VIOMUNDO

Diário da Resistência


Stella Senra à juíza Carolina Lebbos: De mulher para mulher
Fotomontagem da RBA
Política

Stella Senra à juíza Carolina Lebbos: De mulher para mulher


08/03/2019 - 09h59

Carta à juíza Carolina Lebbos

por Stella Senra*

Senhora juíza,

Nos últimos tempos temos visto um grande número de juízas, mulheres que, como a senhora, se tornaram conhecidas pelo rigor — ou melhor, pela dureza — de suas sentenças.

Se tomo a decisão de lhe escrever, é também nessa mesma condição: de mulher para mulher.

Essa curta afirmação — de mulher para mulher — parece óbvia, mas não é.

Colocando-me me aquém dos muitos estereótipos que tem definido o termo “mulher”, refiro-me ao sentido animal, o mais cru do termo: à carne, ao sangue, às entranhas que dão origem à vida.

Refiro-me, portanto, a seres capazes de um amor irrestrito.

Também esta expressão “amor irrestrito” exige maior precisão.

Se quiser saber o que pretendo dizer, deixe sua sala de juiza federal (responsável pela custódia do Presidente Lula), dê um pulo ao presídio e vá até a fila da visita aos prisioneiros.

Lá verá quase unicamente mulheres, em filas que dobram esquinas; dentre elas mães, uma maioria de mães, mas também esposas, namoradas, filhas…

Qualquer que seja o crime, lá estarão elas: para além do mal, cuidando; para além do mal, amando.

É nesse plano das entranhas que estou me colocando para me dirigir à senhora.

E o que me motivou foi a pungente fotografia de Ricardo Stuckert que circulou na internet, da família Lula da Silva no velório do menino Arthur, neto do presidente Lula.

Habituados a vermos a representação fotográfica do presidente sufocado pelos abraços de seus admiradores não nos espanta, à primeira vista, esse amontoado de braços e cabeças, num enlace tão estreito que mal conseguimos distinguir, ao centro, a cabeça de Lula.

Mas logo percebemos, recuada ao fundo do quadro, uma pequena figura solitária que chora; e de imediato ficamos sabendo que o motivo de tal enlace não é a alegria do encontro.

É uma grande dor, a mais profunda, a dor da perda, aquela que faz de todos os corpos um só corpo, um sólido bloco de dor.

Esta foto me fez pensar na senhora, que concedeu 1:30 hs ao presidente para estar com sua família na despedida do netinho.

E como tal medida temporal não foi extraída da letra da lei, posso me perguntar que aritmética lhe teria servido para chegar a esse número.

Que contabilidade lhe teria inspirado?

Seria a senhora conhecedora de alguma “medida” para o sofrimento humano?

De um número capaz de definir o rugir da dor de uma família?

A dor é selvagem. Não escolhe, não poupa. É devastadora.

Pode acontecer a todos e a qualquer um de nós. Por ela sofremos. Mas sofremos também quando ela atinge o outro.

Seja ao nosso lado, seja distante de nós — mas próximo pela mesma condição de seres humanos.

O sentido de humanidade infelizmente não é distribuído de forma equitativa pra todos; mas não é tampouco passível de ser medido, não é objeto de nenhuma matemática, de nenhuma contabilidade.

Por isto não pode ter sido ele que lhe ajudou a estabelecer tão precisamente a “cota” do presidente Lula.

Aqui se trata de amor irrestrito, (que, portanto, também não pode ser medido), de carne, de sangue, de entranhas — coisas concretas e também incomensuráveis que se objetivam, no entanto, de modo palpável no mundo das mulheres.

Mesmo dentre os animais, as fêmeas que dão a vida cuidam e defendem seus filhotes até a conquista de sua autonomia.

É o que me deixa perplexa, com uma pergunta que não sei responder: de que matéria serão feitas suas entranhas, juíza Lebbos?

Stella Senra

*Foi professora da PUC-SP. Mantém o site stellasenra.com.br.

