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Diário da Resistência


Paulo Copacabana: PIB do Estado de São Paulo puxa o Brasil para baixo; a “locomotiva” já era
Política

Paulo Copacabana: PIB do Estado de São Paulo puxa o Brasil para baixo; a “locomotiva” já era


30/05/2015 - 12h08

Governo do Estado de SP

por Paulo Copacabana, especial para o Viomundo

Gosto de provocar meus amigos paulistas — e tenho muitos! — do período em que morei alguns anos por essas bandas.

O paulista típico tem certeza de que o Brasil representa um fardo para a sua pujança. Apenas a locomotiva São Paulo “puxa” este enorme trem pesado e vagaroso, cheio de corrupção, vagabundagem e leniência por todos os lados.

Para o paulista típico, a herança de Getúlio Vargas deveria ser destruída para sempre. Não tem a consciência de que foi no período varguista que o Estado brasileiro foi montado de fato, alçando as relações público-privadas a um outro patamar, principalmente com as empresas paulistas. Também não entende que Vargas salvou a economia cafeeira paulista nos anos 30, e com ela a sua indústria emergente e seu pujante mercado interno de consumo e de trabalho. Nada disso comove os paulistas e seu espírito cosmopolita “descolado do país”.

A verdade é que a política desenvolvimentista do país desenvolveu, sobretudo, a economia paulista, com generosos subsídios e incentivos. As políticas cambiais e industriais dos anos 50, 60 e 70 tornaram o Estado de São Paulo esta gigantesca “potência econômica”.

Após a crise da dívida brasileira nos anos 80 (reduzindo sua capacidade de intervenção) e a hegemonia do pensamento neoliberal dos anos 90 (abrindo espaço para o “deus mercado”), o projeto desenvolvimentista nacional se encerra, perdendo com ele a indústria e a economia paulista.

Não por outro motivo o Estado de São Paulo começa a perder fôlego. Na briga do salve-se quem puder, outros Estados lançam mão da “guerra fiscal” para atrair indústrias e empregos, guerra esta de soma zero para o país, mas que aprofundam os problemas da economia paulista. Posando ainda como “locomotiva”, os governos paulistas seguem esperando que o governo federal impeça a guerra fiscal, mas não compreendem que este não é o único problema.

Falta aos governos do Estado de São Paulo, sobretudo nas últimas duas décadas, visão de desenvolvimento econômico e social.

A indústria paulista perde importância e peso econômico, e o Estado torna-se cada vez mais dependente da economia dos serviços.

Todos sabem que o “motor da economia” está localizado no setor industrial, onde repousa o verdadeiro progresso tecnológico, os melhores empregos, a maior produção de valor adicionado.

A perda de importância do Estado de São Paulo tem a ver com esta questão, ironicamente agravada pela política dos anos FHC na década de 90, que aprofundou a desindustrialização paulista e brasileira, com forte valorização cambial e a perda de importantes “elos da cadeia produtiva” no país. Já naquele período fomos invadidos por produtos estrangeiros, e setores inteiros da economia paulista foram sendo desmontados (têxtil, calçadista, autopeças, etc.).

pib paulista 1

pib paulista 2

Engraçado, muitos paulistas que conheço adoram FHC, um dos maiores responsáveis pela perda de importância do Estado no cenário nacional.

Por outro lado, detestam o governo Lula, que, ao ampliar o mercado de consumo interno, permitiu que milhares de empregos fossem criados no Estado, reativando fortemente as empresas paulistas.

Este fôlego, contudo, não poderia se sustentar, uma vez que a “armadilha” da valorização cambial não foi desmontada pelo governo federal e os governos paulistas não quiseram “montar” políticas desenvolvimentistas regionais.

No Estado de SP, manteve-se a política do “ajuste fiscal permanente”, prevalecendo os megassuperávits fiscais em detrimento do desenvolvimento.

Tudo isso, aliado à política de fortes investimentos sociais e de infraestrutura do governo federal na região Nordeste, o “boom” do agronegócio no Centro-Oeste e a economia do petróleo no Rio de Janeiro, está fazendo com que o Estado se torne não mais a locomotiva do país, mas um enorme e pesado vagão deste trem.

