VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

O historiador que previu a derrota de Lula e o fracasso do “poste”


26/10/2014 - 22h38

Lula 2

O silêncio de Lula

do historiador Marco Antonio Villa, setembro de 2014, em O Globo

Ao escolher candidatos sem consulta à direção partidária, ele transformou o PT em instrumento de vontade pessoal

Na história republicana brasileira, não houve político mais influente do que Luiz Inácio Lula da Silva. Sua exitosa carreira percorreu o regime militar, passando da distensão à abertura. Esteve presente na Campanha das Diretas. Negou apoio a Tancredo Neves, que sepultou o regime militar, e participou, desde 1989, de todas as campanhas presidenciais.

Quando, no futuro, um pesquisador se debruçar sobre a história política do Brasil dos últimos 40 anos, lá encontrará como participante mais ativo o ex-presidente Lula. E poderá ter a difícil tarefa de explicar as razões desta presença, seu significado histórico e de como o país perdeu lideranças políticas sem conseguir renová-las.

Lula, com seu estilo peculiar de fazer política, por onde passou deixou um rastro de destruição. No sindicalismo acabou sufocando a emergência de autênticas lideranças. Ou elas se submetiam ao seu comando ou seriam destruídas. E este método foi utilizado contra adversários no mundo sindical e também aos que se submeteram ao seu jugo na Central Única dos Trabalhadores.

O objetivo era impedir que florescessem lideranças independentes da sua vontade pessoal. Todos os líderes da CUT acabaram tendo de aceitar seu comando para sobreviver no mundo sindical, receberam prebendas e caminharam para o ocaso. Hoje não há na CUT — e em nenhuma outra central sindical — sindicalista algum com vida própria.

No Partido dos Trabalhadores — e que para os padrões partidários brasileiros já tem uma longa existência —, após três decênios, não há nenhum quadro que possa se transformar em referência para os petistas. Todos aqueles que se opuseram ao domínio lulista acabaram tendo de sair do partido ou se sujeitaram a meros estafetas.

Lula humilhou diversas lideranças históricas do PT. Quando iniciou o processo de escolher candidatos sem nenhuma consulta à direção partidária, os chamados “postes”, transformou o partido em instrumento da sua vontade pessoal, imperial, absolutista. Não era um meio de renovar lideranças. Não. Era uma estratégia de impedir que outras lideranças pudessem ter vida própria, o que, para ele, era inadmissível.

Os “postes” foram um fracasso administrativo. Como não lembrar Fernando Haddad, o “prefeito suvinil”, aquele que descobriu uma nova forma de solucionar os graves problemas de mobilidade urbana: basta pintar o asfalto que tudo estará magicamente resolvido. Sem talento, disposição para o trabalho e conhecimento da função, o prefeito já é um dos piores da história da cidade, rivalizando em impopularidade com o finado Celso Pitta.

Mas o símbolo maior do fracasso dos “postes” é a presidente Dilma Rousseff. Seu quadriênio presidencial está entre os piores da nossa história. Não deixou marca positiva em nenhum setor. Paralisou o país.

Desmoralizou ainda mais a gestão pública com ministros indicados por partidos da base congressual — e aceitos por ela —, muitos deles acusados de graves irregularidades. Não conseguiu dar viabilidade a nenhum programa governamental e desacelerou o crescimento econômico por absoluta incompetência gerencial.

Lula poderia ter reconhecido o erro da indicação de Dilma e lançado à sucessão um novo quadro petista. Mas quem? Qual líder partidário de destacou nos últimos 12 anos? Qual ministro fez uma administração que pudesse servir de referência? Sem Dilma só havia uma opção: ele próprio. Contudo, impedir a presidente de ser novamente candidata seria admitir que a “sua” escolha tinha sido equivocada. E o oráculo de São Bernardo do Campo não erra.

A pobreza política brasileira deu um protagonismo a Lula que ele nunca mereceu. Importantes líderes políticos optaram pela subserviência ou discreta colaboração com ele, sem ter a coragem de enfrentá-lo. Seus aliados receberam generosas compensações. Seus opositores, a maioria deles, buscaram algum tipo de composição, evitando a todo custo o enfrentamento. Desta forma, foram diluindo as contradições e destruindo o mundo da política.

