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Juliana Cardoso: Total de testes, leitos de UTI, respiradores e recursos mostra omissão de Bolsonaro contra o covid
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Juliana Cardoso: Total de testes, leitos de UTI, respiradores e recursos mostra omissão de Bolsonaro contra o covid


09/06/2020 - 19h22

Números mostram omissão do governo federal no combate à pandemia

Dos R$ 29,5 bilhões anunciados pela União, o valor efetivamente transferido para estados e municípios foi de R$ 8,5 bilhões (28%)

por Juliana Cardoso*

Como se não bastasse a omissão do governo federal no combate à Covid-19, o País assiste à omissão de dados sobre a doença.

Com registros de uma morte por minuto o Brasil virou o epicentro.

Talvez por isso, desde a semana passada, o Ministério da Saúde mudou o método de informações da pandemia.

Além de atrasar a divulgação, os números diários passaram a ignorar os totais acumulados de infectados e de óbitos.

Como informação é arma estratégica numa guerra e o presidente Bolsonaro não consegue ter o monopólio da coleta de dados da pandemia, outras relevantes fontes mostram a dimensão e a gravidade da doença no Brasil.

É o caso do relatório do professor da Unifesp, Arthur Chioro.

O ex-ministro da Saúde do governo Dilma Rousseff traz dados que evidenciam a irresponsabilidade do governo do Estado e da Prefeitura da cidade de São Paulo ao precipitar a abertura do comércio.

Além disso, é flagrante a omissão do governo federal nas parcerias com estados e municípios na batalha contra o novo coronavírus.

Na Itália e Espanha, por exemplo, que já superaram o pico das contaminações, a flexibilização das atividades só ocorreu após duas semanas de taxa de regressão de transmissão. E com 65% dos leitos de UTI ocupados.

Mas, não é exatamente o que ocorre por aqui. Os números ainda continuam crescentes.

E o pior. Não se sabe quando vão declinar. Para a abertura, a Prefeitura adotou a taxa de 64% do dia 4 de junho. Esse índice foi obtido, porém, após ampliação dos leitos com a chegada dos novos respiradores.

Se na cidade e no Estado de São Paulo predomina a pressa em relaxar o isolamento social, no Ministério da Saúde, sem titular há quase um mês, o motivo da pressa foi outro.

Militares passaram a ocupar o Ministério e correram para chancelar o protocolo do uso de cloroquina no SUS, mesmo cientes de que foi descartado no exterior.

A mesma agilidade não acontece em outros quesitos como disponibilizar testes. Dos 46,2 milhões de exames prometidos ainda por Nelson Teich foram entregues 10 milhões (22%) até o fim de maio.

A participação federal no combate à covid anda passos de tartaruga.

Dos R$ 29,5 bilhões de recursos financeiros anunciados pela União, o valor efetivamente transferido para estados e municípios foi de R$ 8,5 bilhões (28%).

Dos 14.100 respiradores anunciados, os estados e municípios receberam apenas 1.612 (11%).

E dos 3 mil leitos de UTI prometidos, foram abertos 340 (12%).

Ainda acerca dos recursos financeiros, Bolsonaro vetou a verba de R$ 8,6 bilhões aprovada pelo Congresso e proveniente do Fundo de Reservas Monetárias que estava inativo.

Com a ausência de coordenação central e sem plano estratégico o combate à covid-19 virou disputa política por vontade do governo federal contra governadores/prefeitos.

As evidências de catástrofe à frente não são recentes.

Para a demógrafa brasileira Marcia Costa, professora da Universidade de Harvad (EUA), desde o início o foco da ação do governo foi o tratamento clínico, e não a ação preventiva.

Ela ainda aponta as condições para retomada segura das atividades.

“Só pode ser feita se houver controle dos infectados, com rede laboratorial capaz de fazer testes rápidos. Se isso não for realizado, há risco de novas ondas da epidemia, e não se sabe com que força. Por enquanto, o Brasil é um dos países que menos faz testes no mundo”, comenta.

Aliás, o número irrisório de testes no Brasil reforça a suspeita de subnotificações.

Enquanto a Espanha aplicou até 31 de maio 86 mil testes e a Itália 64 mil por um milhão de habitantes, o Brasil realizou apenas 4.378 testes. O tamanho de nossa tragédia pode ser ainda maior.

*Juliana Cardoso é vereadora (PT), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescente e Juventude e membro das Comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo.

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1 comentário

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Sandra

10 de junho de 2020 às 01h41

O interino da saúde diz que a transparência dos dados do CoronaVirus é total e que são “Inescondiveis”.

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