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Jean Wyllys: Jornal Nacional tratou Fernando Haddad não como entrevistado, mas como inimigo a ser derrotado
Facebook do Fernando Haddad
Falatório Política

Jean Wyllys: Jornal Nacional tratou Fernando Haddad não como entrevistado, mas como inimigo a ser derrotado


15/09/2018 - 17h36

Facebook do Fernando Haddad

Depois do “massacre”, Haddad visitou Chico Buarque

Jornal Nacional: Fernando Haddad (PT) – 62 interrupções, 16m 05s de fala; Jair Bolsonaro (PSL) – 36 interrupções, 16 m 47s de fala; Ciro Gomes (PDT) – 34 interrupções, 15m 20s de fala; Marina Silva (Rede) – 20 interrupções, 19m 30s de fala; Geraldo Alckmin (PSDB) – 17 interrupções, 16m 17s de fala. Gleisi Hoffmann, presidenta do PT, no twitter

por Jean Wyllys, no Facebook

Eu sou jornalista e trabalhei durante quase dez anos em jornal impresso, de modo que já realizei muitas entrevistas na minha vida.

Posso explicar a vocês algumas noções básicas do ofício?

Numa entrevista, você, jornalista, começa fazendo uma pergunta — e a palavra “pergunta” significa aqui pergunta mesmo, e não uma longa exposição da sua opinião, porque numa entrevista, a opinião que interessa e a do entrevistado, não a do jornalista.

Depois de fazer a pergunta, você deixa o entrevistado responder.

Se você considerar que a resposta foi insuficiente, não respondeu ou incorreu em falsidade ou contradição, voce faz uma re-pergunta, ou duas, ou mais, podendo confrontar o entrevistado com informações e dados verificáveis, mas sempre, depois, deixa ele responder.

A proporção do tempo de fala numa entrevista é um elemento fundamental e fica muito evidente numa revista ou jornal impresso.

Peguem algum jornal e confiram: as perguntas, geralmente em negrito ou itálico, são MUITO mais breves que as respostas.

Se essa proporção ficar invertida, isso não foi uma entrevista!

A entrevista não é um debate de opinião entre dois adversários, entrevistador e entrevistado.

Se você tem muita vontade de debater com o candidato, então deixe o jornalismo e entre na política.

Aí você pode ser candidato também. Aliás, entre candidatos, num debate, não há tantas interrupções.

O que o Jornal Nacional fez hoje com Fernando Haddad deveria ser estudado nas faculdades de jornalismo para ensinar como não se faz uma entrevista:

1) As perguntas não eram perguntas, mas longas afirmações que expressavam a opinião política dos entrevistadores, e o que se pedia ao entrevistado, mais do que responder sobre algum assunto, era algo que poderia se resumir na frase: “Depois de ouvir tudo o que eu expliquei, candidato, o senhor não acha que eu estou absolutamente certo?”.

2) Os entrevistadores não permitiam que Haddad respondesse ou falasse nada. Ele foi interrompido 62 vezes (a conta foi feita rapidamente pela revista Fórum) em 27 minutos de entrevista, durante os quais conseguiu falar por apenas 16:05. Isso dá uma média de uma interrupção a cada 15 segundos e meio. Imaginem vocês mesmos tentando responder a alguma coisa dessa forma. Mesmo assim, Haddad se saiu muito bem!

3) Cada vez que o candidato não respondia o que eles queriam (ou seja, todas as vezes), além de interrompê-lo, os entrevistadores usavam “perguntas” do tipo: “Então o senhor não vai pedir desculpas ao povo brasileiro?”, ou “Então o senhor subestima os eleitores e acha que não sabem votar?”. Outra vez, isso não é uma pergunta!

4) Em nenhum momento da entrevista foi feita uma única pergunta sobre o programa de governo e as propostas do candidato; afinal, o que mais interessa! E todas as vezes que Haddad tentou falar de propostas, a interrupção era mais agressiva e insistente, até ele se calar. Dava a impressão que a única forma que Haddad teria de dizer algo seria gritando.

Isso não é jornalismo.

Agora procurem a entrevista de Geraldo Alckmin ao JN; está no YouTube.

Assistam e comparem. Houve perguntas difíceis?

Claro, mas ele teve tempo para responder a todas elas e foi tratado com respeito.

Procurem entrevistas a candidatos em outros países e percebam a diferença.

A TV Globo não tratou Haddad como entrevistado, mas como inimigo a ser derrotado.

