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Orlando Silva: Bolsonaro opera no limite para manter o ímpeto das milícias digitais
Valdenice ladeada pelos irmãos, com Jair e Flávio na festa de aniversário dela. A irmã dos milicianos Alan e Alex assinou cheques da campanha de Flávio. Foto Instagram
Política

Orlando Silva: Bolsonaro opera no limite para manter o ímpeto das milícias digitais


26/02/2020 - 17h11

Faça como o velho marinheiro

Por Orlando Silva*

Em “Argumento”, Paulinho da Viola nos aconselha sobre como agir diante das adversidades: “faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar.”

O presidente Jair Bolsonaro aprontou das suas ontem, somando-se a movimentos de extrema-direita que convocaram um ato político contra o Congresso Nacional para o próximo dia 15/03.

Pode? Não! Não pode.

O artigo 85, inciso II, da Constituição Federal é explícito. “São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, os que atentem contra: o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação.”

O presidente da República conhece – ou deveria conhecer – a Constituição e sabe o que fala e faz. Sabe que poderia até ser afastado da Presidência.

Seus movimentos são calculados.

O fato é que a tensão no ambiente político, com Bolsonaro, é o novo normal.

Ele opera no limite para manter o ímpeto de suas milícias digitais.

Bolsonaro navega no mar alto da antipolítica, fomentada por décadas, e que levará um tempo para voltar a níveis toleráveis – se é que voltará algum dia.

Exercita seus planos autoritários numa conjuntura de crise da democracia liberal, tempos em que tudo está em questão.

Bolsonaro reage aos movimentos do Congresso Nacional.

As novas regras do Orçamento trouxeram para o Brasil práticas de democracias maduras, em que cabe ao Parlamento pronunciamentos decisivos sobre as contas públicas.

Mecanismos como esses não combinam com déspotas.

O ato do dia 15 será mais um round da luta de Bolsonaro contra o Parlamento e o Supremo Tribunal Federal.

Esse embate é quase diário, basta ver as MPs, PLNs e os vetos. Ele multiplica suas frentes de batalha.

Veremos até quando conseguirá lutar o tempo todo em tantas frentes.

A resistência anti-Bolsonaro ainda está dispersa e desorganizada.

A divisão fundamental está na visão sobre a economia.

A entrevista de Edmar Bacha, na Folha de São Paulo, tem grande importância para esclarecer possíveis tendências.

Quando ele aponta que “a agenda liberal deste governo não vale para empresários” e que em outras recessões a retomada foi “em forma de V” e atualmente “estamos patinando em L e não conseguimos sair”, quer dizer que a recuperação é incerta e não anima os agentes econômicos.

Os resultados do agronegócio são bons apesar do governo, que atrapalha bastante; a indústria segue na UTI, acumulando resultados adversos.

Só o capital financeiro segue intocável.

É preciso cautela, frieza e objetividade.

Os ataques ao Congresso Nacional são golpes contra a democracia e necessitam de respostas à altura.

O decano do Supremo, ministro Celso Mello, se posicionou de maneira enérgica quanto à convocação de ato hostil aos poderes feita por Bolsonaro.

Diversas lideranças políticas e sociais, de diferentes matizes ideológicos, também condenaram prontamente o ataque.

O Parlamento precisa cadenciar suas iniciativas.

Essa provocação de Bolsonaro cai como uma luva para que a agenda da Câmara e do Senado dialogue mais com a sociedade e vá além dos dogmas liberais.

Pacientemente, vamos fazer o degelo das relações que andavam interditadas. E encontraremos novas conexões para tecer uma rede, uma barreira intransponível para proteger nossa frágil democracia.

À política também se aplica o ensinamento do velho marinheiro: “Sem preconceito, sem mania de passado, sem querer ficar do lado de quem não quer navegar.”

