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Servidores do Incra e do MDA sentem que vão levar o rodo


22/02/2011 - 18h42

INCRA e MDA [Ministério do Desenvolvimento Agrário]– Servidores unidos e em luta

O governo federal elegeu a erradicação da miséria no Brasil como prioridade de sua gestão. Miséria que se manifesta das mais variadas formas, apresentando diferentes vertentes, com destaque para a concentração de renda e para o analfabetismo, a manterem boa parte da nossa população a margem do provimento de seus direitos fundamentais assegurados pela Constituição, sumarizados pelo direito à vida com dignidade.

É de enorme importância atacar as causas da miséria e romper com essa deplorável realidade secular, injustificável ante os meios e recursos que possui o Brasil. Há que se pensar, para além das políticas compensatórias, em medidas que aplaquem em definitivo as causas da miséria, a exemplo da estruturação da agricultura familiar e de uma ampla reforma agrária.

As informações relativas à adoção de políticas agrárias pelo Estado até 2010, ratificam a importância do MDA e do INCRA para os processos de ordenamento da estrutura fundiária nacional e de desenvolvimento rural sustentável, tendo como instrumentos a reforma agrária e as ações de suporte ao desenvolvimento das comunidades tradicionais e dos trabalhadores em geral que habitam o meio rural brasileiro.

Porém, o ano de 2011 apenas começou e os servidores do INCRA e MDA olham com desconfiança as primeiras medidas do novo governo. E não é para menos. Sabemos bem o que as palavras “austeridade fiscal”, “controlar os gastos públicos”, “enfrentar o déficit da previdência”, significaram em outros momentos – encobriram a realidade de extrema pobreza; favoreceu o ganho das elites através de mecanismos gerenciais do Estado, como a taxa de juros (as mais altas do mundo); e fomentaram a precarização do serviço público através da restrição dos gastos com políticas públicas e arrocho salarial dos servidores. Esperamos que este não seja o caso. Esperamos que o governo leve em conta o aumento populacional e o crescimento das demandas pela ampliação dos serviços públicos.

Nós servidores do INCRA e MDA, por sua vez, reafirmamos o nosso compromisso com a sociedade, de erradicação da extrema pobreza no meio rural e de estruturação de políticas públicas com valorização dos seus servidores. E defendemos para isso:

* Um Plano Nacional de Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural Sustentável, elaborado conjuntamente com os movimentos sociais e representações do meio rural;
* Estruturação do INCRA e do MDA, com melhorias nas condições de trabalho, ampliação do quadro atual de servidores através de concurso público e recomposição das tabelas remunerativas com isonomia entre os servidores;
* Planejamento e gestão democrática das atividades realizadas no INCRA e MDA.

BRASILIA,  21 de fevereiro de 2011

CNASI (Confederação Nacional dos Servidores do INCRA)


ASSEMDA (Associação Nacional dos Servidores do MDA)

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13 comentários

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beattrice

02 de março de 2011 às 14h48

Como um governo que pretende desenvolver e implementar uma política pública de cunho agrícola e fundiário desmantela INCRA, EMBRAPA & afins?
Inaceitável, inexplicável, indecente.

Responder

henrique de oliveira

23 de fevereiro de 2011 às 16h56

Para que dar dinheiro para orgão que apresentam resultados pifios?

Responder

    ratusnatus

    23 de fevereiro de 2011 às 19h14

    Exatamente!

fernandoeudonatelo

23 de fevereiro de 2011 às 11h58

Não sei se estou tirando um pouco de responsabilidade da Dilma, mas creio que o INCRA já se encontra desaparelhado desde a primeira metade de 90. Foi a saída do Estado do campo.

O Incra deveria ser por excelência, o órgão de ordenação e regularização fundiária, através de atividades de fiscalização e identificação das terras, seus proprietários e sua situação produtiva.

Acontece, que "misteriosamente", as principais estruturas de assistência técnica, serviços logísticos e estudos bio-tecnológicos para a agricultura familiar, como a Emater, Cotraf e Embrapa, perderam quadros técnicos e recursos orçamentários até chegar à mera existência burocrática.

