Gilberto Maringoni: Socorro permanente a bancos a pleno vapor

Tempo de leitura: 6 min

PIB zero e capitalismo sem risco (para poucos)

Índices do terceiro trimestre resultam da crise externa e da ação do BC. Alta dos juros até agosto ajudou a derrubar a economia. Medida tira bilhões do orçamento em favor dos bancos, mas evita crise no setor, como nos EUA e na Europa. O consumo das famílias caiu 0,1% em relação ao trimestre abril-junho. A perspectiva para os últimos três meses do ano é também da queda da geração de empregos.

Gilberto Maringoni, na Carta Maior

O crescimento zero do PIB no terceiro trimestre é notícia que chega em má hora. O resultado não pode ser apenas debitado nas costas da crise internacional. É conta também de responsabilidade do Banco Central brasileiro.

Remando contra várias previsões de deterioração do quadro externo, o BC subestimou o perigo e decidiu acatar demandas do setor financeiro: realizou cinco temerárias elevações de 0,25% nas taxas de juros, entre janeiro e julho de 2011. A Selic iniciou o ano em 10,75% e bateu 12,5% em agosto. A partir daí, ao longo de três reuniões do Copom, iniciou uma trajetória de leve queda, alcançando os atuais 11%. Em termos nominais, a taxa é mais alta que há um ano. Em parâmetros reais (descontada a inflação), ela caiu de 5,23% para 4,22% entre dezembro e dezembro. Internamente é a mais baixa em 18 anos, mas segue como a mais alta do mundo.

A tais iniciativas, soma-se uma série de restrições ao crédito, abrigadas no neologismo “medidas macroprudenciais”, que tiveram o condão de encarecer o dinheiro e frear o consumo. A justificativa foi a necessidade de se esfriar a economia para conter uma onda inflacionária altista. O BC fez isso em meio ao maior solavanco do capitalismo em oitenta anos.

Frustração de expectativas
Aliadas aos efeitos da crise mundial – com destaque para a retração da demanda chinesa -, as decisões do BC no primeiro semestre estão exibindo suas consequências agora. O PIB zero não é apenas o retrato de um quadro de estancamento, cuja reversão ainda é uma incógnita. Ele também derruba as expectativas de investimento produtivo privado. Sem esperança de crescimento, o empresário pensa várias vezes antes de jogar seu dinheiro na expansão da capacidade produtiva em época de retração de demanda. O consumo das famílias caiu 0,1% em relação ao trimestre abril-junho. A perspectiva para os últimos três meses do ano é também da queda da geração de empregos.

O crescimento do PIB foi de 0,5% nos Estados Unidos e de 0,2% na Europa neste mesmo período, um quadro ligeiramente melhor que o nosso. Detalhe: aquelas são economias virtualmente estagnadas. O diferencial interno é a ausência de uma crise bancária de proporções devastadoras, como as ocorridas de 2008 para cá ao norte do equador.

Riscos bancários

A diferença tem explicação. Bancos estadunidenses e europeus se expõem a riscos. Aqui não.

O sistema bancário dos EUA arriscou-se ao buscar expandir lucros – e reproduzir um volume da capital que não encontrava rentabilidade rápida no setor produtivo – através da venda de hipotecas a setores da população de baixa renda ou de ganhos irregulares (o chamado subprime). Independentemente das tramóias e crimes financeiros cometidos, o certo é que o sistema bancário do país se expôs a incertezas, perdeu e ficou descoberto. Parte quebrou e parte sugou vultosas somas de socorro estatal.

Na Europa, instituições de países maiores – Alemanha e França, em especial – enfrentam ameaças de default da Grécia, da Itália, da Espanha e Portugal. Se o calote se concretizar, haverá uma quebradeira bancária e a zona do euro entrará numa depressão prolongada, com decorrências imprevisíveis para o resto do mundo.

Os perigos motivaram duas operações políticas: A) Trocas de governo, com requintes de golpe de estado, na Grécia e na Itália, e a eleição da extrema-direita na Espanha e B) Aberturas de linhas de crédito de €130 bilhões à Grécia e € 300 bilhões à Itália (apenas para 2012).

