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Diário da Resistência


Mourão à espreita enquanto Bolsonaro enfrenta tsunamis
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Política

Mourão à espreita enquanto Bolsonaro enfrenta tsunamis


20/05/2019 - 11h16

Bolsonaro no centro de tsunamis e Mourão à espreita

Jeferson Miola, em seu blog

No dia 10 de maio, dispondo de informações privilegiadas, Bolsonaro prenunciou: “Talvez tenha um tsunami na semana que vem. Mas a gente vence esse obstáculo aí, com toda a certeza, porque somos humanos”.

Ficou implícito que o tsunami estava relacionado à confirmação do esquema multi-criminoso do filho Flávio, como se depreende da declaração enigmática: “Alguns erram. Uns erros são perdoáveis, outros não. Assim é na nossa vida familiar também”.

A tormenta se confirmou na segunda-feira, 13 de maio, com a notícia da autorização judicial para a devassa fiscal e bancária do filho Flávio, do seu comparsa Queiroz e de quase uma centena de pessoas contratadas pelos gabinetes parlamentares da FaMilícia, inclusive do Jair, no longo período de janeiro de 2007 a dezembro de 2018.

Até então, Deltan Dallagnol bem que tentara, por todas as maneiras, abafar e evitar a apuração do esquema criminoso do Flávio, poupando-o da operação Furna da Onça, que levou à cadeia colegas do Flávio e do Queiroz [ler aqui]. O MP e o judiciário do RJ, porém, furaram a blindagem da turma do Deltan Dallagnol ao filho presidencial.

As apurações já divulgadas revelam uma coleção nada desprezível de crimes praticados: organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, desvio de dinheiro público, corrupção, negócios fraudulentos e enriquecimento ilícito.

De largada, as apurações ligam Bolsonaro e a primeira-dama ao esquema. Em seguida, mostrarão com clareza a conexão dos Bolsonaro com o submundo das milícias do Rio, em particular com o Escritório do Crime, o bando de assassinos de aluguel chefiado pelo foragido Adriano da Nóbrega e cuja esposa e mãe trabalharam durante anos no gabinete de Flávio.

Este escândalo, sozinho, tem o poder de derrubar Bolsonaro; é altamente devastador. Tanto que Carlos Bolsonaro, num raro instante de realismo e de uso correto da língua portuguesa, reconheceu num tweet que “o que está por vir pode derrubar o capitão”.

A crise que Bolsonaro enfrenta, contudo, é tão mais séria e grave que esta podridão toda, porque o presidente está no centro de uma conjunção de tsunamis ameaçadores.

O protesto multitudinário pela educação que tomou o Brasil no 15 de maio, catalisou a insatisfação generalizada da população com o governo. Além disso, representa o marco do início da contraofensiva popular contra a política austericida e racista de destruição dos direitos sociais, da soberania nacional e das riquezas do país [ler aqui].

Ao mesmo tempo, é perceptível o aumento da decepção, do desencanto e do arrependimento de eleitores do Bolsonaro [que não são, automaticamente, bolsonaristas]. Eles perceberam, nestes 5 meses de desatinos e loucuras governamentais, o terrível engano cometido.

Por outro lado, a economia em profunda recessão se encaminha para a estagnação e, como desdobramento, causará um nível assombroso de desemprego – que será exponenciado pela ausência de estímulos estatais ao crescimento e ao desenvolvimento.

A pauta monotemática da contrarreforma previdenciária desnudou o compromisso exclusivo com o rentismo, com os bancos e com a orgia financeira em prejuízo da economia nacional e da geração de emprego e renda. Aliás, desde a eleição, passando pela transição e durante todo este breve e desastroso período de governo, a palavra emprego raramente foi proferida.

Analistas avaliam que não somente o ano de 2019, mas também 2020 está perdido, em decorrência da continuidade do receituário ultraliberal imposto ao país desde o golpe de 2016.

No plano internacional, Bolsonaro é desprezado e tratado como uma aberração [ler aqui]. O reacionarismo extremado, o obscurantismo acerca das questões ambientais, climáticas e indígenas, ao lado da total subserviência a Trump, afastam o Brasil das oportunidades para sua reconstrução no contexto de uma inserção internacional ativa e altiva.

Os segmentos de centro-direita e de direita do espectro ideológico, que teoricamente apoiariam Bolsonaro, acompanham com cada vez mais estupefação e cada vez menos paciência o descalabro do governo e, sobretudo, os delírios do próprio presidente.