É uma vergonha que isso seja o melhor que o principal telejornal do país possa oferecer à sua audiência. E faz muito mal à democracia.

PS do Viomundo: Como diz o escritor Fernando Morais, a Globo deve ser tratada como inimiga do Brasil. É preciso que alguém tenha coragem de dizer ao Bonner, por exemplo, que as perguntas que faz revelam que adotou o mesmo discurso do PSDB sobre o Brasil desde 2014: não houve sabotagem de Eduardo Cunha, não houve golpe, Temer não arruinou o Brasil e a culpa é toda do PT.





10 comentários

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Ferraz

16 de setembro de 2018 às 08h44

Paulo Henrique Amorim ensina aos funcionários da Rede Globo como fazer uma entrevista. É fácil: é só deixar o entrevistado responder as perguntas que forem feitas. Detalhe: o Boulos se saiu muito bem. Veja neste vídeo:

https://youtu.be/pczT3M4Jh1o

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Fernando Carneiro

16 de setembro de 2018 às 07h15

Essa emissora não entra em minha casa já faz mais de anos…

Responder

João Lourenço

15 de setembro de 2018 às 23h40

Oi Wyllys,desculpe mas vc não sabe nada de televisão.Haddad foi mal preparado errou em tentar fazer e falar o que planejou quando falou de Lula.Tentou fazer um agrado pra quem é petista de raiz no meio de um golpe interno que esta ocorrendo dentro do PT e vc não deve saber .Sera que sua tentativa de proteger o fracasso do Haddad é por que vc também faz parte da Ala Direita?Por favor não se meta para seu bem numa coisa que não esta compreendendo ou se faz de bobinho pra agradar.

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Marise Machado

15 de setembro de 2018 às 23h08

É lamentável ter no Brasil uma rede de TV de concessão pública que funciona como partido político outsider
para beneficiar interesses privados escusos e, ainda, serve de escudo do patrimônio bilionário da família Marinho e de suas falcatruas pelo mundo afora, manipulando jogos e campeonatos e nadando em ouro em paraísos fiscais.. Isso é que é CORRUPÇÃO.

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Julio Silveira

15 de setembro de 2018 às 21h21

E isso deve doer na turma do PT que bajulava a Globo, que parecia querem coopta-la como parceira. Se agacharam para essa gente quando os progressistas falavam, cobravam uma lei de médios, que todos os países que formam alter ego da elite social do Brasil praticam, e eles do PT retrucavam mandando usar o controle remoto.
É isso que deu, se abaixaram tanto que expuseram seus cofrinhos e junto o de todo o povo brasileiro, com esses “refinados” renitentes e reincidentes golpistas.

Responder

    Marola

    16 de setembro de 2018 às 04h55

    Vc tem razão até certo ponto, a bancada da mídia é muito poderosa no Congresso.

    Marola

    16 de setembro de 2018 às 04h55

    Vc tem razão até certo ponto, a bancada da mídia é muito poderosa no Congresso.

    Julio Silveira

    16 de setembro de 2018 às 15h37

    Duas coisas, quem não tem competencia não deve se estabelecer até que tenha adquirido esta competencia, e, segundo, o progressismo coxinha só faz vender o povo em troca de migalhas que se perdem no tempo e nos revisionismos historicos concedidos quando se dá discurso de igualdade ao adversario, que no Brasil é antigo inimigo. Sds.

Fernando Neres

15 de setembro de 2018 às 17h51

O golpe do psdb destruiu os empregos, muita gente perdeu o emprego por causa do golpe.

Responder

    TELMO SODRÉ

    15 de setembro de 2018 às 20h32

    Sim Fernando. Mais profundo, sob a coordenação do PSDB. Estava escrito, foram para a eleição de 2014 com dois planos: A- Vencer a disputa nas urnas; B- Com a 5ª derrota consecutiva, estabelecer uma postura de oposição CRIMINOSA, a perseguir, sangrar a gestão Dilma, agregando os outros pares da direita com a colaboração do PMDB dentro do governo. O GOLPE foi escrito, planejado muito antes da eleição no propósito de estancar os avanços do maior Projeto de Inclusão Social do mundo referendado pela ONU, com os ótimos índices no alcance das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio-ODM-ONU/2000/2015 – A DECLARAÇÃO DO MILÊNIO – que as gestões 2003/2015 seguiram a risca no combate às desigualdades sociais, elencadas pela ONU, nos no 08 JEITOS DE MUDAR O MUNDO


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