Talvez esta questão explique a beligerância atual da elite paulista em relação aos governos Lula e Dilma. Como diria aquele marqueteiro americano, “É a economia, estúpido”.

O ódio ao governo federal e suas políticas sociais e desenvolvimentistas tornam-se a explicação para todos os problemas do Estado bandeirante. Em parte estão certos, na medida em que nestes últimos anos o governo federal passou a investir forte nas regiões mais pobres do país.

Em grande parte, estão errados, na medida em que o Estado de SP não fez sua lição de casa: vendeu todas as suas instituições de fomento (Banespa, Nossa Caixa); deixou de implantar um verdadeiro sistema de inovação, aproveitando o potencial das suas universidades, institutos e fundações de pesquisa; permitiu o avanço da monocultura da cana-de-açúcar em todo o interior; deixou de implantar políticas de desenvolvimento nas regiões mais pobres do Estado, que continuam como sempre estiveram; assistiu ao desmonte de grande parte do seu parque industrial.

Toda esta narrativa pode ser comprovada por alguns dados que obtive nos sites do IBGE e da Fundação SEADE, esta última do próprio governo paulista.

A indústria, que representava 33,5% da economia paulista em 1995, passou para apenas 25% em 2012. Já o setor de serviços, saltou de 64,9% em 1995 para 73,1% em 2012. A perda do “motor” da economia paulista está clara.

pib paulista 4

Outros números revelam que a economia do Estado de São Paulo perde importância em relação a outras regiões de forma acelerada.

Em 1995, a economia paulista representava 37,3% da economia brasileira. Em 2014, segundo projeções da própria Fundação SEADE, deve ficar com apenas 28,7%.

A perda, em valores absolutos, significa menos R$ 450 bilhões na economia paulista.

Estes valores, diga-se de passagem, foram adicionados às economias do Nordeste, Norte e Centro-Oeste, além de Rio de Janeiro e Minas Gerais. Estas regiões passaram a “puxar” a economia brasileira. O Sul permaneceu estagnado.

Interessante notar que esta radiografia econômica segue em sintonia com a radiografia do voto nas últimas eleições nacionais. Outra vez, “É a economia, estúpido”.

Os últimos números que estão saindo são ainda mais desalentadores para São Paulo.

Além de não ser mais a locomotiva do país, o Estado torna-se um vagão muito pesado, segurando a economia brasileira e “puxando-a” para baixo.

Em 2014, enquanto a economia brasileira cresceu 0,10%, a economia paulista recuou 1,90%.

Em 2015, nos primeiros três meses, enquanto o PIB brasileiro recuou 1,6%, o PIB paulista segue ladeira abaixo, caindo 3,3%.

pib paulista 3

São Paulo não somente deixou de ser o motor da economia brasileira como vem sendo a nossa maior âncora. O país só não cai mais porque outros centros dinâmicos foram criados nos últimos anos.

A elite paulista deveria, na verdade, clamar por mais políticas desenvolvimentistas do Estado brasileiro. Ela depende cada vez mais do Brasil.

Não adianta, pelo visto, as panelas continuarão batendo nas “varandas gourmet” de uma elite que perde importância para o país.

Qualquer dia as outras regiões é que vão querer se separar de São Paulo.

Leia também:

Antônio de Souza, sobre o preço da reeleição de Alckmin: Arrocho fiscal e reajuste zero para os professores





36 comentários

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Sergio

17 de junho de 2017 às 18h45

Vou resumir ,os nordestinos e estrangeiros que chegam sem parar aqui ,e incham ainda mais nosso estado ,com 42 milhões de habitantes ,1/5 da população do país, como fariam sem vir pra cá? fora o que temos de aguentar 3m razão disso ,brincadeira né?

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Sergio

17 de junho de 2017 às 18h41

É sempre a mesma coisa ,todos vem resolver seus problemas aqui ,depois falam mal,só vejo gente jovem de outros estados chegando chegando aqui,fugindo da pobreza ,fora os de outros países, nós abrimos mão de tudo ,empregos ,salários, segu rança ,saúde pq aqui está inchado de tudo ,inclusive de ruim,sem São Paulo, o estado com 42 milhões de habitantes ,o Brasil estaria com um povo realmente na miséria absolutá.

