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Mauro Santayana: Uma semana de setembro


29/09/2011 - 11h33

por Mauro Santayana, em seu blog

É quase certo que a semana passada tenha sido decisiva para a História deste século que se iniciou há dez anos, com os fatos misteriosos de Nova York. A ONU, que não tem sido mais do que um auditório, espécie de ágora mundial, mas sem o poder político de que dispunham as praças de Atenas, ouviu quatro discursos importantes. Dois deles em nome da paz, do futuro, da lucidez e dois outros que ecoaram como serôdios.

Dilma e Abbas, em nome dos que não aceitam mais essa divisão geopolítica do mundo; Netanyahu e Obama, constrangidos porta-vozes de um tempo moralmente morto. A assembléia geral estava separada em dois lados definidos, ainda que assimétricos.

A presidente do Brasil falava em nome das novas realidades, como a da emancipação das mulheres – pela primeira vez, na crônica das Nações Unidas, uma voz feminina abriu os debates anuais – e a impetuosa emersão de povos milenarmente oprimidos como agentes ativos da História. Mahmoud Abbas, embora em nome de uma pequena nação, representou todos os povos oprimidos ao longo dos tempos. Por mais lhe neguem esse direito, a Palestina é tão antiga que entre suas fronteiras históricas nasceu um homem conhecido como Cristo.

O holocausto judaico, cometido pelos nazistas, e que nos horroriza até hoje, durou poucos anos; o do povo palestino, espoliado de direitos com a ocupação paulatina de suas terras, iniciada com o sionismo no fim do século 19, dura há pelo menos 63 anos, desde a criação, ex-abrupto, do Estado de Israel, em 1948.

Recorde-se que a criação de um “lar nacional” para os judeus estava condicionada à sobrevivência, em segurança, do povo palestino em um estado independente. A voz de Dilma, mais comedida, posto que representando nação de quase 200 milhões de pessoas no exercício de sua soberania política, teve a mesma transcendência histórica do apelo dramático de Abbas. A cambaleante comunidade internacional era chamada à sensatez política e à consciência ética. É duvidoso que ela corresponda a essa responsabilidade. Do outro lado, no discurso dissimulado e ameaçador de Netanyahu e na lengalenga constrangida de Obama, ouviram-se os rugidos dos mísseis tomawaks e o remoto estrondo que destruiu as cidades de Hiroxima e Nagasáqui, em 1945. Enquanto Netanyahu balbuciava, sem nenhuma coerência, as expressões de paz, seus soldados matavam um manifestante palestino na Cisjordânia ocupada.

Os dois arrogantes senhores não falaram em nome dos homens; bradaram em nome das armas e dos grandes banqueiros sem pátria que, desde os Rotschild, mantêm a força contra a razão naquela região do mundo. Como muitos historiadores já apontaram, os judeus ricos, sob a liderança da poderosa família de financistas, decidiram acompanhar o ex-pangermanista Theodor Herzl, na idéia de criar um estado hebraico, a fim de se livrar da presença constrangedora dos judeus pobres na Inglaterra e na Europa Ocidental.

Na origem da sua independência, os Estados Unidos ouviram a constatação sensata de Tom Payne, de que contrariava o senso comum a dependência de um continente, como a América do Norte, a uma ilha, como a Grã Bretanha. O governo norte-americano é hoje refém de um estado diminuto, como Israel, representado em Washington pelos poderosos lobistas, capazes de influir sobre o Capitólio e a Casa Branca, contra as razões históricas da grande nação.

Ao apoiar, vigorosamente, o imediato reconhecimento, pelas Nações Unidas, da soberania do Estado Palestino, Dilma não falou apenas em nome dos países emergentes, solidários com o povo acossado e agredido, cujas terras e águas são repartidas entre os invasores; falou em nome de princípios imemoriais do humanismo. Ela pôde dar autenticidade ao seu discurso com uma biografia singular, a de uma jovem que, na resistência contra um regime criado e nutrido ideologicamente pelos norte-americanos, foi prisioneira e torturada.

A presidente disse ao mundo que estamos, os brasileiros, trabalhando para que o Estado cumpra a sua razão de ser, ao reduzir as desigualdades sociais e ampliar o mercado interno, a fim de desenvolver, com justiça, a economia nacional. Embora com a prudência da linguagem, exigida pelas circunstâncias solenes do encontro, o que Dilma disse aos grandes do mundo é que eles, no comando de seus estados, não agem em nome dos cidadãos que os elegeram, mas das grandes corporações econômicas e financeiras multinacionais, controladas por algumas dezenas de famílias do hemisfério norte.