Títulos seguros

O sistema bancário brasileiro (estatal e privado), embora tenha ampliado a oferta de crédito nos últimos anos – de 26% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2000 para 47,8% em agosto último – não tem ali sua fonte principal de ganhos. Elas estão na compra de títulos da dívida mobiliária e na segurança desse tipo de investimentos. O governo Dilma, como seus antecessores, já deu mostras de que não poupará esforços para honrar somas que alcançam R$ 235 bilhões ao ano para remunerar os detentores dos títulos públicos.

Para reunir essa bagatela, o governo não titubeou em realizar um corte orçamentário de R$ 50 bilhões no primeiro semestre, em renovar a Desvinculação de Receitas Orçamentárias (DRU), que permite cortes orçamentários por decreto, além de manter funcionando o mecanismo do superávit primário. As três iniciativas visam manter a rentabilidade dos títulos em mãos do chamado mercado e turbinar um capitalismo sem riscos para poucos e grandes.

Dez vezes o Proer

Assim, não surpreende que os bancos apresentem aqui lucros recordes, mesmo durante a crise externa. O montante drenado anualmente pelo governo ao sistema financeiro equivale a quase dozes vezes o que o governo FHC destinou a esses mesmos setores sob a rubrica do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), entre 1995 e 1999. Combatido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), então na oposição, o programa injetou cerca de R$ 20 bilhões, a preços da época, em bancos em dificuldades.

O socorro permanente aos bancos está a pleno vapor. Sua conseqüência secundária, além dos lucros privados, é evitar uma crise no setor, o que levaria o país ao precipício. Assim, não há aqui uma blindagem original ou uma política econômica alternativa ao que vem sendo aplicado no resto do mundo.

É irônico que uma medida destinada a favorecer o setor financeiro – juros elevados – e que resulta em câmbio apreciado, que por sua vez penaliza a indústria – acabe por se constituir em uma muralha de proteção à economia nacional, juntamente com reservas cambiais elevadas, a expansão do mercado interno e a demanda chinesa por commodities.

Superação da crise de 1929

Uma analogia pode ser feita com a situação enfrentada pelo Brasil após a crise de 1929. Na época, o país tinha 37,6 milhões de habitantes e o café respondia por 70% da receita de exportações. Sem indústrias de monta e com uma economia baseada em produtos agrícolas, o país vivia ao sabor da economia mundial. A prioridade máxima dos sucessivos governos até então era o favorecimento do setor cafeeiro. Isso se dava principalmente através da política de valorização do café, estabelecida em 1906.

Ela viabilizou intervenções do Estado no mercado cafeeiro, comprando e estocando o produto, com o objetivo de regular a oferta, fazendo frente às seguidas oscilações da taxa de câmbio e da demanda externa. Os financiamentos dessas compras eram feitos com empréstimos externos. A prática ficou conhecida como socialização de prejuízos.

Com o controle do excesso de produção, o preço do café tendia a valorizar-se, aumentando a rentabilidade do setor. Em tempos normais, a melhor aplicação possível para este excedente seria reinvesti-lo na própria produção cafeeira, que voltaria a se expandir. No entanto, sem demanda que escoasse o volume produzido, a medida logo encontraria seu limite.

Marcas anticíclicas

Os rendimentos obtidos pelos cafeicultores deixaram de ser reinvestidos no setor, pois a demanda externa se contraíra. A saída foi drenar tais recursos para a indústria, que tinha possibilidades de expansão. Como o câmbio estava depreciado – isto é, o mil réis se encontrava defasado em relação à libra esterlina, a moeda dominante no comércio internacional – não havia estímulos às importações. Os produtos de fora eram caros para os brasileiros. Assim a indústria voltou-se para atender ao mercado interno em expansão.

Ao mesmo tempo, a política de valorização do café, por seu efeito multiplicador na economia, teve características anticíclicas que impediram o aprofundamento da crise. Os fortes subsídios estatais na compra da produção foram decisivos para que, em 1933, a economia começasse a se recuperar.

Quem primeiro notou o fenômeno foi Celso Furtado, em Formação econômica do Brasil. Segundo ele, o mercado interno foi o motor da recuperação econômica, num processo inédito até então. A produção industrial e mesmo a agrícola voltaram-se, em sua maior parte, para o consumo local. O pólo dinâmico da economia deslocou-se do setor exportador para a demanda doméstica, que gerava maiores lucros e atraía mais investimentos. A produção industrial cresceu cerca de 50% entre 1929 e 1937.

