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Diário da Resistência


Procuradores que “trabalharam” por Bolsonaro convocam manifestação contra indicação de novo PGR
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Política

Procuradores que “trabalharam” por Bolsonaro convocam manifestação contra indicação de novo PGR


06/09/2019 - 00h31

Da Redação

Eles trabalharam ativamente ou por omissão pela eleição de Jair Bolsonaro.

Está expresso nas mensagens da Vaza Jato: integrantes da Força Tarefa da Lava Jato achavam o candidato neofascista o “mal menor”.

O candidato que elogia Alfredo Stroessner Matiauda e Augusto José Ramón Pinochet Ugarte era o preferido de integrantes do Ministério Público Federal.

O candidato que elogia o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra era um sapo a ser aceito nos corredores dos combatentes da corrupção.

Agora, a Associação Nacional dos Procuradores da República se esvai em lágrimas, depois que Jair Bolsonaro desconheceu a lista tríplice — diferentemente do que fizeram os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Vana Rousseff.

Foi Lula quem acabou com o reinado do engavetador-geral Geraldo Brindeiro, que “coincidentemente” ocupou o cargo de 1995 a 2003, os anos de ouro de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.

Primeiro, às lágrimas:

Nota pública: Desrespeito à lista tríplice é o maior retrocesso democrático e institucional do MPF em 20 anos

ANPR recebeu com absoluta contrariedade a escolha de um PGR à margem da lista tríplice elaborada pela categoria

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) recebeu com absoluta contrariedade a indicação do subprocurador-geral da República Antonio Augusto Brandão de Aras para o cargo de procurador-geral da República (PGR), ação que interrompe um costume constitucional de quase duas décadas, de respeito à lista tríplice, seguido pelos outros 29 Ministérios Públicos do país.

A escolha significa, para o Ministério Público Federal (MPF), um retrocesso institucional e democrático.

O indicado não foi submetido a debates públicos, não apresentou propostas à vista da sociedade e da própria carreira.

Não se sabe o que conversou em diálogos absolutamente reservados, desenvolvidos à margem da opinião pública.

Não possui, ademais, qualquer liderança para comandar uma instituição com o peso e a importância do MPF.

Sua indicação é, conforme expresso pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, uma escolha pessoal, decorrente de posição de afinidade de pensamento.

O próprio presidente representou o cargo de PGR como uma “dama” no tabuleiro de xadrez, sendo o presidente, o rei.

Em outras ocasiões, expressou que o chefe do MPF tinha de ser alguém alinhado a ele.

As falas revelam uma compreensão absolutamente equivocada sobre a natureza das instituições em um Estado Democrático de Direito.

O MPF é independente, não se trata de ministério ou órgão atrelado ao Poder Executivo.

Desempenha papel essencial para o funcionamento republicano do sistema de freios e contrapesos previsto na Constituição Federal.

A escolha anunciada no dia de hoje menospreza, também, o princípio da transparência, na medida em que os candidatos da lista tríplice viajaram o país debatendo, publicamente, com a carreira, a imprensa e a sociedade, os seus projetos, as suas ideias, o que pensam sobre as principais dificuldades e desafios da nossa vida institucional.

A ANPR, diante da absoluta contrariedade da classe com a referida indicação, conclama os colegas de todo o país para o Dia Nacional de Mobilização e Protesto, que ocorrerá na próxima segunda-feira (9).

Pede, doravante, que todos os membros do MPF se mantenham em estado permanente de vigilância e atenção na defesa dos princípios da autonomia institucional, da independência funcional e da escolha de suas funções com observância do princípio democrático.

Esses são princípios fundamentais que alicerçam a nossa fundação e que conduziram, com segurança, a instituição ao longo dos anos, em benefício de sua atuação livre e independente e em favor, unicamente, da sociedade brasileira.

A ANPR fará, ainda, uma reunião extraordinária na próxima semana para discutir, com os delegados de todo o país, sobre a convocação do Colégio de Procuradores da República, instância máxima de deliberação da carreira sobre os assuntos de maior relevo institucional

Diretoria da Associação Nacional dos Procuradores da República

Aqui, é preciso registrar que a ANPR submetia ao chefe da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, a aprovação de notas que a entidade emitia em defesa… de Dallagnol.

