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Oposição derrota governo Bolsonaro: Coaf pode voltar ao Ministério da Economia e Funai, à Justiça; votação irá a plenário
Foto Lula Marques
Política

Oposição derrota governo Bolsonaro: Coaf pode voltar ao Ministério da Economia e Funai, à Justiça; votação irá a plenário


09/05/2019 - 19h47

Oposição comemora vitória sobre governo Bolsonaro 

PT na Câmara

O PT e os demais partidos de oposição impuseram uma dura derrota ao governo Bolsonaro, nesta quinta-feira (9), na comissão mista que analisa a Medida Provisória (MP) 870, que reorganiza os ministérios e outros órgãos do Poder Executivo. A vitória da oposição pode abrir caminho para transformar a atual configuração administrativa federal existente no País.

Durante a votação da MP no colegiado, por 14 votos favoráveis e 11 contrários, ficou definido que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) vai ficar sob a responsabilidade do Ministério da Economia, contrariando o voto do relator Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). Em janeiro, ao redesenhar a estrutura administrativa do Executivo federal, o presidente Jair Bolsonaro optou pela transferência do Coaf ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, iniciativa que vinha sendo defendida também pelo titular da pasta, Sérgio Moro.

Para o deputado Alexandre Padilha (PT-SP), membro titular da Comissão Mista da MP 870, é natural o retorno do Coaf para o Ministério da Economia, antigo Ministério da Fazenda.

“Estava se buscando dar superpoderes ao ministério da Justiça, num modelo que não é encontrado em nenhum país do mundo. Aliás, o único país citado como exemplo colocando o Coaf junto ao aparato policial é a Suíça, que não é exemplo nenhum de combate à lavagem de dinheiro ou sonegação, já que a Suíça é um verdadeiro paraíso fiscal”, lembrou Padilha.

Funai volta para o Ministério da Justiça

Alexandre Padilha destacou ainda a vitória obtida pela oposição com o retorno da Fundação Nacional do Índio (Funai) para a jurisdição do Ministério da Justiça, e a volta da missão de realizar a demarcação de terras indígenas. Além de ter transferido a responsabilidade do órgão para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, da ministra Damares Alves, o governo Bolsonaro também havia repassado a tarefa da demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura, da ministra Tereza Cristina, deputada licenciada e ex-coordenadora da Bancada Ruralista na Câmara dos Deputados.

O parlamenta petista destacou ainda como conquista da oposição, e de toda a sociedade brasileira, a recriação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), criado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para articular políticas públicas de combate à fome, e extinta pelo governo Bolsonaro por meio da MP 870.

“Foi uma vitória importante a recriação do Consea, principalmente em um momento em que o governo Bolsonaro tenta acabar com os conselhos. O Consea havia sido destruído por Bolsonaro, para apagar uma marca do presidente Lula (no combate a fome)”, afirmou Alexandre Padilha.

Sindicatos e organizações

O deputado destacou ainda que outra derrota imposta ao governo Bolsonaro foi a retirada do registro sindical da estrutura do Ministério da Justiça. “O Bolsonaro queria criar quase uma polícia para supervisionar a atividade sindical, relembrando os modelos fascistas de acompanhamento dos sindicatos pelo Estado”, criticou.

Na avaliação do deputado Alexandre Padilha, outra conquista importante foi a retirada do texto da MP de artigos que colocavam uma verdadeira interferência estatal da Presidência da República na atividade de organizações não governamentais e organismos internacionais dentro do Brasil.

Questão de ordem pode sepultar a MP 870

Mesmo com as mudanças, a MP 870 foi aprovada na comissão mista e já poderia ter sido lido em plenário nesta quinta-feira (9). Porém, o deputado governista Diego Garcia (Podemos-PR) fez uma questão de ordem solicitando ao presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) que lesse primeiro cinco Medidas Provisórias (MP’s 863, 866, 867, 868, 869) enviadas anteriormente pelo Executivo.

Diego Garcia ainda lembrou que decisão tomada no ano passado pelo presidente da Câmara ordenava a votação de MP’s segundo a ordem de encaminhamento à Câmara. Contrariado, Rodrigo Maia avisou que a manobra “sepultou” a MP 870”. Senão for votada até o dia 03 de junho, a MP 870 perde a validade.