O resultado dessa distorção são as crises recorrentes do capitalismo contemporâneo, com o desemprego, o empobrecimento crescente das nações, a insegurança coletiva e o desespero dos mais pobres. E os mais pobres não se encontram hoje apenas nos países do antigo Terceiro Mundo, mas nas maiores e orgulhosas nações. As ruas de Londres e de Nova York, de Nova Delhi e de São Paulo são caudais da mesma miséria. Daí a necessidade de que se mude o projeto de vida em nosso Planeta. Para isso é preciso que as novas nações participem efetivamente da construção do futuro do homem.

Outro ponto axial de seu discurso foi o da necessária e urgente reforma da Organização das Nações Unidas, para que ela se restaure na credibilidade junto aos povos. Seu sistema decisório, construído na fase crucial da reacomodação do mundo, depois da tragédia da 2ª. Guerra Mundial, correspondeu a uma constelação circunstancial do poder, em que as maiores potências, possuidoras da bomba do juízo final, assumiam a responsabilidade de garantir hipotética paz, mediante o Conselho de Segurança. Contestado esse superpoder mundial pela consciência moral dos povos, desde o seu início, há quase duas décadas que se discute a sua ampliação democrática, mas sem qualquer conclusão efetiva. Dilma expressou a urgência de que isso ocorra, a fim de que o organismo possa ter a força da legitimidade política.

A paz, como a guerra, era, durante a Guerra Fria, um negócio a dois, e que só aos dois beneficiava. Sua disputa se fazia na periferia do sistema, a partir do conflito na Coréia, que inaugurou o sistema da divisão entre norte e sul, que se repetiria no Vietnã e em outros países.

Mais uma vez, no pacto Wojtyla-Reagan, a Igreja se somava ao dinheiro, para a aparente vitória do capitalismo, com a queda do muro de Berlim. Isso trouxe aos vitoriosos a ilusão de que a História chegara a seu fim, com a definitiva submissão dos pobres aos nascidos para mandar e usufruir de todos os benefícios da civilização. Como registramos naqueles anos de Fernando Henrique, quando ele nos fez ajoelhar diante de Washington, os novos mestres do mundo se esqueceram de combinar com os adversários, como recomendou um filósofo mais atilado, o mestre Garrincha. A globalização, planejada para consolidar o condomínio dos países centrais, sob a hegemonia ianque, mediante a recolonização imperial, trouxe o efeito contrário, promoveu a unidade política dos países atingidos e se voltou contra seus criadores. Isso explica a emersão do Brics. Foi em nome do futuro, das novas e poderosas forças humanas que se organizam, que o Brasil falou, por meio da presidente Dilma, em Nova York.

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79 comentários

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cronopio

06 de outubro de 2011 às 14h09

CHARLES BAUDELAIRE
I
Raça de Abel, só bebe e come,
Deus te sorri tão complacente.
Raça de Caim, sempre some
No lodo miseravelmente.
Raça de Abel, teu sacrifício
Doce é ao nariz do Serafim!
Raça de Caim, teu suplício
Será que jamais terá fim?
Raça de Abel, tuas sementes
E teu gado produzirão;
Raça de Caim, sempre sentes
Uivar-te a fome como um cão.
Raça de Abel, não tremas nunca
À lareira patriarcal;
Raça de Caim, na espelunca,
Treme de frio, atroz chacal!
Raça de Abel, pulula! Ama!
Teu oiro é sempre gerador.
Raça de Caim, alma em flama,
Cuidado com o teu amor.
Raça de Abel multiplicada
Como a legião dos percevejos!
Raça de Caim, pela estrada
Arrasta a família aos arquejos.
II
Raça de Abel apodrecida
Há de adubar o solo ardente!
Raça de Caim, tua lida
Nunca te será suficiente;
Raça de Abel, eis teu labéu:
Do ferro o chuço é vencedor!
Raça de Caim, sobe ao céu
E arremessa à terra o Senhor!
Tradução: Jorge Pontual

Responder

Jair de Souza

30 de setembro de 2011 às 17h37

Perdão, na pressa, digitei errado. Queiram ler "Tanto o nazismo como o sionismo israelense defendem a supremacia da raça escolhida, a raça superior."

