Venício Lima: A guerra de palavras que semeia a intolerância e o ódio

Tempo de leitura: 7 min

Ilustração sacada da rede reproduz a revista Veja e um dos parceiros da revista dos Civita, o campeão de ética Demóstenes Torres

Terça-feira, 17 de Dezembro de 2013 | ISSN 1519-7670 – Ano 17 – nº 777

JORNAL DE DEBATES

BALANÇO 2013

A linguagem seletiva do ‘mensalão

Por Venício A. de Lima em 17/12/2013 na edição 777, sugerido pelo Julio Cesar Macedo Amorim

Quando pouco ainda se falava sobre “história conceitual”, isto é, sobre a semântica histórica de conceitos e palavras, foi publicado o indispensável Palavras-Chave (um vocabulário de cultura e sociedade) [1ª edição 1976; tradução brasileira Boitempo, 2007], do ex-professor de Cambridge, Raymond Williams (1921-1988).

Ao analisar as mudanças na significação de 130 palavras-chave como ciência, democracia, ideologia, liberal, mídia, popular e revolução, Williams argumentava que as questões de significação de uma palavra estão inexoravelmente vinculadas aos problemas em cuja discussão ela esta sendo utilizada. E, mais ainda, que o uso dos diferentes significados de palavras identifica formas diversas de pensar e ver o mundo. Para ele, a apropriação de um determinado significado que serve a um argumento específico exclui aqueles outros significados que são inconvenientes ao argumento. Trata-se, portanto, de uma questão de poder.

Anos mais tarde, através do precioso Language and Hegemony in Gramsci do cientista político estadunidense, radicado no Canadá, Peter Ives (1ª edição 2004), soube-se que o filósofo sardenho desenvolveu o conceito de hegemonia – a formação e a organização do consentimento – a partir de seus estudos de linguística. Poucos se lembram de que, por ocasião da unificação italiana (1861), apenas entre 2,5% e 12% da população falavam a mesma língua. Daí serem previsíveis as enormes implicações sociais e políticas da unificação linguística, sobretudo o enorme poder de ajustamento e conformidade em torno da institucionalização de uma língua única que se tornaria a língua italiana.

Na verdade, não só as palavras mudam de significação ao longo do tempo, como palavras novas são introduzidas no nosso cotidiano e passam a constituir uma nova linguagem, um novo vocabulário dentro do qual se aprisionam determinadas formas de pensar e ver o mundo.

Mais recentemente, a leitura tardia do impressionante LTI – A linguagem do Terceiro Reich (1ª. edição 1947, tradução brasileira Contraponto, 2009), do filólogo alemão Victor Klemperer (1881-1960), dissipou qualquer dúvida que ainda restasse sobre a importância fundamental das palavras, da linguagem, do vocabulário para a conformação de uma determinada maneira de pensar. Está lá:

“O nazismo se embrenhou na carne e no sangue das massas por meio de palavras, expressões e frases impostas pela repetição, milhares de vezes, e aceitas inconscientemente e mecanicamente. (…) A língua conduz o meu sentimento, dirige a minha mente, de forma tão mais natural quanto mais eu me entregar a ela inconscientemente. (…) Palavras podem ser como minúsculas doses de arsênico: são engolidas de maneira despercebida e parecem ser inofensivas; passado um tempo, o efeito do veneno se faz notar” (p.55).

Vale a epígrafe do LTI retirada de Franz Rosenzweig (1886-1929): “A linguagem é mais do que sangue”.

Balanço do ano

As referências a Williams, Ives (Gramsci) e Klemperer são apresentadas aqui para justificar a escolha que fiz diante da necessidade de produzir um balanço de 2013 em relação ao setor de mídia.

O que de mais importante aconteceu no nosso país de 2005 para cá – vale dizer, ao longo dos últimos oito anos – e se consolidou em 2013 com as várias semanas de julgamento televisionado, ao vivo, no Supremo Tribunal Federal?

Estou convencido de que foi a formação de uma linguagem nova, seletiva e específica, com a participação determinante da grande mídia, dentro da qual parcela dos brasileiros passaram a “ver” os réus da Ação Penal nº 470, em particular aqueles ligados ao Partido dos Trabalhadores.

Ainda em 2006 (cf. capítulo 1 de Mídia: crise política e poder no Brasil; Editora Fundação Perseu Abramo) argumentei que uma das consequências mais visíveis da crise política foi o aparecimento na grande mídia de uma série de novas palavras/expressões como mensalão, mensaleiros, partidos do mensalão, CPI do mensalão, valerioduto, CPI chapa-branca, silêncio dos intelectuais, homem da mala, doleiro do PT, conexão cubana, operação Paraguai, conexão Lisboa, república de Ribeirão Preto, operação pizza, dança da pizza, dentre outros.

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, Fábio Kerche também chamou atenção para a recuperação pela grande mídia de dois conceitos clássicos de nossa sociologia política – coronelismo e populismo –, que passaram a ser utilizados na cobertura da crise política com nova significação desvinculada de suas raízes e especificidades históricas (cf. “Simplificações conceituais” in Folha de S.Paulo, 23/3/2006, p. A-3).

