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Juliana Cardoso: Sapopemba, bairro com mais mortes por covid na cidade de SP, luta para toda a sua população ser vacinada
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Juliana Cardoso: Sapopemba, bairro com mais mortes por covid na cidade de SP, luta para toda a sua população ser vacinada


01/07/2021 - 08h18

 Sapopemba luta por plano de vacinação territorial

Por Juliana Cardoso*

Desde o fim do ano passado, Sapopemba permanece no topo entre os 96 distritos com o maior número de mortes pela covid-19 na cidade de São Paulo. Dados da Secretaria Municipal de Saúde registram 985 óbitos confirmados nesse bairro da Zona Leste até 30 de junho.

Esse índice é 33% superior ao Grajaú, segundo colocado com 737 vidas perdidas até a mesma data. Na sequência, está a Brasilândia com 733 mortes.

A questão central, que intriga gestores da saúde e estudiosos, é saber os motivos para Sapopemba estar bem à frente dos demais distritos da capital paulista.

Questionário aplicado pelos núcleos da Brigada pela Vida nas comunidades escolares e analisado pela Universidade Federal do ABC aponta alguns indícios.

É fato: ocorrência de infecções pelo novo coronavírus e óbitos atinge de forma desigual os diversos estratos de renda da população.

É fato também: a população mais vulnerável, por suas condições socioeconômicas, é a mais impactada pela covid-19, sobretudo com maior incidência de óbitos.

Apesar da amostra limitada dos questionários, verificou-se que os moradores locais não estão fazendo uso constante do transporte público; no caso, ônibus e monotrilho.

A redução dos deslocamentos diários se explica por dois motivos: elevado número de desempregados no território devido à crise econômica e pandemia.

No entanto, os mesmos questionários detectaram em Sapobemba: 1) condições urbanísticas e moradias precárias aparecem com frequência; 2) o distrito se destaca pelo denominado “congestionamento domiciliar”, ou seja, mais de duas pessoas convivendo no mesmo cômodo.

Descobriu-se também que as partes mais impactadas de Sapopemba são os bairros bastante precários do Jardim Sinhá e do Jardim Planalto.  Foi o que revelaram a busca em dados do SUS (Sistema Único de Saúde) e entrevistas com lideranças ligadas a trabalhos de assistência social na região.

Pouco mais de 15% dos seus 296 mil habitantes de Sapobemba, conforme censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010, vivem em favelas na região.

Esse quadro tem levantado o debate em torno de um projeto piloto para Sapopemba.

A ideia é que o bairro seja contemplado com plano de vacinação para toda a sua população até 18 anos.

Trata-se de um plano de imunização territorial, que depende da disponibilidade de vacinas e de parcerias.

Na prática, significa mudança na atual estratégia do SUS, que é baseada no escalonamento gradativo das faixas etárias e em profissionais de serviços essenciais.

O exemplo que serve como referência é a parceria entre Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), Ministério da Saúde e Universidade Estadual (Unesp), para a imunização em massa na cidade de Botucatu, interior de São Paulo.

Toda a população de 18 a 60 anos foi, então, vacinada.

Após a imunização, houve queda de 71% no número de novos casos da doença em Botucatu, um golpe certeiro na taxa de transmissão.

Esse plano de ampla vacinação foi aplicado também em Serrana (SP), reduzindo em 95% o número de óbitos.

Assim, sem testagem em massa e sem condições dignas para isolamento social, resta a esperança da vacinação em massa como estratégia para o controle efetivo da covid-19 em Sapobemba.

* Juliana Cardoso é vereadora (PT), vice-presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de São Paulo e integrante da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança





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