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L Fernando

29 de janeiro de 2016 às 23h52

Não entendo porque tamanha crítica ao estado de São Paulo que é o estado mais rico, desenvolvido, moderno e populoso não somente do Brasil mas de toda América Latina e que paga todo ano mais de 200 bilhões de impostos ao governo federal e não recebe em benefícios do governo federal nenhum 1/4 do que contribui, um estado que com toda sua importância é sub representado no congresso federal por causa de um sistema federalista que é uma piada, ou seja o estado de São Paulo e um estado produtor que contribui mais do que recebe benefícios do governo federal que sustenta vários estados e é sub representado em Brasília. E o Pib de São Paulo caiu mesmo com essa política de Brasília de valorização do real sem necessidade nos últimos anos só pra fazê populismo cambial e ganha eleição arrebentou com a indústria Brasileira que viu seu produtos perderem competividade tanto no mercado interno como externo, e lógico quem sofre mais e São Paulo que é o estado mais industrializado do país. Eu moro no norte de São Paulo perto de Ribeirão Preto e nesses últimos 20 anos as coisas aqui melhoraram bastante assim como em todo Brasil é lógico que nesses últimos dois anos de crise o pib da minha cidade caiu um pouco assim como a participação da indústria no pib da cidade. E também não é só a indústria que é importante pro desenvolvimento de um pais não o agronegocio também é muito importante no desenvolvimento do país e nesse caso os agricultores vem carregando a economia do país nas costas há muito tempo basta olhar na balança comercial que vocês vão ver isso.

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Regina Duarte

30 de julho de 2015 às 16h19

[email protected],
Cabe lembrar que na gestão FHC o percentual que retornava dos tributos recolhidos à União para São Paulo orbitavam entre 1,5% e 2% e, hoje, está em torno de 8% , logo, um aumento médio de 450%.
Cabe lembrar que neste período Serra e Aécio estiveram nos governos de FHC, como ministro (creio planejamento e saúde) e como grande líder do partido, do governo e presidente do Congresso respectivamente.
Pergunto: Eles que hoje reclamam ou cobram o que fizeram, quando podiam, para reparar esta “inequidade”?
Cabe lembrar que QUEM PAGA imposto é o consumidor final, pois, como todos sabem na formação do preço do produto e serviços hão contabilizados os impostos a serem RECOLHIDOS pelas empresas. Assim, não seria justo que o imposto pago por CONSUMIDORES DOUTRAS REGIÕES à União voltassem particularmente para os 43 milhões de brasileiros moradores em São Paulo ou 20 % da população nacional.
Cabe lembrar que para fazer acontecer o Real houve uma conta altíssima, o aumento de 1000 % (mil por cento) da dívida interna.
Cabe também lembrar que neste período se deu a entrada de centena de bilhões de reais com a venda das estatais, as privatizações.
Encerrando, pergunto: Porque a mídia “independente” pouco disse e disto fala? Indubitavelmente porque, como sabemos, integrou os grupos ou consórcios que foram em busca, não de comprar pelo devido, mas de receberem, em quase doação, as estatais e , também e inquestionavelmente, por que detêm dinheiro investido nos títulos públicos escravizantes das presentes e futuras gerações. “Ao que parece o inferno será pequeno para os tantos e para os da Lava-Jato, que trago são os mesmos tantos.”

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Luiz A. Fonseca

03 de junho de 2015 às 15h05

Tenho algumas observações:
1-A USP está em 232o. lugar num dos vários “rankings’ que há por aí, em outros chega ao 80o., e em outros até por volta do 50o. Cada ranking classifica segundo critérios próprios, diferentes dos outros, e não há como compará-los.
2-Concordo com boa parte do post e com alguns comentaristas quanto à perda relativa da importância de São Paulo frente à economia brasileira como um todo, e sem dúvida isso se deve à desindustrialização. Quanto a isso representar menos desigualdade regional não chega a ser motivo para comemorações, pois se deve à queda de SP e não necessariamente ao crescimento dos outros.
3-O verbo haver parece ter desaparecido dos comentários, principalmente daquele do Julio. Estava contando quantos faltavam, mas parei ali pelo décimo. Só para deixar claro, um exemplo de emprego do verbo: “Há muito tempo a indústria paulista vem perdendo espaço”…

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renato

01 de junho de 2015 às 18h17

O declínio o PIB de São Paulo é consequência de vários fatores. A guerra fiscal interna, a concorrência dos importados, principalmente chineses e da valorização cambial. Nem dos governos do PSDB, em São Paulo, nem a política econômica de FHC, nem de Lula/Dilma, foram capazes de minorar os efeitos.

