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Juliana Cardoso: 25 de janeiro, símbolo da luta contra a privatização do acesso aos remédios no SUS
Em 25 de janeiro de 2017, um grupo de técnicos e auxiliares de farmácia da cidade de São Paulo se reuniu na Praça da Sé, contra o fechamento das farmácias nas unidades de Saúde, pretendida por Doria e Bruno Covas. Começava aí a mobilização que garantiu os empregos e evitou a privatização da assistência farmacêutica do SUS
Resistir e Lutar

Juliana Cardoso: 25 de janeiro, símbolo da luta contra a privatização do acesso aos remédios no SUS


25/01/2021 - 21h59

Data comemorativa marca a luta contra a privatização da entrega de medicamentos

Por Juliana Cardoso*

Em 25 de janeiro de 2017, um grupo de técnicos e auxiliares de farmácia da cidade de São Paulo se reuniu na Praça da Sé, em frente à catedral.

Objetivo: protestar contra o fechamento das farmácias nas unidades de Saúde, pretendida pelo então prefeito João Doria (PSDB) e seu Bruno Covas (PSDB), numa tentativa de privatizar a Assistência Farmacêutica do Sistema Único de Saúde (SUS).

Começava aí a mobilização que garantiu o emprego de  4.500 técnicos e auxiliares e de 500 farmacêuticos da rede municipal de saúde.

Com muita luta e apoio popular, a nefasta proposta de Doria e Covas foi derrotada.

Em 2019, o meu mandato apresentou na Câmara Municipal um projeto de lei em homenagem à categoria.

Em 2020, ele foi aprovado pela Casa e se tornou lei.

Assim, na cidade de São Paulo, 25 de janeiro é oficialmente o Dia do Técnico de Farmácia.

A data simboliza a luta da categoria contra a proposta de Doria/Covas.

Uma homenagem à assistência farmacêutica do SUS e a todos que lutam contra a sua privatização.

O movimento dos funcionários da saúde beneficiou também a população.

Isso porque a mobilização conseguiu manter o direito ao acesso de medicamentos aos usuários do SUS.

A distribuição estava ameaçada. Doria, que acabara de assumir, pretendia entregá-la à iniciativa privada.

Ele havia anunciado projeto para fechar as farmácias públicas anexas às  Unidades Básicas de Saúde (UBS), AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) e CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial). E repassar o fornecimento de medicamentos para as grandes redes de drogarias.

Na verdade, a privatização da assistência farmacêutica pública foi o primeiro ataque ao SUS desfechado por Doria. E foi a sua primeira derrota na administração municipal.

Se o projeto entrasse em vigor, usuários do SUS seriam prejudicados, pois os bairros da periferia não possuem drogarias de grandes redes. As unidades básicas estão presentes em inúmeros bairros periféricos com estrutura e equipe farmacêutica.

O prejuízo também seria na qualidade do atendimento e atenção farmacêutica.

Nas farmácias públicas, o usuário recebe orientação detalhada do uso dos medicamentos.

Após meses de luta, muitos protestos, assembleias com centenas de técnicos e auxiliares de farmácia, farmacêuticos, Sindicato dos Farmacêuticos e um abaixo-assinado digital com mais de 80 mil adesões da população, a Prefeitura arquivou o projeto.

Pode parecer singelo oficializar essa data para valorizar os profissionais, mas foi bem mais do que isso.

Datas comemorativas podem ser resultado de lutas, que relembrem a resistência popular contra desmandos e arbítrios.

Neste 25 de janeiro de 2021, relembremos a conquista da categoria e da sociedade contra a privatização da entrega de medicamentos.

* Juliana Cardoso é vereadora (PT). Foi vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescente e Juventude e integrou as Comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo.





1 comentário

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Patrícia Guarinello de Araújo Moreira

26 de janeiro de 2021 às 10h51

Parabéns pelo projeto de lei e mobilização da categoria. A aprovação da privatização do fornecimento de medicamentos à população seria nefasta à Saúde que já pena com a cesta básica de medicamentos disponíveis no SUS.

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