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Política

Nassif diz que fábrica de dossiês de Serra continuará ativa


17/12/2013 - 21h23

Encolheu com o dedo de FHC, Serra e companhia

por Luis Nassif, em seu blog

Anunciar publicamente a desistência de disputar a candidatura do PSDB à presidência não foi ato de solidariedade partidária de José Serra, mas apenas o reconhecimento de que perdeu a batalha.

Nos últimos meses não lograva mais criar fatos, nem factoides. Convidou-se para um evento na FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) que não repercutiu. Experimentou alguns laivos de discurso progressista, e não colou. Balbuciou alguns lances de discurso de paz, e ninguém acreditou. Na morte de Mandela, imaginou-se de novo líder intelectual de centro-esquerda que deixou de ser há muitas décadas, mas não pegou. Só manteve aplausos da ultradireita que passou a representar e que só o aceita enquanto mantiver o discurso de ódio.

É o que lhe resta. Indague de seus eleitores qual a característica que prezam em Serra e eles dirão: o ódio, na forma mais obscurantista.

Recentemente, Serra queixou-se a aliados que estava completamente abandonado em São Paulo. Apesar dos elogios protocolares que de vez em quando lhe endereça, o governador Geraldo Alckmin tirou-lhe todo o oxigênio, não lhe entregando nenhuma área do Estado para abrigar seus aliados.

Restou-lhe o Sebrae São Paulo. De tempos em tempos, uma entidade empresarial assume a gestão do Sebrae. Na vez da Associação Comercial, Guilherme Afif entregou a superintendência a Bruno Caetano, ex-Secretário de Comunicação de Serra, que aparelhou-a com dezenas de cabos eleitorais.

A fábrica de dossiês

Protocolarmente, lideranças do PSDB saudaram a grandeza de Serra, em favor da unidade, ao recomendar que Aécio Neves assumisse logo a candidatura pelo partido. Em particular, nenhum deles acredita minimamente em qualquer gesto de grandeza de Serra.

Sabem que ele não é movido a solidariedade, mas a ódio.

Os alvos do ódio variam com o tempo. Mas há alguns ódios permanentes. E Aécio Neves é um deles.

Em Aécio, há algumas características comuns a outros alvos de ódio – como Fernando Haddad, Ciro Gomes, Gabriel Chalita: jovens políticos representando uma nova geração que enterrará a de Serra para sempre. Eduardo Campos só não entrou na lista, ainda, para poder ser usado como contraponto a Aécio. Ou então políticos da sua geração que ousaram disputar espaço com ele – como José Aníbal e Paulo Renato.

Mas há razões pessoais. Uma delas é a suposta falta de apoio em Minas Gerais, nas eleições de 2010. A outra – mais concreta – é o levantamento do dossiê que resultou no livro “A Privataria Tucana”, reação dos aecistas ao artigo “Pó Para”, no Estadão, que julgaram ter sido escrito sob inspiração de Serra.

Poucos dias antes do anúncio da desistência, Serra publicou na “Folha” artigo pretendendo manter acesa a questão da cocaína. O mesmo fizeram jornalistas ligados a ele. Sua sutileza paquidérmica deixou claro que o alvo era Aécio Neves, devido ao episódio do helicóptero envolvendo seus aliados políticos.

Serra submergirá. Mas a fábrica de dossiês continuará ativa. E, por enquanto, o alvo maior não será Dilma.

PS do Viomundo: Vamos perguntar ao repórter Amaury Ribeiro Jr. se de fato ele lançou o livro Privataria Tucana como resposta ao Pó Pará Governador.

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15 comentários

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Julio Silveira

19 de dezembro de 2013 às 12h52

Essa reflexão do Nassif, em alguns momentos de leitura, me fizeram rir.
Esse Serra tem demonstrado ser realmente um figura estranha, algo malignamente sobrenatural.

Responder

Antonio

19 de dezembro de 2013 às 06h39

Pensamento do dia: os mineiros trabalham em silêncio mas um helicóptero faz muito barulho.

Qual a diferença entre Serra e Aécio?

Para mim, nenhuma. De onde virá a montanha de dinheiro que será jogada na campanha dos dois, no caso de uma chapa puro sangue?

Do Serra, do Trensalão, ou melhor, dos contribuintes.
Do Aécio, dos contribuintes e dos helicópteros carregados de branca de neve.

Na Bahia as pessoas falam que a dupla Aécio + Serra formarão uma chapa puro sangue de ratos.

Serra, um dos polítiqueiros mais nefastos que já militou na política brasileira. O homem dos dossiês, das facadas pelas costas.

Basta dizer que ele conseguiu destruir o partido que o acolheu ao longo desses últimos 20 anos, o PSDB. Aliás, diga-se de passagem, este foi o grande feito do falso economista: destruir o PSDB.

