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Para defesa de Lula, perícia da PF derruba acusação, ao confirmar destruição e manipulação de arquivos
Falatório Política

Para defesa de Lula, perícia da PF derruba acusação, ao confirmar destruição e manipulação de arquivos


25/02/2018 - 16h10

PERÍCIA  DA PF DERRUBA TESE DA ACUSAÇÃO CONTRA LULA

da defesa do ex-presidente Lula

O laudo entregue pela Polícia Federal na última sexta-feira (23/02) não confirmou a existência de qualquer documento que vincule o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a contratos da Petrobras e muito menos ao recebimento de qualquer imóvel para o Instituto Lula ou para a sua moradia, ao contrário do que afirmou a acusação (Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000/PR).

Por outro lado, o laudo demonstrou que: (i) o principal sistema a ser periciado — o MyWebDay — não pôde ser aberto e analisado, contrariando informação do Ministério Público Federal de que o documento havia sido entregue com o Acordo de Leniência da Odebrecht; (ii) houve destruição e manipulação nos arquivos submetidos à perícia.

É o que se detalha abaixo:

a)  Os Peritos Federais não conseguiram acessar o principal sistema objeto da perícia, o MyWebDay, confirmando que a defesa de Lula tinha razão ao colocar em dúvida documentos que foram atribuídos a esse sistema pelo Ministério Público Federal para acusar o ex-Presidente:

Página 122 do Laudo:

“É importante destacar que, até o presente momento, não foi possível examinar o ambiente de produção (ambiente real utilizado pelos usuários no dia a dia) do MyWebDay, conforme descrito na Subseção V.14 (página 300). No entanto, os artefatos resultantes da utilização do sistema por usuários (relatórios, consultas), associados a outros elementos como, por exemplo, o ambiente de desenvolvimento do MyWebDay B, fornecem informações úteis para esclarecer alguns questionamentos, como será demonstrado neste laudo.”

b) Houve destruição deliberada de dados do sistema antes de os arquivos terem sido disponibilizados à empresa responsável pela guarda e elaboração das cópias forenses (FRA)

Página 301, do Laudo:

“A análise dos históricos de comandos revelou ainda que 3 dessas máquinas virtuais tiveram o conteúdo de seus arquivos deliberadamente “destruídos” através do comando “shred”, cuja principal funcionalidade é sobrescrever arquivos com dados aleatórios, de modo a destruir o conteúdo dos arquivos, com objetivo de impedir a leitura dos dados previamente existentes ou recuperação por meio de ferramentas forenses.”

Página 302, do Laudo:

“Complementarmente, foi verificado que existem arquivos de histórico de conexões remotas, em data/hora próximo ao evento de destruição de dados, contendo registros de acesso oriundos do endereço IP “201.26.148.29”. Referido endereço IP encontra-se atualmente vinculado à operadora de telecomunicações VIVO”

c) Os peritos encontraram evidências de que os arquivos apresentados pela Odebrecht foram manipulados e/ou danificados pela empresa que era a responsável pelo Sistema:

Página 68 do Laudo:

“Deve-se acrescentar que o arquivo de imagem forense que contém todas as evidências do Disco 05 (“External HDD 1-1 (1).E01”), apresentado na Tabela 15, encontra-se íntegro. Isso significa que quando a imagem forense gerada pela Odebrecht foi criada, a imagem forense “DraftSystemExtUSBESXi1.E01” já se encontrava danificada.”

d) Diante da impossibilidade de acesso do principal sistema a ser periciado, o MyWebDay, os trabalhos periciais ficaram prejudicados na resposta ao quesito elaborado pela Defesa do ex-Presidente Lula, que pedia aos peritos para esclarecer se os arquivos apresentados pela Odebrecht eram idênticos àqueles que estavam hospedados no Data Center de origem denominado Banhoff, na Suiça. Não foi confirmada essa informação nos trabalhos periciais, fundamental para a perfeita conclusão dos trabalhos.