Que o ex-procurador Carlos Fernando Lima, um dos cabeças da operação, admitiu em entrevista à GloboNews: “Existem ‘lavajatistas’ que são a favor do Bolsonaro, evidente. Muito difícil seria ser a favor de um candidato que vinha de um partido que tinha o objetivo claro de destruir a Lava Jato. Vivemos esse dilema, dilema do menos pior. Naturalmente, entre a Lava Jato, muitos entenderam que o mal menor era o Bolsonaro. Haddad representava justamente tudo aquilo que nós estávamos tentando evitar, que era o fim da operação. Agora, infelizmente o Bolsonaro está conseguindo fazer”.

Que procuradores tramaram contra uma entrevista do ex-presidente Lula durante a campanha eleitoral, temendo que pudesse beneficiar o candidato Fernando Haddad.

Aras foi o candidato do demo Alberto Fraga.

O ex-deputado entrou na política quando ainda era tenente-coronel da Polícia Militar do Distrito Federal.

Conviveu com Jair Bolsonaro no baixo clero do Congresso.

Foi secretário dos Transportes de José Roberto Arruda, que era demo quando se tornou o primeiro governador brasileiro preso no exercício do mandato.

Arruda segue na cadeia, com várias condenações que resultaram da Operação Caixa de Pandora, quando foi gravado recebendo R$ 50 mil em dinheiro de seu assessor Durval Barbosa.

Fraga, que bancou a indicação de Aras, foi condenado em primeira instância a 4 anos, 2 meses e 20 dias de prisão, acusado de cobrar propina de uma cooperativa de transportes.

O secretário teria usado seu motorista para embolsar R$ 350 mil da empresa.

A indicação de Aras foi criticada pela direita, por causa de declarações dadas por ele no passado em defesa das minorias, contra “salvadores da pátria” e especialmente críticas que fez ao instituto da delação premiada.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, descolou-se dos procuradores: “Todos os desejos de que faça uma bela gestão”, escreveu em mensagem no twitter.

Bolsonaro, diante das críticas de seus próprios seguidores, argumentou que era preciso ter na PGR alguém que não fosse um ativista em defesa do meio ambiente, por exemplo: “Quantas vezes você teve conhecimento, e ainda no momento, você quer rasgar uma estrada e entra o Ministério Público alegando as condições ambientais, dificulta e aquela estrada leva 5, 6, 10, 15 anos ou não sai?”.

Pediu que críticas à escolha fossem apagadas do Facebook: “Eu peço a vocês. No Facebook, você fez um comentário pesado, retira, dá uma chance para mim. Você acha que eu quero colocar alguém lá para atrapalhar a vida de vocês? Não quero.”

Aras exerce a advocacia, uma prerrogativa de procuradores que ingressaram na carreira antes de 1988.

Por isso, foi criticado por colegas nas redes sociais.

Em agosto de 2013, ele reuniu vários petistas para uma festa em sua casa na Bahia, dentre eles o ex-ministro José Dirceu, o presidente do partido Rui Falcão e o deputado Emiliano José.

Roque Aras, o pai do futuro PGR, foi vereador, deputado estadual e deputado federal pelo MDB e PMDB durante a ditadura militar.

Por isso, a aproximação dele com Bolsonaro escandalizou amigos.

Aras fez campanha pública pelo cargo correndo por fora da lista tríplice.

Vendeu seu nome, por exemplo, em entrevistas à imprensa.

Para agradar Bolsonaro, antecipou nomes que promoveria na Procuradoria.

Para secretário-geral, disse que escolheria Eitel Santiago de Brito Pereira, ex-procurador que foi candidato a deputado federal pelo PP da Paraíba em 2018. Teve menos de 10 mil votos.

Eitel já havia servido em cargo político. Foi secretário de Segurança Pública do governador Cássio Cunha Lima (PSDB) até o tucano ser cassado em 17 de fevereiro de 2009, acusado de distribuir 35 mil cheques a eleitores durante a campanha de 2006.

“É um maduro, um homem católico, um homem que, quando havia ainda alguma distinção entre direita e esquerda, poderia ser enquadrado num viés de direita. Eu o teria do meu lado e seria muito honroso que isso acontecesse”, afirmou Aras à Folha de S. Paulo.

Aras também prometeu trabalhar com o procurador Ailton Benedito, chefe da Procuradoria em Goiás.

