VIOMUNDO

Diário da Resistência


Procurador tenta fazer o que Janot deixou de fazer e esfaqueia juíza em São Paulo
Justiça em pane
Política

Procurador tenta fazer o que Janot deixou de fazer e esfaqueia juíza em São Paulo


03/10/2019 - 21h52

Ia dar um tiro na cara dele e depois me suicidaria. Estava movido pela ira. […] Tirei a minha pistola da cintura, engatilhei, mantive-a encostada à perna e fui para cima dele. Mas algo estranho aconteceu. Quando procurei o gatilho, meu dedo indicador ficou paralisado. Eu sou destro. Mudei de mão. Tentei posicionar a pistola na mão esquerda, mas meu dedo paralisou de novo. Nesse momento, eu estava a menos de dois metros dele. Não erro um tiro nessa distância. Pensei: ‘Isso é um sinal’. Acho que ele nem percebeu que esteve perto da morte. Rodrigo Janot, procurador-geral da República, descrevendo o dia em que supostamente pensou em matar Gilmar Mendes no STF.

Confesso que estou algo surpreso. Sempre acreditei que, na relação profissional com tão notória figura, estava exposto, no máximo, a petições mal redigidas, em que a pobreza da língua concorria com a indigência da fundamentação técnica. Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, reagindo a Janot.

Procurador da Fazenda esfaqueia juíza dentro do TRF-3

Por Pedro Canário, no Consultor Jurídico

O procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção foi preso nesta quinta-feira (3/10) depois de tentar matar uma juíza na sede do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, na avenida Paulista.

Ele invadiu o gabinete da juíza Louise Filgueiras, convocada para substituir o desembargador Paulo Fontes, em férias, e chegou a acertar uma facada no pescoço dela, mas o ferimento foi leve.

Antes de se descontrolar totalmente, o procurador despachara com a desembargadora Cecilia Marcondes, quando já se mostrou alterado.

Assunção então foi ao gabinete do desembargador Fábio Prieto, no 22º andar.

Ele presidia uma sessão de julgamento e não estava no gabinete no momento.

O procurador, então, desceu as escadas e invadiu a sala que fica imediatamente abaixo, de Paulo Fontes, mas ocupado por Filgueiras durante suas férias.

A juíza trabalhava em sua mesa e foi surpreendida pela invasão do procurador, mas conseguiu se afastar dele —as mesas dos desembargadores são bastante amplas, o que dificultou o acesso de Assunção à vítima.

Diante do insucesso, ele ainda tentou jogar uma jarra de vidro na direção da magistrada, mas errou.

O barulho da jarra quebrando foi o que chamou a atenção dos assessores. E o procurador foi imobilizado pelas pessoas que estavam dentro do gabinete durante a ação.

Assunção foi preso em flagrante e no momento aguarda a chegada da Polícia Federal para ser levado da sede do tribunal, na região central de São Paulo.

Ele ainda não tem advogado constituído.

Quem viu o procurador se movimentar pelo tribunal comentou que ele parecia em estado de surto e intercalava frases sem sentido com de efeito sobre “acabar com a corrupção no Brasil”.

Ao ser imobilizado, o procurador se mostrou confuso.

Segundo os seguranças que o detiveram, Assunção afirmou que deveria ter entrado armado no tribunal, “para fazer o que Janot deixou de fazer”.

Neste momento, enquanto a Polícia Federal chega no prédio do tribunal para dar voz de prisão ao agressor, a segurança do TRF está mapeando a sua andança pelo prédio.

Repercussão

“Não bastasse a notícia recentemente divulgada de que um Procurador da República pensou em atentar contra a vida de um ministro do STF, agora temos uma infeliz ocorrência no TRF de São Paulo. Para além de lamentar o ocorrido e se solidarizar com a vítima e todos os colegas do tribunal, urge mais uma vez repensar os níveis de segurança das cortes e dos fóruns, em todo o país”, lamentou Jayme de Oliveira, presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB).

Para Fernando Mendes, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), não pode se admitir qualquer ataque à magistratura.

“A magistratura vem sendo atacada simbolicamente nos últimos tempos, e essa campanha nefasta na tentativa de desacreditar a instituição acaba estimulando o comportamento criminoso de indivíduos. Temos de dar um basta a isso.”