Referida confirmação, tendo em vista que os peritos federais constataram a destruição deliberada de arquivos, era fundamental para saber quais são as diferenças entre os arquivos de origem (Banhoff) e aqueles copiados e entregues pela Odebrecht.

e) Os peritos da Policia Federal identificaram também arquivos que foram modificados após o MPF ter recebido o material da Odebrecht:

Página 82, do Laudo:

“Também foram encontrados arquivos/pastas fora dos arquivos de imagem forense com datas de modificação/criação posteriores ao recebimento desse material pelo MPF (SPPEA/PGR), em destaque na Tabela 23. A existência desses arquivos indica que houve a conexão dos discos contendo as evidências encaminhadas pela Odebrecht ao MPF em uma porta USB sem que houvesse o bloqueio de escrita sobre as referidas mídias.”

f) Os peritos da Policia Federal compararam documento no formato PDF entregues pela Odebrecht com outros documentos fornecidos pela própria Odebrecht — e não com os sistemas, como havia sido determinado pelo despacho judicial:

Página 70, do Laudo:

“Para analisar a integridade dos dados recebidos, foi solicitada, à empresa Odebrecht, que fornecesse uma listagem de arquivos com os respectivos hashes. Em resposta, foi recebido um arquivo contendo uma lista de arquivos e os hashes correspondentes, gerados a partir dos arquivos em posse do escritório de advocacia contratado pela Odebrecht na Suíça. Essa listagem foi comparada com os arquivos presentes nos Discos 05 a 08, tendo sido verificado que os arquivos presentes na lista de hashes encontram-se armazenados nesses discos e com hashes idênticos, indicando que não houve qualquer alteração no conteúdo destes arquivos até o momento dos exames.”

Páginas 126-127, do Laudo:

“Funcionamento contábil do Sistema MyWebDay Na pasta “\vol_vol2\Documents and Settings\” da evidência “\Disco_05-Xtract-PE2950-VHD-owni-ts-ts.vhd”, na pasta “\Master\” do Disco 09 e no Pendrive 01 (Segunda Entrega), foram identificados 32.685 fragmentos de relatórios financeiros, todos em formato PDF, que pertenceriam ao chamado sistema MyWebDay. Embora, até o momento, não tenha sido possível colocar em funcionamento o sistema MyWebDay, a quantidade de informações contida nos relatórios disponibilizados permitiu aos peritos terem um entendimento a respeito do controle exercido sobre os pagamentos extra contábeis que a Odebrecht realizou a diversos beneficiados.”

g)  Reconheceu que as mesmas pessoas que tinham acesso ao Drousys também tinham acesso ao sistema do Meinl Bank de Antígua:

Na página 117:

“Após análise do estado criado em “16/04/2016 14:44:04”, denominado “APOS RECUPERAR” (mostrado na Figura 29), os peritos verificaram que, no momento da criação deste estado, a máquina virtual (identificador 1.9 na Tabela 43) encontrava-se configurada para os domínios de correio eletrônico: “draftsystems.net”, “drousys.com”, “vpnep.com” e “meinlbank.com.ag”, conforme ilustrado na Figura 28.”

A constatação de que o material efetivamente periciado sofreu adulterações além de estar reconhecida no laudo pericial é confirmada por depoimentos prestados perante o juízo da 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba.

No mesmo dia em que o laudo pericial foi apresentado (23/02), por exemplo, Fernando Migliaccio, ex-integrante do chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, prestou depoimento e reconheceu que houve uma reunião em Madri no segundo semestre de 2015 com a participação do criador de um dos sistemas utilizados na contabilidade paralela do grupo para tratar que os integrantes pudessem se “proteger”.

O executivo reconheceu, ainda, que era possível incluir e excluir informações no sistema Drousys, utilizado para comunicação do sistema de contabilidade paralela da Odebrecht.

O Instituto Lula funciona desde 1991 no mesmo imóvel.

O ex-Presidente Lula não solicitou ou recebeu da Odebrecht ou de qualquer outra empresa imóvel destinado à instalação daquela instituição. Lula também não solicitou e tampouco recebeu a propriedade do apartamento que é locado pela sua família, com regular pagamento de aluguel.