Benedito é conhecido por usar “esquerdopatas” e “bandidólatras” em sua conta no twitter.  Ele acredita que o nazismo é de esquerda e é defensor do Escola Sem Partido.

Famosamente, mandou investigar suposta convocação que o governo da Venezuela teria feito a jovens brasileiros para participar de certas Brigadas Populares de Comunicação.

Revelou-se, no entanto, que a convocação não tinha qualquer relação com nosso país, mas com o nome de um bairro de uma cidade venezuelana.

Não se sabe quais foram os compromissos assumidos por Aras nos bastidores, com o ex-deputado Alberto Fraga, da bancada da bala, que garantiram a ele o cargo.

O caso envolvendo o enriquecimento suspeito do hoje senador Flávio Bolsonaro está sendo investigado no âmbito do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro.

O caso tem o potencial de revelar estreitas ligações entre a família Bolsonaro e milicianos.

Se estiver ao alcance de Aras, o que ele faria para engavetá-lo?

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
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O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



11 comentários

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Stalingrado

07 de setembro de 2019 às 11h46

Neste caso, Bolsonaro está certo.
A indicação do PGR é de responsabilidade do Presidente da República.
O PT errou ao aceitar a indicação da Associação dos Procuradores e que perfazem um Partido Político de extrema direita.
John Kennedy, nos EUA, escolheu o irmão dele para função equivalente.
As instituições não são neutras, se enganar quanto a isso, leva a Golpe de Estado.

Responder

Zé do rolo

06 de setembro de 2019 às 22h42

Eu acho é pouco o que o Bozo tá fazendo com essa turma dos parciais.

Responder

Zé Maria

06 de setembro de 2019 às 13h35

05.09.2019 21:36)
SputnikNews

Novo PGR: Esquerda ou Direita?

Especialista diz que Escolha de Novo PGR Deixa Interrogação

Em entrevista à Sputnik Brasil, o advogado Eugênio Aragão,
Subprocurador-Geral Aposentado, ex-ministro da Justiça e
professor da UnB, disse acreditar que a indicação do novo
PGR brasileiro deixa, de fato, um ponto de interrogação,
uma vez que as posições defendidas atualmente por Aras
estão bem distantes das que ele costumava defender
há não muito tempo.
Por outro lado, Aragão afirma que, embora a aparente contradição
política de Aras possa causar certa “perplexidade”, é preciso
reconhecer que ele foi escolhido de maneira legítima
e cabe a todos aguardar para ver sua atuação.

Para o especialista, o fato de ter sido escolhido um nome de fora
da chamada lista tríplice deve ser visto como uma mudança
positiva, pois quebra um paradigma que, de certa forma, retirava
do presidente da República a prerrogativa de escolha.
Fora isso, ele acredita que, tecnicamente, Augusto Aras
está preparado.

“Do ponto de vista técnico, não tenho dúvida nenhuma de que
Augusto Aras está preparado.
Ele é professor da Universidade de Brasília [UnB], é uma pessoa
bastante conhecida na área do direito eleitoral, ele é uma pessoa
com um cabedal teórico bom para ocupar esse cargo.”

Esquerda ou Direita?

“Quando nós estávamos no governo, ele andava com o então
governador, depois ministro, Jaques Wagner [hoje Senador (PT=BA],
para cima e para baixo, fazendo questão de dizer para todos nós
que a posição dele era de esquerda, que o pai dele tinha sido
militante preso na época da ditadura militar, que ele era
uma pessoa realmente de convicções de esquerda”,
disse Aragão, citando algumas aspirações antigas, de carreira,
que Aras, quem ele diz conhecer bem, teria buscado ainda
no Governo do PT.

“E, agora, ele se revela, vindo nos braços do ex-deputado
[Alberto] Fraga (DEM), como um bolsonarista de raiz.
Então, isso aí deixa um ponto de interrogação na cabeça”.

“Vamos ver o que vai dar”, conclui Eugênio Aragão.

Responder

Ginah

06 de setembro de 2019 às 11h55

Interessante: “ação que interrompe um costume constitucional de quase duas décadas, de respeito à lista tríplice”. Quem foi mesmo que respeitou esse costume nessas quase duas décadas? Ah, foram os presidentes Lula e Dilma, que governaram nessas quase duas décadas! Golpeados por procuradores! Sequer se dignam a citar os nomes deles. É o cipó de aroeira.