Caso os caminhoneiros confirmem a paralisação prometida para este mês de maio, o cenário será de caos e ingovernabilidade, com riscos notórios para a já débil autoridade de Bolsonaro, que poderá ser derrubado num processo de impeachment ou de renúncia estimulado pelos militares.

O trágico é que o desdobramento do impeachment ou da renúncia, ou seja, a assunção do general Mourão como presidente “legítimo”, não trará nada de positivo ao povo brasileiro.

Mourão empresta ao regime de exceção a racionalidade que Bolsonaro jamais conseguirá ter. Sob sua eventual presidência, portanto, se observará a aceleração da barbárie prescrita fora do país e à qual os vassalos do império – tanto civis como militares – se dedicam com fidelidade canina.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



4 comentários

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Zé Maria

20 de maio de 2019 às 21h35

Tá virando moda os vices puxarem o tapete dos Presidentes…

Responder

Zé Maria

20 de maio de 2019 às 19h41

Esses Lesas-Pátrias da Lava-Jato e das Forças Armadas –
parafraseando Thomas Mann – ainda têm a incrível
ousadia e desfaçatez de se confundir com o Brasil.
Talvez não esteja longe o dia em que o Povo Brasileiro
vá preferir qualquer coisa, menos ser confundido com eles.
.
.
Após ter perdido a nacionalidade alemã em 2 de dezembro de 1936,
Mann permaneceu por algum tempo na Suíça, emigrando mais tarde
para os Estados Unidos.
O Ministério de Esclarecimento Popular e Propaganda do regime nazista
anunciava em janeiro de 1937:
“Thomas Mann deve ser apagado da memória de todos os alemães,
por não ser digno de carregar o nome de alemão”.
[Alguma semelhança com o que a Globo fez com o Lula?]

Indignado, o escritor declarou a respeito dos nazistas:
“Acusam-me de ter insultado a Alemanha, ao ter-me declarado contra ela?
Eles têm a incrível ousadia de querer se confundir com a Alemanha.
Talvez não esteja longe o dia em que o povo alemão vá preferir
qualquer coisa menos ser confundido com eles”.

https://www.dw.com/pt-br/1936-thomas-mann-%C3%A9-expatriado/a-340994

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Zé Maria

20 de maio de 2019 às 19h07

Impeachment Calculado

A Globo e os Milicos já viram que é possível derrubar o Bolsonaro
e ainda manter a Milícia do Guédes no (des)governo do Mourão2.
É evidente para todos que o Jair não vai desgrudar do 01, 02 e 03,
os quais são as maiores ‘influências negativas’, dizem os Generais.
Como sempre, a Globo vem com tudo e vai arrastar as demais.

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Zé Maria

20 de maio de 2019 às 18h33

A Farsa se repete como História. Mourão 2 não é Itamar.
Está mais parecido com Marechal Floriano Peixoto.

Um Motorista Volta a Abalar a República

Quem é Fabrício Queiroz, o policial, ex-assessor e amigo de pescaria e churrascos
por quatro décadas do presidente eleito que atuava como arrecadador
no gabinete de Flávio Bolsonaro, seu filho ?

…”um novo personagem parece repetir a história vivida por Fernando Collor.

Em 1992, as páginas de ISTOÉ apresentaram ao Brasil certo motorista de confiança e uma espécie de faz tudo do então presidente e de sua família.

Tratava-se de Eriberto França, que denunciou à época que o ex-tesoureiro da campanha de Collor Paulo César Farias bancava as despesas da família do presidente.

A primeira evidência da história revelada por Eriberto foi justamente
o aparecimento de um cheque para sua então mulher, Rosane Collor.

Mais tarde, apareceram um automóvel, um Fiat Elba, e a reforma dos jardins da Casa da Dinda, residência da família Collor.

Vinte e seis anos depois, um motorista volta a balançar a vacilante República.

E também com ele um depósito em nome da mulher de Bolsonaro, Michelle.
Desta vez não é alguém que tenha trabalhado diretamente com o presidente eleito.

Fabrício José Carlos de Queiroz era motorista e assessor do filho de Bolsonaro, Flávio.

Em contrapartida, sua amizade e intimidade com Bolsonaro e sua família parece muito mais estreita.
Ele não era apenas um funcionário, como Eriberto.
Foi colega de tropa do presidente eleito no Exército e seu amigo íntimo,
parceiro de churrascos e pescarias.

Por razões que ainda precisam ser investigadas e esclarecidas, Queiroz emprestou sua conta bancária para o trânsito de altas somas de dinheiro depositadas por outros funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro.

Parte desses recursos foi parar nas contas da mulher do presidente”…

[Revista IstoÉ nº 2556]

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