Mercado interno

Em 2008, a rápida recuperação da economia brasileira também se deu pela via do mercado interno, através de aumentos dos financiamentos do BNDES, de investimentos estatais em infraestrutura, em aumentos reais do salário mínimo e em políticas sociais focadas, entre outras medidas. Mesmo assim, o repique da crise bate às portas.

Nas últimas semanas, o governo tenta reverter os estragos feitos pela exacerbação de barbeiragens em favor da alta finança no primeiro semestre e fazer frente às dificuldades globais. Uma série de medidas de estímulo à atividade industrial foi anunciada, para tentar aquecer o setor. Ainda são iniciativas tópicas. Se quiser enfrentar de verdade os gargalos da indústria e impedir um maior contágio da crise, o governo deverá intervir com ousadia no dueto juros-câmbio. Isso implica baixar os primeiros e centralizar o segundo.

É incerta a reversão rápida das expectativas negativas e da tradicional aversão ao risco do setor privado. Mas talvez com mais ousadia seja possível evitar que o tsunami internacional chegue aqui como tsunami mesmo.

Leia também:

Paulo Nogueira Batista: Brasil mais forte para enfrentar crise que em 2008

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Comentários

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Mateus Leonardo

Infelizmente a política do bacen é orientada pelos banqueiros e centro clandestino(Ciro Gomes). Fui ele eleitor do Lula e da Dilma e continuam errando na política de juros, pois os nossos são os juros reais mais alto do planeta.

CLÁUDIO LUIZ PESSUTI

HEHE, eu acho engraçadíssimo o joguinho de avestruz que ocorre aqui quando algo , de responsabilidade direta do núcleo do poder petista, leia-se Lula e Dilma(Mantega também) mostra a semelhança deste governo com o do PSDB .Aí a culpa é do "Banco Central", "do Copom".A culpa não é do "Copom " , nem do "Banco Central".Quem determinou o aumento de gastos com juros ou seja aumento dos juros se chamam LULA e DILMA.Eles é que mandam no governo.O Banco Central não tem autonomia operacional no Brasil , não juridicamente.

Mario

Por que não estatiza os bancos então? Que vanteagem tem um banco privado se não pode honrar seus compromissos?

edv

Ao EUNAOSABIA que FINGESABERQUESABE.
Quando executivo de tecnologia, tive que demitir alguns charlatões que tentavam mostrar competência com "tecnicalidades" (tecnicidades), nomes e fórmulas "bonitas". O tiro saia pela culatra, porque ao desconhecer meu passado técnico, expunham seus trololós e nhenhenhéns, desnudando claramente sua enganação. Falavam sobre coisas que não sabiam o que era ou não sabiam usar. Puros e inúteis farsantes…
Qual o SENTIDO de uma pessoa com honestidade de propósitos recortar e colar aqui um K=1/(c+d.R), sem sequer explicar as variáveis? Hein?!
Vamos lá, sem blá, blá, blá:
Como em qualquer falência, há quem possa ganhar (devedores) e quem possa perder (credores). Depende do desenrolar do processo de falência. Banco é também um negócio.
Quanto às regras financeiras, foram definidas desde sempres pelos próprios (rentistas)! Dái poderem (por ex.) emprestar múltiplas vezes o que têm (dinheiro virtual, quase como numa corrente ou pirâmide, onde, se todo mundo sacar ao mesmo tempo (QUALQUER banco!) … BANG! BUUM!
O processo "não pode" parar. O dinheiro é virtual (mesmo antes do dinheiro eletrônico). Sim, vivemos todos com dinheiro mágico! Mas essa é a regra (criada por eles mesmos, maravilha).
E o dinheiro deles ainda gera gordos "caldos" de dinheiro!
O fato é que os governos não deixam quebrar porque tem que proteger interesses MAIORES que seu próprio poder político. Nem notáveis presidentes americanos (ex. Lincoln) conseguiram!..
Sim há também a proteção dos correntistas. Mas a maioria dos pequenos, em geral tem menos de um mês de salário, na média. Ou pior, "devem" ao banco. E a maioria dos governos garante um mínimo. Só perdem dinheiro (não patrimônio) pra valer, os peixes graúdos. Estes é que não querem a "quebra"!
Vejamos que interessante:
Se ao invés de injetar TRILHÕES (de dinheiro público no sistema financeiro em crise, causada na ponta por hipotecas podres (trambique!) , o governo simplesmente liquidasse as hipotecas, não gastaria mais do que uns 600 bilhões. Salvariam bancos E MUTUÁRIOS … GENTE! Que gira a economia real, de produtos e serviços … Não de "suco de dinheiro!
Pois gastaram MUITO MAIS (de dinheiro público)…
E só salvaram os bancos. Quebraram as pessoas (e a economia real).
Mas todas estas regras seculares podem ser mudadas, no interesse público.
É aí que a porca torce o rabo.!…
Mas uma coisa é certa: a economia real não pode depender de um cassino piramidal virtual.
Ou continuará com crises periódicas, onde alguns sempre ganham e o resto sempre perde.
Uma economia cada vez mais cheios de fórmulas para "dinheiro mágico".
Criado por abracadabras!
Ou "bobajadas"…