O verdadeiro significado dessas novas palavras/expressões, dizia à época, só pode ser compreendido dentro dos contextos concretos em que surgiram e passaram a ser utilizadas. São tentativas de expressar, de maneira simplificada, questões complexas, ambíguas e de interpretação múltipla e polêmica (aberta). Elas buscam reduzir (fechar) um variado leque de significados a apenas um único “significado guarda-chuva” facilmente assimilável. Uma espécie de rótulo.

Exaustivamente repetidas na cobertura política tanto da mídia impressa como da eletrônica, essas palavras/expressões vão perdendo sua ambiguidade original pela associação continuada a apenas um conjunto de significados. É dessa forma que elas acabam sendo incorporadas ao vocabulário cotidiano do cidadão comum.

Mas elas passam também a ser utilizadas, por exemplo, nas pesquisas de “opinião pública”, muitas vezes realizadas por institutos controlados pela própria grande mídia. Esse movimento circular viciado produz não só aferições contaminadas da “opinião pública” como induz o cidadão comum a uma percepção simplificada e muitas vezes equivocada do que realmente se passa.

Relacionei ainda as omissões e/ou as saliências na cobertura que a grande mídia oferecia da crise política – evidentes já àquela época –, protegendo a si mesma em relação à destinação de recursos publicitários e/ou favorecendo politicamente à oposição político-partidária ao governo Lula e ao Partido dos Trabalhadores (PT). Algumas dessas omissões foram objeto de denúncia do jornalista Carlos Dorneles, então na Rede Globo (13/10/2005) e do ombudsman da Folha de S.Paulo (23/10/2005).

De 2005 a 2013

Nos últimos oito anos, o comportamento da grande mídia não se alterou. Ao contrário. A crise política foi se transformando no “maior escândalo de corrupção da historia do país” e confirmou-se o padrão de seletividade (omissão e/ou saliência) na cobertura jornalística, identificado desde 2005.

Até 2005, “mensalão” era apenas “o imposto que pode ser recolhido pelo contribuinte que tenha mais de uma fonte pagadora. Se o contribuinte recebe, por exemplo, aposentadoria e salário e não deseja acumular os impostos que irão resultar num valor muito alto a pagar na declaração mensal, ele pode antecipar este pagamento por meio de parcela mensal”.

Nos últimos anos “mensalão” passou a ser “um esquema de corrupção” e tornou-se “mensalão do PT”, enquanto situações idênticas e anteriores, raramente mencionadas, foram identificadas pela geografia e não pelo partido político (“mensalão mineiro”). Como resultado foi se construindo sistematicamente uma associação generalizada, seletiva e deliberada entre corrupção e os governos Lula e o PT, ou melhor, seus filiados e/ou simpatizantes.

“Mensaleiro” passou a designar qualquer envolvido na Ação Penal nº 470, independentemente de ter sido ou não comprovada a prática criminosa de pagamento e/ou recebimento de mensalidades em dinheiro “sujo” com o objetivo de se alterar o resultado nas votações de projetos de lei no Congresso Nacional.

A generalização seletiva tornou-se a prática deliberada e rotineira da grande mídia e, aos poucos, as palavras “petista” – designação de filiado ao Partido dos Trabalhadores – e “mensaleiro”, se transformaram em palavrões equivalentes a “comunista”, “subversivo” ou “terrorista” na época da ditadura militar (1964-1985). “Petista” e “mensaleiro” tornaram-se, implicitamente, inimigos públicos e sinônimos de corruptos e desonestos.

O escárnio em relação aos “mensaleiros petistas” atingiu o seu auge com a prisão espetaculosa de alguns dos réus, por determinação do presidente do STF, no simbólico feriado da Proclamação da República (15 de novembro), antes do transito em julgado da Ação Penal nº 470, com ampla cobertura ao vivo das principais emissoras de televisão. Ofereceu-se assim a oportunidade para que articulistas da grande mídia passassem a citar seletivamente os nomes dos petistas detidos precedidos do adjetivo “presidiário”.

Da mesma forma, o que poderia ser questionado como uma prisão arbitrária (antes do trânsito em julgado; exposição desnecessária em périplo aéreo por três cidades do país; regime fechado para condenados em regime aberto; substituição arbitrária do juiz da vara de execuções penais de Brasília, etc.) foi se transformando em “um privilégio dos mensaleiros petistas”.

Na cobertura oferecida pela grande mídia esses “privilégios” foram identificados pelas visitas incialmente permitidas em dias diferentes daqueles dos demais detidos no complexo da Papuda; pela solicitação de regime diferenciado em função da saúde precária de um dos “mensaleiros petistas” e pela remuneração elevada do emprego oferecido (em seguida descartado) a outro.

Sinais de intolerância

Não é necessário mencionar aqui as inúmeras e pendentes questões – inclusive jurídicas – envolvendo o polêmico julgamento da Ação Penal nº 470 e os interesses político-partidários em jogo relativos a situações idênticas e anteriores que, todavia, ainda não mereceram a atenção correspondente do Poder Judiciário e, muito menos, da grande mídia.

