as facções em luta apoiaram-se pesadamente no ópio como fonte de recursos para financiar a guerra; daí que, em 1999, a colheita de papoula já duplicara, para 4.600 toneladas. Nessas duas décadas de guerra e aumento de 22 vezes na produção de drogas, o próprio Afeganistão foi sendo lentamente convertido, de ecossistema agrícola diversificado – criação de gado, hortaliças e colheitas de mais de 60 itens de alimentação – em a primeira economia do mundo dependente da produção de uma única droga ilegal. No processo, uma já frágil ecologia humana foi arrastada para situação de ruína jamais vista no planeta.
 
Localizada na franja norte da região das chuvas anuais de monção, onde as nuvens que chegam formam-se na área já muito seca do Mar da Arábia, o Afeganistão é terra árida. As colheitas de alimento sempre foram mantidas por sistemas de irrigação abastecidos por água do degelo das altas montanhas. Para suplementar as colheitas, por exemplo, de trigo, muitas tribos afegãs têm de conduzir grandes rebanhos de ovelhas e bodes em deslocamentos de centenas de quilômetros, até as pastagens de verão nos planaltos centrais do país. Muito importante também nessa economia são as colheitas de plantas perenes – castanhas, pistaches e amoras – que sobrevivem porque são plantas de raízes longas, que alcançam águas muito profundas e resistem aos longos períodos de estiagem; nos anos mais secos, são o único alívio existente para a fome.
 
Nessas duas décadas de guerra, armas modernas, de poder de fogo devastador, dizimaram os rebanhos, destruíram as redes de irrigação e todas as hortas. Enquanto os soviéticos limitavam-se aos tiros, os Talibãs, com faro animal para acertar a jugular da vida social e econômica de sua gente, violaram todas as regras tradicionais da guerra afegã e dedicaram-se a destruir as hortas, plantações e rebanhos domésticos que havia na vasta planície Shamali ao norte de Cabul.
 
Todos esses fios de destruição se autoteceram até constituir um nó górdio de sofrimento humano, para o qual o ópio aparece como única saída. Como a espada legendária de Alexandre, o ópio serviu de via direta para fora de um quadro desesperadoramente complexo. Sem ajuda para recompor os rebanhos, replantar os campos ou refazer as hortas, os agricultores afegãos – os que sobreviveram e mais 3 milhões de refugiados que voltaram – encontraram um meio de sustento no ópio, que historicamente sempre foi parte muito pequena, mas sempre presente, da agricultura afegã.
 
O cultivo do ópio exige nove vezes mais mão de obra por hectare que o trigo; por isso, foi fonte imediata de emprego temporário para mais de um milhão de afegãos – metade dos quais, pelo menos, estavam desempregados naquele momento. Nessa terra devastada e nessa economia arruinada, só os mercadores do ópio poderiam acumular capital rapidamente; com esse capital acumulado, puderam oferecer aos plantadores de papoula financiamentos equivalentes a mais da metade de seus lucros anuais, um crédito crucialmente importante para a sobrevivência de muitos aldeões pobres.
 
Em marcado contraste com as dificuldades que impunha às demais plantações, o clima árido do país mostrou-se ideal para o cultivo da papoula. Em média cada hectare plantado com papoulas no Afeganistão rende cinco vezes mais que no principal concorrente, Burma. Mais importante que tudo, naquele ecossistema árido, sujeito a secas periódicas, o ópio consome menos que a metade da água necessária para outros cultivos, como o trigo.
 
Depois de tomar o poder em 1996, o regime dos Talibãs estimulou a expansão do plantio de papoulas em todo o país, dobrando a produção para 4.600 toneladas, então equivalente a 75% da heroína que o mundo consumia. Evidenciando o apoio que dava à produção de drogas, o regime Talibã passou a recolher imposto de 20% sobre a colheita anual de papoula, o que lhe rendeu cerca de 100 milhões de dólares de arrecadação.
 
Em retrospecto, a principal inovação do regime foi sem dúvida a introdução do refino de heroína em larga escala, nos arredores da cidade de Jalalabad. Ali foram postos a funcionar centenas de laboratórios de tratamento de matéria prima, que pagavam apenas um modesto imposto de produção de 70 dólares por quilo de pó de heroína. Segundo pesquisadores da ONU, os Talibãs também passaram a controlar os mercados regionais de ópio nas províncias de Helmand e Nangarhar, protegendo 240 grandes comerciantes ali instalados.
 
