VIOMUNDO

Diário da Resistência


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A carta dos alunos de obstetrícia da USP


19/03/2011 - 22h12

Pedido de apoio à Graduação de Obstetrícia na Universidade de São Paulo

A saúde da mulher encontra no Brasil números alarmantes. A OMS recomenda que o número de cirurgias cesáreas não ultrapasse 15%, porém, na rede pública brasileira este número alcança a marca de 48% e na rede particular de 70% a 90%. Apesar do incentivo do Ministério da Saúde do Brasil pelo parto normal e pela humanização dos mesmos, as taxas permanecem altas. Sendo assim, em resposta a este quadro, o curso de Obstetrícia foi reaberto na Universidade de São Paulo em 2005, 34 anos depois de sua extinção na mesma universidade.

Ressurgiu determinado a formar profissionais da saúde, capacitados para prestar uma assistência humanizada à população brasileira no que se refere assistência pré-natal, parto e pós parto, compreendendo a saúde da mulher, família e comunidade.

Acreditamos que uma atenção humanizada não é uma especificidade da obstetrícia, certamente profissionais médicos e enfermeiros podem e devem humanizar seu olhar e suas práticas. Contudo, a formação específica de Obstetrícia capacita os profissionais para praticar uma atenção individualizada à mulher e à família, compreendendo-a em seus processos de gestação, parto e amamentação como fisiológico, mas também e igualmente importantes, como processos emocionais, sociais, culturais, espirituais e como sementes para um mundo melhor.

No entanto, apesar de se propor a colaborar com a melhora da atenção a saúde da mulher, desde a sua reabertura, o curso enfrenta muitas dificuldades, dentre elas o impasse em relação a regularização da profissão de obstetriz. No diálogo com as instituições que poderiam regulamentar os profissionais formados nesse curso, viu-se a necessidade de ampliar a formação dos mesmos, o que gerou uma reformulação em sua grade curricular, que a partir de 2011 passa a ser realizado em 4 anos e meio em período integral. Assim, o curso foi tratando de dar respostas, aprender e recordar sempre qual a sua função e a importância que representa na possibilidade de contribuir na melhoria da atenção a saúde no Brasil.

A esses impasses soma-se o fato do curso de Obstetrícia estar situado em um campus recente da USP. Sendo um campus novo, os cursos situados nele têm pouca divulgação e consequentemente menor procura do que cursos tradicionais. Devido a isso, hoje a Obstetrícia enfrenta um problema ainda mais grave do que a regularização de seus profissionais: corre o risco de ter seu vestibular suspenso, o que abre a possibilidade do fechamento do mesmo. Além disso, há também a possibilidade de redução das vagas para acesso ao curso (hoje 60 vagas são disponibilizadas por ano). Entendemos, no entanto, que a realidade da assistência obstétrica no Brasil justifica a manutenção das 60 vagas atuais, permitindo a formação de um maior número de profissionais capacitados na assistência humanizada à saúde da mulher.

Como consequência indireta e não menos importante, a suspensão do vestibular e possível fechamento do curso diminui as chances das pessoas que vivem na Zona Leste de São Paulo, região caracterizada por população de menor poder aquisitivo e, dado o quadro das universidades do Brasil, com menor chances de cursar uma faculdade pública, em geral com maior prestígio no país.

Enfim, estamos falando da possível extinção da profissão Obstetriz e de sua capacidade de mudar a realidade obstétrica brasileira. Hoje os alunos formados podem trabalhar mediante uma ação judicial, porém enfrentam uma oposição das instiuições reguladoras que dificulta o ingresso destes profissionais no mercado de trabalho.

Pedimos, então, o seu apoio para evitar que a Obstetrícia tenha seu vestibular suspenso e sua formação ameaçada. Para isso você deve assinar o texto abaixo, podendo acrescentar comentários pessoais, e depois enviar para o email [email protected]

Diante da realidade obstétrica brasileira, com altas taxas de cesárea e morbimortalidade materna, ao contrário das recomendações da OMS, apoio a graduação de Obstetrícia da Universidade de São Paulo, sendo contrário à suspensão de seu vestibular. Da mesma maneira apoio a profissão Obstetriz e sua inserção no mercado de trabalho, uma vez que acredito que este profissional pode alavancar uma assistência humanizada na saúde da mulher, melhorando e ressignificando os processos de gestação, parto e pós-parto.

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14 comentários

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Franklin Cunha

22 de março de 2011 às 09h39

:
1. É evidente – e os leitores leigos se deram conta disso – que há uma disputa por fatias do mercado entre médicos e outros profissionais da saúde.Não é atuação ominosa ou pecaminosa, pois desde que a medicina tornou-se uma profissão, isto ocorre.2. Acontece que as argumentações de nossos colegas negam esta evidência e dizem que o objetivo da disputa não é por competição , mas por competência.
No Brasil, quase 100% dos partos são feitos em centros obstétricos hospitalares, onde há médicos especialistas, assepsia adequada, instrumentação farta, monitorizações eletrônicas materno-fetais, abundantes medicamentos, enfim, todas as condições técnicas modernas para se realizarem partos seguros com baixas morbi-mortalidades materno-fetais. Os resultados, no entanto, de todas estas facilidades tecnológicas, não se pode dizer que sejam brilhantes.