Na campanha presidencial de 2010, com todos os seus equívocos, 44% dos eleitores sufragaram, no segundo turno, o candidato oposicionista. Havia possibilidade de vencer mas a opção foi pela zona de conforto, trocando o Palácio do Planalto pelo controle de alguns governos estaduais.

Se em 2010 Lula teve um papel central na eleição de Dilma, agora o que assistimos é uma discreta participação, silenciosa, evitando exposição pública, contato com os jornalistas e — principalmente — associar sua figura à da presidente. Espertamente identificou a possibilidade de uma derrota e não deseja ser responsabilizado. Mais ainda: em caso de fracasso, a culpa deve ser atribuída a Dilma e, especialmente, à sua equipe econômica.

Lula já começa a preparar o novo figurino: o do criador que, apesar de todos os esforços, não conseguiu orientar devidamente a criatura, resistente aos seus conselhos. A derrota de Lula será atribuída a Dilma, que, obedientemente, aceitará a fúria do seu criador. Afinal, se não fosse ele, que papel ela teria na política brasileira?

O PT caminha para a derrota. Mais ainda: caminha para o ocaso. Não conseguirá sobreviver sem estar no aparelho de Estado. Foram 12 anos se locupletando. A derrota petista — e, mais ainda, a derrota de Lula — poderá permitir que o país retome seu rumo. E no futuro os historiadores vão ter muito trabalho para explicar um fato sem paralelo na nossa história: como o Brasil se submeteu durante tantos anos à vontade pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva.

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36 comentários

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Márcio Nascimento

10 de julho de 2016 às 11h19

Interessante ler, agora em julho de 2016, esse texto do Villa, extremamente feliz e preciso, escrito em uma época que essa manada dos comentários acima não entendia que estavam em disparada em direção ao abismo… Ou seja, o diabo estava entre eles, destruindo tudo, tipo quando vc serra um galho sentado na ponta que vai cair. O mais legal era que o Lula também estava do lado que logo desabaria !!

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Urbano

28 de outubro de 2014 às 17h21

Nem pra estoriador esse vilarejo tem competência…

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CARLOS MOREIRA-MACEIÓ/AL

28 de outubro de 2014 às 13h23

Pelo que escreveu, foi ele quem inventou A BOLINHA DO CERRA!!!

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CARLOS MOREIRA-MACEIÓ/AL

28 de outubro de 2014 às 13h10

Tá com cara de que foi ele, quem inventou a ‘BOLINHA DE PAPEL DO CERRA”.

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CARLOS MOREIRA-MACEIÓ/AL

28 de outubro de 2014 às 13h08

E eu que sou com MUITO ORGULHO, NORDESTINO, é que sou o burro e não sei votar. Esquecem de dizer que o Norte e o Sudeste foi onade a Dilma, teve a maior votação.Sou mais eu…. ou PILANTRA.

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Luís CPPrudente

28 de outubro de 2014 às 11h15

Esse desmoralizado Marco Antonio Villa provou pelo que escreveu que ele não passa de uma pena de aluguel do PSDB. Ele que se diz historiador, não agiu como historiador, agiu como um pilantra a serviço do PSDB, mais um dos sicários que o PIG gosta de mostrar.

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O Mar da Silva

28 de outubro de 2014 às 10h13

Ele poderia falar dos gestores tucanos e suas realizações, mas na ausência deles e delas resta falar de quem fez por onde e se tornou referência na política internacional.

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flavio jose

27 de outubro de 2014 às 16h37

I D I O T A, ESTUPIDO. medíocre. kkkkkkkkkkkkkkk

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Álvares de Souza

27 de outubro de 2014 às 13h58

Agora, fosse eu empregador desses caras e eles estariam todos demitidos, porque vá ser incompetente assim na casa do car……….

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Mário SF Alves

27 de outubro de 2014 às 13h57

Pena paga e sopa de letrinhas. Mais um.

Epa, mas esse não é aquele ESTORIADOR que prepotentemente se atribui o poder de desconstruir, cara a cara, a história de quem participou da história?