Responder

Zé Maria

06 de setembro de 2019 às 11h47

Quem venceu foi a Bancada da Bala, do Boi e do Veneno.

Como ocorre atualmente na Amazônia – e parece continuará
ocorrendo – vai sair Faísca e Fumaça na Sabatina do PGR na
CCJ do Senado …

Responder

a.ali

06 de setembro de 2019 às 11h33

pois é, cambada…chupem que é de uva, vc. cuidaram de chocar o ôvo e eis ele aí bem à vontade, espargindo miséria e destruição e se esbaldando como nunca…

Responder

Zé Maria

06 de setembro de 2019 às 11h28

Não se sabe o que é pior: se um PGR apoiado pela OrCrim
de Patifes da Operação Lava Jato ou se um PGR,
nomeado pelo Jair Bolsonaro, para acobertar o Clã Bolsonaro,
que aliás, paradoxalmente, foi eleito Presidente com a ajuda
dos mesmos Patifes, Procuradores da República, por meio
de Tramas Judiciais Secretas, para manipular as Eleições, em
Grupos de Telegram.

Responder

    Zé Maria

    06 de setembro de 2019 às 14h10

    O ‘Maior Retrocesso Democrático e Institucional do MPF’
    foi a Tentativa de Criminalizar o Partido dos Trabalhadores,
    desde o Mensalão do Bob (AP 470) até a Manipulação das
    Eleições de 2018 – não só a Presidencial, como para o Senado –
    passando pela Campanha para derrubar a Presidente da
    República Eleita consumada no Golpe de 2016.

    Tudo para “evitar que o PT continuasse governando” o País,
    segundo a palavra dos próprios Procuradores da República
    expoentes da Operação Lava Jato e da ANPR, ‘dona’ da tal
    ‘Lista Tríplice’, que não consta sequer em Regulamento,
    que dirá em Lei ou na Constituição da República.
    Aliás, a ANPR montou uma Força-Tarefa de repórteres e
    veículos de Comunicação para defender seus interesses.

emerson57

06 de setembro de 2019 às 09h15

-O RESTO É LUTA ERRADA OU MIMIMI!!!!!!!
Se os procuradores que “trabalharam” para o bolço reconhecem que erraram,
agora podem fazer o certo.
“Trabalhem por LULA LIVRE”.

Responder

Decameron

06 de setembro de 2019 às 06h41

QUEM FOI PINOCHET, O DITADOR ASSASSINO QUE BOLSONARO TANTO AMA.

Crimes da ditadura de Pinochet: a realidade superou a ficção

Desenvolveu armas químicas para exterminar opositores, planejou o primeiro ataque terrorista em Washington, aliou-se a ex-nazistas, montou aparições da Virgem Maria: os crimes e os truques da ditadura de Augusto Pinochet superam a ficção.

Quarenta anos após o golpe que iniciou a sua ditadura, em 11 de setembro de 1973, ainda assombram a crueldade e os crimes de um regime que deixou mais de 3,2 mil vítimas e 38 mil torturados.

“Não paro de me surpreender. Esta máquina era muito maior do que imaginávamos”, declarou à AFP a jornalista Mónica González, uma das maiores investigadoras das violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura de Pinochet.

“Não só houve assassinatos em massa, mas também o uso de armas químicas e de terror em diferentes áreas. É bastante impressionante e ainda assim continuamos a nos surpreender”, acrescenta.

Um ano após o golpe, Pinochet ordenou o assassinato daquele que o havia precedido na chefia do Exército e recomendado seu nome a Salvador Allende: o general Carlos Prats, um homem com uma brilhante carreira militar, que morreu com sua esposa Sofia Cuthbert na explosão de uma bomba colocada em seu carro, em Buenos Aires.

O duplo assassinato foi o prelúdio da macabra Operação Condor, uma conspiração das ditaduras do Cone Sul para eliminar opositores idealizada por Pinochet.

Mas, dois anos mais tarde, foi muito mais longe: em 21 de setembro de 1976, a poucos quarteirões da Casa Branca, na capital dos Estados Unidos, um carro-bomba matou o ex-chanceler chileno Orlando Letelier e sua secretária americana Ronnie Moffitt.

