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Juliana Cardoso: Em plena pandemia, Covas destinou R$ 2,88 bi às empresas de ônibus e apenas R$ 1,1 bi à Saúde
Fotos: PT e Divulgação da Prefeitura de SP
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Juliana Cardoso: Em plena pandemia, Covas destinou R$ 2,88 bi às empresas de ônibus e apenas R$ 1,1 bi à Saúde


05/12/2020 - 12h06

Na pandemia saúde recebe menos recursos que empresas de ônibus

Por Juliana Cardoso*

Os governos tucanos são verdadeiras mães para os empresários.

Isso todos nós já sabemos.

E a gestão do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, só confirma essa regra.

O mais espantoso é isso acontecer em plena pandemia.

As empresas de ônibus que operam o sistema de transporte público da capital não registraram prejuízo desde o início da covid-19, em março de 2020.

Mesmo com a redução drástica do fluxo de passageiros nos primeiros meses devido ao maior isolamento social, as empresas do setor receberam até 31 de outubro de 2020 R$ 2,9 bilhões.

O prejuízo operacional do sistema é coberto pela Prefeitura.

O montante é classificado como compensações tarifárias.

Em compensação, no mesmo período, as ações na área da Saúde —  vitais para o combate à pandemia — tiveram gasto de apenas R$1,1 bilhão.

Nesse R$1,1 bilhão estão incluídas as dotações do Fundo Municipal  de Saúde – R$ 844 milhões — e da Autarquia Hospitalar Municipal – R$301 milhões.

A Autarquia Hospitalar Municipal era o órgão responsável pela  administração dos 11 hospitais da Prefeitura que existem na cidade de São Paulo. Ela foi extinta pelo governo Covas.

Ou seja, o governo Bruno Covas gastou em Saúde quase um terço do que destinou ao transporte.

Lamentavelmente, essa contradição mostra que Saúde não é, de fato, prioridade da gestão tucana.

Já a generosidade com os empresários do setor de transporte à custa dos recursos dos contribuintes paulistanos é espantosa.

Garantia de lucro certo, apesar de quaisquer adversidades.

Antes que nos acusem de ter inventado esses dados, mostro a fonte.

Eles foram extraídos do Sistema de Orçamento e Finanças (SOF) da Prefeitura, como mostra a tabela abaixo sobre os gastos decorrentes da pandemia até 31 de outubro.

Ela revela que no total foram gastos R$ 5 bilhões decorrentes da pandemia até 31 de outubro.

Empenho é o que o governo reserva para gastar.

Empenho liquidado, quando o dinheiro chega ao prestador de serviço.

Como a tabela registra até 31 de outubro e entre o recurso empenhado e liquidado decorre pouco tempo, nós utilizamos aqui a primeira coluna.

Nesse período, a arrecadação de impostos na cidade registrou crescimento de 4,4%.

Apesar das escolas municipais continuarem com as portas fechadas, a Secretaria de Educação teve gasto de R$ 750,8 milhões.

Já o Fundo Municipal de Assistência Social registrou gasto de apenas R$ 102 milhões.

Essa é outra marca dessa gestão que enxerga a Assistência Social como benevolência e não como política pública.

* Juliana Cardoso é vereadora (PT), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescente e Juventude e membro das Comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo





1 comentário

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Nelson

07 de dezembro de 2020 às 11h57

“Os governos tucanos são verdadeiras mães para os empresários”.

Não há novidade nessa afirmação. O governo de Fernando Henrique Cardoso demonstrou isto cabalmente. O PSDB não tem compromisso algum com a grande maioria do povo – trabalhadores, micro, pequenos e médios empresários – e com o nosso país.

O métier do PSDB é o grande a capital, preferencialmente o estrangeiro. Trata-se de um partido altamente elitista e vende-pátria. Simples assim.

O duro é ver que, apesar de, durante sua curta existência, já terem dado demonstrações de sobra de suas preferências, os tucanos seguem ganhando eleições pelo país afora e, com isso, ampliando a destruição do país.

O mesmo vale para partidos como o DEM, o PP, o PTB e outros, que vêm votando nos parlamentos e governando, seguidamente, contra os interesses da grande maioria. Mas o povo insiste em dar votos a eles.

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