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Juliana Cardoso: Gestão Doria/Covas segue a cartilha de Bolsonaro na Educação
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Juliana Cardoso: Gestão Doria/Covas segue a cartilha de Bolsonaro na Educação


15/05/2020 - 12h39

Gestão Doria/Covas trata  educação com desrespeito

Ao eliminar direitos e serviços gestão tucana na cidade de São Paulo, segue a cartilha econômica de Brasília

por Juliana Cardoso*

Se há uma palavra para resumir como a gestão tucana trata a educação na cidade de São Paulo ela é: desrespeito.

Desde 2017, com João Doria e depois com seu sucessor Bruno Covas, instaurou-se uma gestão que segue a cartilha econômica de Brasília.

Ela se traduz na política de contenção de gastos das áreas sociais que elimina direitos e serviços, principalmente os destinados à população mais vulnerável.

Ao assumir, Doria determinou que milhares de crianças da rede municipal de educação fossem cortadas do Programa Leve-leite.

Em seguida tentou introduzir a farinata (ração) na merenda escolar. Essa proposta só não foi adiante graças à reação de importantes entidades da sociedade.

A gestão ainda é marcada pelo maior arrocho salarial já imposto aos servidores da educação.

Nesses quatro anos nem sequer as correções inflacionárias do período foram aplicadas aos salários.

Com a reforma previdenciária, o prefeito Covas saiu na frente do governo federal e conseguiu aprová-la na Câmara Municipal.

Chamado de SAMPAPREV, o novo sistema confiscou mais 3% dos salários e alterou as regras para obter as aposentadorias.

Para aprová-la na surdina foi colocada em votação na semana entre o Natal e o Ano Novo.

Antes fez intensa campanha para desmoralizar os servidores. Para isso, a mídia corporativa veiculou notícias de supostos déficits, estatísticas inverídicas e salários com valores astronômicos.

Em paralelo, a gestão tucana colocou policiais para reprimir com bombas de gás e tiros de balas de borrachas as manifestações dos servidores.

Não se importaram se nos atos havia idosos e crianças.

Num exercício de autoritarismo, mais uma vez mostraram a incapacidade de dialogar.

Foi para as capas de jornais a foto de uma educadora com rosto ensanguentado dentro da Câmara, a casa do povo. A imagem marcante mostrou a brutalidade da Polícia.

No ano passado, outro absurdo. Covas chegou a colocar à venda imóveis do município, dentre os quais algumas escolas situadas em áreas nobres. Só recuou após pressão de pais, educadores e até mesmo da mídia.

Na Câmara Municipal, sua base de apoio tentou aprovar o Projeto Escola Sem Partido, um acinte a pedagogia preconizada por Paulo Freire e reconhecida no exterior.

Ainda hoje travamos a batalha para impedir o projeto de ensino à distância que tem o claro propósito de beneficiar grupos empresariais da área.

A instituição de vale para comprar vagas em creche na rede particular mostra bem como a gestão fracassou ao não atender a demanda de educação infantil na cidade.

Atraso de repasse de verbas para as unidades, falta de investimento na educação inclusiva, diminuição no oferecimento de cursos de capacitação, atrasos na entrega de materiais e de uniformes, além do desmonte do MOVA (Movimento de Alfabetização de Adultos).

Esses também são exemplos de descaso da gestão Doria/Covas na educação paulistana.

Com a pandemia e as aulas suspensas, a gestão imobilizou a Educação de várias formas.

Sem investir em materiais e equipamentos de tecnologia nas unidades, impõe como medida de urgência as aulas online, via plataforma digital, para todos os níveis da educação básica.

Essa medida mostra desconhecimento da realidade das comunidades que as escolas públicas atendem.

A realidade é falta de acesso à banda larga, falta de computadores e falta de preparo da família para acompanhar as crianças nas tarefas escolares.

Entretanto o “tiro de misericórdia” dessa gestão foi restringir o acesso à merenda, que se constitui na principal, senão única, refeição de muitos alunos.

Ela está mantida somente aos cadastrados do Leve-Leite, excluindo milhares de crianças e jovens, aos quais teriam direito, caso as aulas fossem presenciais.

Como se não bastasse todo esse despreparo e incapacidade de dialogar com a sociedade e com os educadores, os ataques continuam.

Diante da propagação da pandemia do covid-19, com aumento de óbitos nos bairros da periferia, a Secretaria Municipal de Educação não permite o teletrabalho aos diretores e funcionários, colocando as vidas deles e a de seus familiares em risco.

*Juliana Cardoso é vereadora (PT), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente e membro das Comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo



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