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Diário da Resistência


Vazajato: Procuradores planejaram minar imagem de Raquel Dodge por meio de vazamentos na imprensa
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Política

Vazajato: Procuradores planejaram minar imagem de Raquel Dodge por meio de vazamentos na imprensa


09/08/2019 - 18h48

“O barraco tem nome e sobrenome. Raquel Dodge”, o retrato da procuradora-geral segundo a Lava Jato

Mensagens obtidas pelo ‘The Intercept’ e analisadas em conjunto com o EL PAÍS mostram como força-tarefa trata a chefe como um entrave para operação. Eles buscaram driblá-la e planejaram minar sua imagem por meio de vazamentos de informação na imprensa

Marina Rossi, Regiane Oliveira, EL PAÍS, e Paula Bianchi, The Intercept 

“Caros. O barraco tem nome e sobrenome. Raquel dodge”.

A frase, escrita pelo procurador Januário Paludo a seus colegas da Operação Lava Jato em um chat do Telegram em 11 de março deste ano, é emblemática da cáustica avaliação que a força-tarefa de Curitiba tem da procuradora-geral que os comanda.

As conversas dos procuradores, enviadas ao The Intercept por uma fonte anônima e analisadas em conjunto com EL PAÍS, apontam que Dodge, o posto mais alto do Ministério Público, era vista como uma espécie de inimiga interna pela própria operação.

E que os procuradores chegaram a discutir a possibilidade de repassar informações secretamente a jornalistas para pressioná-la a liberar ao STF delações, entre elas, a de Léo Pinheiro, da construtora OAS, uma testemunha-chave de casos que incriminam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A relação estreita que, de acordo com os procuradores, existe entre Gilmar Mendes e Raquel Dodge é o cimento que constrói o muro de desconfiança e desdém que separa Curitiba da procuradora-geral da República.

É um sentimento que vem desde o começo da gestão dela, em setembro de 2017.

Em 20 de junho daquele ano, dias antes de Dodge ser apontada para o cargo pelo então presidente Michel Temer, Dallagnol diz aos colegas: “Bastidores: – Raquel Dodge se aproximou de Gilmar Mendes e é a candidata dele a PGR”, escreve o procurador.

Em outra conversa, já em 2018, o coordenador da Lava Jato afirma que Dodge só não confronta Mendes porque “sonha” com uma cadeira no Supremo assim que seu mandato na PGR terminar.

A suposta aproximação com o ministro do STF, no entanto, é só uma das queixas da Lava Jato de Curitiba com Dodge.

Para os procuradores liderados por Dallagnol, a procuradora-geral é um obstáculo incontornável também por ser dona da caneta que tanto libera orçamento à força-tarefa como envia ao Supremo os acordos de delações premiadas que envolvem autoridades com foro privilegiado, como a de Léo Pinheiro.

Curitiba depende de Dodge de uma forma ainda mais fundamental: já em contagem regressiva para deixar a PGR em 17 de setembro, é ela que determinará se a força-tarefa continuará existindo no ano que vem, uma vez que a atual autorização expira em 9 de setembro.

No mapa dos embates entre Brasília e Curitiba, o que mais aparece nas mensagens como um ponto nevrálgico dessa relação é a morosidade de Dodge para homologar os acordos de delação, o combustível que manteve a Lava Jato acesa durante seus cinco anos.

Peças-chaves da investigação, como Léo Pinheiro, o empreiteiro da OAS que incriminou o ex-presidente Lula em sua primeira condenação, o caso do triplex, ainda não tiveram suas delações validadas pelo STF.

Assinado em dezembro de 2018 com a PGR, o acordo de Léo Pinheiro não foi, até hoje, enviado por Dodge ao Supremo.

Procurada, a assessoria de imprensa da PGR afirmou que “não se manifesta acerca de material de origem ilícita” ou sobre acordos de delação, “que possuem caráter sigiloso”.

A força-tarefa da Lava Jato também afirmou à reportagem que não faria comentários.

Em outras ocasiões, disse que “não reconhece as mensagens que têm sido atribuídas a seus integrantes nas últimas semanas. O material é oriundo de crime cibernético e tem sido usado, editado ou fora de contexto, para embasar acusações e distorções que não correspondem à realidade”.