Sou de São Paulo, acho uma bobagem esta coisa de dizer que somos melhores que outros estados, o contrário então é outra tolice. Ainda somos mais ricos e temos sim um padrão de serviços e produtos melhores que a média brasileira. Torço por uma melhor distribuição de renda da população e também regional. É bom para todos que todos cresçam. Não entendo os paulistas que criticam o crescimento nordestino, pois, na maioria das vezes, são os mesmos que criticavam os nordestinos virem pra cá. O NE se desenvolvendo fixa a população nos locais. Paulista consciente deve reconhecer a contribuição do nordestino no nosso progresso. Afinal eles que trabalharam pesado na construção do nosso metrô, nossos modernos prédios e shoppings, onde passeamos.

Não caio nesta de falar mal de nordestino e também de dizer que São Paulo é culpado por crise ou pib baixo. O que está acontecendo é que São Paulo, por ser mais industrial, contribui menos para o crescimento, pelos motivos que falei e que a própria matéria cita.

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    Luiz Augusto Fonseca

    01 de fevereiro de 2016 às 09h19

    Bom e equilibrado comentário, Renato. Parabéns.

Rodrigo

01 de junho de 2015 às 16h14

Então seria bom que mandássemos os Haitianos para o nordeste e centro oeste, não é mesmo?

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Vicente

01 de junho de 2015 às 11h09

Alguém entendeu? O PT comemora a redução das desigualdades regionais e ataca o fato de São Paulo crescer menos que a média nacional (no caso atual, caindo mais que os demais). Se decidam, pelo amor de Deus.

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    El Bartho

    01 de junho de 2015 às 18h41

    Não é fácil entender? Tem pouco desenho né!!!!! kkkkk

Urbano

31 de maio de 2015 às 18h08

É que a turma do QIB (Quero Implodir o Brasil) é mais pujante, e isso há eons…

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Beatriz Porto

31 de maio de 2015 às 16h19

Aqui em SC a publicidade oficial relata que o n ível de crescimento é maior entre todos os estados. Tem algo errado quando o autor dizi que o Sul estagnou. Ao menos, por enquanto fazemos parte dele…

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abolicionista

31 de maio de 2015 às 13h23

O tucanato está acabando com São Paulo. Tenho uma amiga que trabalha em um instituto de pesquisa do governo. Ela revelou que, desde a crise hídrica, recebeu a ordem de não trabalhar mais, porque as pesquisas poderiam revelar números desagradáveis para os tucanos. Ela tinha um chefe digno que se recusou a obedecer e foi substituído por um digníssimo tucano que aparece uma vez por semana na instituição só para assinar o ponto. Fiquei indignado, pedi que ela denunciasse, mas ela me disse que já tentaram fazer isso várias vezes e nada acontece. Segundo ela, essa é a norma nas administrações tucanas: suspender concursos e multiplicar os cargos de confiança, que funcionam na base do favor, criando uma máfia burocrática corrupta que multiplica a burocracia. E depois é o PT quem leva a fama de “inchar o Estado”, parece piada, mas os trouxas somos nós.

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dudu

31 de maio de 2015 às 07h47

Taxa desemprego atual. Brasil 7,9%, nordeste 9,6% e a Bahia 11,2%. Viva são Paulo.

Responder

dudu

31 de maio de 2015 às 07h40

Estranho..onde o desemprego aumentou mais foi no nordeste e com destaque para a Bahia.

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Lukas

31 de maio de 2015 às 00h36

Ainda bem que o PIB de SP está crescendo menos que o do resto do Brasil. Se estivesse crescendo mais era sinal que a riqueza do país continuava a ir para o estado mais rico.