O ano de 2013 certamente poderá ser lembrado como aquele em que ocorreu o julgamento da Ação Penal nº 470 e pelo desmesurado papel que a grande mídia desempenhou em todo o processo. Um vocabulário seletivo específico e uma linguagem correspondente se consolidaram em relação aos eventos nomeados pela nova palavra “mensalão”.

Tendo como referência os ensinamentos de Williams, Ives (Gramsci) e Klemperer, vale a pergunta: até que ponto este vocabulário e esta linguagem influenciam a maneira pela qual alguns dos envolvidos passaram a ser “vistos” pela população brasileira (ou parte dela) e contribuem para criar um clima político não democrático, de intolerância, de ódio e de recusa intransigente a sequer ouvir qualquer posição diferente da sua?

Para além da formação seletiva de um vocabulário e de uma linguagem específicas, bastaria relembrar as declarações do ministro Celso Melo por ocasião do julgamento dos embargos infringentes: “Nunca a mídia foi tão ostensiva para subjugar um juiz”.

Vale a pena repetir com Victor Klemperer:

“Palavras podem ser como minúsculas doses de arsênico: são engolidas de maneira despercebida e parecem ser inofensivas; passado um tempo, o efeito do veneno se faz notar”.

Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado), pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (Cerbras) da UFMG e organizador/autor com Juarez Guimarães de Liberdade de Expressão: as várias faces de um desafio, Paulus, 2013, entre outros livros

PS do Viomundo: E agora O Globo e a Folha se dedicam conjuntamente a “virar” a Papuda, a provocar uma rebelião para jogar na conta do Zé Dirceu!

Leia também:

Lincoln Secco e a democracia racionada


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Comentários

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José Carlos lima

Sobre essa conversa fiada de rebelião na Papuda comandada por mensageiros:
Evito comparar Barbosa com Idi Amin Dadá até mesmo pq tanto um como o outro não foram os monstros que foram por causa da cor. A cor não torna ninguém melhor ou pior. A maldade de cada um independe da cor, de forma que, tirando a cor de lado, o que noto é um extremismo frio, sanguinário, calculista e dissimulado nos dois personagens, e o Itamaraty através de junta de especialistas chegou a apontar esse poço de ódio que é Barbosa, com o nome de RESSENTIMENTO. Barbosa ainda não mostrou 10% do rol de maldades das quais ele eh capaz. De-lhe mais poderes e saberemos da capacidade de JB no que diz respeito a vingar-se contra aqueles que o tornaram ministro do STF e que hoje preside a Suprema Corte de uma das maiores economias do planeta. E não esperem barbosa rangendo os dentes para políticos aliados da grande mídia . Barbosa quer pq quer dar seu showzinho no Natal com a prisão de Genoino que está em prisão domiciliar por recomendação médica.

    Mauro Assis

    “Evito comparar Barbosa com Idi Amin Dadá até mesmo pq tanto um como o outro não foram os monstros que foram por causa da cor”. Amigão, só a associação de um com o outro já é racista, bicho!

    João Paulo Sá

    Mauro, quer dizer que a truculência de um e de outro não podem ser mostradas pq quem assim proceder estará sendo racista, desde quando é racismo demonstrar a truculência de agentes públicos, desde quando fazer isso é racismo, caso eu compare a truculência de dois braquelos estarei sendo racista, conta outra

    José Carlos lima

    Eles não são assim por causa da cor, repito, ah mas como te conheço já esperava este seu comentário rasteiro, ao apontar isso e fazer este tipo de associação pela cor vc sim está sendo racista, por favor não coloque na minha boca coisas que eu não disse

Jose C. Filho

Isso mesmo; técnicas de propaganda e marketing. A grande, repetitiva e sebosa mídia martela os neurônios dos simplórios, convencendo muitos com seus ideais conspiratórios. Tenho visto vários simplórios do tipo na câmara e no senado com exemplares da veja, do globo, ou fazendo referências ao JN, esbravejando inflamados discursos a partir de matérias publicadas. Quero dizer, temos simplórios na política, no empresariado, na justiça, enfim, em todas as camadas sociais.

José Carlos lima

Novilíngua diz respeito ao uso de palavras magicas para justificar abuso contra quem ouse alterar o status quo: Foi assim na ditadura com a palavra terrorista e agora no golpe do judiciário com a palavra mensaleiro

Marat

Se as seguintes pessoas lerem este texto, não entenderão nada… Uns falarão mal do Venício, outros tomarão mais uma dose de whisky, outros irão correndo ao celular avisar pro pessoal do Consulado estadunidense sobre mais um comunista, e alguns até tentarão compreender, porém, o déficit cognitivo falará mais alto. Eis a turminha:
Merval Pereira, Eliane Cantanhêde, Adalberto Piotto, Sardenberg, Cristina Koghi, Otavinho Frias, Nêumane, Waak, Casoy, Mitre, Jabor, Reinaldo Azevedo, Lobão, Cristina Lobo e tantos outros reles mais, de triste lembrança, cuja citação poderia causar ojeriza demasiada.

