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O artigo que colocou o Exército em pé de guerra com a família Marinho
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Política

O artigo que colocou o Exército em pé de guerra com a família Marinho


19/01/2021 - 08h39

Incumbiu-me o Senhor Comandante do Exército Brasileiro de expressar indignação e o mais veemente repúdio ao texto de autoria de Luiz Fernando Vianna, publicado nesse veículo de imprensa em 17 de janeiro de 2021. A argumentação apresentada pelo articulista revela ignorância histórica e irresponsabilidade, não compatíveis com o exercício da atividade jornalística. Atribuir a morte de brasileiros a uma Instituição de Estado, cuja história se confunde com a da própria Nação, nas lutas pela manutenção de sua integridade, caracteriza comportamento leviano e possivelmente criminoso

Afirmações dessa natureza, motivadas por sentimento de ódio e pelo desprezo pelos fatos, além de temerárias, atentam contra a própria liberdade de imprensa, um dos esteios da democracia, pela qual o Exército combateu nos campos de batalha da II Guerra Mundial e por cuja preservação tem se notabilizado em missões de paz em todos os continentes

Por fim, o Exército Brasileiro exige imediata e explícita retratação dessa publicação, de modo a que a Revista Época afaste qualquer desconfiança de cumplicidade com a conduta repugnante do autor e de haver-se transformado em mero panfleto tendencioso e inconsequente.

 General de Divisão Richard Fernandez Nunes, Chefe do Centro de Comunicação Social do Exército

Na pandemia, Exército volta a matar brasileiros

Da revista Época, por Luiz Fernando Vianna

Em vários momentos da nossa história, o Exército brasileiro se pôs a matar a população em grande quantidade.

Na Revolta de Canudos, por exemplo, destruiu um povoado de 25 mil habitantes, na Bahia, em 1897.

Nem as crianças foram poupadas.

A Comissão Nacional da Verdade, que atuou entre 2012 e 2014, apontou 434 mortos e desaparecidos pelo Estado brasileiro entre 1946 e 1988. A maior parte dos crimes aconteceu durante o regime militar (1964-1985), quando as Forças Armadas se uniram às polícias para torturar e assassinar.

Com a redemocratização, o Exército se adequou ao seu papel constitucional. Nos últimos anos, começaram a acontecer coisas antes impensáveis, como um general, Eduardo Villas Bôas, pressionar o Supremo Tribunal Federal para que não se tomasse uma decisão em favor do ex-presidente Lula.

No governo de Jair Bolsonaro, o Exército voltou a se lambuzar de política. Oficiais da ativa e da reserva ocupam postos-chave, participam de manifestações antidemocráticas e, assim, emitem sinais de que as Forças Armadas endossam o que presidente diz e faz.

No momento, o Exército participa de um massacre.

Um general, Eduardo Pazuello, aceitou ser ministro da Saúde mesmo, como admitiu, sem saber o que é o SUS (Sistema Unificado de Saúde).

Suas credenciais eram as de um craque da logística.

Ele pode ser bom em distribuir fardas e coturnos, mas, como estamos vendo, não sabe salvar vidas.

Demorou a comprar seringas e agulhas, e ainda mandou um lote vir de navio, porque é mais barato.

Só agora, e quase à revelia dele, cidadãos daqui começam a ser vacinados, embora mais de 35 milhões já tenham sido ao redor do planeta.

O Brasil passou dos 209 mil mortos, e Pazuello continua defendendo o uso de remédios que não servem para combater os efeitos do coronavírus

Não se trata de um caso isolado, de um incompetente que está fazendo trapalhadas. Bolsonaro o nomeou para que ele as fizesse.

O lambe-botas do presidente soube com dias de antecedência que os hospitais de Manaus entrariam em colapso por falta de oxigênio para os pacientes.

Nada fez, a não ser prescrever a inútil cloroquina.

A tragédia do Amazonas reforça o que não é novidade, mas ainda assim é terrível: temos um governo que atua para que um número cada vez maior de brasileiros morra.

Não é acidente, é projeto. Em cada mil brasileiros, um já morreu de Covid-19.

Os generais de Brasília (Mourão, Augusto Heleno, Braga Netto, Azevedo e Silva) pouco fazem além de inscrever seus nomes na história como operadores de um morticínio – não se pode usar a palavra genocídio porque algumas damas da intelectualidade ruborizam.

O Exército ainda está sendo cúmplice da, quem diria, venezuelização do Brasil.

Em vez das milícias boliviarianas de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, estão em formação as milícias bolsonaristas: facilitação da compra de armas por civis, aumento de poder e de vencimento para policiais, mobilização de apoiadores contra o Legislativo e o Judiciário para que estes se submetam ao Executivo.

Enquanto tentamos sobreviver na pandemia, temos um governo que joga contra nós e é integrado por oficiais que envergonham as fardas que vestem ou vestiam.





