Nelice Pompeu: As futuras gerações vão cobrar de que lado estávamos quando a democracia foi ameaçada. VÍDEO
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Por Nelice Pompeu*
Há datas que não passam. Elas ficam. Insistem. Retornam como pergunta e como reflexão e ação!
O 8 de janeiro de 2023 é uma dessas datas. Não apenas pelo que foi destruído naquele dia, mas pelo que quase se perdeu: o pacto mínimo que sustenta uma nação democrática e siberana.
Três anos se passaram, mas o tempo não diluiu o significado daquele domingo.
O que se viu não foi um surto isolado nem um acidente da história. Foi o resultado de um processo longo, alimentado por uma polarização política transformada em plataforma de ódio, capaz de dividir o país, separar famílias, romper amizades e corroer a convivência democrática. A violência daquele dia foi apenas a face mais visível de algo que vinha sendo cultivado havia anos.
Lula havia vencido as eleições de forma legítima. O seu governo nem tinha oito dias, quando a democracia foi atacada.
A invasão aos prédios dos Três Poderes foi uma tentativa explícita de rasgar o voto popular e impor, pela força, aquilo que não se conquistou nas urnas. Se tivessem sido bem-sucedidos, não estaríamos hoje debatendo memória, justiça e futuro, mas tentando sobreviver às sombras de mais um regime autoritário.
Nada daquilo foi espontâneo. Houve método, financiamento, redes de desinformação e lideranças que apostaram no caos como estratégia política. Houve também omissão e cumplicidade. E houve resistência.
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É preciso registrar que, naquele 8 de janeiro, a atuação firme de Janja foi fundamental para frear setores militares e impedir a decretação de uma GLO que poderia ter empurrado o país para um abismo institucional ainda maior. A democracia, muitas vezes, é salva em decisões silenciosas, tomadas quando o risco é máximo.
Não adianta romantizar nem relativizar o que aconteceu. Não adianta discutir história ou explicar geopolítica para quem presta continência para pneu, coloca celular na cabeça pedindo ajuda para ETs, corta chinelo porque uma marca virou “comunista” ou pede que os Estados Unidos bombardeiem o próprio país. Isso não é falta de informação. É falta de noção. E não tem cura. Tem limite. Esse limite se chama democracia, lei e responsabilidade.
Os ataques não começaram nem terminaram no 8 de janeiro. Vieram antes, com ameaças constantes ao sistema eleitoral, com bandeiras estrangeiras erguidas em datas cívicas nacionais, com filhos de um ex-presidente rifando o país no exterior, com bolsonaristas pedindo intervenção estrangeira contra o próprio Brasil. E continuaram depois, na tentativa de apagar crimes, reescrever a história e normalizar o inaceitável.
É nesse contexto que surge o Projeto de Lei da chamada Dosimetria, alvo de ato político nesta quinta-feira, dia 8, quando se completam três anos da invasão aos prédios dos Três Poderes.
Não se trata de um debate técnico neutro. Trata-se de uma tentativa política de reduzir penas, aliviar responsabilidades e abrir caminho para o esquecimento. Por isso, é preciso dizer com todas as letras: SEM ANISTIA.
Crimes contra a democracia não podem ser tratados como deslizes. São feridas profundas na história do país.
As investigações da Polícia Federal deixaram claro que o delírio foi além do vandalismo. Houve planos de sequestro, monitoramento do presidente Lula e do ministro Alexandre de Moraes, articulações que ligam diretamente os atos golpistas a uma organização criminosa com objetivos claros de ruptura institucional. Não foi bagunça. Foi tentativa de golpe.
Em vídeo divulgado neste 8 de janeiro de 2025 (assista-o no topo), Lula foi enfático: que a sociedade não se esqueça nunca. Não por vingança, mas por maturidade histórica.
Democracias não caem de uma vez. Elas se enfraquecem quando o ódio vira método, quando a mentira vira estratégia e quando a educação é atacada. Defender a educação é defender a democracia, porque é ela que forma consciência crítica, compromisso coletivo e capacidade de reconhecer limites.
O que está em disputa não é apenas o passado. É o futuro. As eleições de 2026 serão decisivas. Reeleger Lula e fortalecer uma bancada progressista comprometida com os interesses do povo não é uma escolha ideológica menor, é um ato de defesa da democracia, da soberania nacional e da possibilidade de um Brasil menos desigual e menos violento consigo mesmo.
No fim, a história não é escrita apenas pelos grandes eventos, mas pelas escolhas que fazemos diante deles.
Meus netos, as futuras gerações, vão nos cobrar. Vão perguntar de que lado estivemos quando a democracia foi ameaçada. Defender a democracia é defender o futuro. E o futuro não perdoa a omissão.
*Nelice Pompeu é professora, promotora legal popular e integrante do Movimento Escolas em Luta
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo




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