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Vivaldo Barbosa: A crise se instaurou pelo Supremo e só a Bolsonaro ela interessa nesta altura
Fotos: Fábio Rodrigues Pozzebom e Marcello Casal Jr/Agência
Política

Vivaldo Barbosa: A crise se instaurou pelo Supremo e só a Bolsonaro ela interessa nesta altura


06/08/2021 - 21h23

A CRISE SE INSTAUROU. PELO SUPREMO.

Por Vivaldo Barbosa*

O Supremo Tribunal Federal (STF) instaurou de vez a crise no Brasil.

Certamente vão ser encontradas saídas, mas a situação é delicada: o presidente da República em pleno exercício das funções foi submetido a uma investigação criminal. Não por ato praticado, mas por opiniões emitidas. Opiniões desastradas, claro, mas opiniões.

Bolsonaro é um presidente incompetente, falastrão, vive enganando a nação, espalha mentiras por todo lado, não cuida dos problemas do País, não cuida dos interesses do povo brasileiro.

Utiliza linguagem chula, rasteira, não revela ter noção dos seus deveres. A todo instante, revela mesquinharia pequenez a todo instante.

O sistema eleitoral é fruto do debate político, que se dá entre os poderes eletivos da nação.

É assentado em leis que emanam do Legislativo e do Executivo chefiado pelo presidente eleito.

O debate político é travado pelos partidos, os cidadãos em geral e se dá com ênfase nas câmaras legislativas e nas esferas executivas eleitas.

As leis são produto da ação dos legislativos e executivos. Cidadãos, partidos políticos, deputados e senadores, assim como o presidente da República, têm garantidas a participação nesse debate nas democracias e na República.

Agora, juízes, desembargadores e ministros não podem participar desse debate. Suas atividades são destinadas a aplicar as leis nos casos que decidem e a executar as normas do processo político.

Todas as atividades legislativas, executivas e judiciais, são atividades públicas, sujeitas a criticas e opiniões diversas na democracia e na República.

Nenhum setor do serviço público pode ficar imune a críticas. Se não viveríamos o autoritarismo.

Mesmo o fazendo de maneira desmedida, sem equilíbrio, sem o mínimo de qualificação, Bolsonaro tem o direito de fazer suas críticas. Ainda mais porque é o presidente da República eleito.

O STF abriu inquérito para apurar ofensas à honra de ministros feitas em redes sociais. Parte do meio jurídico criticou por falta de amparo legal, mesmo porque não procurou ouvir a Procuradoria-Geral da República.

Pode-se até aceitar essa investigação em cima dos que ofenderam a honra de ministros. Agora, incluir o presidente da República como mais um investigado nesse processo ultrapassa os limites legais e o bom senso.

Nenhum juiz tem tal competência, mesmo sendo ministro do STF nomeado por presidente e aprovado pelo Senado.

O Presidente do STF proclamou que cancelou reunião com o presidente da República e os presidentes do Senado e da Câmara.

Carece de autoridade para tanto. Não dispõe de autoridade política e agride os chefes dos poderes eletivos da nação.

O Brasil está se preparando para as eleições de 2022 e já dá demonstrações de sua preferência para novo presidente.

Criar crise agora é procurar prejudicar as eleições. Só a Bolsonaro interessa uma crise nessa altura.

Entendo que as forças populares e democráticas devem refletir sobre isso.

Os ministros do STF e TSE estão demonstrando sensibilidade excessiva às críticas.

Os cidadãos que observam o presidente ser processado por fazer críticas certamente vão ficar temerosos.

E fazem isso para manter as urnas eletrônicas sem impressão do voto? Dá pra preocupar.

O Brasil e o povo brasileiro vivem problemas imensos que requerem enfrentamento: pandemia, educação, moradia, emprego, salários baixos, precariedade de infraestrutura, atraso.

Em especial, carece de presença de respeito no cenário internacional e em defesa dos nossos interesses. Acima de tudo, os desafios tecnológicos que as nações vão avançando e nós ficando para trás.

Nessa hora, arranjar crise política e institucional é remar contra o Brasil e o povo brasileiro.

Bolsonaro já está caminhando para o fim.

A esta altura, procurar diminui-lo não deve ser a única meta dos ministros do STF. Parece-me que querem atingir o próximo presidente eleito.

Seria para criar a imagem de autoridade acima do presidente e da sua investidura popular? Barrar avanços, transformações? Implantar freios como esse tal de semipresidencialismo?

Tudo preocupante.