*Orlando Silva é deputado federal pelo PCdoB-SP

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5 comentários

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Zé Maria

27 de fevereiro de 2020 às 18h17

Dia 15, Domingo, é Padrão de Golpe Nazi-Fascista:

https://pbs.twimg.com/media/ERza1cJXsAA4nQH?format=jpg

Será que a CBF e a Federação Paulista
vão alterar os Horários dos Jogos de Futebol
para facilitar a Balbúrdia contra a República,
a Constituição e o Estado Democrático de Direito ?

Responder

Zé Maria

27 de fevereiro de 2020 às 16h43

Até os Peritos da Polícia do Moro atestam
que houve manipulação de provas para
incriminar Lula nas Ações Judiciais …

Peritos da Polícia Federal admitiram que os documentos
copiados do “setor de operações estruturadas” da Odebrecht
podem ter sido ADULTERADOS.
Os arquivos foram usados para sustentar que a construtora
doou R$ 12 milhões a Lula como forma de suborno
para a compra do terreno do Instituto Lula.

Reportagem: Tiago Angelo, na Conjur: https://t.co/CXCx4a88HU

O documento foi protocolado pela defesa do ex-presidente
na quarta-feira (26/2).

De acordo com a Polícia Federal, os arquivos utilizados na denúncia contra Lula foram diretamente copiados dos sistema “MyWebDay”, utilizado pelo departamento de operações estruturadas da Odebrecht.

No entanto, antes de ser enviado às autoridades, o material teria ficado em posse
da construtora por quase um ano.
O período, segundo a defesa, foi utilizado para ADULTERAR OS ARQUIVOS.
A entrega dos dados ocorreu após a empresa assinar um acordo de leniência
com [Patifes d]o Ministério Público [Federal].

https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1233087164344344576
https://www.conjur.com.br/2020-fev-27/peritos-admitem-documento-odebrecht-sido-alterado

Responder

Bel

26 de fevereiro de 2020 às 19h58

Hummm…esse chamamento do Bolsonaro não seria estrategia para coletar adesões ao partido que quer criar? O site O Antagonista cantou a bola…

Responder

Marys

26 de fevereiro de 2020 às 18h01

O certo é que há técnicas estrategicamente bem urdidas nas ações do miliciano mor, algumas já identificadas e usadas por Sun Tzu, na Arte da Guerra:

1. açula milícias digitais para testar o poder alcançado para depois, a depender da reação, avançar ou recuar;
2. usa os filhos, assessores e seguidores para disseminar falácias e medo, usando como arma o Twitter, como sistema difusor de mensagens, a fim de testar a força ou enfraquecer moralmente o inimigo;

3. sempre que sente que fatos reais (noticiados pela imprensa) vão lhe afetar diretamente ou aos seus, distorce e manipula seus efeitos, até preventivamente, alterando-lhe o conteúdo e utilizando-os a seu favor para atacar o inimigo e amenizar o impacto sobre seu governo;

4. mexe com os parceiros e aliados, mudando-os de posição, testando alianças e confiança, ao tempo em que usa os bolsominions como soldados e poder das massa para impactar o sistema constituído, seu inimigo maior, sempre que se vê acuado;

5. busca manter-se sempre como centro das atenções e dos comentários com falas e atos impactantes, enquanto sua matilha replica, a oposição fica discutindo isso, presa nessa bolha, e os ministros fazem o serviço que mantém seu status junto ao mercado financeiro, seu Deus maior, a serviço do capital;

5. não tendo efetivo suficiente por perdas ou em locais como o Nordeste para tomar para si o poder, usa os peões do jogo, a soldadesca rasa e economicamente frágil, sem brio nem reservas morais para desestabilizar o poder à força ou fazer lideranças milicianas sob sua proteção.

Tem outras. Basta analisar e comparar com as estratégias da Arte da Guerra.
Só que Bolsonaro não tinha a força moral do general Sun Tzu.
Mas pode vir alguém, vestido de verde oliva, que está fortalecendo e estimulando essas estratégias, a substituí-lo.

Responder

    Zé Maria

    27 de fevereiro de 2020 às 17h42

    Analogia Muito Oportuna e Adequada
    aos Tempos Sombrios de Guerra Híbrida
    patrocinada pela Vadiagem do Capital.


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