Mesmo antes dos ataques ao Pentágono, em Washington, e às Torres Gêmeas em Nova York, em 2001, o ataque a Letelier foi considerado o primeiro ato de terrorismo em solo americano.

Letelier havia viajado para os Estados Unidos depois de permanecer preso, juntamente com outros membros do governo Allende, em uma remota e inóspita ilha no Estreito de Magalhães, onde Pinochet construiu um campo de concentração semelhante aos usados pelos nazistas para manter presos políticos.

Sergio Bitar, ex-ministro de Mineração do governo Allende, relembra seus dias na ilha Dawson: “Eu via a construção que era cercada por torres com militares armados, arame farpado, cães, como nos filmes nazistas”, conta à AFP.

“Foi um pesadelo horrível. Não sabia quanto tempo iria durar, quais eram as acusações e se iam me matar ou não”, acrescenta.

Com temperaturas abaixo de zero, os prisioneiros eram submetidos a trabalhos forçados e dormiam em celas superlotadas.

Mas Pinochet não só se inspirou nos nazistas para seus campos de concentração, recorreu a um deles para encobrir a tortura e desaparecimentos praticados por seu regime.

Paul Schaefer, ex-enfermeiro do exército nazista alemão que chegou ao Chile em 1961, colaborou com Pinochet para deter, torturar e enterrar opositores no enclave construído no sul do país, apelidado de “Colônia Dignidade”.

Neste local, Schafer submeteu por décadas centenas de cidadãos alemães e seus descendentes, e abusou sexualmente de crianças.

A ditadura também desenvolveu armas químicas, como sarin, e aperfeiçoou pela mão do químico Eugenio Berrios.

Berrios produziu sarin, soman e tabun, para uso em conflitos com os países vizinhos e contra opositores, segundo a investigação de Mónica González.

O químico foi assassinado em 1991, no Uruguai, por militares uruguaios ligados a ditadura chilena para apagar os vestígios desses crimes.

Os tribunais chilenos encontraram vestígios de sarin no corpo do ex-presidente Eduardo Frei Montalva, assassinado por septicemia após uma operação de rotina em 1982, quando começou a liderar uma oposição nascente.

Se investiga ainda se a morte do poeta comunista e Prêmio Nobel Pablo Neruda, poucos dias depois do golpe e antes de ir para o exílio, quando submetido a um tratamento para câncer de próstata no mesmo hospital, também foi causada por envenenamento.

“Pelo uso de gás sarin e toxina botulínica não conhecemos a quantidade total de mortos”, diz Mónica González.

Quando começaram os primeiros protestos contra o seu regime, no início dos anos 1980, Pinochet buscou distrair a população com misteriosas aparições da Virgem por meio de um menino vidente.

As aparições no pequeno povoado de Peñablanca chegaram a atrai até 100.000 fiéis.

O sacerdote Jaime Fernández foi designado pela Igreja para explicar as aparições. Tempos depois, foi revelado que tudo não passava de uma farsa elaborada pela ditadura.

Segundo relata à AFP, o menino repetia o que os serviços secretos mandava -tanto mensagens para os católicos como críticas à Igreja-, enquanto queimavam palha e gasolina, formando nuvens de fumaça.

Para o sacerdote, foi um “espetáculo de caráter político. Um abuso em relação à inocência e fé das pessoas humildes. Pinochet havia perdido completamente a cabeça”.

https://www.terra.com.br/noticias/mundo/america-latina/crimes-da-ditadura-de-pinochet-a-realidade-superou-a-ficcao,cb3d8c1f351f0410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

LEIA TAMBÉM: Parte da fortuna roubada por Pinochet no Chile terá que ser devolvida

Santiago do Chile, 26 de agosto de 2018

Tribunal estabeleceu que o montante total desviado pelo ditador era de 17,8 milhões de dólares. A maior parte do dinheiro se enquadra em atos que já prescreveram

Depois de 14 anos de investigação, e cerca de 12 anos após a morte de Augusto Pinochet, a Justiça chilena encerrou nesta sexta-feira o caso Riggs, que apurou o desvio de fundos públicos pelo ditador nos 17 anos de seu regime (1973-1990). Embora o patrimônio total de Pinochet alcançasse 21,3 milhões de dólares (87,5 milhões de reais), dos quais 17,8 milhões (73,15 milhões de reais) tinham origem ilícita, a Suprema Corte chilena ordenou a apreensão de 1,6 milhão de dólares (6,6 milhões de reais) de seus ativos, que foram aqueles que não ultrapassaram o prazo de prescrição, segundo a France Presse. O principal tribunal do país também condenou três ex-oficiais do Exército que ajudaram Pinochet a depositar dinheiro em cem contas bancárias ocultas no agora extinto Banco Riggs nos Estados Unidos em seu nome, no de parentes ou usando pseudônimos, como Daniel López e John Long.