As acusações veiculadas pelo Ministério Público nessa ação penal não têm qualquer materialidade e integram o “lawfare” praticado contra Lula por alguns agentes do Estado, que consiste no mau uso e abuso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.

CRISTIANO ZANIN MARTINS

PS do Viomundo: Está claríssimo agora que a Operação Jabuti, no Rio de Janeiro, pode ter sido usada como tática diversionista em relação ao resultado da perícia, que é altamente comprometedora para o MPF.

Ela foi deflagrada praticamente ao mesmo tempo em que a perícia da Polícia Federal tornou-se pública.

Uma forma de comprometer a credibilidade da defesa de Lula, ao menos no noticiário, pois está claro que a delação da Odebrecht, esta sim, foi comprometida pela perícia — e corre o sério risco de ser demolida nos tribunais superiores.

Isso também ajuda a explicar por que o juiz Sérgio Moro, com cobertura do TRF-4, se recusou quatro vezes a ouvir o depoimento do advogado Rodrigo Tacla Duran, o primeiro a demonstrar publicamente que existem inconsistências entre o material entregue pela Odebrecht e outros registros relativos ao Meinl Bank.

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21 comentários

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Anderson Santos Da Rocha

26 de fevereiro de 2018 às 08h58

O cidadão Brasileiro pobre que fala mal do Lula é um mal agradecido foi no governo Lula que o pobre viajou de avião. Comprou um carro novo. Abriu seu próprio negócio. Comprou eletrodomésticos novo. Fez faculdade. Curços técnico. Parem pra pensar Lula começou a tirar um pouquinho dos ricos e dá aos pobres isso de serta forma. Talvez augumas pessoas pobres não entendem isso porem os ricos estudados entendem muito bem.

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Donizette Sanches

26 de fevereiro de 2018 às 07h16

A verdade e uma só este homem tem parte com com o diabo. nada o fere.

Responder

    Julio Silveira

    26 de fevereiro de 2018 às 13h01

    Vc parece ter intimidade com o diabo, afinal essa linguagem que vc usou parece vinda de lingua bipartida.

    RONALD

    28 de fevereiro de 2018 às 10h24

    Julio, o DONI está se referindo ao moro, rsrs.

    Julio Silveira

    28 de fevereiro de 2018 às 18h38

    Vc tem certeza Ronald? Por que se for em relação ao Moro não pode ser mais equivocado, visto que ninguem tentou colar nada nele, por que ele tem cobertura corporativa e dos seus formadores, os States, os dois maiores poderes do Brazil hoje, então nem é bom pensar nisso.

Messias Franca de Macedo

26 de fevereiro de 2018 às 06h46

Operação nazigolpista ‘Farsa a Jato – o pré-sal é dos gringos’ literalmente ‘DESmoroLIZADA’!
PORCA-tarefa tão criminosa quanto o Marcelo Odebrecht!
$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$
Marcelo Odebrecht entrega toda a farsa contra Lula.
Por Paulo Andrade Castro
Publicado em 24 de feveiro de 2018
https://www.youtube.com/watch?v=sT6XiNXmu78

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Cláudio

26 de fevereiro de 2018 às 04h13

* 1 * 2 * 13 * 4

.:.

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* * * *

Por uma verdadeira e justa Ley de Medios Já pra antonti (anteontem. Eu muito avisei…) !!!! Lul(inh)a Paz e Amor (mas sem vaselina) 2018 neles (que já tomaram DE QUATRO no PSDBosta) !!!!

* * * *
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♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

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Edi

25 de fevereiro de 2018 às 22h57

Vai pra cadria em curitiba ladrao comunista.

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Edi

25 de fevereiro de 2018 às 22h54

E vcs deste lixo de site sao puxam saco .

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    RONALD

    28 de fevereiro de 2018 às 10h26

    Edi, cuidado, o ódio difuso pode ser fatal !!!!