Deve ser obra do PT, não, diminuir as diferenças entre ricos e pobres?

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Fabio SP

30 de maio de 2015 às 22h16

Podemos mandar os haitianos para o Nordeste então?

Responder

Geraldo Gonçalves

30 de maio de 2015 às 18h41

A matrix paulistana

Os paulistas conseguiram o que eles sempre quiseram. Tornaram-se os legítimos europeus, ou seja, um povo mitomaníaco:

Mito – 1: São Paulo é a locomotiva do país que carrega 23 vagões vazios.

A Realidade:
A locomotiva virou Maria Fumaça. Na década de 70, a participação de São Paulo no PIB nacional correspondia a 40%. Caiu para 36% na década de 80, e 33% em 2007. Confirmado-se as tendências e prognósticos, a perspectiva é de que a participação paulista esteja abaixo dos 30% já em 2014.

Mito – 2: A USP é uma das universidades mais importantes do mundo!

A realidade:
A USP já foi uma grande universidade, nos tempos de Lévy-Strauss e outros, mas esse DNA já se tornou “viciado” há muito tempo, porque professor da USP fez graduação na USP, mestrado na USP, doutorado na USP. A USP é a universidade mais endógena e de importância inflada que se conhece.

Nos últimos 40 anos, que estudo da USP revolucionou alguma área do conhecimento científico? Nenhum.

A USP (tal como as Federais de outros estados) não é vanguarda em nenhuma área científica importante, apenas acompanha o desenvolvimento científico e tecnológico do primeiro-mundo. Tanto as estaduais paulistas, quanto as federais, apenas procuram reproduzir estudos estrangeiros.

A ficha só cai quando a USP é comparada a instituições de outros países. Nesse caso o resultado é humilhante: “A USP, a universidade da 3ª maior cidade do mundo é apenas a 232ª universidade, se comparada com o resto do mundo”.

Mito – 3: Paulistas são ricos, têm dinheiro e o restante dos brasileiros são pobres e burros.

A Realidade:
Abaixo a lista dos maiores bilionários do país:
Jorge Paulo Lemann – carioca
Joseph Safra – libanês
Marcel Telles – carioca
Benjamin Steinbruch – carioca
Carlos Alberto Sicupira – carioca
Antônio Ermírio de Moraes – paulista (origem nordestina)
Aloysio Faria – mineiro
Francisco Ivens de Sa Dias Branco – Cearence

Onde estão os bilionários paulistas?
No programa “Mulheres Ricas” da Rede Bandeirantes?

Mito – 4: Todo paulista tem a CRENÇA de que italianos industrializaram São Paulo e que eles foram os responsáveis pelo o que o estado é hoje.

A realidade:
Construiu-se toda uma mitomania em torno do empreendedorismo italiano que não se sustenta. Procuram-se hoje os reflexos dessa herança e não se acha. Pior: descobre-se que são até inexistentes. Ao analisarmos as 300 maiores empresas com “sede” em São Paulo listadas no volumoso encarte “Melhores e Maiores” da Revista Exame, verifica-se claramente que a esmagadora maioria trata-se de empresas de capital estrangeiro. Logo São Paulo não é “sede” de nada… “sede” é eufemismo.

São Paulo é apenas “filial”, porque as matrizes (sedes) dessas empresas estão no exterior. Suas ações são negociadas em seus países de origem. O faturamento e o lucro é todo remetido para fora. O empreendedorismo, portanto, não é paulista e sim estrangeiro.

Se pegarmos então outro ranking, mas nesse caso 100% nacional: “As ações mais negociadas da Bovespa de 2010″ e verificamos claramente a inexpressividade do empreendedorismo paulista: Os maiores conglomerados listados entre as dez ações mais negociadas não são empresas nacionais com sede em São Paulo e sim em sediadas em outros estados: Petrobras, OGX, Vale, CSN, Telemar, Usiminas, Gerdau etc. Entre as top 10 apenas uma única empresa representa o inflado empreendedorismo paulista: o Itaú/Unibanco. E é justamente a única blue chip que não é voltada para produção e sim para agiotagem financeira…

Mito – 5: São Paulo é a Nova York brasileira

A Realidade:
Todo povo de mentalidade colonizada gosta de nomear a sua cidade mais populosa como a “nova iorque” local. Assim Lagos é a “nova-iorque-nigeriana”, Mumbai é a “nova-iorque-indiana”, Jacarta é a “nova-iorque-indonésia”, Karachi é a “nova-iorque-paquistanesa” e São Paulo é a “nova-iorque-brasileira”.

