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Juliana Cardoso: Até na pandemia Covas privilegia as OSS; 2,7 milhões de consultas suspensas, mas ganhos subiram para R$ 4,2 bi
Fotos: PT e Govesp
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Juliana Cardoso: Até na pandemia Covas privilegia as OSS; 2,7 milhões de consultas suspensas, mas ganhos subiram para R$ 4,2 bi


04/10/2020 - 22h03

Gestão Covas deixa de realizar 2,7 milhões de consultas

Estratégia de paralisar os atendimentos da atenção básica se mostra contrária aos municípios com melhores resultados no combate à covid-19

Por Juliana Cardoso*

Ao suspender todos os atendimentos da atenção básica durante a pandemia, a gestão Bruno Covas (PSDB) escolheu uma estratégia contrária aos municípios que estão se saindo melhor no combate à COVID-19.

Cidades com índices relativamente baixos de contaminados e de óbitos estruturaram um conjunto de ações na atenção básica para combater a transmissão do vírus.

Mesmo diante do quadro de desinformações, preferiram investir em procedimentos que incluíram testagens de massa e busca contínua de pessoas transmissoras, mesmo aquelas com sintomas leves ou assintomáticas, todas para cumprir o isolamento social.

Na cidade de São Paulo, a retração da atenção básica se tornou oficial com a portaria nº 154/2020.

Publicada em 20 de março, ela paralisou o atendimento.

E o caminho para combater o novo coronavírus se restringiu em ampliação de leitos e hospitais de campanha.

Essas medidas, ainda que necessárias, não se mostraram eficazes para colher melhores resultados.

Mesmo porque o protocolo em São Paulo é testar somente pessoas com sintomas de desconforto respiratório em situação emergenciais.

A paralisação do atendimento exibe números gigantescos.

Até 30 de agosto, a rede municipal de saúde deixou de realizar 2,7 milhões de consultas médicas.

Desse total, a atenção básica abdicou de 1 milhão de consultas, número igual aos da urgência e emergência.

Outras 700 mil consultas deixaram de ser realizadas pelo atendimento especializado.

Esses dados constam do relatório de prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde, em audiência pública realizada em 30 de setembro na Câmara Municipal.

Mas o tamanho da tragédia não está expresso apenas nas estatísticas de infectados e mortes pela covid-19, mas na consequência para a saúde em geral da população.

O resultado imediato é uma crescente demanda reprimida de acesso às consultas e longa espera na fila para atendimento.

Em paralelo, ao interromper os tratamentos aos pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, o quadro de saúde dessas pessoas se agravou.

Um dos procedimentos mais importantes no controle da covid-19 é o número de testes.

Em Araraquara, com população de 270 mil habitantes, a média de 9 mil testes por 100 mil habitantes é quase o triplo da cidade de São Paulo com 3,6 mil por 100 mil.

Enquanto em Araraquara o número é de 46 óbitos na Vila Prudente/São Lucas, com população equivalente, são 478 mortes.

Diante desse quadro de redução no número de consultas, o natural seria reduzir os repasses às Organizações Sociais de Saúde (OSS) também tivessem recuado.

As OSS são instituições que administram os serviços de saúde.

Ledo engano. Houve até ligeiro crescimento.

No ano passado, até 30 de agosto, as entidades receberam R$ 3,9 bilhões do orçamento.

E neste ano, no mesmo período, já foram remuneradas pela Prefeitura em R$ 4,2 bilhões.

Mesmo na pandemia e com produtividade quase zero de consultas, as OSS continuaram sendo privilegiadas com verbas públicas.

 

Vereadora Juliana Cardoso (PT), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescente e Juventude e membro das Comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo.



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