Nos bastidores, discute-se que o empreiteiro da OAS teria citado membros do STF em seu relato, e que a procuradora-geral planeja postergar a decisão para a próxima gestão.

“Russia acabou de perguntar se evoluiu LP”, questionou o procurador Athayde Ribeiro Costa, no chat OAS-Curitiba–acordo, em 28 de junho de 2018.

Ele se referia a um questionamento do juiz Sergio Moro, apelidado de Russo pela força-tarefa, sobre a delação de Léo Pinheiro.

“Pessoal, advogados de outros potenciais colaboradores ligando querendo saber da evoluçao das negociaçoes. Brasilia precisa resolver nossas pendencias, senao esse povo todo vai fazer acordo com a PF”, respondeu a procuradora Jerusa Viecili, referindo-se ao fato de que as defesas poderiam buscar a Polícia Federal diretamente para fechar uma delação premiada.

Neste e em outros diálogos, o EL PAÍS optou por manter todas as frases com a grafia original, sem nenhuma edição.

No chat, os procuradores reclamam que Dodge sairia de férias entre 3 e 17 de julho, sem resolver “pendências” relacionadas ao acordo.

Pela agenda publicada no site do MPF, a procuradora, de fato, tirou férias no período: entre 4 e 18 de julho.

No dia seguinte, o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, propõe aos colegas, no mesmo chat, pressionar Dodge “usando” a imprensa “em off”, passando informação a jornalistas sem se identificar, uma estratégia várias vezes cogitada pelo procurador nas mensagens. “Podemos pressionar de modo mais agressivo pela imprensa”, propõe.

Outra opção era encostar Dodge contra a parede e apresentar um prazo limite para o encaminhamento. “A mensagem que a demora passa é que não tá nem aí pra evolução as investigações de corrupção, se queixa. “Da saudades do Janot”, encerra.

Os motivos da saudade do ex-procurador-geral ficam evidentes nas mensagens entre Dallagnol e Rodrigo Janot.

O antecessor de Dodge mantinha uma relação bem diferente com o coordenador da força-tarefa, ao menos nas conversas mantidas pelo Telegram.

Em 16 de julho de 2015, Dallagnol atribui a Janot o sucesso da Operação Politeia, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços do ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) e outros políticos com foro privilegiado.

“Janot, o maior diferencial é que Vc, por características pessoais, permitiu que esse trabalho integrado acontecesse, a começar pela criação da FT e todo apoio que deu e dá ao nosso trabalho. Vc merece um monumento em nossa história. Grande abraço, Deltan”, escreveu.

O coordenador da força-tarefa mostra nas mensagens uma relação mais próxima com o chefe, a quem parabeniza por artigos publicados na imprensa, convida para eventos, divide preocupações, responde prontamente e agradece: “Obrigado por confiar em nós”, escreveu Dallagnol em maio de 2016.

Janot não se mostra tão entusiasta nas respostas. Frequentemente, respondia com joinhas (👍👍👍).

No começo de abril de 2019, procuradores debatem novamente a delação de Léo Pinheiro, mostrando que a relação entre Dodge e a força-tarefa seguia tensa. Eles tentavam encontrar uma saída, para o caso da procuradora-geral desistir do acordo.

“Na ponta da faca, se ela assinou cabe MS por omissão se ela não levar ao judiciário para homologar”, escreve Antônio Carlos Welter.

Leva a crer que ele levanta a possibilidade de se questionar, por meio de um mandado de segurança (MS), a mencionada omissão de Dodge.

O procurador Athayde Ribeiro Costa sugere que, por se tratar de um contrato, caso Leo Pinheiro tenha uma cópia assinada, “pode levar a homologacao e dizer q os depoimentos estao de posse do mp”, em referência ao Ministério Público.

Em várias oportunidades, a força-tarefa repete que Dodge “não despacha nada” e “centraliza tudo” e reclamam da lentidão.

De fato, as ações da Lava Jato junto ao Supremo tiveram uma redução drástica desde que a procuradora assumiu a PGR, em setembro de 2017.

De acordo com relatório liberado pelo ministro Edson Fachin em março deste ano, entre 2015 e 2018 foram homologadas 110 colaborações premiadas no Supremo.