(PS: Não estou torcendo pela quebra do BB, Itaú, Bradesco… Mas por uma corajosa mudança na regras financeiras mundiais).

emerson57

passarinho me contou que o lucro do santander no brasil impede o naufrágio do banco.

saudades do banespa!!!!

FrancoAtirador

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Os membros do COPOM deveriam ler mais o Financial Times
e menos a Folha de S.Paulo, O Estadão e O Globo,
e parar de ouvir os comentários do Sardenberg e da Leitão.
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Desaceleração é oportunidade para Brasil reduzir juros, diz 'FT'

Para colunista, Banco Central tem chance de reduzir taxa de juros 'estratosférica'

Um artigo publicado nesta quinta-feira no diário financeiro britânico Financial Times avalia que o Brasil está vivendo uma desaceleração que em parte o próprio governo criou.

Em uma coluna sobre pontos de vista a respeito da economia global, o repórter Joe Leahy, em São Paulo, afirma que, em parte, o crescimento zero anunciado nesta semana se deve a "diversas medidas tomadas pelo governo para conter uma economia superaquecida, que cresceu 7,5% em 2010, seu ritmo mais forte em duas décadas".

Entretanto, "embora haja sinais de alarme no governo pela velocidade da desaceleração, alguns creem que possa ser a oportunidade que o Brasil estava esperando para lidar com o problema das suas taxas de juros estratosféricas".

Para o autor da coluna, a atual situação pede um estímulo econômico. A produção industrial vem caindo e os calotes nos financiamentos de veículos bateram recorde em outubro.

Por outro lado, argumenta, "nada disso é prenúncio de desastre": a economia no terceiro trimestre ainda cresceu 2,1% em relação ao ano anterior e economistas esperam que o crescimento para o ano todo fique em torno de 3%.

"Para Dilma Rousseff, os próximos dois trimestres serão de desafio e oportunidade", escreve Leahy.

"O desafio é manter a sua popularidade junto à sua base de eleitores, acostumada às boas notícias e a um mercado de trabalho sólido", lista.

"A oportunidade seria colocar em prática seu desejo antigo de tentar reduzir os juros punitivos no Brasil."

Segundo o artigo, muitos creem que o Banco Central vem reduzindo a taxa básica de juros para "tentar estabelecer um novo e mais baixo patamar para os juros para quando o crescimento retornar. Isto é ambicioso".

BBC Brasil

FrancoAtirador

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A estratégia da despolitização da crise política