    Mauro Assis

    Amigão, “comunista” só cá no Brasilzão mesmo, nem é muita surpresa. É que um a ideologia, qdo fica bem velhinha, vem morar no Brasil, sabia não?

    José Carlos lima

    Os comunista apoiaram Bachellet no Chile e acabaram de derrotar sua turma(do Pinochet) no Chile, tomou

    Marat

    Mauro, você tem toda razão… pede mais uma, para ver se suas ideias se aclaram.
    Abraços

FrancoAtirador

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Rememorando…

1º de Maio de 2000

UM MUNDO NORTE-AMERICANO

A língua “dolarizada”

Aquilo que em qualquer outro país, não passaria de servilismo lingüístico voluntário, ganha imediatamente, na França, a dimensão de um ‘casus belli’.
Defender o direito de se exprimir na sua própria língua equivale a um ato de agressão contra os Estados Unidos

Por Bernard Cassen*, no Le Monde Diplomatique Ano 1, Nº 4, via MDLP

Traduzido por Maria Regina Pilla.

A coisa não demorou muito: nem bem o ex-fuzileiro naval norte-americano Guy Wyser-Pratte e o fundo de pensão NR Atticus — com endereço, é claro, num paraíso fiscal, as Ilhas Virgens britânicas — acabavam de ser bem-sucedidos em seu assalto-relâmpago sobre o grupo francês André (calçados e vestuário: 14 mil assalariados, 2.358 lojas), e já “desembarcavam”, como dirigentes da empresa, e tomavam uma primeira decisão altamente simbólica: as reuniões do conselho de administração, em Paris, se realizariam de agora em diante unicamente em língua inglesa.

O novo patrão, Nathaniel Rothschild (28 anos), colocava em prática as regras da ‘corporate governance’, conceito anglo-saxão que define a ditadura do acionista e que, em inglês, tem um significado muito distinto da sua tradução francesa, aliás pouco empregada [na França]:
o “governo da empresa” [hoje, aqui no Brasil, essa expressão anglo-saxônica é muito utilizada, tanto na esfera estatal quanto na privada, através do termo ‘governança corporativa’].

Pode-se alegar que Rothschild é de nacionalidade britânica, o que nem é o caso de Serge Tchuruk, diretor-presidente da Alcatel — que exigiu que o inglês fosse a língua de trabalho em toda sua empresa e não permite sair de seu escritório nenhuma anotação em francês — nem de Louis Schweitzer, diretor-presidente da Renault — que impôs o uso do inglês nos relatórios das comissões de direção de uma empresa que já foi a “vitrine” social da França.

A dominação do anglo-americano

Ao cabo de uma competição acirrada, Schweitzer ganhou, no dia 14 de outubro último, a versão 1999 do prêmio “Carpette anglaise”, atribuído por quatro associações, [1] cujo objetivo é homenagear, a cada ano, um membro das elites francesas por “sua tenacidade em promover a dominação do idioma anglo-americano”. O ex-chefe de gabinete de Laurent Fabius teve uma parada dura pela frente: além do já citado Tchuruk, teve que enfrentar respectivamente Claude Allègre (“Os franceses devem parar de considerar o inglês uma língua estrangeira”, La Rochelle, em 30 de agosto de 1997) e Bernard Kouchner, representante especial do secretário-geral da ONU no Kosovo, que fala apenas inglês, mesmo com seus interlocutores francófonos, apesar do francês ser uma das línguas oficiais daquela organização. E ainda Pascal Lamy — da Comissário Européia, e portanto um baluarte institucional da pluralidade lingüística no continente —, que não pôde competir já que o seu discurso de Seattle, em inglês, perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) — onde o francês também é uma das línguas oficiais — já fora lido…
O dito Pascal Lamy declarou certa vez que o seu país preferido (além do seu, supõe-se) era os Estados Unidos, o que é política e liberalmente correto, fora de qualquer dúvida, mas não muito diplomático para um “europeu” que somente ficou meio enrascado ao escolher entre os parceiros: teria ele esquecido que em Londres também se fala inglês?

Servilismo lingüístico

A esta altura, o observador — ainda que especialista na língua inglesa — tem que fazer uma pausa.
Não estaríamos já ‘off limits’ (extrapolando)?
Quem acredita ver — ou quer ver — a influência dos Estados Unidos por trás da língua inglesa, corre o risco de cometer a pior das blasfêmias:
ceder ao anti-americanismo (leia o artigo de Serge Halimi nesta edição: https://www.diplomatique.org.br/acervo.php?id=96).
Na “bolha mediática que é hoje Paris não se brinca com essas coisas.

Aquilo que, em qualquer outro país, não passaria de mera constatação — resignada ou não — de servilismo lingüístico voluntário (e ainda considerando os interesses que esse servilismo legitima), ganha imediatamente, na França, a dimensão de um ‘casus belli’.
Defender o direito de se exprimir, de trabalhar e de receber informação na sua própria língua — o francês, na França, o alemão, na Alemanha etc. — equivale a um ato de agressão contra os Estados Unidos.