Durante os anos 90s, a crescente colheita de ópio do Afeganistão alimentou uma rede internacional de contrabando que ligou a Ásia Central, a Rússia e a Europa, num vasto mercado ilícito de armas, drogas e lavagem de dinheiro. Também ajudou a eclosão de uma guerrilha étnica numa faixa de terra de quase 6.000 km que vai do Uzbequistão na Ásia Central, à Bósnia, nos Bálcãs.
 
Mas em julho de 2000, o líder Mullah Omar dos Talibãs repentinamente determinou a proibição total do cultivo do ópio, em desesperada tentativa de conquistar reconhecimento internacional. Também repentinamente, todo o regime Talibã passou a fazer a mais violenta repressão, do tipo da que fez sua fama, a ponto de reduzir a colheita de papoula em 94%, para apenas 185 toneladas métricas.
 
Mas àquela altura o Afeganistão já dependia da produção de papoulas e ópio para praticamente toda sua arrecadação, impostos de exportação e empregos. O ato do regime Talibã foi, de fato, ato de suicídio econômico, que levou à beira do colapso total uma sociedade já enfraquecida. Essa foi a arma oculta com que os EUA contavam quando lançaram a campanha militar contra os Talibã em outubro de 2001. Sem o ópio, o regime já não passava de uma casca vazia e praticamente implodiu sob a explosão das primeiras bombas dos EUA.
 
A volta da CIA, do ópio e da guerrilha: 2001-
 
Para derrotar os Talibãs imediatamente depois do 11/9, a CIA mobilizou com sucesso os senhores-da-guerra ativos no comércio da heroína, para tomar cidades e vilas em todo o Afeganistão leste. Em outras palavras, a CIA e seus aliados locais criaram condições ideais para reverter a proibição do ópio e dar nova vida à economia do tráfico. Poucas semanas depois do colapso dos Talibãs, relatórios oficiais já falavam de um renascimento dos campos de papoula nos territórios da heroína em Helmand e Nangarhar. Em conferência em Tóquio com investidores internacionais em janeiro e 2002, Hamid Karzai, então novo primeiro-ministro lá implantado pelo governo Bush, relançou uma lei que, pelo menos pro-forma, proibia o cultivo da papoula. Mas não tinha meios para fazer cumprir a lei, contra o poder ressurgente dos senhores-da-guerra locais.
 
Depois de ter investido quase 3 bilhões de dólares para destruir o Afeganistão durante a Guerra Fria, Washington e seus aliados, agora, mostram-se muito contidos na oferta de fundos para a reconstrução. Naquele encontro de investidores em 2002 em Tóquio, os investidores internacionais prometeram apenas 4 bilhões dos 10 bilhões que se estimavam necessários para reconstruir a economia afegã nos cinco anos seguintes. Além disso, o gasto total dos EUA, de 22 bilhões para o Afeganistão entre 2003 e 2007, foi destinado a operações militares, com apenas 237 milhões de dólares destinados à agricultura. (Como no Iraque, parcelas consideráveis do que se supôs que fossem fundos para reconstrução acabaram no cofre de especialistas ocidentais, empresas de construção e seus sócios e parceiros locais.)
 
Nessas circunstâncias, ninguém deveria surpreender-se quando, durante o quinto ano da ocupação norte-americana, a colheita afegã de papoula subiu à estratosfera de 3.400 toneladas. Nos cinco anos seguintes, investidores internacionais pagariam 8 bilhões para reconstruir o Afeganistão, e o ópio injetaria quase o dobro disso, 16 bilhões, diretamente na economia rural sem deduções para pagar especialistas ocidentais e burocratas de Cabul.
 