Responder

Jair de Souza

30 de setembro de 2011 às 17h34

Não é nenhuma aberração comparar o sionismo praticado em Israel com o nazismo hitleriano. É claro que não há coincidência total, nem poderia haver! O nazismo também não é somente o período das matanças monstruosas das câmaras de gás. Estas atrocidades só começaram a ser praticadas em grande escala por volta de 1941. Mas, nem por isso, o nazismo em sua fase anterior deixava de ser um regime monstruoso. Todo o sistema de discriminação racial foi montado (com a completa aprovação das entidades sionistas da Alemanha, diga-se) numa fase anterior às grandes matanças. É certo que o sionismo praticado em Israel tem muitas semelhanças com o Apartheid da África do Sul, o qual também era uma variante do nazismo, com suas peculiaridades locais. Também o nazismo como o sionismo israelense defendem a supremacia da raça escolhida, a raça superior. São, portanto, ideologias irmãs gêmeas.

Responder

    Beto_W

    30 de setembro de 2011 às 22h42

    Jair, até onde eu sei o sionismo não defende nenhuma supremacia de nenhuma raça escolhida. Os governantes de Israel podem ser preconceituosos e prepotentes, mas o sionismo enquanto ideologia, mesmo nas suas vertentes mais radicais à direita, não sugere nenhuma supremacia. Se eu estiver errado, por favor me mostre algum texto de autor sionista que defenda algum tipo de superioridade racial.

    Jair de Souza

    01 de outubro de 2011 às 10h08

    Não se faça de desinformado, Beto_W. Você, mais do que ninguém, sabe que toda a ideologia do sionismo se baseia na superioridade racial judaica. Não há ninguém que defenda o estado de Israel como estado dos judeus (nem mesmo você) que não tenha de lançar mão dos direitos divinos, dados por "deus" ao povo "escolhido". Que outras razões levariam alguém a defender que gente que vinha sendo perseguida na Europa (por elites europeias de religião cristã) tivessem direito eterno às terras da Palestina (qualquer que seja o nome que se dê a elas). Quero que me conteste sobre a veracidade ou não do apoio sionista às medidas de discriminação racial tomadas por Hitler nos primeiros anos do nazismo. Posso citar muitas fontes de grandes historiadores e intelectuais de ascendência judaica que revelam isto de modo fartamente documentado. Leia os trabalhos de Lenni Brenner, de Hannah Arendt, entre outros. Mesmo de alguns sionistas "light", como Tom Segev em 'The seventh million", a gente encontra provas contundentes do colaboracionismo das entidades sionistas alemãs com as políticas hitleristas.

    Beto_W

    01 de outubro de 2011 às 22h26

    Se eu mais do que ninguém sei, continuo dizendo: o sionismo não se baseia em nenhuma superioridade racial. Concordo que muita gente possa usar o argumento do direito divino, citando a bíblia e tudo mais. Mas ninguém em sã consciência usa argumentos de superioridade racial.

    Existe embutido no sionismo uma noção de um povo com história e cultura milenar, reflexo da faceta nacionalista da ideologia sionista. Existem evidências de que vários líderes sionistas ignoravam os nativos, por acreditarem que conseguiriam movê-los ou convencê-los a se moverem para outras partes do mundo árabe. Alguns até desprezavam a civilização árabe como atrasada, sintoma de uma arrogância européia que não era exclusiva aos sionistas. Mas se há algum texto que defenda uma superioridade racial, por favor me mostre.

    Quanto ao apoio de entidades sionistas ao regime nazista, já ouvi falar, mas creio que o objetivo deles era conseguir mais judeus dispostos a emigrarem para a Palestina. Isso não quer dizer que eles acreditassem na supremacia da raca ariana, certo?

    Ah, e não sei daonde você tirou que eu defendo Israel como estado dos judeus. E eu nunca lancei mão de direitos divinos nem nada desse tipo.

    HMS TIRELESS

    01 de outubro de 2011 às 09h42

    QUem é irmã gêmea do nazismo hitleriano é o fascismo islâmico praticado no Irã meu caro!

NELSON NISENBAUM

30 de setembro de 2011 às 15h09

Interessante. Um milhão e meio de árabes, drusos, e outros, vivem em Israel como cidadãos, votam, tem partidos, liberdade religiosa, de expressão, empregos, posses, etc. Abbas diz que não quer nenhum judeu em território palestino. Engraçado, né?

Responder

Beto_W

30 de setembro de 2011 às 14h02

Faço a seguir algumas considerações a respeito dos comentários. O Nelson continua afirmando que as pessoas devem ir para lá antes de opinar, mas ainda não recebi resposta a uma pergunta dele – Nelson, você já esteve em Gaza? Bom, eu já estive em Israel (há mais de 10 anos, a bem da verdade), e nunca estive em Gaza, mas já estive na Cisjordânia, e visitei uma aldeia palestina por lá, próxima a Neve Shalom. Também já visitei um assentamento de colonos religiosos por lá. Portanto, acho que sei um pouquinho do que estou falando.