Mas há também, há cidades de personalidade tão fortes que não precisam pedir empréstimo a outras para serem conhecidas. Dessa forma no mundo… Paris é “Paris”, Roma é “Roma”, Buenos Aires é “Buenos Aires” e etc…

Em resumo:

A julgar pela tradicional megalomania paulista, deduz-se que eles se pautam mais numa China superpopulosa e miserável, do que numa Suíça minúscula e rica.

Em 12 anos o PT tirou o Brasil do mapa da fome.
A continuar o seu legado, o PSDB incluirá São Paulo no mapa da fome e da pobreza.

Responder

    Ismael José de Oliveira

    30 de maio de 2015 às 22h13

    Geraldo, não sei sua origem no Brasil, mas sou baiano, vindo para SP na década de 60, voltei pra Bahia em 92, regressei para Amparo, interior de SP há 4 anos, e posso atestar tudo isso que vc expõe brilhantemente, com números que comprovam a realidade atual. Em conversa com amigos e parentes, tenho dito que além dos dados econômicos, SP regrediu ou involuiu, culturalmente, politicamente. Fico abismado com o pensamento (principalmente do jovem), tacanho da população de um modo geral! Aliás pelas manifestações contra o PT, ultimamente, dá pra se notar a falta de tudo deste povo e que se considera a elite brasileira. Nulas no raciocínio, ,fracas de argumentos e totalmente imbecilizadas pelos meios de comunicação, diferentes daqueles jovens de cara pintada da era Collor. Por ser nordestino, mas por ter uma visão bem mais aguçada que a maioria daqui, sou hostilizado constantemente, quando nas redes sociais esterno os meus pensamentos e análises convicto do que vejo por aqui. Amparo já foi uma cidade importante na época do café e hj é uma cidade estagnada economicamente, que de moderno só tem a Ypê, que domina o mercado brasileiro de limpeza. Tem muitas fábricas têxteis obsoletas, e vive de serviços, mas tem um povo, em sua maioria, descendentes de colonos italianos, mas tão arrogantes e cheios de empáfia, que não cedem ao fato de que não vivem mais na opulência. O nordeste, por exemplo, estou indo lá uma vez por ano e vejo as transformações ocorridas desde o 1º mandato de Lula. Tanto que se não me engano em 2014, o Brasil cresceu ,08%, enquanto o nordeste cresceu 3,8%.A regikão de onde sou oriundo, Feira de Santana, teve e continua tendo um progresso incrível.

    Samuel Souza

    01 de junho de 2015 às 23h33

    Boa Geraldo. Matou os megalomaníacos a pau !! Agora estão quase todos querendo te pegar… Até o Herlan que disse ser do Rio… Só se for do rio Tietê,

    Ivo

    12 de novembro de 2015 às 01h20

    Boa Geraldo, matou a pau. Poderia acrescentar também, a pilantragem que o então deputado José Serra fez na CF de 88, quando mudou a regra de arrecadação do ICMS do petróleo, onde o ICMS é recolhido no destino e não na fonte, beneficiando SP em detrimento do RJ. São bilhões que vão para SP, BILHÔES. Juntando tudo que foi exposto no texto, e no seu comentário, brilhante por sinal, eu acrescentaria: Ficar rico assim é mole. Pergunta: A quem interessa um NE pobre? Pergunta se SP quer abrir mão de seu mercado cativo? Não, pois quem vende enriquece e quem compra estagna. Querem um mercado cativo. Querem se separar? Comecem já, mas antes façam uma nova constituição, pois essa, que beneficiam vocês, pertence ao Brasil que vocês dizem tolerar. Façam uma nova sem as benesses que essa lhes proporcionam, e veríamos se os políticos paulistas iriam abrir mão. DUVIDOOO.