Segundo Marcos da Costa, ex-presidente da OAB-SP, “não podemos admitir que se estabeleça um clima de ódio dentro do ambiente que deveria ser marcado pelo respeito entre aqueles que estão a dedicar suas vidas em prol da justiça”.

Últimas unidades

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



7 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Miguel Araujo de Matos

04 de outubro de 2019 às 13h11

Por que juízes e juízas estão preocupados com sua segurança? Afinal, eles/as não se consideram deuses/as?

Responder

Zé Maria

04 de outubro de 2019 às 11h58

Essa Pregação Fascista, quase religiosa,
de que a Corrupissáum é o único Mal
do Mundo, que deve ser combatido
de qualquer modo, ilegal inclusive,
está enlouquecendo as pessoas
mais frágeis psicologicamente,
tornando-as Fanáticas a tal ponto
de praticarem ou desejarem praticar
Assassinatos, ou consentirem que
outras o façam. O Fascismo é uma
Espécie de Seita de James Manson.
É caso de Manicômio Judiciário.

Responder

    Zé Maria

    04 de outubro de 2019 às 13h55

    Em Tempo

    É Charles Manson.
    James era o Pastor Jim Jones,
    que não chega a ser tão diferente …

Aureliano

04 de outubro de 2019 às 06h18

E O BANDIDÃO SÓ QUERIA MESMO ERA VENDER O SEU LIVRO

Janot não estava em Brasília no dia em que disse ter ido armado ao STF
Levantamento feito pelo site JOTA mostra que um dia antes da data em que o ex-PGR Rodrigo Janot diz ter ido armado ao STF para matar o ministro Gilmar Mendes, ele viajou a Belo Horizonte, onde passou a semana

Responder

Zé do rolo

04 de outubro de 2019 às 03h39

Então o que parece é que de fato estamos vivenciado tempos sombrios inclusive no âmbito do judiciário e em todas as instâncias o que dá pra perceber é um judiciário partidário, seletivo, parcial e pasmem nutrido pelo ódio é o que se vê pois basta esses lamentáveis episódios do caso do ex PGR Janot que confessa a intenção de matar o ministro do STF gilmar mendes e agora esse caso do procurador que esfaqueou a juíza. Olha de uns tempos para cá o que se percebe é membros do judiciário deixando a vaidade pessoal falar mais alto e se alinhar a quem possa estar no exercício de poder, se alinhado a mídia parcial e seletiva…isso é algo lamentável e afeta de certa forma os direitos das pessoas…só que essas pessoas fiquem sabendo que NÃO são superiores ao poder e à justiça imparcial de Deus.

Responder

Messias Franca de Macedo

03 de outubro de 2019 às 21h56

Vamos lembrar daquele outro mau elemento que teve uma trajetória meteórica lá no início da infame Operação Lava Jato dos coleguinhas dele, os mafiosos da ”república da província agrícola de Curitiba’!

$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$

A história do Procurador Douglas Kirchner
Por Luis Nassif -22/02/2016

Antes de se tornar personagem nacional, atuando em parceria com a revista Época em casos envolvendo o ex-presidente Lula, o procurador Douglas Kirchner foi aprovado em um concurso em 2012 e alocado no Ministério Público Federal de Rondônia.
Lá envolveu-se em problemas religiosos-amorosos.
(…)
O procurador é fiel de uma seita em Porto Velho, a Igreja Evangélica Hadar, acusada de explorar crianças e adolescentes, obrigando os menores a (…)
Na última semana de julho de 2014, Douglas foi denunciado ao Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, acusado de agressões físicas contra sua esposa, Tamires Souza Alexandre.
(…)
Segundo relatório do CNMP, paira contra Douglas a acusação de ter mantido a esposa em cárcere privado, sem produtos essenciais para higiene pessoal, incluindo papel higienênico, pasta de dente. Tamires precisou rasgar a própria roupa para usar como absorvente. E era humilhada na frente de todas, tratada como “prostituta” pela pastora. Teria ficado anêmica e o marido, influenciado pela pastora, recusou-se a comprar medicamentos.

Fonte: https://jornalggn.com.br/analise/o-caso-douglas-e-o-poder-ilimitado-do-procurador/
.

Responder

    a.ali

    03 de outubro de 2019 às 23h05

    e deve ter ficado impune…


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.