MAIS INFORMAÇÕES

Oito ex-militares chilenos são condenados a 18 anos de prisão pelo assassinato de Víctor Jara em 1973

O fantasma de Pinochet paira sobre o Chile
O valor que a Suprema Corte ordena que seja devolvido foi extraído dos gastos reservados do Estado chileno durante a ditadura. Os ex-militares Gabriel Vergara Cifuentes, Juan Ricardo Mac Lean Vergara e Eugenio Castillo Cádiz — que foram condenados a quatro anos de prisão, com o benefício da liberdade vigiada — eram funcionários públicos quando “tomaram parte da subtração em favor de Pinochet Ugarte ou de familiares dele, em detrimento do tesouro nacional, configurando-se assim o crime de malversação de recursos”, diz a sentença desta sexta-feira.

Em 2004 veio à tona o relatório de uma subcomissão do Senado dos Estados Unidos que, sob o Ato Patriótico, estava investigando o financiamento do terrorismo internacional. Como parte desta investigação, os senadores encontraram as contas secretas de Teodoro Obiang, o ditador da Guiné Equatorial, e de Pinochet, que detinha 125 contas onde se acumulavam cerca de 21 milhões de dólares. Os advogados chilenos Carmen Hertz e Alfonso Insunza entraram com uma queixa, como cidadãos, contra o desvio de recursos públicos e possível fraude fiscal, dando início ao caso Riggs no Chile. Até 2004, a família de Pinochet e a trama de seu enriquecimento ilícito nunca haviam sido investigados.

Quando os tribunais iniciaram o caso, há 14 anos, os bens do ditador e o dinheiro no Riggs foram embargados. Pinochet morreu no final de 2006 sem ser condenado. Com o argumento principal da prescrição, a Justiça ordenou a restituição em 2017 de cerca de seis milhões de dólares aos herdeiros, correspondentes a contas, veículos, 23 imóveis e vários investimentos bancários. O Conselho de Defesa do Estado apelou da resolução e o retorno daqueles bens foi suspenso, mas os Pinochet receberão de volta cerca de 3,2 milhões (13,15 milhões de reais), após a decisão desta sexta-feira.

https://www.terra.com.br/noticias/mundo/america-latina/crimes-da-ditadura-de-pinochet-a-realidade-superou-a-ficcao,cb3d8c1f351f0410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

Como a maioria dos ditadores criminosos, Pinochet era doido por uma barra de ouro:

Enriquecimento ilícito

Em 2004 Pinochet passou a ser acusado de manter contas secretas no exterior, a partir de investigações realizadas pelo Senado dos EUA no Banco Riggs.[43] Terá acumulado uma fortuna de 28 milhões de dólares (cerca de 24 milhões de euros). Em Outubro de 2006 a justiça chilena iniciou uma investigação em que, alegadamente, Pinochet possuiria uma elevada quantia de barras de ouro(9600 kg) avaliadas em 190 milhões de dólares, num banco de Hong Kong.[44]

Como última entrada de biografia tão típica, resta a descoberta, feita em 2005 por uma comissão do Senado americano: ao longo das últimas duas décadas, ele abriu e fechou 128 contas bancárias em nove bancos dos Estados Unidos, movimentando uma fortuna ilícita de quase 20 milhões de dólares. Foi um reles ladravaz.[11]

— Trecho copiado da Revista Piauí, postado na Wikipedia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Pinochet#Corrup%C3%A7%C3%A3o

Responder

Mario Oliveira

06 de setembro de 2019 às 03h19

Danem-se! Bolsonaro fez muito bem em ignorar a tal lista tríplice, já que pela constituição não é obrigado a repetir o democratismo tolo dos petistas.

Responder

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