Enquanto a produção de ópio crescia sem parar, o governo Bush subestimava o problema, “terceirizava” para a Grã-Bretanha o controle dos narcóticos e para os alemães o treinamento dos policiais. Como comando geral das operações dos aliados, o departamento de Defesa de Donald Rumsfeld via o ópio como detalhe que atrapalhava os projetos de derrotar os Talibãs (e, claro, de invadir o Iraque). Descartando a questão no final de 2004, o presidente Bush disse que “não desperdiçaria sequer uma vida norte-americana a mais, num narco-Estado”. Enquanto isso, nas operações de contraguerrilha, o exército dos EUA trabalhava em íntima relação com os senhores-da-guerra locais que, não por acaso, eram também os principais senhores-da-droga.
Depois de cinco anos de ocupação norte-americana, a produção de drogas do Afeganistão alcançava proporções sem precedentes. Em agosto de 2007, a ONU informava que o país alcançara colheita recorde de papoulas, plantadas em quase 500 mil acres, área superior à soma de todos os campos de coca na América Latina. De modestas 185 toneladas no início da intervenção dos EUA em 2001, o Afeganistão produzia então 8.200 toneladas de ópio, que geravam impressionantes 53% do PIB e 93% da produção global de heroína.
 
Assim aconteceu de o Afeganistão tornar-se o primeiro “narco-Estado” mundial. Se o tráfico de cocaína, que equivalia a apenas 3% do PIB da Colômbia, bastara para gerar infinita violência e cartéis poderosos capazes de corromper todo o governo, não é preciso muita imaginação para estimar as consequências da dependência do ópio, no Afeganistão, onde o ópio responde por mais de 50% de toda a economia nacional.
 
Em conferência sobre drogas em Cabul, esse mês, o chefe do Serviço Nacional de Narcóticos da Rússia estimou em 65 bilhões de dólares o ópio que está sendo colhido no Afeganistão. Apenas 500 milhões desse total chegarão aos plantadores afegãos; 300 milhões irão para os guerrilheiros Talibãs; os restantes 64 bilhões de dólares irão para “a máfia da droga”, que, assim, terá muitos fundos com os quais corromper o governo Karzai, em nação cujo PIB é de apenas 10 bilhões de dólares.
 
De fato, a influência do ópio é tão perversa que muitos funcionários afegãos, de líderes de vilas ao chefe de Polícia em Cabul, o ministro da Defesa e até o irmão do presidente já foram maculados pelo tráfico. Essa corrupção é tão contagiosa que, segundo estimativas da ONU, os afegãos são obrigados a consumir espantosos 2,5 bilhões de dólares em propinas. Não surpreendentemente, as repetidas tentativas do governo para erradicar o ópio são sempre minadas pelo que a ONU chama de “negócios corruptos entre proprietários dos campos, anciãos das vilas e equipes de erradicação das plantações.”
 
Não só os impostos do ópio financiaram a expansão das forças da guerrilha; os Talibãs também tiveram papel de destaque na proteção aos plantadores e aos mercadores de heroína; dado que todos dependem das colheitas e da circulação do produto, os Talibãs alcançaram controle absoluto sobre o coração da economia afegã. Em janeiro de 2009, funcionários da ONU e “agentes da inteligência” não identificados estimavam que o tráfico de drogas garante à guerrilha Talibã cerca de 400 milhões de dólares anuais. “Claro”, comentou o secretário de Defesa Robert Gates, “que temos de caçar os laboratórios de refino e os senhores-da-droga que dão apoio aos Talibãs e outros insurgentes.”
 
Em meados de 2009, a embaixada dos EUA criou uma operação conjunta de várias agências, chamada “Célula Financeira da Ameaça Afegã” [ing. Afghan Threat Finance Cell], para cortar o suprimento de dinheiro da droga para os Talibãs mediante controles financeiros. Imediatamente depois, um funcionário dos EUA disse que seu trabalho era como “escrever na água”. Em agosto de 2009, um frustrado governo Obama já ordenava aos militares “matar ou capturar” 50 senhores-da-droga ligados aos Talibãs, cujos nomes estavam numa lista secreta rubricada “matar”.
 
Desde a colheita recorde de 2007, a produção de ópio, de fato, declinou ligeiramente – chegou a 6.900 toneladas ano passado (ainda acima de 90% de todo o ópio que o mundo consome). Embora os analistas da ONU atribuam a redução aos esforços de erradicação, a causa mais provável é a superprodução de heroína que aconteceu depois do boom do ópio afegão, e que deprimiu o preço da papoula em 34%. De fato, mesmo essa menor oferta de ópio afegão está muito acima da demanda mundial – que a ONU estima em cerca de 5.000 toneladas por ano.
 
