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MST pede emergência para 90 mil famílias em extrema pobreza
Política

MST pede emergência para 90 mil famílias em extrema pobreza


05/02/2013 - 10h56

Foto Joka Madruga/MST

CARTA DA DIREÇÃO NACIONAL DO MST À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF

Arapongas/Paraná, 4 de fevereiro de 2013

Excelentíssima presidenta Dilma Rousseff,

A sua visita ao assentamento Dorcelina Folador, no município de Arapongas, na região de Londrina (PR), para a inauguração da agroindústria da Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária União Camponesa (Copran), é um reconhecimento da necessidade, importância e potencial da Reforma Agrária.

Os trabalhadores rurais estão fazendo muito pelo nosso país e podem fazer muito mais. Estamos muito longe do nosso potencial, que demanda uma ação forte, ampla e eficiente do Estado.

Em primeiro lugar, o governo precisa retomar a política de criação de assentamentos e fazer a Reforma Agrária. Muito pouco tem sido feito para democratizar a terra.

Em segundo lugar, os programas do governo para as famílias assentadas são conquistas importantes, no entanto, são muito burocráticos, não têm recursos suficientes tanto para cumprir seus fins como para a universalização.

Abaixo, apresentamos alguns pontos fundamentais para desenvolver o meio rural e combater a pobreza, fazendo a Reforma Agrária, agregando valor à produção dos assentados e gerando renda para melhorar a qualidade de vida do trabalhador rural.

1 — Um programa emergencial para assentar todas as famílias que vivem acampadas, em situação de extrema pobreza, com a desapropriação imediata de latifúndios em todo o país. Só o nosso movimento organiza 90 mil famílias acampadas.

2 — Garantir assistência técnica pública, programas de pesquisa e tecnologia para agropecuária. Precisamos de uma empresa estatal de máquinas para a agricultura camponesa.

3 — Política de crédito específica para as famílias assentadas, associada à produção agrícola diversificada e em bases agroecológicas e sem agrotóxicos e transgênicos, para promover uma agricultura sustentável. O Pronaf não atende as necessidades dos trabalhadores assentados.

4 — Desenvolver políticas públicas para a cooperação agrícola, como mutirões, formas tradicionais de organização comunitária, associações e cooperativas, para aumentar a escala da produção.

5 — Garantir a implementação de agroindústrias na forma cooperativa, sob controle dos agricultores e dos trabalhadores, para beneficiar os alimentos, agregar valor à produção e gerar renda, garantindo a oportunidades de trabalho para a juventude no meio rural.

6 — Universalizar as políticas públicas de compra da produção de alimentos, de qualidade e saudáveis para atender a demanda dos municípios próximos dos assentamentos e as compras governamentais, para escolas e hospitais, fortalecendo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e os programas PNAE e PAA.

7 — Universalizar o acesso à educação escolar de qualidade em todos os níveis, da creche à universidade e ensino técnico, com a construção e manutenção de escolas públicas e gratuitas, para aumentar o nível educacional dos assentados. Promover mutirão para erradicar o analfabetismo da população adulta.

8 — Garantir a implementação do programa Minha Casa Minha Vida Rural, conforme sua determinação em abril de 2001 e até hoje não normatizada, para viabilizar a construção de moradias adequadas à cultura do meio rural.

9 — Assentar as famílias sem-terra nos perímetros irrigados na região Nordeste, que serão beneficiadas com terra e acesso a água. Garantir abastecimento permanente de água potável nas comunidades rurais.

10 — Fortalecer e universalizar o programa nacional para o desenvolvimento de técnicas de produção com base na agroecologia. Implementar um amplo programa de reflorestamento, para todas as áreas de Reforma Agrária, sob coordenação das mulheres, para recuperar as áreas degradadas e fontes de água destruídas pelo latifúndio.