Julio Silveira

25 de fevereiro de 2018 às 21h11

A muito tempo venho tirando o meu chapeu para esses advogados que fazem a defesa do Lula, são guerreiros na fé de esperar que haja justiça imparcial neste país e que essa justiça faça justiça ao ex presidente.
Coisa dificil de acreditar para quem vê defensores de beneficios imorais, que não respeita os simbolos nacionais e democraticos, autenticos, alem de terem lado, o que melhor lhes convier.

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    RONALD

    28 de fevereiro de 2018 às 10h28

    Julio, não se trata mais nem de esperar justiça imparcial, mas de expor as entranhas monstruosas e criminosas desta quadrilha da farsa a jato !!!!!
    Queremos ouvir o TACLA DURAN !!!!!!!

Patrice L

25 de fevereiro de 2018 às 20h34

Corrijo 2: e, eles sim, presos.

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Patrice L

25 de fevereiro de 2018 às 20h29

Corrijo: contraste

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Patrice L

25 de fevereiro de 2018 às 20h26

O recente artigo do Globo golpista que detona o Romário golpista por ocultação de bens é, por constraste, e ironicamente, uma peça de defesa do presidente Lula.

Ali, ao contrário do caso Lula, estão evidenciadas várias digitais do Romário como proprietário e usufrutuário dos bens.

Nos últimos capítulos do caso Suíça, que convenientemente foi esquecido, me deu a impressão de, sim, ser verdadeira aquela conta secreta dele naquele país.

No mais, torcemos para que os responsáveis por mentiras e lawfare contra o Presidente Lula sejam um dia levados à barra dos tribunais e, eles fim, presos.

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Mailon

25 de fevereiro de 2018 às 19h16

Advogadozinho ruim esse do Lula! Pelo amorrrrrr…..

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    RONALD

    28 de fevereiro de 2018 às 10h33

    Mailon, o Zanin é um ótimo advogado. O problema é a quadrilha do TRF4, liderada por moro, MPF, que destruíram o direito de defesa, a Constituição Federal e todas as normas do direito.
    Contra esse monstro, fica difícil qualquer defesa !!!!!

    RONALD

    28 de fevereiro de 2018 às 10h37

    Sem falar na destruição de provas e adulteração de documentos. Isto será em breve provado, desmascarando esses palhaços criminosos.

Messias Franca de Macedo

25 de fevereiro de 2018 às 19h01

O advogado Rodrigo Tacla Durán, novamente, chama a atenção para sua situação com Lava Jato

22/02/2018

O advogado Rodrigo Tacla Durán, em nota pública, voltou a abordar temas que são mal interpretados pela grande mídia e inobservados pela Força-Tarefa da Operação Lava Jato. Fala da situação fiscal de sua empresa, considerada como ’empresa regular’ pela Receita, após vasculharem todas as transações ali ocorridas, devidamente declaradas e com impostos recolhidos. Uma investigação que durou anos, com inúmeras prorrogações e a pedido da Força-Tarefa da Lava Jato.
Vivendo em Madri, e sendo espanhol, Tacla relembra a todos que tem endereço fixo e conhecido pelas autoridades, tanto espanholas quanto brasileiras, inclusive o juiz de piso Sergio Moro.
(…)
Leia a nota a seguir.
Nota de esclarecimento
(…)
Madri, 22 de fevereiro de 2018.

Rodrigo Tacla Duran

FONTE [LÍMPIDA!]: https://jornalggn.com.br/noticia/tacla-duran-novamente-chama-a-atencao-para-sua-situacao-com-lava-jato

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Ronald Magalhães

25 de fevereiro de 2018 às 18h56

E estado de exceçao precisa de provas. Provas só servem se forem para incriminar o Lula e o PT mesmo que sejam forjadas.
Com certeza quem descobriu isso nao foi a PF ligada a operaçao lava jato de Curitiba.
Se praticam crimes para incriminar criminosos qual a diferença de uns para os outros.

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robertoAP

25 de fevereiro de 2018 às 17h12

A cara de corrupto do Moro, está cada vez com mais cara de corrupto.

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