Relatórios preliminares sobre a colheita de ópio afegão em 2010 – colheita que será iniciada no próximo mês – indicam que o problema está longe de superado. Funcionários norte-americanos que supervisionam a área do ópio na província de Helmand vêem sinais de colheita maior que a anunciada. Nem os especialistas em drogas nos EUA que haviam predito queda continuada na produção mostram qualquer otimismo para o longo prazo. É possível que o preço do ópio caia durante alguns anos, mas os preços do trigo e de outros produtos sempre cairão mais e mais depressa; e a papoula continuará a ser, de longe, a semeadura mais rendosa para os plantadores afegãos mais pobres.
 
Fim do ciclo de drogas e morte
 
Com suas forças agora plantadas no solo dos dentes de dragão do Afeganistão, Washington está presa no que parece ser um ciclo sem fim de drogas e morte. A cada primavera nessas montanhas escarpadas, a neve derrete, os bulbos de papoula eclodem e umas novas colheitas de combatentes Talibãs ganham os campos, muitos dos quais para morrer sob o fogo dos EUA. E no ano seguinte a neve outra vez derrete, novos bulbos eclodem nos pés de papoula, e novas colheitas de combatentes Talibãs adolescentes pegam em armas contra os EUA, e o sangue volta a jorrar. Esse ciclo repete-se há dez anos e, a menos que alguma coisa mude muito, o ciclo continuará indefinidamente.
 
Há alguma alternativa? Ainda que o custo para reconstruir a economia rural afegã – com seus rebanhos, hortas e colheita de grãos e hortaliças para comer – chegasse a 30 bilhões, ou mesmo que alcançasse 90 bilhões, o dinheiro existe e está à mão. Segundo estimativas conservadoras, o “avanço” de 30 mil soldados que o presidente Obama mandou para lá custa, só o “avanço”, 30 bilhões de dólares ao ano. Bastaria trazer os soldados de volta para casa e haveria fundos para reconstruir a vida rural no Afeganistão, oferecendo aos agricultores algum meio para plantar e alimentar as famílias, sem pensar em unir-se ao exército dos Talibãs.
 
A apenas alguns passos de ter de fazer outra retirada precipitada como em 1991, Washington continua sem qualquer alternativa realista senão a cara e demorada reconstrução da agricultura do Afeganistão. Por trás da onda de um exército aliado que já chega hoje a 120 mil soldados, o ópio fez crescer os Talibãs até convertê-los em governo-sombra e em efetivo exército de guerrilheiros.
 
A ideia de que a presença militar expandida do ocidente estaria fazendo aquela força recuar e estaria pacificando a polícia afegã, de homens analfabetos e dependente de drogas; ou que reconstituiria o exército é hoje, como sempre foi, pura fantasia. Soluções imediatistas, como pagar os plantadores de papoula para que não plantem, ideia de britânicos e norte-americanos já tentaram, têm alta probabilidade de resultar, como tiro pela culatra, em aumento do cultivo de ópio. Rápida erradicação de uma cultura de drogas, sem emprego alternativo, ideia que a empresa DynCorp tentou com fracasso estrondoso, sob um contrato de 150 milhões de dólares em 2005, resultaria apenas em mais miséria para o Afeganistão, represaria a revolta em massa e desestabilizaria ainda mais o governo de Cabul.
 
A escolha, portanto, está aí e é bem clara: podemos continuar a adubar com mais sangue aquele solo mortal, em mais guerra brutal e sem qualquer resultado proveitoso – nem para os EUA nem para o Afeganistão. Ou podemos começar a retirar de lá as forças dos EUA, ao mesmo tempo em que podemos ajudar a renovar aquela terra árida e antiga, a recriar suas hortas, reconstituir seus rebanhos e renovar os sistemas de irrigação destruídos em décadas de guerra.
 
Nesse ponto, nossa única escolha realista é esse tipo de desenvolvimento rural sério – quer dizer, reconstruir a área rural do Afeganistão mediante vários pequenos projetos, até que a colheita de alimentos torne-se alternativa economicamente viável ao plantio e colheita e comercialização da papoula e do ópio. Dito de forma mais simples, tão simples que até Washington entenderá, só se conseguirá pacificar um narco-Estado quando ele já não for narco-Estado.
 