DIREÇÃO NACIONAL DO MST

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9 comentários

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Regina Cabral: Latifúndio, peça de exploração ideológica? « Viomundo – O que você não vê na mídia

06 de fevereiro de 2013 às 10h28

[…] MST pede a Dilma emergência para 90 mil famílias em extrema pobreza […]

Responder

Moacir Moreira

06 de fevereiro de 2013 às 09h39

A festa do fim do mundo não para nunca!

Responder

Mardones

06 de fevereiro de 2013 às 08h27

É isso aí companheiros do MST. Espero que essas 90 mil famílias tenham seus membros maiores de 18 anos com títulos eleitorais e tenham eleito representantes a altura.

Além de escrever à presidenta é desejável também escrever aos senadores e deputados federais que apoiam o MST.

Responder

luiz pinheiro

06 de fevereiro de 2013 às 00h56

A presidenta Dilma inaugurou hoje, em Arapongas (PR), uma moderna fábrica de laticínios de uma cooperativa de assentados da reforma agrária, associados ao MST. Não vi notícia alguma a respeito na imprensa escrita nem na TV. A bem da verdade, nem na Agência Brasil eu encontrei. Tinha matéria até sobre a máscara de barbosão para o carnaval, mas sobre a fábrica não tinha. Isso me pareceu espantoso. Bom, pelo menos na primeira página da Agência Brasil não tem, e foi uma atividade da presidenta Dilma. O Viomundo dá o manifesto do MST, que é sem dúvida um fato jornalístico. Mas ninguém noticia a inauguração da fábrica da cooperativa de assentados. Eu assisti ao vi na TV NBR, ouvi a Dilma dizer que as pessoas da faixa da pobreza extrema cadastradas pelo governo já estão praticamente todas atendidas, mas ainda tem muitos não cadastrados, . Aí ela pediu ao MST uma lista dos sem terra acampadaos para cadastrá-los e incluí-los no Bolsa Família e outros programas públicos. A nova fábrica de Arapongas teve crédito do governo federal e será decisiva para elevar a renda dos assentados e suas condições de vida. Segundo a presidenta Dilma, a fábrica é um extraordinário exemplo, para todo o país, do potencial produtivo dos assentamentos da refeorma agrária. Além disso a presidenta lançou o programa Terra Forte, que terá recursos de R$ 600 milhões para incentivar a industrialização de assentamentos rurais.

Responder

FrancoAtirador

06 de fevereiro de 2013 às 00h47

.
.
Vivi e vivo para ver o dia em que no Brasil

não haverá mais criança alguma desnutrida.

E só a reforma agrária realizará esse dia.
.
.

Responder

João Vargas

05 de fevereiro de 2013 às 14h23

Assino embaixo. O Brasil possui uma dívida histórica com os camponeses.Os assentamentos quando feitos com seriedade e com o devido apoio técnico trazem grandes retornos para a sociedade, além de serem uma grande ferramenta para a erradicação da pobreza no campo.

Responder

Evandro

05 de fevereiro de 2013 às 13h31

Achei que o Lula havia erradicado essa condição (extrema pobreza) do Brasil, em 2009. E triste saber que fui enganado.
Companheiros do MST: invadam o Instituto Lula, para pressionar Dilma a dar o que é devido ao povo!

Responder

    Paulo

    05 de fevereiro de 2013 às 21h45

    Lula tirou 40 milhões da pobreza extrema.
    Porém tem mais 20 milhões ainda.

Vlad

05 de fevereiro de 2013 às 13h09

“Nós estamos surpresos com esses dois anos do governo do Paraná. O Paraná tem adotado uma política transparente e cidadã em relação a questão de terra e reforma agrária. Estamos satisfeitos porque percebemos que o governo do Paraná tem tido um relacionamento cidadão”. João Pedro Stedile, do MST

Conclusão: agora f…
Chama o pedófilo pra cuidar da creche, o piromaníaco pra tomar conta do paiol de pólvora e a raposa pra cuidar do galinheiro.
Fica a curiosidade: é movido a quê o traíra? dinheiro ou vaidade?

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