*Vivaldo Barbosa foi deputado federal Constituinte e secretário da Justiça do governo Leonel Brizola, no RJ. É advogado e professor aposentado da UNIRIO.





8 comentários

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JULIO CESAR SILVA

13 de agosto de 2021 às 11h55

Sra Conceição Lemes,
Ref.: Comentários e respostas artigo Vivaldo Barbosa dia 08 e 11/08.

Realmente eu me confundi, pois nos dois artigos o STF foi o tema principal no espaço de uma semana.
No entanto sra. Conceição, meu primeiro comentário foi às 12:46h no dia 08 de agosto. Após postá-lo, apareceu a mensagem dizendo “Seu comentário está aguardando moderação”. Por curiosidade, retornei ao mesmo artigo às 18:23h no mesmo dia, portanto no mesmo artigo, e meu comentário não havia sido publicado e o aviso da “moderação” havia desaparecido. Logo, concluí que meu comentário havia sido ignorado ou censurado.
Diante do meu engano, a senhora me acusou de estar sendo leviano, de ter feito minha crítica ao Vivaldo por questões pessoais (e olha que nem conheço a pessoa), foi irônica, desdenhou do meu apoio político e financeiro ao Viomundo e me desqualificou enquanto leitor.
Considerando que o Viomundo não precisa do meu dinheiro, por gentileza, me oriente como posso cancelá-lo, uma vez que este aqui parece ser o único canal para manter contato com esta empresa.
E me desculpe por qualquer coisa!

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Julio Cesar Silva

08 de agosto de 2021 às 18h23

Critiquei esse texto em um comentário que apareceu “em análise”. Fui censurado ou ignorado?

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    Conceição Lemes

    08 de agosto de 2021 às 18h35

    Nenhuma coisa nem outra, Julio Cesar. Aparentemente, vc está chegando aqui agora e nunca tinha comentado antes. Por isso, fez esse questionamento leviano. O que nos leva a colocar em dúvida a seriedade da tua avaliação. Vc tem o direito de não gostar, achar ruim, mas colocá-lo sob suspeição, NÃO.

    Aliás, os teus dois únicos comentários no Viomundo como Julio César são sobre do texto do Vivaldo Barbosa. Pelo visto o teu problema não é o texto, mas o Vivaldo Barbosa. Talvez Freud, Lupi, Ciro, ajudem a explicar. sds

Valdeci Elias

08 de agosto de 2021 às 15h31

O comandante das forças armadas, afirmar que vai participar uma eleição , más se perder não vai aceitar o resultado , não é só uma opinião. O cidadão Bolsonaro pode ficar dizendo isso, más o presidente Bolsonaro tem que no mínimo ser afastado. Na verdade ele está tentando fraudandar a eleição de 2022, usando as forças armadas . Só a ameaça já é uso da máquina estatal para fraudar a eleição, isso sendo otimista achando que o golpe militar não vai se efetivar .

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Julio Cesar Silva

08 de agosto de 2021 às 12h46

Viomundo dando espaço para texto ruim e suspeito.

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Christian Fernandes

08 de agosto de 2021 às 02h45

O Bôça vive de crise, esconde tanto a própria incompetência quanto o ‘passa-boiada’ do Pau no Guedes.

A quem interessa manter esse estado de ‘crise’ permanente?

A quem interessa deslegitimar o poder da escolha do povo?

Bôça é o bobo da corte, não o rei. Serve para distrair e serve pra justificar os arreganhos dos donos do poder – “o povo não sabe votar”, lembram-se?

Ademais, o golpe já foi dado e ninguém viu porque não foi televisionado: ~com Supremo, com tudo~

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Zé Maria

07 de agosto de 2021 às 22h54

É preciso, antes, ter em mente que o Brasil continua sofrendo os Efeitos do Golpe de
Estado de 2016.
E os Principais Responsáveis pela Quebra da
Legalidade, com a Derrubada da Presidente
da República Dilma Rousseff, há Cinco Anos,
ainda estão tentando enterrá-lo.
Acontece que o Fantasma da História, a Real,
a Verdadeira e Única, volta a assombrá-los.

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Geri Nonato

07 de agosto de 2021 às 22h28

Não concordo com o colunista pq essas opiniões do presidente podem gerar violência física contra os desafetos. Sejam ministros do STF ou adversários políticos.
Não é coisa menor não e só opinião.
Isso é perigoso.
Haja vista que na lava jato foram bater em ministros do STF na porta de casa e nos aviões de carreira. Fora o avião do Teori que caiu misteriosamente.
A opinião desses homens de Estado quebram bolsas e países.
Não é um de nós dando opinião no botecao.

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