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Diário da Resistência


Haddad: DEM, herdeiro do partido de sustentação da ditadura militar, agora coordena bancadas da Bala, Boi e Bíblia
Brasilia DF 02 02 2019 Senador Davi Alcolumbre é eleito presidente do Senado; foto Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag Brasil
Política

Haddad: DEM, herdeiro do partido de sustentação da ditadura militar, agora coordena bancadas da Bala, Boi e Bíblia


04/02/2019 - 18h45

DEM vai articular bancadas da bala, do boi e da Bíblia, diz Haddad

Partido herdeiro da Arena, dos tempos da ditadura, concentra poderes com as presidências da Câmara e do Senado, e passa a ser o fiador e articulador do governo Bolsonaro

por Tiago Pereira, da RBA 

São Paulo – Com Rodrigo Maia (DEM-RJ) reeleito para comandar a Câmara dos Deputados e Davi Alcolumbre (DEM-AP) eleito presidente do Senado, o partido (ex-PFL, ex-PDS, ex-Arena) volta a comandar as duas Casas Legislativas depois de 36 anos (quando era PDS), passando a ter poderes ascendentes sobre o governo Bolsonaro.

A aprovação de qualquer medida importante para o governo dependerá do apoio do veterano Maia e do novato Alcolumbre. Essa concentração de poderes pode, inclusive, causar rusgas com o próprio PSL, partido do presidente.

Para o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), o DEM no comando da Câmara e do Senado vai articular e coordenar os interesses das chamadas bancadas da bala, do boi e da Bíblia.

A primeira, interessada no endurecimento das penas e na liberação da posse e do porte de armas pela população. A segunda, representando os interesses do agronegócio.

E, por último, parlamentares ligados a diferentes grupos evangélicos, que em suas pautas defendem o ensino religioso e são contra a educação sexual nas escolas, além de se oporem à descriminalização do aborto.

“O DEM, na Casa Civil e na presidência das duas Casas, se habilita para exercer a função em troca de poder. Desde o fim da ditadura espera esse momento”, afirmou Haddad, que disputou as eleições presidenciais contra Jair Bolsonaro (PSL) em outubro do ano passado.

A última vez que o partido controlou as duas Casas foi em 1983, ainda durante a ditadura civil-militar, com o deputado Flávio Marcílio (PDS-PI) e o senador Moacir Dalla (PDS-ES), durante o governo do general João Figueiredo.

Na época o partido tinha abandonado a sigla Arena, que dava apoio ao regime.

A presidenta do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), frisou que o governo “volta a ser comandado por militares, com a antiga Arena dominando o Congresso”, em alusão à presença de representantes das Forças Armadas em diversos cargos na Esplanada dos Ministérios e à vitória do DEM (ex-Arena) no Congresso.

“De nova essa política não tem nada! Logo vêm os resultados: velhas medidas contra o povo: menos previdência, menos direitos trabalhistas, menos renda. O mercado agora tem como implementar.”

Para o diretor licenciado do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho, a ascensão do DEM – que controla apenas a sexta maior bancada, na Câmara, e a terceira, no Senado – significa que o partido do governo, o PSL, não tinha quadros com “estatura, experiência e conhecimento” para disputar o comando do Congresso.

Ele lembra ainda da proximidade entre Alcolumbre e o ministro-chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni (DEM-RS). O agora presidente do Senado emprega em seu gabinete Denise Veberling, esposa de Onyx, desde 2016.

“Toda essa campanha do governo Bolsonaro é contraditória. O Bolsonaro não é a nova política. Está aí a 28 anos. E agora, em nome da ‘nova política’, elegeram-se velhos políticos para conduzir as duas Casas, mas velhos políticos alinhados com o programa do governo Bolsonaro”, diz Toninho.

Apesar das velhas práticas, a inexperiência do novo presidente do Senado também pode trazer problemas ao governo, segundo o diretor do Diap.

Ele também prevê que a concentração de poderes do DEM, se não for bem administrada a relação com o PSL, pode ser objeto de conflitos e rivalidades.

Toninho discorda de Haddad, no entanto, sobre eventual apoio do DEM às pautas conservadoras dos grupos evangélicos. Por outro lado, ele diz que o governo terá 100% de apoio do partido nas pautas econômicas que dizem respeito à redução do tamanho do Estado, com privatizações e reformas, como a da Previdência.

“Maia já deu sinalizações de que se entrar o que chama de pauta cultural antes da pauta econômica pode inviabilizar todo o processo.”

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2 comentários

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Zé Maria

05 de fevereiro de 2019 às 19h58

Parlamentares do PT apresentam Projetos na Câmara

“Entrei c/ 3 projetos na Câmara dos Deputados, um junto c/ @BohnGass, q garante o aumento real do salário mínimo, projeto de dos governos do PT.
Os outros são pra reduzir o preço do gás a $49,00 e retirar o Imposto de Renda de quem ganha até 5 mínimos”.

Gleisi Hoffmann
‏Deputada Federal

“A ideia central do projeto é garantir a retomada do aumento real do salário mínimo para trabalhadores e trabalhadoras a partir da retomada da Política Nacional de Valorização do Salário Mínimo”

https://t.co/PUOeGmSJwD
https://twitter.com/ptbrasil/status/1092811830765019141
http://www.pt.org.br/projeto-de-lei-de-bohn-gass-e-gleisi-garante-ganho-real-no-salario-minimo/

Responder

Zé Maria

05 de fevereiro de 2019 às 18h18

“Lucro do Itaú bate recorde
e chega a R$ 25,7 BILHÕES em 2018.
Agora só falta honrar seus compromissos
com a Previdência Social”[e com os Bancários]

https://twitter.com/pedromamed/status/1092877184723759104

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