É prudente, portanto, pedir ajuda a autores estrangeiros.
Por exemplo, ao jornalista e escritor Luís Fernando Veríssimo, um dos “grandes nomes” do Brasil, país de idioma português, como ninguém ignora. Aqui estão alguns extratos de sua primeira crônica, intitulada “In English”, no jornal O Globo, do Rio de Janeiro:
“I am writing this in English to set an example. I think the Brazilian press has the patriotic duty to start publishing news and opinion in English so the people at IMF can know what is going on a daily basis without having to wait for reports and resumes. With the troublesome Portuguese out of the way, they can assess our situation directly by reading our newspapers and make the necessary decisions more quickly. I plan to write in English from now on, reverting to Portuguese only in the case of untranslatable words like “marketing”, “currency board” etc., and hope that the responsible press will follow my lead”.
Numa nota de rodapé, o cronista acaba acrescentando um resumo do texto em português “para os que ainda utilizam esta língua obsoleta”. [2]
Essa brincadeira, que divertiu quem tivesse sentido de humor, ressaltava que as verdadeiras decisões não se tomavam em Brasília, mas em Washington, e que o país também era vítima de uma “dolarização” lingüística.

O fascínio pela potência

O que Luís Fernando Veríssimo sugeriu simbolicamente, muita gente, como mostramos acima, já colocou em prática — na França, como em outros países — e deve haver uma fila sonhando em fazê-lo.
Para toda essa gente, a iniciativa do autor brasileiro, debochando de coisas sérias, parecerá completamente incongruente:
“We are not amused”, como teria dito a rainha Vitória.
Ora nem a França nem a Europa são dependentes dos Estados Unidos como o é o Brasil [sob o Governo do PSDB].

Até nos dizem constantemente que o euro pode manter a cabeça erguida diante do dólar, que os Quinze (Comunidade Européia) são a principal potência comercial do mundo etc.
De onde surge, então, essa estranha atração pelo mimetismo lingüístico, esse fascínio pela potência que chega a ultrapassar a reivindicação norte-americana?
Talvez pudéssemos ver nisso a manifestação de uma vontade frustrada de ser o que jamais poderemos ser, a menos que mudemos de passaporte: um cidadão norte-americano, que, somente e apenas ele, pode legitimamente saudar a bandeira estrelada, mão no peito, enquanto os outros têm que se contentar em ostentá-la nas suas roupas.
Até cair o muro de Berlim, essa aspiração concretizou-se no atlantismo.
Daí em diante, foi substituída pelo culto à Globalização.

Do outro lado do Atlântico, já foi compreendido há muito tempo que a solidariedade anglófona é um cimento bastante forte.
Não é um acaso, por exemplo, que a rede de espionagem Echelon, da National Security Agency — que emprega várias dezenas de milhares de pessoas e possui uma parafernália de instrumentos eletrônicos e satélites de ponta — tenha como únicos parceiros completos países de língua inglesa (Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Grã-Bretanha), para os quais os Estados Unidos são uma segunda pátria e, portanto, considerados cem por cento confiáveis.
Pertencer a esse círculo mágico, que manifesta sua coesão em inúmeras áreas, está fora de questão para os não-anglo-saxões, ajoelhem-se eles como se ajoelharem.
Adotar a língua do senhor torna-se algo como um ‘second best’, uma solução de segunda classe, à falta de coisa melhor.

Os “elementos subversivos” da cultura

O mestre, no caso, teoriza de acordo com suas conveniências.
David Rothkopf, por exemplo, então diretor-geral do escritório de advocacia Kissinger Associates, após ter servido no primeiro governo Clinton, manifestou-se sobre o assunto com uma franqueza inesperada na revista Foreign Policy.
Para ele, a extinção das diferenças culturais é um fator de progresso da civilização. Distingue aquilo que chama de “elementos subversivos” da cultura —religiões, línguas, crenças políticas e ideológicas —, daquilo que convém promover:
a alimentação (será que dá para incluir aí as porcarias que engolimos?), férias, rituais e música.
Nessa perspectiva, o inglês tem um lugar ímpar: o de língua única da comunicação no planeta.
Também convém atentar para o fato de que “se o mundo se dirige para uma língua comum, que esta seja o inglês”. [3]

É fácil constatar que David Rothkopf foi ouvido bem além de suas expectativas na França, e às vezes mesmo antes de se ter expressado…

Como seria indelicado reivindicar diretamente a adoção da língua da América, é preferível fazer, como em outros casos, um atalho pela Europa.
Há doze anos, Alain Minc já via profeticamente no inglês a “língua natural” da Europa. [4]
Mais recentemente, Alexandre Adler confirmava:
“O inglês, falado pelos europeus, se tornará uma única língua de comunicação, ao lado da qual as línguas nacionais ainda terão uma certa utilidade”. [5]
Seria talvez, sem dúvida, uma “única” língua de comunicação como era o russo para os países do leste europeu na época do pacto de Varsóvia?
Em todo o caso, não será Romano Prodi quem criará obstáculos: o presidente da Comissão Européia, embora tendo uma língua materna latina, é na verdade um anglomaníaco inveterado.
Já se disse que o atlantismo chegou a fazer, tempos atrás, o papel de um patriotismo substitutivo para os norte-americanos sem documentos legais. Esse é hoje o papel assumido pela Globalização.
E com relação a isso, a coisa é muito clara:
“Globalization is us! “, proclamou, inapelavelmente, um renomado editorialista norte-americano. [6]