No caso da Embrapa, houve um redirecionamento dos esforços na gestão Lula, à indução do desenvolvimento agrícola sustentável e transferência de tecnologias de produção à países africanos, ampliando a escala de atuação.

Responder

    Ricardo

    01 de março de 2011 às 23h22

    Muito verdade o que comentas. Para vc ter idéia, sou técnico agrícola e trabalhei no programa de Assistência técnica em assentamentos 1 ano. Dos 12 meses arduamente trabalhados, recebi o primeiro pagamento em março enquanto que os três outros quase no final do ano passado. Resultou que fico pendente 8 meses de salário e ainda não os recebi… Entrou o novo ano e nada… É muito foda acreditar num órgão totalmente burocrático como é o INCRA.

    Terei que entrar na justiça e esperar né ver a cor desse dinheiro. É muito interessante as políticas de incentivo do governo para os profissionais do campo, somos marginalizados juntamente com os coitados do campo.

MarceLo

23 de fevereiro de 2011 às 11h54

Parece que o Governo Federal que acabar com o INCRA, tenho alguns conhecidos que trabalham lá e a conversa que esta rolando é que vai acabar mesmo.

Acho difícil que isso aconteça, mas é esperar pra ver

Responder

Fernando

23 de fevereiro de 2011 às 11h54

Toda solidariedade aos servidores do Incra e do MDA.

Responder

Livre pensar é só pensar | Viomundo - O que você não vê na mídia

23 de fevereiro de 2011 às 09h51

[…] do Incra e do Ministério do Desenvolvimento Agrário já farejaram que vem desmonte por aí (clique aqui para ler). Não duvido que o mesmo aconteça em relação à Anvisa e aos órgãos do governo encarregados […]

Responder

Marcos Toledo

22 de fevereiro de 2011 às 21h05

Temos que ter calma. Eu acredito, sobretudo, em pessoas com consciência e me nego a acreditar que Dilma não seja uma dessas pessoas. Há muito alarde para um Governo que começou há pouco. Se LULA fez sua sucessora, escolhendo-a a dedo, e como eu confio nele, prefiro aguardar.

Responder

Lucas Cardoso

22 de fevereiro de 2011 às 20h58

Medidas de austeridade fiscal que eu apoio:

1- Um sistema tributário decente, em que os mais ricos paguem mais impostos e os mais pobres menos.
2- Cancelar Belo Monte.
3- Retirar nossas tropas do Haiti.
4- Diminuir os salários de deputados e senadores.
5- Cortar a publicidade do governo em mídias de direita.

Estranhamente, nenhuma delas parece estar em discussão no governo. A única austeridade que interessa a um neoliberal é a austeridade que destrói a vida dos mais pobres.

Responder

francisco p. neto

22 de fevereiro de 2011 às 20h19

Essa fumaça levantada pelos servidores do INCRA e o MDA deve ter lá seus fundamentos.
Essa movimentação é preocupante.
Por que toda vez que tem que fazer ajuste fiscal sempre sobra para os menos aquinhoados?
Saiu hoje o lucro líquido do Itaú e Santander em 2010. São mais de 13 bilhões de reais.
Por que bancos tem de ganhar tanto dinheiro assim?
Primeira medida da presidenta. Aumentar a Selic.
Pô!!!
Tocam sempre a mesma nota!!!
Não estou gostando nada do que estou vendo.
Estreou artigo na Folha ditabranda, ficha falsa e no dia seguinte vai prestigiar os 90 anos do jornaleco!!!

Responder

Herminio

22 de fevereiro de 2011 às 20h08

Que me desculpem mas esse incra deveria ou ser estinto ou sofrer uma grande reestruturação, aquilo é um antro de corrupção, pelo que se tem notícia nos jornais dos seus funcionarios que se envolvem em corrupção. que me dsculpem os trabalhadores de bem dessa instituição.

Responder

    Jairo_Beraldo

    23 de fevereiro de 2011 às 05h45

    Desculpe Hermínio, mas a corrupção existente no INCRA, é de cunho político, já que o orgão sempre foi usado para benefício de políticos como cabide de emprego e de interesses dos amigos do rei. Os funcionários sempre ficaram de mãos atadas aos desmandos destes estranhos no ninho.


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