Notas:
[1] Alfred W. McCoy é professor na cátedra J.R.W. Smail, de História, da University of Wisconsin-Madison. É autor de The Politics of Heroin: CIA Complicity in the Global Drug Trade, em que disseca a conjuntura das drogas ilegais e de operações clandestinas ao longo de 50 anos. Seu livro mais recente, Policing America’s Empire: The United States, the Philippines, and the Rise of the Surveillance State, examina a influência de operações de guerrilha por todo o mundo na expansão de medidas de segurança internas nos EUA.
[2] Há exatamente a mesma referência a Hekmatyar em CHOMSKY, Noam. 23/3/2010. “The evil scourge of terrorism”: “Reality, construction, remedy”. Conferência na International Erich Fromm Society, Stuttgart, Germany (em inglês em
http://chomsky.info/talks/20100323.htm ).
 
O artigo original, em ingles, pode ser lido em:
http://www.tomdispatch.com/post/175225/tomgram:_alfred_mccoy,_afghanistan_as_a_drug_war__
e
http://www.atimes.com/atimes/South_Asia/LD01Df02

Tradução: Caia Fittipaldi

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A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



17 comentários

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OlhoQTudoV

08 de dezembro de 2012 às 10h29

Se a guerra acabar, então as empresas de suprimentos para guerra americanas e europeias perderão os contratos milionários e bilionários. A guerra é uma forma boa de justificar o saque nos cofres públicos, uma máquina de fazer dinheiro que o contribuinte paga. Não acredito no fim da guerra, é lucrativo de mais para empresas de países democráticos.

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Guerra ao terror? Qual o sentido da guerra no Afeganistão? « Fanfraria

14 de junho de 2010 às 15h18

[…] internacional, Estados Unidos e Europa não pensam em recuar. Já tinha ouvido falar sobre a produção e tráfico de ópio proveniente do país e que muita gente estava ganhando dinheiro com i…. De qualquer forma, pensava que esta atividade nem tinha como financiar uma guerra tão […]

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Alcino

03 de abril de 2010 às 20h34

Há várias lições. Não devemos entender que Lula seja um semi-deus, mas o fato é que ele transcendeu o Brasil e se espalhou pelo mundo. E se no Brasil ele continua com tantos inimigos ricos e inteligentes, imagine no mundo, quantos inimigos não terá! Mas o Lula conta com um apoio incondicional: o da Índia. Para começar, Brasil e Índia, só os dois, podem modificar completamente o mundo. A ONU, por exemplo, sempre foi uma entidade sem saber bem até onde vai sua autoridade. A ONU diz uma coisa e olha para os Estados Unidos para ver se eles concordam. O resultado é uma coisa que descobrí há muito tempo: Se Lula estivesse na ONU, a ONU teria moral.

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João Pedro

03 de abril de 2010 às 15h49

De texto publicado pelo site Brasil de Fato (http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/intern… em 2007:

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João Pedro

03 de abril de 2010 às 15h50

“O pesquisador canadense conta que a ONU também omite a origem da produção de ópio no Afeganistão. Até a invasão do país pela União Soviética (1979-1989), não se produzia papoula. Com o objetivo de desestabilizar a presença soviética, a Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA teve um papel central no desenvolvimento da produção da droga, cujo dinheiro alimentava forças rebeldes. "A economia afegã de narcóticos foi cuidadosamente projetada pela CIA, apoiado pela política externa estadunidense", escreve”

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João Pedro

03 de abril de 2010 às 15h50

“O canadense Michel Chossudovsky, professor de Ciências Econômicas na Universidade de Ottawa, em artigo publicado na página do Centro de Pesquisa sobre a Globalização, entidade onde é diretor, afirma que recuperar a produção da papoula e obter o controle das rotas da heroína fazem parte da agenda estadunidense para a região. "Há negócios e interesses financeiros poderosos por trás do narcotráfico. Assim, o controle geopolítico e militar das rotas de drogas é tão estratégico quanto às de petróleo e seus oleodutos", escreve Chossudovsky, enfatizando que, após o comércio de petróleo e de armas, o de drogas é o que mais movimenta dinheiro no mundo (400 a 500 bilhões de dólares por ano).”