O Aécio, um playboy endinheirado, cabeça de vento, louco para fica multimilionário pois milionário ele já é. Este é o programa de governo de Aécio Neves: ele mesmo ficar MULTImilionário. E a Andrea Neves já começou a esfregar as mãos.

São Paulo e Minas, a política do café com leite: no momento atual, o café de ontem com o leite estragado de hoje. O PIG tem todos os motivos para estar desesperado.

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Carlos M.

18 de dezembro de 2013 às 14h04

O livro do Amaury é resultado de uma pesquisa de 10 ou mais anos dele sobre documentos, transações comerciais, contas em paraísos fiscais, etc. surgidos no rastro da privatização em massa ocorrida sob o governo FHC. Não entendo como o livro pode ser uma resposta a um artigo publicado em 2009 se ele começou as pesquisas dele em cartórios e juntas comerciais muitos anos antes.
Li o livro e achei bem completo, quase didático. Para este simples leitor do Viomundo, o fato dele ter trabalhado no Estado de Minas, reduto Aecista da mídia impressa mineira, não abala a credibilidade do Amaury como jornalista.

Responder

Bacellar

18 de dezembro de 2013 às 11h48

Gastadinha no Zé-do-Bem:

http://cartunssujos.wordpress.com/

;]

Responder

Roberto Ribeiro

18 de dezembro de 2013 às 09h46

Ao comprar o livro A Privataria Tucana, nunca imaginei que Amaury Ribeiro Junior o tivesse montado por encomenda de Aécio Neves como vingança contra o “Pó pará Governador” um dos textos indiretos mais diretos desferidos por um componente das “penas amentradas do Serra ‘infiltradas na Imprensa'”, contra Aécio Neves.
Se for verdade, Amaury não é um jornalista sério e passa a ser visto por mim como um sujeito sombrio metido em coisas escabrosas.
Ansioso pela resposta de Amaury ao Jornalista Luiz Carlos Azenha.

Responder

    Francisco

    18 de dezembro de 2013 às 20h40

    Jornalista é uma profissão menos “sacrificada” que advogado, mas é análoga. O advogado que ficar escolhendo entre cliente honesto e desonesto, vai ter que mydar de profissão. O jornalista que ficar escolhendo linha editorial vai ter que se tornar professor de jornalismo…

    Se o Amaury fosse de má lavra, teria:
    1) chantageado Cerra com a reportagem (no Brasil, fazer reportagem virou sinônimo de “fazer dossiê”, por ai você vê o nivel a que fomos reduzidos pela grande mídia);
    2) sentado em cima dela (como os engavetadores);
    3) não a teria concluido (cão de caça e jornalista são iguais: ou “farejam” ou morrem…)
    4) teria vendido para algum “aloprado” (em troca de dinheiro ou cargo).

    Não fez nada disso: publicou.

    Investigou e não calou: publicou. Então, é jornalista.

    De mais a mais, o livro é todo documentado. Inquestionavelmente documentado.

    Embora ter provas seja algo irrelante para meter a esquerda na Papuda, ter provas é o mais “irritante” no livro do Amaury.

    Como disse Cerra, o livro é “lixo”. Lixo, porque os fatos de que trata, fedem. com-pro-va-da-men-te…

Mariano

18 de dezembro de 2013 às 06h41

JOSÉ SERRA, 71, doutor em economia, tá escrito na apresentação do articulista.

Cadê o diploma, Serra?

Serra é doutor em dossiês fajutos, é assim que nós o reconhecemos.

Responder

heitor

17 de dezembro de 2013 às 23h30

Espalhará dossies sobre o Aecio, que dirá que foram os petistas e a Globo tornará verdade.

Responder

michel

17 de dezembro de 2013 às 22h33

pode até ser, mas se não me engano no livro diz que a ideia surgiu depois de ele levar um tiro na periferia de brasília, onde trabalhava numa reportagem.

Responder

Luís Carlos

17 de dezembro de 2013 às 22h22

Ninho tucano em frangalhos. Nau à deriva. Aécio em queda e sem credibilidade. Oposição sem rumo, apenas com crises fabricadas e ódio como combustīvel.

Responder

    Mário SF Alves

    18 de dezembro de 2013 às 00h04

    A propósito, ódio por quê?

    A política menor já não lhe foi suficientemente útil para encher as burras?

    ____________________________
    Ah, sim, ódio por ter de viver o resto dos dias com medo de que sua história pessoal de corrupção e de lesa-pátria venha à tona e se transforme em lama?
    _____________________
    É. Só se for.

FrancoAtirador

17 de dezembro de 2013 às 21h59

.
.
Do sítio da Federação Nacional dos Policiais Federais – FENAPEF [!?!?!]