E será que é preciso traduzir o que todo mundo já sabia?
Numa globalização “feliz”, o sucesso está na língua da metrópole, vitoriosa sem combate numa “guerra de veludo”, da qual um universitário especialista em informática — e portanto não suspeito de ser “arcaico” — deixa claro o que se espera do vencido:
“Poder lhe vender qualquer coisa, poder fazer com que aceite facilmente qualquer decisão política, transformá-lo num aliado dócil e submisso”. [7]

Ou seja: sejam eles quem forem — magnatas da indústria, dirigentes políticos nacionais ou internacionais, escritores de renome — todos deverão se conformar com o papel de “idiotas úteis” num elenco que foi escolhido por outros…

Notas

[1] Avenir de la langue française, Défense de la langue française, Asselaf e Droit de comprendre.

[2] O Globo, Rio de Janeiro, 23 de fevereiro de 1999.
Tradução integral, em português:
“Escrevo este artigo em inglês para dar o exemplo.
Acho que a imprensa brasileira tem o dever patriótico de começar a publicar informações e colunas em inglês para que as pessoas do FMI possam saber o que acontece no dia-a-dia aqui sem ter que esperar por relatórios e resumos.
Tendo sido afastado o incômodo do português, eles poderão avaliar diretamente nossa situação lendo os jornais e tomando mais rapidamente as decisões necessárias.
De agora em diante eu pretendo escrever em inglês, fazendo uso do português somente para os termos intraduzíveis como ‘marketing’ ou ‘currency board’, e espero que a imprensa responsável siga o meu exemplo.”

[3] Ler, de David Rothkopf, “In Praise of Cultural Imperialism?”, Foreign Policy, Nova York, verão de 1997. Lendo o artigo, constata-se que o ponto de interrogação do título está ali só para constar…

[4] Ler, de Alain Minc, La Grande Illusion, ed. Grasset, Paris, 1988.

[5] Ouest-France, 17 de janeiro de 1999.

[6] Thomas Friedman, no International Herald Tribune, Paris, 10 de fevereiro de 1997.

[7] Ler, de Charles Durand, La Langue française: atout ou obstacle?, ed. Presses Universitaires du Mirail, Toulouse, 1997.

*Bernard Cassen é jornalista, ex-diretor geral de Le Monde Diplomatique e presidente de honra da Atacc França.

(http://www.novomilenio.inf.br/idioma/20020329.htm)

Leia mais sobre o tema, nesta mesma edição:

> Um mundo norte-americano
> Dominar corações e mentes
> A nova bíblia de ‘Tio Sam’
> A resistível ascensão de ‘Ronald McDonald’
> O imperialismo da virtude
> Fascinantes ‘business schools’
> A palavra supérflua
> Filo-americanos à beira de um ataque de nervos

(https://www.diplomatique.org.br/acervo_online.php?mes=05&ano=2000)
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jõao

Deu na Folha: Alckmin vai gastar mais de R$ 1 milhão por dia em propaganda

17 dez 2013/0 Comentários/ Blog do Zé /Por Equipe do Blog
As contas são do jornalão da Barão de Limeira, e a equipe do blog do ex-ministro Zé Dirceu, que o escreve nestes dias em que ele ainda aguarda autorização para voltar a escrevê-lo, apenas as reproduz: o governador tucano Geraldo Alckmin programa gastar por mês no ano que vem, quando tentará a reeleição, o dobro do que gastou mensalmente este ano em publicidade.

Para tanto, decidiu dobrar a verba de propaganda de R$ 16,1 milhões gasta por mês neste 2013 para 31,5 milhões/mês no ano que vem. Verba a ser gasta só no 1º semestre de 2014 , já que a legislação impede gasto com publicidade governamental no período de campanha eleitoral, no 2º semestre do ano. Confirmado o programado, Alckmin pretende gastar, assim, mais de R$ 1 milhão dia em propaganda no 1º semestre do ano que vem.

À Folha, o governo Alckmin deu uma explicação e justificativa esfarrapadas: o jornal estaria comparando “alhos com bugalhos”. A comparação deve ser feita com os demais anos eleitorais, justificou a subsecretaria de Comunicação de Alckmin. Para os leitores desse blog, a equipe que o faz nesses dias registra: R$ 1 milhão por dia em propaganda, convenhamos, é um escândalo… Como costuma dizer o colunista Ancelmo Gois, em sua coluna em O Globo, o pior é que é “o seu, o meu, o nosso dinheiro…”

    Mauro Assis

    Eu acho que o Zé, o Marcola, o Beira-Mar, tudo que é hóspede do nosso sistema carcerário deveria ter direito à liberdade expressão. EMail, celular e blog para todos os nossos valentes, gente!

