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Mesmo sem apoio do principal sindicato, Sanders vence de lavada em Nevada
Política

Mesmo sem apoio do principal sindicato, Sanders vence de lavada em Nevada


22/02/2020 - 23h10

Da Redação

Mesmo sem apoio do principal sindicato do estado, o senador Bernie Sanders venceu com cerca de 45% dos votos o caucus de Nevada.

O ex-vice-presidente Joe Biden ficou em segundo lugar, com pouco mais de 20%.

O resultado é importante porque Nevada é o primeiro estado em que a escolha do candidato democrata à Casa Branca foi feita por um eleitorado realmente diverso, com grande números de hispânicos e afro-americanos.

Nas primeiras disputas, em Iowa e New Hamphire, Sanders obteve um apoio menor do que o esperado, dado o grande número de candidatos.

Outro sinal positivo para Sanders é que ele venceu mesmo sem o apoio da direção do maior sindicato de Nevada, que discorda da proposta do senador de criar um SUS nos Estados Unidos.

Hoje, milhões de norte-americanos não têm seguro de saúde ou são sub-segurados.

Sanders propõe criar um sistema nacional de saúde que pretende financiar com a taxação “modesta” de Wall Street.

Detalhe importante: por uma modesta contribuição anual, o segurado do SUS de Sanders terá tratamento não apenas médico e hospitalar, mas odontológico, acesso gratuito  a óculos e aparelhos de surdez.

Em outras palavras, o senador está oferecendo vantagens bem concretas ao eleitorado.

O sindicato dos funcionários de cassinos de Nevada é contra, pois prefere preservar seu seguro privado de saúde.

Mesmo assim, Sanders venceu em vários caucus que foram decididos por funcionários de cassinos.

Isso indica que a base do sindicato não seguiu a direção — confirmando que Sanders realmente comanda um movimento de base.

Sanders tem dito que um de seus adversários é o establishment democrata, cujos figurões consideram o senador um “socialista” incapaz de derrotar Donald Trump.

Mesmo empresários simpáticos ao Partido Democrata e adversários de Donald Trump tem dito que não apoiam Sanders.

O candidato tem consistentemente batido na mesma tecla, discurso após discurso: salário mínimo de 15 dólares por hora, salário mínimo de 60 mil dólares por ano para professores, perdão da dívida estudantil (superior a U$ 850 bilhões), 10 milhões de casas acessíveis aos mais pobres, legislação para facilitar a sindicalização, investimento maciço em infraestrutura, creches para todos, banimento da venda de armas de assalto, fim de presídios e centro de detenção privados, legalização de imigrantes, enfrentamento do lobby das empresas petrolíferas, acordo planetário para reduzir o aquecimento global e legalização da maconha, dentre outros objetivos.

A próxima primária será disputada na Carolina do Sul, onde Joe Biden é favorito por causa do eleitorado predominantemente afro-americano.

O bilionário Michael Bloomberg já gastou U$ 400 milhões de sua fortuna na campanha, mais do que a soma combinada de todos os adversários.

Mas Bloomberg foi destroçado pelos adversários no primeiro debate do qual participou.

Bloomberg tem dois calcanhares de aquiles: já fez vários acordos para calar mulheres que foram vítimas de assédio e, quando prefeito de Nova York, promoveu a política de stop and frisk, em que policiais revistavam majoritariamente afro-americanos e hispânicos.

Sanders, por sua vez, promete reformar completamente o sistema de justiça dos Estados Unidos, baseado em encarceramento recorde e proporcionalmente maior de afro-americanos e hispânicos.

Outra promessa do “socialista” — na verdade um social democrata pelos padrões europeus — é de fazer avançar a política do equal pay — hoje, as mulheres recebem 80 centavos para cada dólar pago a um homem pela mesma função.

O argumento de Bloomberg, Biden e do casal Clinton — Bill e Hillary são os principais caciques democratas — é de que Sanders será destroçado por Trump em eleições gerais.

O senador de Vermont, no entanto, mesmo sem aceitar a ajuda de grandes doadores — sua campanha é mantida por doações que em média são de menos de 20 dólares — argumenta que é o único com dinheiro e um movimento de base capaz de derrotar Trump em novembro.

O dia realmente decisivo da campanha será o 3 de março, quando acontece o chamado Super Tuesday, quando 38% dos delegados que vão indicar o candidato democrata terão sido escolhidos.

Sanders é favorito para vencer na Califórnia, o maior colégio eleitoral dos Estados Unidos, mas Bloomberg já torrou mais de U$ 150 milhões em anúncios de TV nos estados que terão primárias naquele dia.

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2 comentários

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Edivaldo Dias de Oliveira

25 de fevereiro de 2020 às 20h22

Ele só precisa estudar e tomar cuidado com a cristianização que acometeu o candidato a presidente Cristiano Machado em 1950. Candidato oficial do PSD, foi abandonado pelo partido que fez campanha de fato para Getúlio Vargas.

É o que pode ocorrer por lá, em que a elite do partido democrata ligada a Wall Street pode tampar o nariz e chamar o voto em Trump para não eleger o “socialista” do seu partido.
Uma outra possibilidade é ele ser eleito e depois ser a primeira vitima de um golpe militar da história dos EUA, se um golpichtmam não for viabilizado.

Responder

Roberto

24 de fevereiro de 2020 às 09h32

A tensão social nos EUA alcançou um nível sem precedentes. Milhões perderam suas casas, milhões estão desempregados e subempregados. Bernie Sanders é um fator de aglutinação do povo contra o stablishment.

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