    Luiz Augusto Fonseca

    01 de fevereiro de 2016 às 09h24

    Acrescento à sua lista de cidades: O Rio de Janeiro é o Rio de Janeiro, não é Miami (argh!), nem Los Angeles, etc.

    Luiz Augusto Fonseca

    01 de fevereiro de 2016 às 09h32

    E o Rio de Janeiro é o Rio de Janeiro.

Edgar Rocha

30 de maio de 2015 às 15h54

Quer ver um baque radical na economia paulista? É só considerar que sua importância e seu poder econômico não podem ser medidos por escalas convencionais. Comecem a combater tudo que movimenta dinheiro paralelamente, tudo que gera acúmulo indevido: corrupção, tráfico de drogas, pirataria, contrabando, evasão de divisas, tráfico de seres humanos, especulação imobiliária, tráfico de drogas, etc. Aí, vão ver a locomotiva girar com roda quadrada!

Cada vez mais, a principal prestação de serviços em São Paulo se destina a estes “setores” da economia. Se estes forem combatidos, São Paulo virará uma Detroit. nada mais apropriado a um paulistano da gema. Qual paulista não se sentiria chique em ter sua cidade comparada com uma glamorosa metrópole americana. Além do que, se sentiriam protagonistas de um blockbuster holliwoodiano distópico qualquer. Madmax estaria bom, não?

Responder

    Luiz Augusto Fonseca

    01 de fevereiro de 2016 às 09h26

    Corrigindo: os três Mad Max originais (os bons, não essa droga holliwoodiana atual) eram australianos…

Edgar Rocha

30 de maio de 2015 às 15h54

Quer ver um baque radical na economia paulista? É só considerar que sua importância e seu poder econômico não podem ser medidos por escalas convencionais. Comecem a combater tudo que movimenta dinheiro paralelamente, tudo que gera acúmulo indevido: corrupção, tráfico de drogas, pirataria, contrabando, evasão de divisas, tráfico de seres humanos, especulação imobiliária, tráfico de drogas, etc. Aí, vão ver a locomotiva girar com roda quadrada!

Cada vez mais, a principal prestação de serviços em São Paulo se destina a estes “setores” da economia. Se estes forem combatidos, São Paulo virará uma Detroit. nada mais apropriado a um paulistano da gema. Qual paulista não se sentiria chque em ter sua cidade compara com uma glamorosa metrópole americana. Além do que, se sentiriam protagonistas de um blockbuster holliwoodiano distópico qualquer. Madmax estaria bom, não?

Responder

Antonio

30 de maio de 2015 às 15h07

Uma perfeita descrição do Reino do Tucanistão que hoje tem no trono o Barão de Pindamonhangaba.
Como sabem, no reino são várias as famílias reais que encontraram um método simples de se alternarem no trono para manter o poder. Combinaram também que nenhum deles usaria o título de rei, evitando possíveis desavenças entre as várias famílias reais.
O método consiste em despejar generosas verbas nos principais jornais e TV’s do reino que divulgam apenas notícias boas sempre acompanhadas de picolé.
Este método, aplicado a mais de vinte anos, infantilizou os cidadãos do reino que consideram o reizinho de plantão o melhor chefe de estado que qualquer país possa ter.
Para que as novas gerações continuem pensando da mesma forma, aplicaram o método de produzir analfabetos funcionais, claro, muitos com diplomas de curso superior, porém, analfabetos funcionais para serem satisfeitos com picolés.
A defesa do reino é inspirada na Guarda Pretoriana da Roma Antiga.
No reino existe liberdade de religião, mas entre as famílias reais que seguem tradições milenares, predomina a Santa Inquisição. As famílias reais e os chefes dos diversos departamentos são seguidores dessa religião.
Ultimamente nos palácios do reino, o número de cortesãos tem aumentado, alguns possuem até avião a jato.
São cortesãos de alta estirpe embora as vezes se digam cansados, mas mesmo cansados cumprem seu trabalho que muitas vezes é o de um office boy .
As famílias reais tem aumentado pois um vassalo qualquer que atenda a um pedido do reizinho ganha o direito de participar das assembleias na sala do torno, podendo inclusive transferir o direito a seus descendentes.
Apesar de bem governado, o reino tem perdido paulatinamente sua pujança econômica e tanto o reizinho de plantão quando os reizinhos que esperam sucedê-lo no tempo certo, culpam um grande pais com gente generosa e afável com o qual faz fronteira, pelos seus desajustes.
Nestes dias, nos palácios do reino preparam um plano que segundo os dirigentes do reino irá salvá-los.
Pretendem se apossar do poder do grande país fronteiriço e desta forma salvar o reino e os reizinhos das várias famílias..