Por Maria Inês Nassif, editora da Carta Maior em São Paulo

O que causa espécie nas crises políticas enfrentadas pela presidenta Dilma Roussef é a sua estratégia de despolizitar a ofensiva sistemática aos integrantes de seu Ministério.
Na verdade, a despolitização é o resultado mais evidente do comportamento da presidenta, de substituir ministros num prazo não tão pequeno que pareça rendição aos ataques ou dê a impressão de que suprimiu direito de defesa do acusado, nem tão grande que pareça que vá comprar a briga por um subalterno.
De qualquer forma, um comportamento político previsível como este não deixa de alimentar, do lado da imprensa, a vaidade do poder que decorre de uma derrubada de ministro; e, dos "amigos" do poder, a tentação de aproveitar as oportunidades que se colocam para ocupar espaços dentro de seu partido ou em favor da sua legenda na base de apoio do governo.
Para ambos, amigos e inimigos, prevalece a estratégia do "vazamento" de informações; a mídia entra com a escandalização do fato, existam ou não indícios crimes cometidos (a estratégia da repetição é muito eficiente nisso).
Até agora, houve despolitização porque a presidenta tem demitido o auxiliar sob a mira dos atiradores de elite antes que o ataque especulativo ao governo não resulte em um grande desgaste.
Convenha-se, no entanto, que a soma de pequenos desgastes resultantes da queda de sete ministros, com grandes chances de emplacar um oitavo, acaba, no mínimo, colocando o governo em constante defensiva.
A opção de ir levando a administração com as orientações políticas emanadas do Palácio do Planalto, as soluções técnicas gerenciadas pela Casa Civil e uma gestão mais coesa das políticas econômica e monetária, reduzindo a importância dos ministros impostos pelos partidos da bases aliada, tem lá os seus limites.
Outra razão da despolitização é o estado de pauperização da oposição, que saiu pequena das eleições do ano passado. A ofensiva oposicionista parte da imprensa, mas a denúncia, vinda de fora dos partidos e ao estilo" imprensa marrom" tem bastante eficiência na formação de consensos.
Por enquanto, os consensos são sedimentados na parcela que lê jornal ou acessa mídias tradicionais – que no caso brasileiro é muito restritra, perto dos muitos recém-letrados que não entraram apenas na sociedade de consumo de bens duráveis, mas também na sociedade de consumo de cultura, mas pela porta da internet – são o de que todos os partidos são iguais (ou a esquerda no poder se corrompe mais do que a direita, portanto todo poder à direita); e que a democracia tem uma eficiência questionável do ponto de vista ético.
Mais adiante, depois de mais alguns ministros derrubados, pode consolidar-se o consenso nessa classe mais tradicional (que tem mais tempo de vida na sociedade de consumo e consome mais) de que Dilma é boa técnica, mas está inviabilizada pela política.
Quando despolitiza esse debate, colocando-o apenas na órbita das suspeitas que devem ser investigadas pela polícia e apuradas pela Justiça, Dilma se afasta dos partidos políticos que podem prejudicar a sua imagem perante a opinião pública que forma consensos via mídia tradicional (sem que possa prever até quando conseguirá separar os partidos da base aliada de seu governo).
Perde, todavia, a autoridade política para discutir, junto aos partidos, soluções estruturais para a renovação da estrutura partidária brasileira.
Se a postura tivesse sido a de assumir a discussão sobre as necessidades de financiamento do sistema que colocam a política no submundo da economia, poderia ter liderado um debate sobre a reforma política mesmo arriscando contrariar parte da base aliada.
Somente a Presidência da República tem, hoje, um poder de agendamento político que pode se contrapor ao da mídia – os veículos tradicionais podem estar ilhados, como formadores de opinião, nas classes tradicionais, mas ainda têm grande poder de definir os temas da agenda.
Tanto que as denúncias contra ministros pautaram o cenário nacional, enquanto corria paralelamente no Congresso, a duras penas e sem qualquer ajuda do governo, o debate sobre a reforma política, adiado, como sempre, para outra oportunidade.
A neutralização "técnica" dessas denúncias foi de alguma forma sustentada pela gestão econômica.
Com a errada de mão da política de juros do BC no primeiro semestre, e os resultados pífios de crescimento nesse final de ano, a eficiência da estratégia de sobrepor a gestão técnica aos problemas políticos do governo pode ser bem menor.
E quando a despolitização não for mais possível, será mais difícil formular uma agenda política com partidos desgastados num processo onde a único resultado palpável, até agora, foi o de questionar a legitimidade de cada partido da base aliada.
Inclusive do próprio PT.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMost

O_Brasileiro

Por que nas crises os ricos nunca ajudam a pagar a conta? Por que só os mais pobres pagam pelas crises criadas pelos ricos?
Os "occupy" pelo mundo afora querem saber…

FrancoAtirador

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Banco Central que se pauta na oligarquia midiática,
que por sua vez se pauta nos donos dos mercados,
que por sua vez se pautam na especulação financeira,
só pode transformar o País num grande playground,
ao deixar a economia brasileira na ponta de uma gangorra.
Os países são parques de diversão de especuladores.

#OCCUPYBACEN

leandro

O problema de uma banco falir não é só para os acionistas. Milhares de correntistas quebram junto com o calote e ai contaminam a economia toda.