Destas, apenas uma, a delação do lobista Jorge Luz —que afirma ter feito pagamentos ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), homologada em dezembro de 2018—, foi feita sob a gestão de Dodge.

“Em 2019, não houve homologação”, afirma o documento.

“Confio que terá sabedoria para ouvir frustrações”

Se com Janot as conversas eram amistosas, com Dodge o coordenador da Lava Jato nunca chegou à liberdade dos emojis.

Pelo contrário. Em 12 de agosto de 2018, o estremecimento na relação veio à tona de maneira direta no chat entre o procurador e a ocupante da Procuradoria-geral.

Sem trocar nenhuma palavra, Dodge apenas envia um link para Dallagnol. Trata-se de uma nota publicada no jornal O Globo que afirmava que Dodge colecionava atritos com a Lava Jato.

Dentre os problemas, cita a nota, está não ter autorizado uma viagem da força-tarefa à Suíça, onde se desenrola parte das investigações, e também a falta de uma resposta dela quanto ao pedido de suspeição de Gilmar Mendes feito pela equipe de procuradores do Rio.

No dia seguinte, Dallagnol responde à chefe negando passar informações a jornalistas.

“É uma pena que problemas dentro da instituição acabem expostos na imprensa. Como lhe disse, não temos essa prática de notas”, afirma.

Logo depois, não esconde a insatisfação. “Várias pessoas interessadas tomaram contato com essa informação sobre a negativa da ida para a Suíça, porque estavam interessadas, inclusive a PF que já estava autorizada a ir conosco. Já quanto às infos do RJ, tomei conhecimento pela nota”, escreveu.

“Confio que terá sabedoria para ouvir frustrações com serenidade, avaliar criticamente o que é pertinente e usar isso para fortalecer os relacionamentos e o trabalho que é de todos nós”.

Para além dos conselhos dados por Dallagnol à procuradora-geral, as mensagens mostram que o descontentamento com Dodge ultrapassa as trincheiras da Lava Jato.

“Raquel está destruindo o MPF, achincalhando a gente…[…] teria que ser incinerada publicamente, internamente e internacionalmente”, desabafou o procurador Anderson Lodetti, em abril deste ano, em um chat que reúne procuradores além da força-tarefa.

O motivo era Dodge ter se calado inicialmente, quando, em abril deste ano, Alexandre de Moraes, do STF, ordenou buscas e apreensão contra militares e procuradores no amplo inquérito sobre fake news. Num passo criticado por especialistas, Moraes abre a investigação de ofício, ou seja, por iniciativa própria e sem a participação do Ministério Público.

Mas Dodge se insurgiria contra o STF, ainda que sem sucesso, entretanto, nem isso seria suficiente para conciliar a procuradora-geral com seus liderados.

A ruptura sem retorno, ao menos com a Lava Jato em Curitiba, parece ter acontecido em março deste ano, quando Dodge decidiu sobre o futuro do dinheiro de multas pagas pela Petrobras nos Estados Unidos.

Dodge foi até o Supremo pedir a anulação do acordo firmado entre os procuradores e as autoridades norte-americanas que resultaria na criação de uma fundação para gerir os 2,5 bilhões de reais desviados por corrupção e devolvidos pela estatal aos cofres públicos.

Foi neste contexto que foi feita a afirmação do procurador Januário Paludo, que abre esta reportagem. “O barraco tem nome e sobrenome. Raquel dodge. O Oswaldo instaurou pgea para pedir informações sobre o acordo”, disse o procurador no grupo Filhos do Januário 4.

Se referia ao Procedimento de Gestão Administrativa (PGEA), uma medida administrativa utilizada pelo corregedor-geral do MPF, Oswaldo Barbosa, para ter acesso aos documentos sobre o acordo.

A medida drástica da Procuradoria-geral veio depois que a força-tarefa negociou diretamente com a Petrobras e com autoridades dos Estados Unidos que 80% da multa que a companhia teria que pagar pelos esquemas de corrupção ao mesmo tempo que suas ações eram negociadas na bolsa de Nova York ficasse no Brasil.

O valor bilionário chegou a ser depositado em conta vinculada à 13ª Vara Federal de Curitiba, em janeiro deste ano, pela companhia.