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Franklin Cunha

22 de março de 2011 às 09h22

No Ceará, o Prof. Galba Araujo de saudosa memória, baixou as taxas de cesarainas a quase zero.
Como?
Construindo pequenas maternidades no interior do estado, onde as parteiras por ele orientadas é que faziam os partos e onde só dispunham de soro glicosado e metergin.
Além disso, a amamentação natural era de 100% e o custo total baixíssimop.
Quando num município se estabelecia um médico, as taxas de cesarianas subiam para 50% e a amamentação diminuia também 50%.
Solução: entreguem os partos de baixo risco para as parteiras e mantenham longe os médicos.
Franklin Cunha
CREMERS 3254/
TEGO 265/69

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Andreia Oliveira

21 de março de 2011 às 19h58

Luiza Maria Pavanni,
Todas estas informacoes vc encontra no site da each usp. http://www.each.usp.br

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José Augusto Azeredo

21 de março de 2011 às 18h32

Nas décadas de 1950 e 1960, especialmente houve um verdadeiro surto de cirurgia para extração de amígdalas. Conscientemente ou não, os profissionais de medicina acabaram por cair numa cruzada para ganhar muito dinheiro extraindo amígdalas.
Da mesma época para cá popularizou-se, penso que por razões semelhantes, a chamada "cesariana". Para isto, concorreu o argumento de dar "segurança" ao parto, contando, claro, com os receios da grávida, receios esses, por sinal, bastante justos. Como pessoa do sexo masculino digo que não sei se teria coragem para engravidar e parir.
Portanto, todo apoio aos alunos de obstetrícia porque, mais que eles, a causa é proporcionar as mulheres a volva ao parto natural, mais natural, saudável e barato para o país.

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Luisa Maria Pavanni

21 de março de 2011 às 13h14

Sou enfermeira e antes de tudo me preocupo com o bem-estar da população atendida, por isso, antes de tomar qualquer decisão em apoiar ou não, devemos saber:
quem são estes profissionais?
como são as grades curriculares? estágios?
qual a formãção dos professores do curso?
que conselho vai ser responsável por estes profissionais?
quem se forma no curso de obstetrícia é equivalente a quem faz um curso de especialização em obstetrícia?

Estas são minhas duvídas e acredito que a dúvida de muitos, se algum aluno puder responder ,eu agradeço desde já…
Luisa Maria Pavanni

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Ana Cristina Duarte

21 de março de 2011 às 12h06

Sou obstetriz formada pelo curso de Obstetrícia da USP, na primeira turma. Desde então já acompanhei mais de 200 partos, e testemunhei os benefícios do atendimento humanizado às famílias. A notícia partiu meu coração, porque cada profissional que deixa de ser formado são tantas e tantas famílias que deixam de ser beneficiadas.

Tudo isso por causa da visão tacanha e corporativista de um Conselho profissional que não nos representa em absoluto. A USP não pode se curvar a esse tipo de pressão externa! A função da USP é formar bons profissionais. Deixe que nós cuidemos do COFEN através das medidas legais que serão cabíveis daqui pra frente.

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Pilatos

20 de março de 2011 às 21h25

Ah, Brasil… Como usam o nome do povo para proteger o seu quinhão, não é? Quando esses estudantes se formam, esquecem o que escreveram em manifestos e afins.

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Abaixo assinado contra o fim do curso de Obstetrícia da USP | Posso Amamentar - Consultoria em Amamentação - Rio de Janeiro

20 de março de 2011 às 21h24

[…] Carta dos alunos de Obstetrícia à sociedade: https://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-carta-dos-alunos-de-obstetricia.html […]

Responder

Carmem Leporace

20 de março de 2011 às 17h18

A USP, é a melhor universidade do Brasil, é do estado de São Paulo.

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    Fábio

    21 de março de 2011 às 10h07

    Sugiro informar-se sobre a decadência da USP.

Mauro A. Silva

20 de março de 2011 às 14h33

Azenha,
Não sei onde pubvlicar esse post sobre educação:

Grande Liquidação de Verão: escolinhas de 1,99 por 1,81…

<img src="http://movimentocoep.files.wordpress.com/2011/03/escolinhas181_2.jpg"&gt;

Quem é que faz o controle social sobre as escolas públicas?
Será a Folha de São Paulo? Aquela que tem contratos milionários com o governo de SP e vende seus jornais para as escolinhas públicas de SP?
Será a poderosa TV Globo? Aquela que recebe gordas verbas publicitárias do Governo de SP? E que também teve um terreno público “doado” para ela formar seus funcionários?
Será o sindicato das diretoras? Aquele sindicato que disse que “não interessa o que diz a lei… criança sem uniforme não entra na escola”?
Será o sindicato das professorinhas? Aquele sindicato que faz greve para exigir a efetivação dos professores nota zero?
Será o aquele promotor que quer rebaixar a idade penal e colocar nossas crianças nas cadeias?
Será aquele juiz que só ouve as professorinhas e mantém um blog defendendo o uso de vara nas crianças?

Leia completo aqui: <a href="http://movimentocoep.ning.com/forum/topics/grande-liquidacao-de-verao” target=”_blank”>http://movimentocoep.ning.com/forum/topics/grande-liquidacao-de-verao

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ricardo silveira

20 de março de 2011 às 13h15

Três questões ligadas: a medicina no capitalismo pende-se mais para o interesse do mercado que do paciente; os governos tucanos são uma porcaria e; o povo paulista merece os governantes que tem.

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ljalmeida

19 de março de 2011 às 23h56

Eu apoio a manutenção do curso de Obstetrícia, por nossas crianças. Também a regulamentação da profissão de obstetriz.

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