O que o Brasil tem feito no combate de drogas ?

José Serra: Drogas pesadas no Brasil, inépcia e ideologia

O debate sobre o consumo de cocaína no Brasil pode e deve ser uma pauta em 2014. O que se deve rejeitar é a inércia e a multiplicação da pirotecnia na área. O que tem de ser feito não é mistério: combater o tráfico, promover campanhas educacionais e tratar os dependentes químicos. Nada disso vem sendo executado a contento.

Para os céticos sobre a gravidade do problema, conviria mencionar um estudo da União Europeia noticiado pela Folha, segundo o qual o Brasil é considerado hoje o epicentro do narcotráfico mundial.

Passou a ser “um refúgio para chefões do tráfico da América Latina, ponte principal para distribuição da droga produzida no continente para a Europa, provedor de produtos químicos para a produção de algumas delas e também agora um importante mercado consumidor. O país virou a base das novas rotas do tráfico mundial, que passa pela África para seguir à Europa e à Ásia”.

Estima-se que 2,5 milhões consomem a droga –o segundo mercado do mundo. Essas são as vítimas diretas. As indiretas são 7,5 milhões, incluindo familiares. Mencione-se a população, que paga o preço da violência urbana no cotidiano.

O crack, derivado da cocaína, ampliou a difusão da droga no mundo. Mas há uma particularidade no caso brasileiro: uma pedra de crack custa uma pechincha: R$ 2. Dezenas de vezes menos do que nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Isso porque desenvolveu-se no Brasil nos últimos 12 anos uma eficiente rede de pequenos traficantes.

Além do mais, somos vizinhos de três grandes produtores da matéria-prima: Colômbia, Peru e Bolívia. São 8.000 quilômetros de fronteiras, as mais escancaradas do mundo. Mas a Polícia Federal não tem efetivo nem equipamentos para fazer seu trabalho. Nem o governo dá prioridade ao assunto. A Bolívia é de longe o principal fornecedor. Por que não usar a ajuda econômica que o Brasil dá a esse país para induzi-lo a encolher a produção e o contrabando? Sobra propaganda, como a do avião-morcego sem tripulantes, que sumiu sem ter aparecido, para filmar o tráfico nas fronteiras…

Em parte, a inépcia explica a inação. Mas a falta de vontade tem um papel relevante. Basta lembrar que a Secretaria Nacional Antidrogas nega que haja uma epidemia de crack no Brasil e que o PT resiste à internação de dependentes químicos para desintoxicação, recusando dinheiro do SUS para essa atividade. Além disso, a política externa é leniente com os aliados do governo boliviano e das Farc colombianas, hoje grandes agentes do narcotráfico.

A luta contra a droga exige, além da assistência às vítimas, cortar a oferta e a demanda. A omissão nesse último caso tem sido surpreendente. Faltam campanhas educacionais intensas e abrangentes, a exemplo do que foi feito com o cigarro, que, diga-se, é menos letal.

A experiência das medidas e campanhas antitabagistas no Brasil, iniciadas no governo FHC e consagradas internacionalmente, derrubaram à metade a proporção de fumantes do país, mas não serviu de inspiração aos governos petistas.

É preciso evidenciar, especialmente aos jovens e suas famílias, a natureza terrível da dependência química. Mais claramente: é preciso estigmatizar não o consumidor, mas o consumo do crack. De forma inteligente, intensa, prolongada, convicta e não envergonhada.

JOSÉ SERRA, 71, doutor em economia, foi ministro do Planejamento e da Saúde (governo FHC), prefeito de São Paulo (2005-2006) e governador de São Paulo (2007-2010) [Que é do PSDB de São Paulo todo mundo sabe, né, nem precisa dizer…]

(http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2013/12/1385427-jose-serra-drogas-pesadas-no-brasil-inepcia-e-ideologia.shtml)
(http://www.fenapef.org.br/fenapef/noticia/index/43852)
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Responder

    Mário SF Alves

    18 de dezembro de 2013 às 00h19

    “A experiência das medidas e campanhas antitabagistas no Brasil, iniciadas no governo FHC e consagradas internacionalmente, derrubaram à metade a proporção de fumantes do país, mas não serviu de inspiração aos governos petistas.”

    ____________________________________
    Isso é um chute, um descalabro, ou o [en]Cerra tá coberto de razão?
    _______________________________________________
    E voltando à vaca fria. Sim, “…derrubaram à metade a proporção de fumantes do país,…” Pode ser. Mas, por que não completar o raciocínio e dizer, “criou um gueto que derruba moralmente a outra metade?” Coisas do PSDB. Competeeeeeente que só ele.
    _________________________________________________
    Bom, até onde sei a campanha do FHC, assim como foi a do Gabeira, é pela descriminalização do uso da Cannabis sativa L.


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