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Cartas de Minas
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Wellington Dias: Rompido o pacto da Constituição de 1988

27 de janeiro de 2018 às 15h45

por Wellington Dias*, diante da Executiva Nacional do PT

Primeiro eu acho que está claro pra todo mundo o que eles fizeram até aqui, não vão parar. É preciso ter a clareza.

Eu sou daqueles que já não apostam tanto assim no judiciário. Eu acho que há necessidade da gente compreender mais claramente o que está acontecendo.

Vejo que em 10 horas de julgamento, apenas 15 minutos foram sobre o processo, 3 juízes, um que teve 6 meses como relator, um que teve 10 dias, o outro que veio tomar conhecimento em tese dos votos na mesma hora e também o procurador, numa mesma posição, ampliar a pena para 12 anos e prisão em sistema fechado.

Coincidência? Não é coincidência.

Segundo, é preciso compreender, que nós temos, disse a nossa presidenta no ato aqui em São Paulo, é uma ruptura do pacto de classes que a partir do golpe de 64 resultou na Constituição de 1988.

Antes de entrar nesse ponto eu pergunto pra gente entender que não é algo apenas do Brasil.

Quem ganha e quem perde? Não vou nem falar de quem perde. Nós sabemos, é o povo.

Quem ganha? Os especuladores.

Quantos estão nesse instante comprando dólares, num momento que ele tem queda?

Quantos estão nesse instante comprando ações da Eletrobrás, da Petrobrás, enfim, neste momento? Quem ganha e quem perde?

Aí a gente sabe que esse campo que são os nossos adversários, na minha opinião não estão nem mesmo nos partidos.

Alguns partidos, na minha opinião, são parte, mas são marionetes neste processo.

Há um casamento dos meios de comunicação com o judiciário. E isso é novo. E isso a gente precisa estar muito atento.

Não é um processo só contra o Lula. É um processo contra líderes.

Contra a Gleisi, contra o Lindberg, em cada estado, onde passa um boi, passa uma boiada. É o que está em jogo.

Quando eu falo na ruptura do pacto de 88, eu quero dizer que ali, naquele pacto, nós colocamos a classe empresarial, a classe dos trabalhadores, para que pudessem conviver, com respeito aos direitos individuais e coletivos. Ruptura.

Vejam que a condenação em 2a instância é rasgar a Constituição; a prisão preventiva para uso como tortura, para conseguir delação, é ruptura.

Poderia falar da teoria do domínio de fato pra dizer que não veio de agora, desse momento. É ruptura

Dito isso, ali [em 88] nós colocamos a ética e a liberdade de imprensa. Não é só a liberdade de imprensa. Ruptura !

Ali nós colocamos uma rede de proteção social, como parte desse pacto. O que se faz com a reforma trabalhista, e o corte de vários direitos, é ruptura.

Ali nós tratamos da segurança patrimonial e proteção das riquezas do povo brasileiro: Petrobrás, Caixa Econômica, Eletrobrás. Ruptura.

Ali nós colocamos a inviolabilidade da comunicação. Gravaram a Presidenta da República no exercício de uma atividade.

E na política, nós colocamos no pacto de 88 o respeito aos partidos, às regras, o respeito aos eleitos.

O que aconteceu com a Presidenta Dilma? Não respeito ao voto é uma ruptura. Sem qualquer crime, afastaram uma presidenta eleita com 54 milhões de votos.

Em todos os momentos da história em que isso aconteceu, na Itália, no México, no Chile, também no Brasil, inclusive no Brasil em 64, isso começa com indignação, vem mais agressividade como a de ontem (julgamento no TRF4), com aumento  da pena para 12 anos , na forma de um recado: “vocês tem o povo, mas nós temos o poder, e esse poder nós utilizamos sem nenhum receio, sem nenhum medo”.

Cada vez que uma agressividade como essa acontece, ela puxa outras agressividades. É isto que está em jogo nesse momento no Brasil.

Então, defender hoje, aqui, alguém inocente como Lula, é de verdade defender a democracia.

O manual é a Constituição de 1988. Ou respeita a Constituição de 88, ou recebemos como uma ruptura.

E numa ruptura, você tem uma guerra de classes. Uma disputa de classes.

Sem nenhuma dúvida nosso lado tem que estar atento para a defesa da democracia.

Eu encerro dizendo, pelo tamanho da luta, que nós temos de manter e organizar ainda mais uma rede mundial de líderes, porque não é só no Brasil.

Em segundo lugar, em cada estado, com quem contamos.

Aqui temos de estar abertos para receber qualquer um que esteja disposto a defender a democracia. Eu defendo a democracia.

E afirmo, não apenas como uma retórica: Eleição sem Lula é fraude. Eleição sem Lula é fraude.

*WELLINGTON DIAS, é bancário aposentado e governador do Piaui

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Antônio Roberto

28/01/2018 - 07h39

É impossível deixar de concordar com o governador do Piauí: Eleição sem Lula é fraude!

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