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Juliana Cardoso: Trabalhadores de serviços presenciais precisam ser priorizados na vacinação
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Juliana Cardoso: Trabalhadores de serviços presenciais precisam ser priorizados na vacinação


08/04/2021 - 10h17

Trabalhadores de serviços presenciais necessitam ser vacinados

Por Juliana Cardoso*

Prestes a fechar a compra de 5 milhões de doses da vacina contra a COVID-19 produzidas pela farmacêutica Janssen, do grupo Johnson & Johnson, a Prefeitura da cidade de São Paulo abriu o leque para inclusão de vários segmentos para receber a dose única desse imunizante.

Além disso, pelo Conecta (Consórcio Nacional de Cidades pela Vacina), a Prefeitura deverá ter mais 1 milhão de doses.

A Câmara Municipal, após acordo entre as lideranças partidárias, concentrou como assunto prioritário os debates para definição desses novos segmentos para vacinação. Serão indicações simbólicas dos vereadores que ficarão a critério do prefeito acatá-las.

Antes mesmo desse acordo, questionamos a Secretaria Municipal de Assistência Social sobre os motivos pelos quais tinham sido excluídos da vacinação iniciada no final de março os trabalhadores dos centros para Desenvolvimento Social e Produtivo ( Cedesp), Crianças e Adolescentes (CCA), Juventude (CJ), Clube da Turma, Circo Social e Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (SAICA).

Depois de contra-argumentos, finalmente os funcionários de todos os programas da área de Assistência Social começaram a receber vacinação.

Sabemos que o cobertor é curto. Que no momento ainda faltam vacinas. Mas quem está na linha de frente deve ser priorizado. Os trabalhadores e usuários dos serviços continuam a colocar as suas vidas em riscos em atendimentos e serviços presenciais.

Voltando ao acordo na Câmara, nosso mandato apresentou três emendas ao Projeto de Lei nº 189/2019. As propostas adicionam profissionais que estão em situação de risco, sobretudo diante das novas variantes do vírus que surgiram.

Diante da escalada dos números de infectados e de óbitos no Brasil e na cidade de São Paulo, há necessidade de incluir pessoas que, mesmo diante da gravidade da pandemia, continuam a prestar serviços de forma presencial.

O primeiro grupo a ser incluído são os 260 conselheiros tutelares, assim como os funcionários de apoio administrativo dos 52 conselhos tutelares. Eles atuam em todas as regiões da cidade na defesa dos direitos das crianças e adolescentes. Há notícias de óbitos de conselheiros.

O segundo grupo são os cuidadores de idosos. Estima-se que no Brasil sejam cerca de 1 milhão de profissionais responsáveis pelos cuidados das pessoas idosas. O próprio Ministério Público do Trabalho (MPT) já reconheceu os cuidadores como grupo prioritário.

E o terceiro segmento a ser incluído são os profissionais terceirizados de serviços essenciais de zeladoria urbana. Eles são os responsáveis diretos no dia a dia pela coleta de lixo domiciliar, varrição de vias públicas, assim como podas de árvores.

Não custa reiterar que o cobertor, infelizmente, é curto por negligência do governo federal que não se planejou no ano passado para adquirir as vacinas.

Hoje sem um lockdown de verdade somente o avanço da vacinação pode começar a frear a velocidade de transmissão da COVID-19 e diminuir as estatísticas que colocam o Brasil no topo do número de casos e óbitos.

Para alguns pode parecer puro interesse corporativo, mas é uma questão de equivalência.

Afinal, os trabalhadores precisam ser priorizados e não tratados de forma diferente.

Igualdade e equidade são fundamentais na administração pública.

* Juliana Cardoso é vereadora (PT), vice-presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de São Paulo.





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