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10 comentários

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FUMIO KURIHARA

09 de março de 2019 às 09h39

Todo ser humano tem um lado obscuro. A dessa juiza é a crueldade com as pessoas que julga. E tem requinte. Acha que do pedestal a que foi conduzida pode humilhar a quem julga. Um dia ela vai sentir a dor e vai perceber que algumas situações não bastam 1h 30min para aplacar ou minimizar, às vezes nem 1mes.

Responder

lulipel

08 de março de 2019 às 15h14

Será que a professora sabe que esse “coitadinho” do qual fala é um preso condenado a mais de 24 anos por corrupção e lavagem de dinheiro? Será que sabe que a maioria dos criminosos no país que perderam entes queridos não tiveram nem 5 minutos pra velá-los??? Hipocrisia pouca é bobagem.

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    Denise

    09 de março de 2019 às 13h33

    Seu comentário demostra que em termos de cruelda você se equipara à essa juíza, no entanto quanto ao conhecimento da legislação brasileira você demonstra total ignorância. Você se alimenta de um ódio que nem sabe por que sente. De onde vem o seu odio por Lula. Reflita.

Zé Maria

08 de março de 2019 às 13h24

https://twitter.com/hashtag/8M2019?src=hash

CAPIM DO VALE
(Sivuca/Paulinho Tapajós)

https://youtu.be/cwTmroVXsSA

Lava esse cheiro de erva
Pimenta e capim do vale
Lava esse cheiro de erva
Pimenta e capim do vale
Lava o suor da colheita
E aceita que eu te agasalhe

Larga a madeira na estrada
E larga essa faca de entalhe
Larga a madeira na estrada
E larga essa faca de entalhe
Larga o patrão na picada
E aceita que eu te agasalhe
Larga o patrão na picada
E aceita que eu te agasalhe

Sempre há de haver algum trigo
E da terra algum pedaço
Guarda a tua mão pra um amigo
Que não vai querer teu braço
Guarda a tua mão pra um amigo
Que não vai querer teu braço

Deixa o dinheiro mal pago
E mande que ele trabalhe
Deixa o dinheiro mal pago
E mande que ele trabalhe
Enquanto você toma um trago
E aceita que eu te agasalhe
Enquanto você toma um trago
E aceita que eu te agasalhe

Deita teu corpo em meu ventre
Que eu guardo a tua semente
Deita teu corpo em meu ventre
Que eu guardo a tua semente
Ninguém carrega a colheita
Dos frutos que são da gente
Ninguém carrega a colheita
Dos frutos que são da gente

Sempre há de haver algum trigo
E da terra algum pedaço
Guarda a tua mão pra um amigo
Que não vai querer teu braço
Guarda a tua mão pra um amigo
Que não vai querer teu braço

https://www.vagalume.com.br/elba-ramalho/capim-do-vale.html
https://youtu.be/4ZMeAG7MV7w
https://twitter.com/MidiaNINJA

Responder

Zé Maria

08 de março de 2019 às 12h49

Ministro da Saúde Demitiu a Diretora do Departamento
de Vigilância Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids
e das Hepatites Virais (DIAHV)

Segundo a ex-diretora, a demissão foi causada
por uma cartilha destinada para homens trans.

De acordo com ela, houve uma ordem para retirar
o documento do ar, que foi cumprida.
Entretanto, ela conta ter sofrido uma cobrança,
porque ainda era possível encontrar a cartilha na internet,
bem como notícias sobre a distribuição do material nos estados.

O ministério noticiou que a saída foi um entendimento entre as duas partes. Entretanto a ex-diretora afirmou que não:

— Não foi de comum acordo.
Ficou muito claro que a
era por conta da cartilha,
explicou ao Jornal O Globo.

O Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp), grupo que reúne 98 organizações, enviou na quinta-feira um ofício endereçado ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defendendo a manutenção de Adele no cargo. O texto ressalta avanços no combate ao HIV nos últimos anos, como uma campanha governamental que incentiva a adesão ao tratamento antirretroviral.

Outra organização, a Articulação Nacional de Luta Contra a Aids (Anaids), também enviou um ofício à pasta criticando a decisão.“Vivemos um momento em que a saúde tem sido apontada em muitas pesquisas como sendo a maior preocupação dos brasileiros, e em se tratando da população vivendo com HIV/aids, essa inquietação é ainda maior.
Não podemos adormecer diante de uma epidemia que se aproxima de um milhão de casos e mais de 350 mil mortes desde 1980 no Brasil”, diz a mensagem.