23 comentários

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Zé Maria

21 de janeiro de 2021 às 18h33

“Morreu ontem (20), no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA),
o General Geraldo Miotto, ex-comandante do Comando Militar do Sul,
em decorrência da COVID-19” [G1.Globo]

O Comando Militar do Sul (CMS) informou que,
devido à necessidade de maiores cuidados,
Miotto deu entrada no Hospital Militar de Área
de Porto Alegre e foi encaminhado ao Hospital
de Aeronáutica de Canoas três dias depois,
para melhor suporte no acompanhamento
do quadro clínico. Depois, foi transferido para
o HCPA, hospital referência para o tratamento
da Covid-19 no estado do Rio Grande do Sul.

“E daí ?!?”

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André Hinnah

21 de janeiro de 2021 às 11h04

Nossas forças armadas não tem, nem nunca tiveram, projeto de nação. São guardas pretorianos modernos, sendo que o “imperador”, no caso, é essa “elite” financeira podre que só faz explorar o Brasil desde o seu descobrimento. Agem apenas como cães de guarda, e se comprazem do triste destino que o nosso povo tem. Melhor seria se fossem extintas.

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marcio gaúcho

20 de janeiro de 2021 às 13h53

Toda essa desgraça que se abate sobre o povo brasileiro tem uma origem: a maçonaria. Praga milenar, que como o coronavírus, deve ser eliminada da face da Terra.

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Fernando Nunes dos Santos

20 de janeiro de 2021 às 06h34

O nota do general é uma VERGONHA….

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Luis Carlos Kerber

19 de janeiro de 2021 às 21h09

O Exército brasileiro há muito tempo está traindo o povo brasileiro. O comando do Exército brasileiro optou em transformar o Estado brasileiro numa república de banana, para isto não tem vergonha nenhuma em apoiar um genocida, em permitir a desindustrialização do Brasil e a entrega de riquezas naturais do Brasil para estrangeiros. O Exército brasileiro passou a ser defensor armado dos interesses estrangeiros sobre o Brasil.

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João Carlos Pijnappel

19 de janeiro de 2021 às 18h42

Já passou da hora do Brasil deixar de ter Forças Armadas e mandar para casa esses vagabundos truculentos e inúteis que só oneram o erário. O Exército brasileiro, de vergonhosa história, em sua repulsiva existência não fez mais do que colecionar atrocidades, dos massacres de crianças comandados pelo Duque de Caxias na Guerra do Paraguai às torturas e assassinatos da Ditadura. E agora com esse genocídio tácito da população brasileira orquestrado por um psicopata retardado que é o seu comandante-em-chefe. Que deixe logo de existir, já que nem em caso de guerra nos valeria de nada mesmo. Tudo o que precisamos é de uma polícia de fronteiras e uma guarda costeira.

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João Ferreira Bastos

19 de janeiro de 2021 às 15h03

Todo o alto e médio escalão das FFAA é composto na totalidade de TRAIDORES DA PÁTRIA

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    enganado

    19 de janeiro de 2021 às 23h58

    Estou careca de escrever que são TODOS SEM EXCEÇÃO, APÁTRIDAS, ficam ofendidos com o PATRIOTISMO do PT. Para confirmar esse ANTI-PATRIOTISMO , somos um País sem SOBERANIA / sem MORAL / sem DIGNIDADE / sem BRIO / sem . . . . . . .etc, vivemos ao sabor do humor dos banqueiros=direita=empresários=industriais= . . . . . . .

abelardo

19 de janeiro de 2021 às 14h52

Indignação e repúdio é vermos que a matéria, totalmente baseada em fatos históricos e disponíveis em várias mídias nacionais e internacionais, não mereceu a mínima atenção do exército. Sendo uma das instituições das Forças Armadas Brasileira, o exército em vez de se auto avaliar, para corrigir os diversos de avaliação, de informação, de interpretação e de posicionamento prefere usar sua já ultrapassada tática de gritar, bater na mesa e imaginar que agindo assim conseguirá passar borracha na monumental estampa manchada que denigre e diminui cada vez as FFAA.

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Charles Georges

19 de janeiro de 2021 às 14h24

A Época (globo) começa a perceber que ajudou a criar uma cascavel, retratada na quadrilha ora ocupando o planalto, no momento que divulgou, por meses, com estardalhaço, as mentiras contra Lula e o PT…

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Zé Maria

19 de janeiro de 2021 às 13h46

O vosso tanque, general, é um carro forte,
Derruba uma floresta, esmaga cem Homens,
Mas tem um defeito: – Precisa de um motorista.

O vosso bombardeiro, general, é poderoso,
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante,
Mas tem um defeito: – Precisa de um piloto.

O homem, meu general, é muito útil,
Sabe voar e sabe matar,
Mas tem um defeito: – Sabe pensar.