Responder

    Ismael José de Oliveira

    30 de maio de 2015 às 22h18

    Perfeita a sua crônica, veja minha resposta ao Geraldo Gonçalves, onde digo que São Paulo de 1960, naõ é a mesma de 2015, onde acredito ter rewgredkido em todos os níveis, m as infelizmente, não caem na real e se acham o máximo! Parabéns e vamos em frente, uma hora eles caem na real!

    Futura Professora de História

    31 de maio de 2015 às 08h05

    Você está descrevendo a sociedade medieval e as cruzadas.

Julio Silveira

30 de maio de 2015 às 14h50

Mais de uma vez fiz referencias criticas negativas ao estado de São Paulo, outrora locomotiva economica (ainda que também, e talvez por isso, locomotiva de outas pessimas culturas irradiadas para todo o Brasil), não por maldade ou antagonismo ao estado, não. Por vezes recebi de alguns naturais do estado desaforos por essas criticas que só posso qualificar como causadas por miopia, acrescida por uma soberba que só a imersão na propaganda ufanista, em alguns momentos e omissa em outros, pode explicar. A muito tempo São Paulo, o estado, vem deixando de ter a importancia qualitativa que já teve em passado recente. E assumindo o posto de irradiador do reacionarismo nacional. Um estado que já vem perdendo a algum tempo o DNA brasileiro e se tornando um polo do chamamento aos piores instintos para uma brasilidade que, em muitos casos, estão desprovidas de senso critico e analítico, que passam a ambicionar outras nacionalidades, mas sem um esforço para avaliar nossas diferenças, optando por simples uma entrega. Desnecessario dizer que sequer buscam por mudanças que resultem em melhoria interna, que valorizasse a propria cidadania.
Não é a toa que provem desse estado os principais cabeças das culturas lamentaveis que viemos construindo a longa data, tanto na politica quanto em outros setores da sociedade, essa que prioriza os lugares comuns, o vazio humano e intelectual, aureolado e incensado como os reais valores a serem considerados.
Oligarquias com roupagens de modernidade, entreguistas, exclusivistas, com pouca empatia com os demais cidadãos dos demais estados da federação, mas também de seus proprio estado se observarmos as consequencias. Paulistas que tem decidido seguir essas diretrizes culturais, precisam urgentemente rever seus conceitos, por que seus resultados estão intrinsicamente ligados a suas escolhas. O que é pior para o Brasil.

Responder

    Well

    30 de maio de 2015 às 17h59

    Perfeito Julio!

Liberal

30 de maio de 2015 às 14h48

Nao sei porque mas este post não me surpreende em nada. Assim como os EUA (que vcs adoram demonizar enquanto culpam o embargo pelo fracasso de Cuba, apesar do comércio aberto com o resto do mundo), vcs não vêem a hora de comandar o Estado.

Ao mesmo tempo é patético querer culpar SP pela recessão que vai dar em 2% esse ano. A culpa do homicídio nunca é do assassino, e sim do fabricante de armas…

Responder

    Eva

    31 de maio de 2015 às 08h07

    É uma guerra de classes cujo desequilíbrio dura mais de 500 anos.

    abolicionista

    31 de maio de 2015 às 13h26

    Meu caro, os números não mentem. Décadas de tirania tucana afundaram São Paulo.

    Christian Fernandes

    01 de junho de 2015 às 14h42

    “comércio aberto com o resto do mundo”… alguém precisa de exemplo mais acabado da ~educação~ tucana?

    Joao

    24 de junho de 2015 às 20h19

    Como é ridículo esses vagabundos, ladrões e safados querer ataca o estado de SP. Só porque não é governado pelo PT. Ou não seria inveja ou despeito?


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