Uma fonte que acompanhou os bastidores, mas prefere não se identificar, avalia que neste momento, a corda entre procuradores e a PGR foi arrebentada.

“O tiro de canhão, que realmente causou desgosto [nos procuradores] foi a ADPF [Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, instrumento utilizado por Dodge para pedir ao Supremo a suspensão do acordo] contra a Fundação Lava Jato”, disse.

A argumentação da procuradora-geral era de que caberia à União, e não aos investigadores da Lava Jato, decidir como o dinheiro será gerido.

Em defesa de Dodge, a fonte afirma que a procuradora-geral só soube do acordo depois que ele já havia sido fechado. “É algo que poderia ter sido resolvido dentro de casa, não precisava de uma ADPF”, avalia, no entanto. O pedido de anulação foi acatado pelo Supremo.

Em meio a tantos dissabores, que nos grupos de procuradores também aparecem como decepção pela forma como Dodge encampa ou não demandas sobre benefícios e salários na carreira, a categoria também olha para o futuro.

“É chegada a hora de construir alternativas de médio/longo prazo, porque o curto prazo será mais do que já temos. E o café da RD já está sendo servido no palito de tão frio”, diz o procurador João Carlos de Carvalho Rocha, em dezembro de 2018, em referência a Dodge.

A gestão da procuradora-geral se encerra no dia 17 de setembro e agora o destino das grandes decisões do Ministério Público está nas mãos de Jair Bolsonaro.

Cabe ao presidente anunciar seu sucessor, o que ele promete fazê-lo nos próximos dias e avisa que, pela primeira vez em 16 anos, pode apontar alguém fora da lista tríplice dos mais votados entre os procuradores. Caberá ao escolhido conseguir o que, para Dodge, pareceu impossível: reconciliar a procuradoria-geral com a Lava Jato.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



4 comentários

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Valério

12 de agosto de 2019 às 00h24

A operação lava jato não é uma operação de combate à corrupção, mas apenas e tão somente uma operação de autopromoção de Moro e Dallagnol e outros servidores públicos que visam a carreira política no executivo ou de senador ou altos cargos nos tribunais superiores e MPF. Não passa de uma operação para inflar o ego do Moro e do Dallagnol para alavancar suas carreiras e imagem frente a opinião pública e a mídia visando as eleições.
Se fosse uma operação séria jamais o Lula seria julgado em Curitiba se os imóveis atribuídos a ele estão localizados em SP e o próprio Moro disse não haver conexão com as verbas desviadas da Petrobras. Ele não é o juiz natural do caso e isso é evidente para qualquer pessoa que entende um pouco de leis.
E outra: se fosse uma operação séria investigaria a Petrobras desde a época que esses corruptos tinham cargos de chefe lá dentro e não só a partir de 2003 no governo Lula. Uai, começaram a roubar depois do dia 31/12/2002 pós governo fhc. É óbvio que roubavam antes de 2003.
Lula deveria ser julgado em SP que é onde está o juiz natural do caso dele.
Por acaso o Moro quis julgar outras pessoas que compraram cotas da bancoop que depois a OAS assumiu a obra ? Não, né. Julgou só o famoso Lula. É uma coisa sem pé e nem cabeça, o Moro usurpou a competência do trf SP. Levou no peito. Levou o Lula, mas os casos do ” Zé ninguém ” ele deixou os casos todos em sp.
Se o Lula tiver culpa que pague pelos seus crimes, mas que seja julgado na cidade e estado onde estão localizados os imóveis e por um juiz imparcial que não faça conchavos com MPF.

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Aldo

10 de agosto de 2019 às 11h16

Fora de Pauta

Sobre Bolsonaro

Por Jeferson Miola
Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

Bolsonaro é uma aberração à imagem e semelhança da burguesia
“O burguês hipócrita que hoje finge desconhecer a trajetória do Bolsonaro também padece de estranha amnésia de fatos recentes: já não indaga sobre o paradeiro do Queiroz, sobre a cocaína traficada no avião presidencial e nem sobre o miliciano, traficante de armas e assassino da Marielle que, por incrível coincidência, é vizinho de condomínio do Bolsonaro”, escreve o colunista Jeferson Miola

9 de agosto de 2019, 19:04 h

Bolsonaro não caiu do céu; tampouco é obra do acaso ou de algum fenômeno sobrenatural.