Bertholt Brecht !
Presente !

https://www.recantodasletras.com.br/poesias-patrioticas/3259681

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Silvio Chichorro

19 de janeiro de 2021 às 13h01

Mais pura verdade, exército se manchou ainda mais ao apoiar as loucuras de Bolsonaro

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Zé Maria

19 de janeiro de 2021 às 12h51

TIRANDO O CAPUZ

“Do Cenário da Tortura ao Palco da Loucura”

https://books.google.com.br/books?id=_6NHAAAAYAAJ&q=Do+Cen%C3%A1rio+da+Tortura+ao+Palco+da+Loucura

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Zé Maria

19 de janeiro de 2021 às 12h23

O Jornalista Luiz Fernando Vianna que se cuide para não ser sequestrado,
jogado no fundo de um carro, encapuzado, e levado ao quartel do
1º Batalhão da Polícia do Exército, que abrigou na Tijuca, no Rio de Janeiro,
o Destacamento de Operações de Informações-Coordenação de Defesa Interna
(DOI-Codi), um dos mais famigerados Centros de Tortura da Ditadura Militar;
tal como ocorreu com o jornalista Álvaro Caldas e com [email protected] [email protected] [email protected]
que ousaram combater o Regime de Terror implantado no País de 1964 a 1985.
Está tudo documentado.

http://www.memorialdaresistenciasp.org.br/memorial/default.aspx?c=entrevistados&identrevistado=141&identrevista=82&mn=56

https://blogs.oglobo.globo.com/ancelmo/post/o-povo-contra-as-torturas-na-policia-do-exercito-507720.html

https://www.ultrajano.com.br/author/alvaro/

https://www.ultrajano.com.br/tortura-mentiras-sadismo-e-mistificacoes/

https://www.ultrajano.com.br/um-ano-de-instabilidade-num-pais-conflagrado/

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Ilsa valois

19 de janeiro de 2021 às 11h26

Não tem que haver retratação. Tudo que foi dito nada mais é que a verdade nua e crua. Talvez devêssemos dizer que nem todos os oficiais da ativa estão de acordo com o massacre que acontece principalmente no Amazonas onde pessoas estão morrendo asfixiadas. Se o exército se incomodou deveria retirar o apoio e os seus generais deviam voltar aos quartéis. Precisamos deles lá e não obedecendo a um louco incompetente e mau.

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Jose Paulo Porsani

19 de janeiro de 2021 às 10h36

Por estarem no Governo Bolsonaro, estão mais interessados na boquinha, não defendem a soberania nacional e as riquezas do nosso país, acham que somos quintal dos EUA, igualzinho ao Bolsonaro. Agora, também, estão mostrando que são incompetentes.

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baader

19 de janeiro de 2021 às 10h31

golpe no golpe, se não for com as FFAA será com a ralé das PMs

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NELSON JOSE DOS SANTOS

19 de janeiro de 2021 às 10h18

Não é somente esses atos desse Generais que comprovam essa tese que envergonha o povo brasileiro a entrega das riquezas nacionais a multinacionais Americanas e europeias a entrega da Embraer A entrega que querem fazer do Banco do Brasil e da Caixa Econômica a desindustrialização do Brasil tudo isso que foi parte dela construída no governo militar quando se tinha nacionalismo nas suas Armadas mesmo questionando a forma como foi conduzida a ditadura militar mas naquele momento a disputa entre os nacionalistas e os entrevistas os nacionalistas ganharam Hoje os entrevistas mandam nas Forças Armadas do Brasil destruíram o projeto da Autonomia militar que estava em andamento desde o governo Lula e hoje dependemos única exclusivamente dos Estados Unidos

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Ana

19 de janeiro de 2021 às 10h15

Só vi verdades. Não acho que teria que haver retratação.

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    Ilsa valois

    19 de janeiro de 2021 às 11h16

    Nada tenho a contrapor. O que vivemos no Brasil representa descomando incompetência e maldade. A instituição do exército na pessoa dos generais que estão no governo tem responsabilidade pelas mortes de brasileiros e principalmente dos amazonenses que, não morreram pelo COVID-19. Morreram asfixiados.
    Não vejo necessidade de retratação porque quem apoia esse louco do presidente é tão perverso quanto ele. Talvez devêssemos dizer que nem todos os oficiais da ativa convordam com o massacre que está acontecendo.
    Além disso do ponto de vista histórico o que foi dito também é a absoluta verdade. Os de mais de 70 anos como eu, sabem muito bem. É o momento sim do exército retirar o apoio e seus generais voltarem aos quartéis para. não serem cúmplices da matança.

tulio

19 de janeiro de 2021 às 09h53

Além de Canudos e do Genocídio da Pandemia, teve Exército matanto brasileiros no Caldeirão (CE), Contestado (SC), Getúlio x SP, no Araguaia, e em toda a Ditadura.
O autor até que pegou leve….

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Altair de Oliveira Filho

19 de janeiro de 2021 às 09h16

O Exército, é sim, cúmplice do morticínio; é cúmplice de todo o caos econômico e social…bando de incompetentes!

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alcides carpinteiro

19 de janeiro de 2021 às 08h57

Só li verdades. O EB é bom. O que mata são os militares.

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