Villanescamente… mais um oráculo do PiG a errar de novo.

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ricardo silveira

27 de outubro de 2014 às 12h53

Esse rapaz assiste muito a Globo. Parece que gosta muito da Globo, mas se quiser parar de falar bobagem tem que voltar para o Brasil. Com a liderança de Lula milhões saíram da miséria, o país hoje tem mercado interno forte, é respeitado no exterior como nunca foi. Esses tucanos vivem num mundo fictício e querem fazer todos acreditarem que o mundo deles é real. Mas não tenho dó deles não.

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Luís Antônio Mariano

27 de outubro de 2014 às 10h21

Uma pena esse sujeito ter o mesmo sobrenome do PANCHO.

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Gerson Carneiro

27 de outubro de 2014 às 05h59

Toda eleição é a mesma ladainha desse ESTORINHAdor.

Olha ele aqui em 2010 no”Entre Caspas” com a mesma conversinha, prevendo a derrota do Haddad e o fim do Lula.

https://www.youtube.com/watch?v=as9HZ5hWIqE

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Jacó do B

27 de outubro de 2014 às 01h45

Alguém poderia postar uma foto do FHC, pelo menos a um metro de distância de um Afrodescendente? Difícil, não?

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Jacó do B

27 de outubro de 2014 às 01h42

Não seria “estoriador” ou humorista?

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MINDUIN

27 de outubro de 2014 às 01h32

ESTORIADOR OU EX-TORIADOR ?????????

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Jacó do B

27 de outubro de 2014 às 01h17

Apenas, KKKKKKKKKKKK!

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roberto

27 de outubro de 2014 às 00h52

É nisso que dá, deixarem qualquer carinha virar analista.
Esse sujeito sabe bem pouquinho de quase nada.

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Edgar Rocha

27 de outubro de 2014 às 00h11

Historiador não é futurólogo. Ainda bem. A História neste país se compõe de meias verdades legitimadas por autoridades no assunto, estas sim, eleitas e corroboradas como oráculos pelos que detiverem o poder para construir e fixar suas versões dos fatos. Não há poste mais inútil na sociedade brasileira do que a figura do intelectual “eleito” para forjar as verdade. São postes de escuridão. Uma luz negra que permite ver apenas os contornos mais convenientes àqueles que os sustentam. Infelizmente nossa história sempre foi escrita assim. E nossa historiografia se ocupa unicamente de desenvolver argumentos para justificar sua deslealdade intelectual. Não dá pra confiar em acadêmico neste país. A solução é manter o espírito crítico. Longe de expressar a verdade, o texto acima expõe uma vontade. Nada mais.

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    Mário SF Alves

    27 de outubro de 2014 às 14h00

    “Não há poste mais inútil na sociedade brasileira do que a figura do intelectual “eleito” para forjar as verdade.”

    _______________________________

    É isso. Sem mais delongas.

Luís Carlos

27 de outubro de 2014 às 00h01

Sobrevive graças ao Millenium, pois não tem credibilidade.

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Carlos N Mendes

26 de outubro de 2014 às 23h59

Marco Antonio Villa é fortíssimo candidato ao lixo da história. Vou abandonar a sutileza porque a ele só cabe a devida definição – babaca.

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marco

26 de outubro de 2014 às 23h50

O que é mais notório nesse senhor,não são as idéias.Cada um tem as suas,pois não?O que é mais notório nesse senhor,é a CONCAVIDADE DE SUAS MÃOS,posto estarem ha tantos anos agarradas nos testículos de algum rico,que quando soltarem-se,as mãos,vão encontrar tarefas menos ortodoxas,em alguma leitaria,trabalhando como ORDENHADEIRA NÃO MECÂNICA!

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    Mário SF Alves

    27 de outubro de 2014 às 14h02

    Genial.

Pedro

26 de outubro de 2014 às 23h41

Agora não tenho dúvidas de quão inteligente esse Villa poderia ser.

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francisco pereira neto

26 de outubro de 2014 às 23h31

Parafraseando Caetano Veloso numa das suas fases mais lúcidas – depois disso virou um cidadão comum, inerte:
“Como você é burro”… Villa.