Na última década, o número de infecções por HIV,
entre pessoas de 15 a 24 anos, saltou 700%.
O ‘Moralismo’ de setores conservadores,
tem atrapalhado as campanhas do MS,
dizem especialistas e ativistas

— O jovem não usa mais camisinha, mas o discurso
não deve ser restrito a isso. É fato que as campanhas
e o debate têm sido silenciados por forças conservadoras
— diz Salvador Corrêa, que recebeu o diagnóstico de HIV
aos 27 anos, passou a escrever sobre o isolamento social
que viveu depois disso e reuniu seus textos
no e-book “O Segundo Armário” (https://www.livrariacultura.com.br/p/ebooks/biografias/o-segundo-armario-99430057).

https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/entidades-criticam-saida-de-diretora-do-departamento-de-hivaids-do-ministerio-da-saude-23364728
https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/o-que-esta-por-tras-da-explosao-de-casos-de-hiv-entre-jovens-23459399

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Zé Maria

08 de março de 2019 às 12h14

Puta Merda! Esses Broxas* de Pijama não vão parar, mesmo!

As Adolescentes poderiam ter ficado sem [mais] esta do Bolsonaro:

Bolsonaro sugere que pais rasguem páginas
sobre educação sexual
da “Caderneta de Saúde da Adolescente
impressa pelo Ministério da Saúde
para meninas de 10 a 19 anos’

O presidente Jair Bolsonaro criticou ontem,
em transmissão ao vivo em uma rede social,
ilustrações que mostram os órgãos genitais
e ensinam como usar camisinha.

— Então, é uma sugestão. Quem tiver a cartilha em casa, dá uma olhada porque vai estar na mão dos seus filhos, e, se você achar que é o caso, tira essas páginas que tratam desse tipo de assunto, ressalta o presidente, ao lado dos generais Otávio Rêgo Barros, porta-voz do governo, e Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

Bolsonaro, então, disse que discutiu o assunto
com o ministro da Saúde, Luiz Mandetta:

— Expus o problema e então a solução, a decisão que ele tomou: vai fazer uma nova cartilha, com menos páginas, mais barata, sem essas figuras aqui no final, e vamos rapidamente distribuir,
recolher essas anteriores.

https://t.co/FEOnyqSOpc
https://oglobo.globo.com/sociedade/bolsonaro-sugere-que-pais-rasguem-paginas-sobre-educacao-sexual-de-caderneta-de-saude-da-adolescente-23506442

Responder

    Zé Maria

    08 de março de 2019 às 17h14

    O Nível de Ignorância do 1º Escalão
    desse (des)governo do Bolsonaro
    ultrapassou o Limite do Tolerável.
    Da Burrice do Mito nem se fala.

Fernando Carneiro

08 de março de 2019 às 11h57

Eu responderia: -” de nada”.

Responder

Sergio Furtado Cabreira

08 de março de 2019 às 11h21

ORA, ORA, NOBRE DOUTORA STELLA SENRA !
CONVERSAR COM FASCISTAS É QUASE QUE UMA IMPOSSIBILIDADE COGNITIVA!
A REFERIDA “MULHER” JUÍZA E SERGINHO NARCISO MORO JULGAM POR OUTRAS RAZÕES E FATOS, TODOS ALHEIOS À REALIDADE DO CLIENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA!
SÃO ENVIADOS DO TIO SAM E DA CIA, PARA RESOLVER INTERESSES HEGEMÔNICOS DOS EUA QUANTO AO PETRÓLEO BRASILEIRO!
E, SÓ A LUTA NOS SALVA!

Responder

Zé Maria

08 de março de 2019 às 10h41

No campo da Sensibilidade e da Empatia,
há tantas perguntas que poderiam ser
extensivas a mulheres, especialmente
às que detêm algum poder de decisão,
sem que fossem respondidas à altura
da Dignidade da Pessoa Humana.

Responder

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