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Fernando Frota

03 de abril de 2010 às 13h34

Segundo analistas internacionais, a China manifestou, na recente visita de Karsai ao país, sua posição em relação a seu vizinho Afeganistão. Deseja que o vizinho seja pacificado, porque não lhe interessa eternos conflitos em sua vizinhança, envolvendo grupos que podem estimular o separatismo em algumas de suas etnias e o contrabando de drogas através de suas fronteiras. Estaria inclusive disposta a investir no desenvolvimento do país, se houvesse ambiente adequado para isso. Porque os Estados Unidos não podem trabalhar com a China na construção deste ambiente adequado? Por alguma razão religiosa? Todos podem observar que os Estados Unidos são uma potência cuja hegemonia militar é impossível de ser comparada ou desafiada. Eles não teriam qualquer necessidade de ficar lutando por pequenos espaços estratégicos aqui e ali, como se fora uma Inglaterra colonial do fim do século dezenove. Mas a estrutura de seu complexo militar e de inteligência parece se ter transformado em uma monstruosidade incontrolável e insaciável, de profundas raízes políticas e até culturais. Resultado: os Estados Unidos estão consolidando um prestígio de fomentador de perversas situações internacionais. E pior: estão perdendo em todas as frentes uma guerra que eles insistem em negar que ela exista. É a guerra da Paz.

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Norton

03 de abril de 2010 às 06h33

Azenha, o texto é bastante informativo e cria discussões importantes, mas não é por isso que precisa colocá-lo duplicado…..hehe

Essa coisa de narco-Estado é fundamental se analisarmos a abrangência da questão no Brasil. Aqui a corrupção chega a ser vulgar e ocorre por todos os motivos possíveis, parece até que somos meio que um 'Estado-de-conta'; agora não chegamos perto da nítida hipocrisia de dirigir tratamentos distintos a realidades que lhes convenham, muito usada pelas Usaid's e asseclas aparelhados em seus estados-pátrios. Numa dessa, meio sem querer, o Serra ganha e amplia a única coisa que funciona em São Paulo – o PCC. Agora dá licença que vou ligar pro meu broder fazer uma 'correria'..

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    Conceição Lemes

    03 de abril de 2010 às 04h51

    Norton, obrigada pelo alerta. Ainda estamos apanhando do novo sistema. Abs

João

03 de abril de 2010 às 05h24

Li o artigo do viomundo, e a entrevista da Malalai Joya. Imperdíveis. Fiquei emocionado ao ler a jovem Malalai falar: ela tem a coragem de um Gandhi ao lutar contra os Impérios dos EUA, dos Senhores da Guerra, dos Talibãs.

Confesso que me senti muito pequeno perto da coragem da jovem.

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Leider_Lincoln

03 de abril de 2010 às 01h38

Os Estados Unidos parecem achar que o dístico "colherás o que houverdes plantado" não valem para eles. Semeiam ventos e querem colher calmarias. Babacas!

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João Pedro

03 de abril de 2010 às 00h58

Eis um retrato acabado de um império absurdamente hegemônico.

E, por incrível que possa parecer, só o conhecemos pelo trabalho de um cidadão deste mesmo império que, mesmo tergiversando ao imputar a responsabilidade aos Talibãs, mostra a face cruel e hipócrita do seu País.

Assim, cabe a pergunta: porque os dominados não conseguem mostrar este tipo de análise?

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Jorge Nunes

02 de abril de 2010 às 23h43

O talibã não teve problemas em reduzir a produção de ópio a zero. Mas desde que os EUA invadiram a produção de ópio não pára de aumentar.

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Marat

02 de abril de 2010 às 21h05

Esses invasores canalhas não passam de uns falsos beatos. Julgam-se superiores e donos da verdade, mas não passam de bandidos canalhas respaldados pelos meios de comunicação!

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Marko

02 de abril de 2010 às 20h01

Plantar, colher…
tem até ditados populares sobre o assunto, enfim, nda a acrescentar a não ser a palavra d 1 Mulher q vive a realidade daquela região http://passapalavra.info/?p=20681

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