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Paulo ETV

26 de outubro de 2014 às 23h30

se é verdade que quem cursa História é historiador então ….acho que a Histório é pura ficção!

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FrancoAtirador

26 de outubro de 2014 às 23h29

.
.
MEMBRO ASSOCIADO DA A.B.A.*

O Estoriador Villão faz companhia

ao Guru Indiano, à Cláudia Lisboa,

à Bárbara Abramo e à Mãe Diná…
.
.
*A.B.A. = Açoçiassão BraZileira de Aztrólogos
.
.

Responder

Pafúncio Brasileiro

26 de outubro de 2014 às 23h19

Este Villa é um caos em prognósticos políticos, e mesmo assim não perde a empáfia. Já foi ridicularizado como historiador, sendo chamado de romancista de fatos históricos, tal a sua mania de manipular e interpretar fatos históricos pelos lados enviezados. Falando e escrevendo tantas besteiras e estando presente em canais de mídia, não sei como ele consegue fazer isso e compatibilizar com as suas atividades acadêmicas. O dia, para ele deve ter mais do que 36 horas. Será que ele cumpre as horas de dedicação na universidade Federal de São Carlos ?

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Giordano

26 de outubro de 2014 às 23h19

Que mico, mano. Dilma de novo! Lula em 2018 …

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Luiz

26 de outubro de 2014 às 23h17

Villa é impagável. Consegue estar errado em todas as suas análises. É um “case” de insucesso.

A única coisa com que tenho de concordar é quando diz que o PT não sobreviveria sem o aparelho do Estado. Não com a mesma força, certamente.

A não ser que resgate suas bandeiras e bases sociais, que passe a fazer escolhas e pare de contemporizar, que ponha em prática e honre o voto que recebeu – em grande parte, contra a direita.

Ou o PT vai (ou retorna) à esquerda, ou perderá em 2018. E, se perder, ficará longas décadas fora do poder federal, pois deixará de representar a esperança da transformação progressista como o fez nos 90, não terá o poder de comunicação e chegada da máquina e seguirá todos os meios demonizando-o.

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    Luiz

    26 de outubro de 2014 às 23h26

    Esqueci de incluir…

    Um partido, que promoveu os avanços e mudanças que promoveu, que gerou tantos e tamanhos benefícios para toda uma ter tamanha dificuldades tem um processo reeleição… algo está mal (a começar pela covardia no combate ao monopólio de comunicações).

    Ou o PT assume posição e compra essa briga, ou deixará de ter razão de ser. O que seria uma pena.

    Mário SF Alves

    27 de outubro de 2014 às 14h18

    Esse arremedo de direita que temos no Brasil, ao contratar inescrupulosos como esse Villa, entre tantos outros sopas de letrinhas, cuja função é nada mais que semear mentiras e ódio acabou por escancarar a porta através da qual o PT pode ir para a esquerda. E isso é bom.

    Após essas eleições nada será como antes.

    A partir de agora a direita vai ser obrigada a mostrar sua verdadeira cara. Fazer discurso conciliatório para aplacar o ódio semeado.

    Semearam os ventos da mentira e colheram a tempestadade da verdade.

    Acabou o tempo da dissimulação. É hora de upgrade na cara. Haja Pitanguis! Acabou o tempo da cara de pau.

    Essas eleições jogaram a direita brasileira num divisor de águas: ou se assume como tal ou vai empurrar mais e mais o PT para a esquerda.

Vanessa Lampert

26 de outubro de 2014 às 23h11

Isso não é um historiador, isso é um revisionista. Daqueles que dizem que o holocausto nunca aconteceu e que a inquisição foi uma lenda urbana. Lamentável. Mas é a cara da Globo, que trabalha pelo revisionismo histórico desde sempre.

Responder

Marat

26 de outubro de 2014 às 23h03

Pobre Villa. Não é à toa que sofre de uma doença crônica: Falta de credibildiade, muito comum em direitistas que adoram holofotes!

Responder

Fabio Passos

26 de outubro de 2014 às 22h57

Os historiadores vão rir bastante deste direitista… um pouco equivocado.

Já nós podemos nos divertir agora.
Toma, papudo!

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