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Diário da Resistência


Políticos alemães de diferentes partidos pressionam Merkel a boicotar soja e carne brasileiras e não assinar acordo com Mercosul
O Partido Verde, de Robert Habeck, está empatado com a CDU de Merkel em pesquisas e ele pode se tornar o próximo chanceler. Foto blog pessoal
Política

Políticos alemães de diferentes partidos pressionam Merkel a boicotar soja e carne brasileiras e não assinar acordo com Mercosul


24/08/2019 - 10h06

Políticos alemães exigem sanções contra Brasil para conter desmatamento

Verdes e liberais pedem que Berlim rejeite acordo com Mercosul. Legenda de centro-direita chama Bolsonaro de “déspota perigoso” e querem barreiras contra carne e soja, mas governo Merkel hesita apoiar rompimento.

do Deutsche Welle

As queimadas na Amazônia levaram dois dos principais partidos de oposição na Alemanha a pedirem que Berlim imponha sanções contra o governo brasileiro e rejeite o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul.

Reivindicações vêm tanto de parlamentares liberais de centro-direita como de ambientalistas.

“A Alemanha e a Europa não podem assistir indiferentes. Têm que parar o acordo com o Mercosul para aumentar, dessa forma, a pressão sobre o Brasil”, disse nesta sexta-feira (23/08) à imprensa alemã o co-presidente do Partido Verde, Robert Habeck.

“O acordo só incentiva ainda mais a espiral de destruição da Amazônia. Por isso, instamos o governo a não assinar o novo acordo comercial com o Brasil.”

“No Brasil, está ocorrendo uma catástrofe mundial. O que está em jogo é o futuro da humanidade”, complementou o político, cujo partido aparece tecnicamente empatado com a CDU, a legenda da chanceler federal Angela Merkel, em pesquisas de opinião para as próximas eleições parlamentares e tem chances de conquistar a liderança do próximo governo.

A reivindicação é corroborada pelo líder da bancada parlamentar do Partido Verde Anton Hofreiter.

“A chanceler alemã tem que tomar providências para assegurar que não venha a ser fechado o acordo de livre comércio com o Mercosul, que a UE quer fechar com o Brasil, entre outros, e que acelerará ainda mais o enorme desmatamento da Amazônia”, afirmou, em comunicado divulgado nesta quinta-feira.

Já o especialista em política de desenvolvimento do Partido Liberal-Democrático (FDP), Christoph Hoffmann, pede que a Alemanha não só tome providências na área de comércio, como também que congele toda a verba de ajuda ao desenvolvimento dedicada ao Brasil.

“A Alemanha deve parar sua cooperação com o Brasil – imediatamente”, afirma, em nota enviada à DW Brasil.

O conservador liberal FDP é a quarta maior força do Parlamento alemão e já participou de diversas coalizões de governo da Alemanha nas últimas décadas.

O partido de centro-direita também é um forte defensor do livre-comércio e da não-intervenção do Estado na economia e nos costumes.

“A humanidade não pode mais arcar com a destruição total da Floresta Amazônica e o desrespeito aos direitos dos povos indígenas, em face da catástrofe climática”, argumenta.

“A UE precisa definir o caminho de barreiras à importação de produtos agrícolas, como soja e carne bovina, que são produzidos através da destruição da floresta tropical.”

“Há mais de 50 anos, a cooperação alemã para o desenvolvimento tenta impedir o desmatamento da Amazônia, transferindo mais de 600 milhões de euros. Em vista da dramática destruição da floresta no Brasil, isso é um desperdício de dinheiro de impostos”, complementa o parlamentar.

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul é motivo de críticas também entre os outras legendas da oposição alemã.

O partido A Esquerda pede que o tratado seja recusado por causa, entre outras coisas, da política ambiental e agrícola do governo Bolsonaro.

Já a Alternativa pela Alemanha (AfD), de extrema direita e maior partido de oposição no Bundestag, defende há semanas a rejeição ao pacto entre os blocos europeu e sul-americano.

O argumento usado pela legenda nacionalista, entretanto, é a proteção aos interesses dos agricultores alemães.

Governo Merkel não endossa rompimento

Mais comedido, o ministro do Desenvolvimento Internacional, Gerd Müller, que é filiado à CSU, o braço bávaro do partido da chanceler Merkel, advertiu na sexta-feira sobre reações precipitadas da Alemanha em relação ao Brasil.

“Nós não vamos salvar a floresta se queimarmos as pontes com o Brasil e desistirmos do Fundo Amazônia”, disse, em referência ao fundo de proteção da floresta que conta com verbas da Alemanha.

“Ir embora não ajuda ninguém, nem os povos indígenas, nem a floresta, nem a defesa climática.”

