Por Paul Krugman*, em A Terra é Redonda
1.
Quando George W. Bush invadiu o Iraque em 2003, ele afirmou que o objetivo era estabelecer um regime democrático. Membros de sua administração podem até ter acreditado nisso, mas muitos críticos de esquerda insistiam que tudo girava em torno de tomar o petróleo do Iraque.
Embora eu fosse um opositor declarado daquela guerra e profundamente cético em relação às motivações do governo de George W. Bush, nunca acreditei na história de que aquela “guerra era pelo petróleo”.
A principal motivação para aquela guerra, ainda acredito, foi sacudir o imaginário popular – usar uma vitória militar vistosa para garantir a reeleição do então presidente dos Estados Unidos. Segundo alguns cientistaspolíticos, esse foi um objetivo que a guerra, de fato, alcançou.
A investida de Donald Trump na Venezuela é uma história bem diferente.
Durante sua coletiva de imprensa triunfalista após o sequestro de Nicolás Maduro, Donald Trump nunca usou a palavra “democracia”.
No entanto, ele usou o termo “petróleo” por 27 vezes, declarando: “vamos recuperar o petróleo que, francamente, deveríamos ter recuperado há muito tempo.”
Mesmo assim, seja lá o que os EUA estão fazendo na Venezuela, não se trata verdadeiramente de uma guerra por petróleo real. É, em vez disso, uma guerra por fantasias petrolíferas. A vasta riqueza que Donald Trump imagina estar lá esperando para ser tomada não existe verdadeiramente.
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Pode-se ter ouvido dizer que a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo – 300 bilhões de barris. Tais ouvintes provavelmente não sabem que as reservas de petróleo reportadas da Venezuela triplicaram durante o período em que Hugo Chávez se manteve como presidente. Esse aumento, de cerca de 100 bilhões para 300 bilhões de barris, não refletiu grandes descobertas ou explorações.
Em vez disso, ele veio de uma decisão do governo Chávez de reclassificar o petróleo pesado do Cinturão do Orinoco como “comprovado” – petróleo que pode ser recuperado com razoável certeza sob as condições econômicas e operacionais existentes.







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