“E se essa MP perder a validade toda a estrutura do governo Bolsonaro deixa de existir e volta a estrutura que existia no governo Temer, com a recriação do Ministério do Trabalho e Emprego, por exemplo”, explicou Padilha.

Confira o que disseram os parlamentares do PT sobre os resultados da comissão:

Dep. Carlos Zarattini (PT-SP), líder da Minoria no Congresso: “COAF sai do ministério da Justiça e vai para Economia. Funai volta para o Ministério da Justiça. E a demarcação de terras indígenas que estava nas mãos dos ruralistas volta a ficar sob responsabilidade da Funai”.

 Sen. Rogério Carvalho (PT-SE): “A compreensão de um Estado eficiente prevaleceu. A experiência acumulada ao longo de décadas foi respeitada e agora, as coisas estão no lugar certo: o Coaf no Ministério da Economia assim como no resto do mundo, e a demarcação de terras indígenas com a Funai”.

Dep. Valmir Assunção (PT-BA): “Na Comissão que avalia a MP 870, votou-se pelo retorno da demarcação dos territórios indígenas à FUNAI. dos territórios indígenas à FUNAI. Ainda falta o plenário, mas é uma importante resposta do Congresso Nacional contra a insanidade ruralista”.

Dep. Rosa Neide (PT-MT): “Vencemos! A Comissão do Congresso que analisa a MP 870 aprovou, nesta quinta-feira (9), o parecer que devolve para a Funai a demarcação de terras indígenas – atribuição que, desde janeiro, havia sido transferida para o Ministério da Agricultura”.

 Dep. Erika Kokay (PT-DF): “Duas grandes vitórias no dia de hoje: retiramos o @coaf do Ministério da Justiça e enviamos de volta para o Ministério da Economia; retiramos a Funai da mão dos ruralistas e a colocamos no Ministério da Justiça. A demarcação de terras indígenas volta a ser responsabilidade da Funai”.

Dep. Carlos Veras (PT-PE): “Vitória para os povos indígenas na comissão mista que analisa a reorganização da Esplanada de Bolsonaro. Funai fica sob a responsabilidade do Ministério da Justiça, de onde nunca deveria ter saído. A luta continua no Plenário. Seguimos na resistência!”.

Dep. Maria do Rosário (PT-RS): “A MP870 extingue o Ministério do Trabalho e o governo BolsoGuedes destrói empregos. A MP prejudica Funai, Coaf e Direitos Humanos. Nós da oposição lutamos para derrotá-la! Hoje tivemos vitória importante! Governo é incompetente até para defender suas MPs”.

Héber Carvalho

Foto Lula Marques

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



3 comentários

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Tauro

10 de maio de 2019 às 11h41

Bolsonaro diz que haverá “tsunami” semana que vem.

Veja o poder de destruição do tsunami de Bolsonaro

https://youtu.be/AYA6-hrbwtE

Responder

Zé Maria

09 de maio de 2019 às 22h06

Entre a Cruz e a Espada;
Entre o Mar e o Rochedo.

A FUNAI sair da Damares e ir pro Moro
e o COAF sair do Moro e ir pro Guedes.

Responder

Zé Maria

09 de maio de 2019 às 21h31

E os Bolsotários (que caíram no conto do ‘enxugamento da máquina pública’)
viram agora o desgoverno Bolsonaro recriar os Ministérios das Cidades e da
Integração Regional – que haviam sido transformados no Ministério do
Desenvolvimento Regional – para servirem de moeda de troca com os
Mercenários* de diversos Partidos da Direita, inclusive o da MilíciaBolsonaro,
que querem cargos para votar a favor da Defórma do Guedes.

* Os “300 Picaretas” e “Achacadores” de Sempre – equivocadamente chamados
de ‘Centrão’ pelas Empresas de Comunicação – que receberam Grana em 2016
das Grandes Empresas para não aprovar a Reoneração da Folha de Pagamento
e para votar ‘sim’ ao impeachment da Presidente da República reeleita em 2014.

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