    José Carlos lima

    Vc só consegue comparar baixo, nada de comparar um Genoino com um FHC cujos rolos nem ao menos chegaram a justça e que tal comparar com a boa vida de Cachoeira, o medico tarado que estripou 200 pacientes e recebei há de Gilmar Mendes, a comparação tem que ser feita com Marcolla que, pelo seu entendimento, foram tal como Genoino, um dos construtores desse pais. Que nojo ao ler seu comentário

CARLOS A ROSSE

Interessante seria o dia em que essa grande mídia fosse vítima da intolerância e ódio que semeiam. Eles acreditam que isso jamais vai acontecer. Eu não.

Leleco

Diante do excelente artigo , fica a sensação de um país ainda extremamente fraco em seus Órgãos de defesa do Estado Democrático de Direito. Que haja louco em qualquer lugar ( inclusive dentro de tribunais, bem ou mal intencionados ) , não é novidade. A falta de estratégia e de reação do governo e diversas instituições para garanti-lo é que são de espantar( até ganham para isso ao representar a população ). Então fica combinado : As cinco famiglias que mandam na mídia no Brasil decidiram que o país lhes pertence ( como sabujos e prepostos que são , da banca internacional ).Os 200 milhões de brasileiros com seu projeto de Nação que se danem.

Dimas A.M.Renó

Enquanto isto, até prá corroborar, a “FOIA” continua a sua rotina de mentir: http://revistaforum.com.br/blog/2013/12/folha-mente-para-seus-leitores-garante-professor-da-unicamp/

André Lima

É o caminho mais fácil. Coisas de quem só vê a manchete. Funciona e bem numa sociedade egoísta como a nossa.

Julio Silveira

Ultimamente tendo a bocejar toda vez que vejo esse tema, mídia altamente militante em prol do conservadorismo que lhes beneficia. As respostas para esse tipo de critica sempre esteve e sempre estará nas mãos dos governos, esse, o atual é progressista, o que faz? nada, ou melhor navega na onda dessa mídia nada producente para uma mudança cultural que empurre a cidadania para um aprofundamento democrático com moral. Este governo, dizem, foi eleito pelo seu progressismo, mas tem feito ouvidos de mercador toda vez que o volume da cobranças por alguma ação nesse campo se eleva.
Meu caro articulista fala sério, toda má ação continuada que não encontra resposta contrária de quem tem poder para alterar esse caminho e nada faz e porque apoia. Como reiteradas vezes temos visto em verbalizações como controle remoto, direito de escolha etc…e tal, tantas palavras abobrinhas que poderiam ser sérias se não tivéssemos no abuso um dos ingredientes de nossa cultura. E nem venham me dizer que o Brasil é assim, que é isso ou aquilo, isso, essa resposta pronta, já tem passado dos limites. O que fazem com a cidadania esclarecida é pura maldade, coisa de sádicos, curtem ficarmos como loucos falando ao leu, empurram com a barriga para irmos reclamar com o papa. Mas com ele só com orações.

Tiago Tobias

Jurista comenta “origem nazista” da Teoria do Domínio de Fato: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/12/jurista-comenta-origem-nazista-da-teoria-dominio-fato.html

O jurista em questão é o Dalmo de Abreu Dallari

Vale a pena assistir a entrevista que está no link!

    Mário SF Alves

    É. Tem razão. Diante de controvérsias, parece que se deve usar aspas ao se referir à tal origem.

Mauro Assis

Toda vez que eu leio uma referência ao mensalão mineiro uma dúvida me assalta: se quem foi eleito em Minas Gerais na eleição de 1998 foi o Itamar e quem meteu a mão na grana foi o candidato derrotado Eduardo Azeredo (e parece que meteu mesmo, num esquema depois levado ao PT pelo Virgílio Guimarães), o nome mensalão não é apropriado, já que o Eduardo não governou, então não tinha porque comprar apoio de ninguém ao seu governo, certo?

Me parece então que o uso do termo “mensalão mineiro” é um exemplo melhor ainda do fenômeno descrito pelo autor, que é a importância da linguagem na luta pelo poder, ou seja, o sujo PT mensaleiro inventou o termo “mensalão mineiro” para equiparar a lambança do mal lavado Eduardo Azeredo com a sua (dele, PT) própria.

    Mário SF Alves

    Não, Mauro Assis, o tal termo “mensalão” é de responsabilidade do credibilíssimo ex-deputado R. Jefferson. A mídia só fez entender o simbolismo da coisa e deitar na cama. E o PT, creio, não tem nada a ver com isso. Mensalão mineiro é uma reação de todos os não não aceitaram o linchamento imposto pela mídia neoliberal capitalista.
    ___________________________
    É a mais pura e sincera reação ao pensamento único e desatino perpetrado pelas oposições midiáticas.

