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Rodrigo Vianna: Para STF e família Marinho, Moro ainda é o ‘juiz que faz a diferença’; a médio prazo, será um Eduardo Cunha do Judiciário
Em março de 2015, Moro recebe o Prêmio Faz Diferença como Personalidade do Ano (2014) do então diretor de redação do jornal O Globo, Ascânio Seleme, e do vice-presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho
Política

Rodrigo Vianna: Para STF e família Marinho, Moro ainda é o ‘juiz que faz a diferença’; a médio prazo, será um Eduardo Cunha do Judiciário


11/09/2019 - 12h55

por Rodrigo Vianna*

Algumas pessoas se perguntam por que o STF não enfrenta Sergio Moro, apesar de tantas evidências de abuso de poder e ilegalidades reveladas na VazaJato.

Parece-me óbvio que na Corte Suprema há uma leitura da correlação de forças.

Moro ainda tem poder simbólico na sociedade: cerca de 50% de ótimo/bom, pelo DataFolha. Mais que o “chefe” Bolsonaro.

Adversários precisam de Moro mais fraco, antes de ir pra cima.

Bolsonaro, esquerda e centro direita – por motivos diferentes – querem Moro mais fraco. Estamos no meio do processo de enfraquecimento dele.

Antes desse processo de fritura avançar, não há ainda condições políticas de contê-lo no STF… A não ser de forma pontual e precária.

Na correlação de forças midiáticas, a Globo se alinha a Moro e ao lavajatismo, impedindo que o desgaste do “conje se aprofunde.

Graças, em boa parte, ao bloqueio da Globo imposto à VazaJato, a maior parte do povo ou não conhece as entranhas reveladas por The Intercept, ou conhece e acha que apesar das ilegalidades Moro fez o que devia ser feito para interditar Lula.

Para a família Marinho, Moro ainda é “o juiz que faz a diferença”. Em breve, a família pode encontrar o “apresentador que faz a diferença”. É que Luciano Huck já começa a mostrar força na centro-direita

Entre operadores de Direito, no entanto, o desgaste de Moro é gigante e irreversível. Apostaria que a médio prazo ele não sobrevive como força política autônoma.

Será usado e enfraquecido pelo bolsonarismo. Até se tornar descartável, como um Eduardo Cunha do Judiciário.

*Rodrigo Vianna é jornalista e historiador.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



4 comentários

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Nelson

12 de setembro de 2019 às 15h40

Sem surpresas. Um tem o rabo preso do outro. A Globo enviou, fraudulentamente, R$ 1,6 bilhão para o exterior por meio do Banestado. A Globo está mergulhada “até as aspas” no que foi chamado de Escândalo do Banestado. Portanto, ela tem mesmo é que defender Moro, que foi o juiz de praticamente todo o caso.

Já o Moro está com o rabo preso com a Globo pela sua atuação no caso Banestado. Ele prendeu uns dez ou doze “lambaris” e deixou uma montoeira de “cachorro grande” de “lombo liso”, como dizemos aqui no sul.

Hoje, Moro posa de combatente intransigente da corrupção, imagem montada, construída por muita propaganda midiática, grande parte feita pela própria Globo.

Quanto ao Cunha, segundo informações reservadas, ele está a curtir a vida com o fruto dos malfeitos que andou aprontando durante muito tempo na vida pública. Essas informações dão conta de que ele não está preso.

Algo justo, pois trabalhou intensamente pelo Sistema e entregou tudo daquilo que lhe foi exigido. Então, o Sistema não o deixaria abandonado “à beira do caminho” como reclamou Paulo Preto a José Serra.

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Zé Maria

11 de setembro de 2019 às 18h05

Realmente parece mesmo que alguns Ministros do Supremo
estão esperando um improvável descarte do Moro pela Globo,
o que significaria um imediato e considerável declínio de
popularidade do ex-juiz de Curitiba; e, portanto, na prática,
abandonar Guedes e o Governo, fato que, no momento, está
fora de cogitação pelos Herdeiros do Roberto Marinho.

Porque, quando a #VazaJato chegar na Televisão, já era …

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Zé Maria

11 de setembro de 2019 às 15h57

Quando se apertam, os Patifes da FTLJ largam
uma Fake News do Palocci atrás da outra.

Urge uma CPI da #VazaJato no Congresso.

Falando nisso, a CPMI das Fake News aprovou
requerimento da Deputada Luizianne Lins (PT=CE)
para ouvir representantes, no Brasil, das empresas
que administram Redes Sociais na internet.

As plataformas de redes sociais WhatsApp, Facebook,
Youtube, Instagram, Google, Twitter terão que explicar
na CPMI das Fake News do Congresso Nacional,
quais métodos utilizam para identificar e coibir
a disseminação de notícias falsas na internet.

A iniciativa partiu da deputada Luizianne Lins (PT-CE),
titular da CPMI, que apresentou na reunião de terça-feira (10)
vários requerimentos convocando os representantes legais
dessas empresas no Brasil.

Mesmo com a obstrução de parlamentares do PSL, que
tentaram adiar a votação, os requerimentos foram aprovados
pela maioria dos membros do colegiado.

A parlamentar ainda viu aprovados outros dois requerimentos
que apresentou, os quais convocam os representantes do
site The Intercept e do Telegram no Brasil, e ainda a blogueira
feminista, professora universitária e pedagoga argentina,
naturalizada brasileira, Dolores Aronovich Aguero, mais
conhecida como Lola Aronovich.

Durante a reunião, parlamentares do PSL e o senador Flávio
Bolsonaro (RJ) questionaram a presença das plataformas
de redes sociais na CPMI.

Ao defender a aprovação dos requerimentos, a deputada
Luizianne Lins explicou que é impossível investigar a
disseminação das fake news sem ouvir essas empresas.

“O objetivo dessa CPMI é entender esse processo de fake news.
É impossível investigar sem ouvir as empresas por onde essas
informações são compartilhadas.
Não consigo entender os questionamentos sobre ouvir os
responsáveis por essas empresas no Brasil.
Isso me parece confissão de culpa”, afirmou.

íntegra:
https://ptnacamara.org.br/portal/2019/09/11/cpmi-das-fake-news-aprova-requerimento-de-luizianne-lins-para-ouvir-representantes-de-redes-sociais/

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Fabio

11 de setembro de 2019 às 15h42

Excelente texto e mostra o quando vivemos num país cujo judiciario se tornou um lixão a céu aberto e como será dificil que o Brasil deixe de ser com Z e volte a ser com S.
Estamos vivendo numa sociedade contaminada pelo ódio e pelo desprezo por valores minimos de democracia e de respeito a Constituição.
Se fossemos serios, o que nunca fomos, grande parte desses juizes, promotores, generais e etc deveriam estar presos e condenados por terem destruido a jovem democracia do nosso Brasil.
Tristes tempos.

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