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Juliana Cardoso: Em São Paulo, profissionais de saúde correm risco; faltam máscaras, luvas e transparência de Covas
Eduardo Gomes da Silva, 48 anos, do Hospital Municipal Tide Setúbal, em São Miguel Paulista e Idalgo Moura, 45 anos, enfermeiro do Hospital Municipal do Tatuapé, ambos na Zona Leste, morreram sob suspeita de coronavírus
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Juliana Cardoso: Em São Paulo, profissionais de saúde correm risco; faltam máscaras, luvas e transparência de Covas


02/04/2020 - 00h15

Profissionais sofrem com falta de equipamentos de proteção

No combate à pandemia do coronavírus na cidade de São Paulo, faltam equipamentos de proteção, medicamentos e transparência da gestão tucana

por Juliana Cardoso*

A condução do combate à pandemia ocasionada pelo novo coronavírus na cidade de São Paulo, administrada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), não está sendo realizada com a devida transparência.

Faltam dados epidemiológicos atualizados diariamente, com divulgação dos números de casos confirmados e de óbitos por distritos.

Mortes estão recebendo outras indicações de causa por falta de exames em vida ou nos corpos antes dos sepultamentos ou ainda pelo atraso nos resultados.

No primeiro dia útil de abril havia 16 mil testes esperando resultados na fila do Instituto Adolfo Lutz.

Por esse e por outros motivos, nosso mandato encaminhou ofício à Secretaria Municipal de Saúde solicitando informações sobre diversas denúncias de problemas que estão ocorrendo na rede municipal.

A questão preocupante é a falta de EPIs (Equipamento de Proteção Individual) aos profissionais que atuam na rede hospitalar e nas UPAS (Unidades de Pronto Atendimento).

O grave problema também afeta funcionários nos equipamentos de Atenção Básica como as UBS (Unidades Básicas de Saúde, AMAs (Assistência Médica Ambulatorial), Rede Hora Certa, além do Serviço Móvel de Urgência (SAMU).

Em toda cidade, cerca de 7 mil agentes de saúde do programa Estratégia de Saúde da Família (ESF), responsáveis pelas visitas diárias às residências de usuários do SUS (Sistema Único de Saúde), estão atuando sem a necessária proteção.

Como se não bastasse a carência dos EPIs, há desabastecimento de insumos na rede hospitalar e até de medicamentos usados na entubação de pacientes.

Não se dispõe de dados de profissionais infectados na rede pública, mas em 12 hospitais particulares são mais de  1.400 profissionais afastados de suas funções com suspeita ou confirmação de coronavírus.

Diante dessas condições, as licenças de funcionários municipais subiram 57% (de 356 para 559) entre a primeira e a segunda quinzena de março, conforme dados colhidos no Diário Oficial pelo Sindsep (Sindicato dos Servidores).

O campeão de afastamentos, se podemos dizer assim, é o Hospital do Tatuapé, justamente o líder de reclamações de falta de EPIs.

Dois profissionais da rede pública tiveram óbitos por coronavírus confirmados em 1º de abril.

Um deles era desse hospital.

Os problemas parecem não ter fim.

Profissionais do SAMU relatam que estão sendo desviados de suas funções para transportar cadáveres em viaturas e seus médicos sendo assediados para assinarem atestados de óbitos.

Diante do risco de contágio, outra preocupação é com as maternidades.

Em geral, elas estão situadas nas dependências dos hospitais gerais.

Se medidas não forem tomadas para separar, há risco para as parturientes no acesso ao serviço.

Todas essas questões, algumas das quais pontuais, já poderiam ter sido sanadas.

O primeiro caso de pessoa infectada na cidade e no Brasil ocorreu em 26 de fevereiro.

E o Estado de Emergência, com a quarentena, está valendo desde 17 de março.

A transparência não pode ficar restrita às entrevistas coletivas diárias do governador Doria e Bruno Covas.

Ambos ficam respaldados por imagens aéreas de efeito midiático do hospital de campanha no Estádio do Pacaembu, importante sim, mas que não começou a funcionar.

Informação é um bem público e deve ser compartilhado.

Esse é um dos princípios da democracia, mesmo em tempos de guerra contra o vírus e sua letalidade.

*Juliana Cardoso é vereadora (PT), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescente e Juventude e membro das Comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo.



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