Um porta-voz da chancelaria também expressou a posição mais comedida do governo Merkel, afirmando que engavetar o acordo com o Mercosul “não é a resposta adequada”.

“Falhar em concluir o acordo com o Mercosul não vai contribuir para reduzir a destruição da floresta no Brasil”, disse o porta-voz.

“A magnitude do fogo é alarmante e estamos prontos em ajudar o Brasil a superar essa crise séria”, completou.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



6 comentários

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Artur

25 de agosto de 2019 às 12h40

O imbecil fala em discutir o assunto com os europeus. Como ? Se só ele tem razão e sabe de tudo. Afunda Brasil…

Responder

Caíque

24 de agosto de 2019 às 14h40

E o que dá por um lunático na presidência.
Para esse lunático que elegeram presidente só existe o Trump dos EUA e mais ninguém.
E um cabeça de cavalo mesmo.
Com o boicote o Brasil vai ter PIB negativo.

Responder

Cleanto

24 de agosto de 2019 às 13h26

Quando se tem a insanidade como política de governo, o resultado esperado é bem esse aí: a indignação do Mundo – e do Brasil, que a grande mídia omite – diante da destruição da Amazônia. Esse presidente está em apuros, mas já deveria ter sido preso, juntamente com o seu ministro do meio ambiente. Um homem que se coloca acima da lei, um sujeito sem limites, que se posiciona claramente contra a onda e a consciência preservacionista universal, que se declara contra o ambientalismo, que fere de morte a Política Nacional do Meio Ambiente proclamada na nossa Carta Magna, não deve mais continuar no comando executivo do País. A incapacidade administrativa de Bolsonaro se revela total! Em vez de adotar o princípio da prevenção, ele e seu antiministro concebem o preservacionismo sob o viés ideológico, que é a sua negação: não existe crise climática, não há aquecimento global, não existe efeito estufa, negam as mudanças do clima, não aceitam os sinais que a natureza emite e os perigos que representam para a Humanidade. Tudo isso é coisa de ecologista xiita, de comunista. Daí a conveniência de continuar destruindo. Mas, o que mais nos entristece, o que mais nos indigna e nos revolta é o apoio incondicional de chefes militares a esta catástrofe, a este colapso da nossa Política Ambiental. Agora mesmo, dois generais vêm prestar apoio a Bolsonaro nesta sua ação apocalíptica contra a Amazônia: o atual e o ex-comandante do Exército. Ambos vislumbram a indignação do Mundo como uma ameaça (militar) à soberania da Amazônia brasileira. No fundo, justificam o crime de responsabilidade perpetrado pelo seu presidente. Mas é preciso que se diga, senhores generais, a Amazônia está sendo invadida pelos desmatadores e pelo fogo. Não existe Amazônia sem a floresta, sem os rios, sem os bichos, sem os caboclos, sem os índios. Não faz sentido uma Amazônia sem esses elementos que a corporificam, que constituem a sua essência. Amazônia não é só território. Ou vocês querem uma Amazônia tomada pelo pasto e pela soja, que é o intento dessas queimadas? O que os países europeus fazem, generais, inclusive o Vaticano, é a salvação da Amazônia do bolsonarismo. A resposta do Mundo será econômica e não militar, como vocês andam difundindo. De nada adianta colocar tropas de plantão, pois a ameaça será sobre o agronegócio, o boicote necessário contra seus produtos para salvaguardar a floresta e o Brasil desse ser sinistro que vocês apoiam, desse lacaio e besta humana chamada Jair Bolsonaro. Que viva o Brasil!!!

Responder

Messias Franca de Macedo

24 de agosto de 2019 às 12h28

EXCLUSIVO – THE INTERCEPT

***

Secretaria chefiada por Ricardo Salles coagiu funcionários
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é um condenado por improbidade administrativa. Já contamos essa história: enquanto era secretário do Meio Ambiente de São Paulo, na gestão do tucano Geraldo Alckmin, Salles pressionou funcionários da Fundação Florestal – o equivalente ao Ibama na gestão estadual – a adulterarem um mapa ambiental. Salles, na época, chamou a reportagem do Intercept de “falsa” e “tendenciosa”.

Sábado, 24 de agosto de 2019

(…)

Fonte: https://theintercept.com/brasil

Responder

Zé Maria

24 de agosto de 2019 às 12h11

Por falar em Desmatamento ilegal
e incêndios criminosos na Amazônia,
não foi o nóçu preZidênti que disse
que a Fiscalização do IBAMA é a
“Indústria da Multa” ?

Responder

Zé Maria

24 de agosto de 2019 às 11h54

Não há ‘Crise’ na Amazônia,
há sim o Massacre da Serra Elétrica
e Chamas da Destruição.

Responder

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