    Mauro Assis

    Caro Mário,

    Mensalão foi realmente cunhado pelo Roberto Jefferson, delator do esquema do qual se beneficiou e que, quando teve seus interesses prejudicados, resolveu denunciar. Mas que o esquema havia, havia, tanto é que o João Paulo Cunha mandou a patroa pegar o capilé (ui) na boca do caixa dizendo que ela ia pagar a conta da TV a cabo, entre outras muitas cositas mas (e más).

    O termo “mensalão mineiro” é que não faz sentido, na minha opinião, foi cunhado pelo PT ara contrapor a lambança.

    Luís Carlos

    Queres apagar da memória que foi Roberto Jeferson quem cunhou a palavra “mensalão” para acusar o PT? A grande mídia usou, os tucanos usaram a palavra, mas o PT que foi acusado não pode usar para os tucanos de MG? Acusas o PT de ter criado a palavra “mensalão” que foi criada por R. Jeferson e disseminada pela grande mídia e oposição tucana? Não colou. Tente outra.

    Mauro Assis

    Luis, tô falando do termo “mensalão mineiro”. O mensalão foi o que o Jefersão usou para descrever o esquemão de que fazia parte até o dia em que magoou-se.

ricardo

A impressão que se tem ao ler o artigo é a de que as palavras são inventadas e impostas arbitrariamente ao público, sem qualquer conexão com a realidade. É verdade que há sempre disputa entre forças sociais e políticas pela significação dos fatos. Mas os fatos continuam lá! Sugiro ao articulista que vá mais fundo no estudo da história conceitual. Poderia começar com a leitura do grande historiógrafo alemão Reinhart Koselleck. Quanto ao caso em questão, que tanto preocupa o articulista, convenhamos: o PT tem perdido sistematicamente as batalhas pela significação dos fatos. E uma razão para isso é a renitente tentativa de simplesmente negar os fatos. Acho que alguns acadêmicos deveriam resguardar-se do ridículo das tentativas de inventar expressões que nem de longe expressam os significados dos fenômenos. Crise política? Que crise política o quê. Mensalão, isto sim.

    Paulo ETV

    o que está implícito ,sempre,na comunicação é o grau de ignorância de quem a está acessando.

    seu comentário mostra muito isto,pode parecer deselegante falar assim,a educação pede que não se fale assim,mas nossa realidade é esta.

    Nelson

    Eu ia comentar, Paulo ETV, que, apesar de citar o nome de um historiógrafo alemão, o Ricardo pouco ou nada entendeu do texto do Venício Lima. Mas você foi mais breve direto ao ponto na resposta a ele. Parabéns.

    Mário SF Alves

    Belas palavras, prezado ricardo. Belas palavras. E, francamente, como eu gostaria de poder concordar com elas. Como eu gostaria de creditar como verdade o que o diz, seletivamente rotula e seletivamente impõe e exaustivamente repete o oligopólio neoliberal denominado mídia empresarial capitalista. Como eu gostaria de, em concordância com o poder hegemônico, debitar tudo na conta de nossa incompetência e corrupção congênitas, e, por, óbvio, debitar tudo na conta do PT e dar por encerrado o passado, o golpe civil-militar de 64, bem como o osso entalado na garganta que é a questão do injustificável subdesenvolvimento no Brasil e, enfim, deixar para trás um tal amargo capítulo de nossa História.

    Ah, o pensamento único… que m¨&%a!

    Ah, a espionagem e violação de privacidade e entreguismo por parte de políticos brasileiros denunciados pelo Snowden e pelo Assange… conspiração?

    Ah, o golpe de 64 forçado e viabilzado finaceira e intelectualmente pelos EUA, através da CIA… fantasia?

    Mário SF Alves

    A propósito, já ouviu falar em jornalismo gonzo?

    Luís Carlos

    Pois é Mário… …segundo Ricardo tudo se resume ao PT e o mensalão. Nada sobre manipulações da mídia, aparelho ideológico de dominação, de hegemonia. Para Ricardo, a grande mídia é sinônimo de democracia e todos que discordam dela e desmascaram as falcatruas da mesma com crime organizado (caso Cachoeira e Veja) ou mentiras usadas para esconder crimes praticados por essas empresas de comunicação (crime de sonegação fiscal da Globo) ou ainda manipulações grosseiras com objetivo político eleitoral como caso da “bolinha de papel” e debate de Collor x Lula (ambos da Globo) ou ainda apoio explícito a ditadura civil-militar (Globo, Folha, etc) são tolices de acadêmicos que não merecem a menor atenção.
    Ricardo não é inocente útil.

Messias Franca de Macedo

VÍDEO BOMBA! Novas pistas ligam modelo morta ao esquema do mensalão mineiro

publicado em 24/07/2012 às 15h30

http://videos.r7.com/novas-pistas-ligam-modelo-morta-ao-esquema-do-mensalao-mineiro/idmedia/500ee4e9e4b0a8af0d069009.html

FrancoAtirador

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GUERRA DA INFORMAÇÃO

Rótulos, Chavões, Clichês, Manchetes, ‘Tuítes’…

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aplicadas à Informação sobre Política e Economia.
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