    Mateus Leonardo

    Leandro deve ser banqueiro. Pois no mundo real, só podem falir todas atividades exceto bancos. Correntistas tem a liberdade de escolha, no entanto também devem correr riscos e mais já existe o fundo garantidor no país, para depósito e poupança. Banco deve ser tratado como qualquer atividade econômica.

pedro

A Bolsa Banqueiros/Rentistas é intocável, inatacável, inviolável e a prova de balas!

eunice

Alguém pode me explicar o que acontece se forem à falência o Itaú, o Santander, eo Bradesco juntos?
Creio que uma ou duas empreiteiras e os banqueiros vão reclamar. Eu, nem ligo.

    EUNAOSABIA

    Procure se informar um pouco melhor rapaz, os bancos privados não têm patrimônio, ou seu patrimônio (ativos) é muito pequeno em relação aquilo que eles emprestam ou têm comprometidos no mercado de créditos (Keynes deu um nome a isto, confesso que de memória agora não me vem na lembrança, é uma teoria de risco), mas não importa, na verdade os bancos privados não têm ativos para honrar aquilo que eles têm comprometidos no mercado secundário, no mercado de crédito, num processo conhecido como “criação de moeda” (somente o Banco Central emite moedas, mas o bancos privados as podem “criar”), adiante, e aí você pode me perguntar, “Mas me diga uma coisa, grande, bom e velho eunãosabia, de quem é então, esse ativo, esse patrimônio ou essa riqueza que os branco privados emprestam?”…. é de todos aqueles que têm depósitos a vista ou a prazo confiados a esses bancos, de todos nós claro.

    Escuta aqui ô rapaz, se um banco desses “quebrar” para eles pouco importa, quem vai sofrer mesmo serão os seus correntistas, será a população em geral que nem faz idéia de como se dá o processo de criação de moeda (K = 1/(c + d.R).

    Exemplo: Se um banco privado têm um milhão de unidades monetárias em depósitos à vista, e tem um patrimônio de 100 mil u.m., e se este mesmo banco empresta somente 10% de seus depósitos à vista, ele já emprestou todo o seu ativo, aquilo que é mesmo de propriedade de seus acionistas, ou seja, a partir daí, esse banco não tem mais como honrar seus empréstimos, note que um banco empresta muito mais do que 10% dos depósitos a vista, é por isso que o Banco Central impõe limites a esse processo através das reservas compulsórias, mas isso é outra história. (esse foi o exemplo dado por Keynes….)

    Fui claro rapaz??? Entendeu porque um governo não pode deixar simplesmente que um banco desses quebre (ou vá a falência, para usar sua terminologia)????

    Tem horas que não dá viu…é cada bobajada meu….

    Lucas

    Mas a sua explicação deixa de lado fato importante: Os bancos no Brasil não estão em risco de falência e, na verdade, têm lucros recordes. Os juros altos são desnecessários.

    MILTON MURILO

    Aí ô Eunãosabia ! Os governos tem uma boa, velha e grande arma contra quebradeiras, não utilizada pelos EUA por questões ideológicas. A INTERVENÇÃO/NACIONALIZAÇÃO. SE eles tivessem feito isso por lá não teria havido a quebradeira geral. Até seria mais barato para o povo dito americano. Assumir os créditos podres, colocar os bancos em ordem e revendê-los na Bolsa. E, claro, botar os larápios na prisão. Pode ser, né ?

    Norberto

    e "estatizar" resolveria o q?

    a taxa de juros praticada pelo BB é menor q as dos demais?

    e só pra lembrar:

    no Gov FHC, gastou-se mais na recuperação do BB (q estava tecnicamente quebrado) do q com o PROER TODO!

    quanto ao papel fiscalizador do ESTADO (q faltou nos EUA) sou plenamente favorável!

    cabe ao ESTADO (não confundir com governo) definir regras claras e fiscalizar o seu cumprimento!

    Klaus

    Você tem conta em algum banco? Poupança? Saiba que se um banco quebra, a caderneta de poupança do pobre do cidadão só está garantida até um determinado valor (acho que R$20.000,00), con exceção da CEF. Além disto, todas as aplicações também vão pra cucuia. Quem menos perde é o dono do banco.

    Norberto

    Dona Eunice…

    q bom q a Sra nem liga!

    os outros 190 milhões de brasileiros ligam e muito!

    ps: a sua ignorancia (de ignorar os fatos e suas consequencias) é tão grande, q nem vale a pena tentar explicar o q aconteceria se o sistema bamcário quebrar… uma dica: já ouviu falar de "escambo"? seria a nossa opção!

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