Bolsonaro também não é um acidente de percurso. Ao invés de acidental, é o percurso da barbárie que a burguesia conscientemente escolheu para impor este padrão destrutivo e autoritário do atual ciclo de acumulação e reprodução do capital.

Na eleição, a candidatura do Bolsonaro não era a primeira opção da burguesia. Com o fracasso, entretanto, dos candidatos menos escatológicos e menos mau-cheirosos da elite, Bolsonaro acabou sendo ele o ungido.

A Rede Globo não teve o menor pudor ou qualquer dúvida em aclamá-lo. Afinal, acima de tudo era imperativo impedir o PT, o mal maior.

Na encruzilhada dramática entre Haddad e Bolsonaro, que traduzia o confronto entre civilização e barbárie, a burguesia – indiferente e surda aos apelos de vozes sensatas e civilizadas do mundo inteiro – não pestanejou em optar pela escória e trilhar o caminho do precipício.

Bolsonaro sempre foi autêntico. E também sempre foi coerente. Em 3 décadas de prática política corrupta, nunca deixou dúvidas quanto ao seu mau caráter, às suas idéias aterrorizantes e aos seus propósitos grotescos.

Bolsonaro nunca ocultou seu racismo, sua misoginia, xenofobia, perversão; suas raízes no submundo miliciano; o ódio ao outro, a truculência; enfim, sua propensão fascista.

A burguesia hipócrita que agora finge se escandalizar com as atitudes anti-humanas e anti-civilizatórias do Bolsonaro sempre soube quem ele é, o que ele significa e o dano que pode causar.

Bolsonaro sempre se vangloriou de ser um sádico e cruel que idolatra carrascos e que se apraz com a tortura e com a maldade.

É chocante a homenagem a multi-assassinos como Brilhante Ustra, “o terror da Dilma”, assim como a apologia constante ao estupro da mulher que “merece” ser estuprada. Toda essa monstruosidade, entretanto, não comove a burguesia e não perturba em nada a anti-razão e a anti-humanidade da classe dominante.

O burguês hipócrita que hoje finge desconhecer a trajetória do Bolsonaro também padece de estranha amnésia de fatos recentes: já não indaga sobre o paradeiro do Queiroz, sobre a cocaína traficada no avião presidencial e nem sobre o miliciano, traficante de armas e assassino da Marielle que, por incrível coincidência, é vizinho de condomínio do Bolsonaro.

Não há lugar para ilusão e espanto: Bolsonaro é uma aberração, uma deformidade que atenta contra a democracia. Ele representa o Escritório do Crime de Rio das Pedras aboletado no Planalto por meio de uma eleição fraudada pelo impedimento ilegal do Lula, o competidor que Moro, Dallagnol e Globo jamais conseguiriam vencer sem farsas, truques e vilanias.

Bolsonaro é uma aberração à imagem e semelhança da burguesia e do sistema jurídico-político que o viabilizou e que o sustenta no poder, a despeito da ameaça que ele representa à vida e à civilização.

A interrupção desse desatino fascista e a restauração do Estado de Direito no Brasil não acontecerá por benevolência do sistema jurídico-político contaminado e dominado por gangues de procuradores, policiais e juízes e, menos ainda, pela ação de um Congresso controlado por matilhas predadoras que sustentam Bolsonaro e suas políticas ultraliberais que desmancham o país.

A restauração da democracia é indissociável da luta pela libertação e restituição dos direitos civis e políticos do Lula.

Para recuperar a democracia, é preciso conquistar-se maioria social e política capaz de alterar a correlação de forças em favor dos valores nacionais, democráticos, populares e civilizatórios.

O fim da barbárie do Bolsonaro para dar início à reconstrução ética, política, econômica e social do Brasil se combina com a luta para derrotar a burguesia e implodir o sistema apodrecido que impôs esta aberração.

Responder

Francisco

09 de agosto de 2019 às 23h02

Hehehe !
Até eu quero uma fundação de 2,5 bi para administrar.
Depois o Lula e o ladrao mor.
Raquel Dose, e isso que dá ficar andando atrás de cargos e não seguir a constituicao. Sempre vão querer uma maozinha e o braço junto.

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