Há uma tendência a se caracterizar Israel como nazista, os territórios ocupados como campos de concentração, e tudo mais que remeta ao holocausto. Como bem disse o Lucas, Israel está mais para África do Sul, mas as pessoas insistem nesse paralelo com o nazismo por alguns motivos – para chocar e capitalizar em cima de um episódio negro da história da humanidade, e para tentar quebrar o monopólio que algumas entidades judaicas (e muitos judeus, né Nelson) tentam garantir ao "direito" de ser um povo oprimido, sofrido e massacrado. E nada tem mais força do que retratar um povo transformado de vítima em carrasco. Só que isso tudo prejudica o diálogo, pois evoca em todo judeu uma reação automática de medo do anti-semitismo e repulsa a qualquer argumentação que acompanhe o uso dessa comparação, por mais fundamentada que seja. Por isso, acho mais eficiente para um debate saudável que, como disse o Lucas, nos atenhamos aos fatos. Já a palavra "holocausto" é de origem grega e significa sacrifício, e não é exclusividade dos judeus – que eu saiba, não chequei em nenhum escritório de patentes ;-).

Outro ponto aqui é se existe ou não luxo em Gaza. Como eu disse, eu nunca fui lá, portanto o que digo é relato de outros. Quando se fala em Gaza e Cisjordânia, ou até em Israel, as imagens que vêm à mente são de destruição, guerra, fanatismo:
<img src="http://gaztopia.files.wordpress.com/2011/09/gaza-scene.jpg"&gt;
<img src="http://shalomrav.files.wordpress.com/2011/03/castlead-explosion.jpg"&gt;

Continua…

Responder

    Beto_W

    30 de setembro de 2011 às 14h03

    Continuando…

    No entanto, os cidadãos tentam, entre uma escalada de violência e outra, reconstruir suas vidas e tentar viver no máximo de normalidade possível:
    <img src="http://cdn.bikyamasr.com/wp-content/uploads/2011/03/gaza.jpg"&gt;
    <img src="http://4.bp.blogspot.com/_HVRc9n_nGfw/THQZbjC3fnI/AAAAAAAAAHE/zsgUk7Q-3os/s1600/street4.jpg"&gt;

    Existem hotéis de luxo, como este aqui:
    <img src="http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2011/08/08/article-2023731-0D51CF2F00000578-349_468x286.jpg"&gt;
    mas faltam turistas para que o negócio se sustente.

    Existem shoppings, como esse:
    <img src="http://1.bp.blogspot.com/_l6HNZo-WqJM/TTnkdEDdxSI/AAAAAAAAAIk/IUEcTcAQOj4/s1600/usa-online-shopping-mall-723514.jpg"&gt;

    Existem bancos, caixas eletrônicos:
    <img src="http://www.huffingtonpost.com/huff-wires/20081206/ml-gaza-cash-crunch/images/ca4cf662-96a4-4afc-a61b-d86173e3c16f.jpg"&gt;

    Existem mercados:
    <img src="http://farm6.static.flickr.com/5168/5343758498_48a77a2330.jpg"&gt;
    <img src="http://nyc.indymedia.org/images/2009/12/108755.jpg"&gt;

    Existem universidades:
    <img src="http://www.palestineremembered.com/GeoPoints/Gaza_526/Gaza-11201.jpg"&gt;
    <img src="http://www.israellycool.com/wordpress/wp-content/uploads/al-azhar6.jpg"&gt;

    E sim, existem casas mais caras, para os mais ricos de Gaza:
    <img src="http://1.bp.blogspot.com/_HVRc9n_nGfw/THQZbLBWztI/AAAAAAAAAG8/XYUlNt0dUIQ/s1600/rich+home2.jpg"&gt;
    <img src="http://3.bp.blogspot.com/_HVRc9n_nGfw/THQZDytl0oI/AAAAAAAAAGc/aYMc-qsonNY/s1600/rich+home+gaza.jpg"&gt;

    Por outro lado, existe muuuita pobreza, destruição, desemprego, miséria. E boa parte disso se deve ao bloqueio imposto por Israel e às incursões militares israelenses. Mas ao Hamas, à Fatah e a outros grupos também interessa manter o povo na miséria por vários motivos, e eles também têm sua parcela de culpa pela situação.

    Portanto, Gaza não tem uma vida confortável, a maior parte da população vive na miséria, há muito desemprego, e aqueles que ainda têm suas casa de pé vivem com medo de uma nova incursão israelense que destrua seus lares. E, no entanto, eles se esforçam para manter o pouco que lhes resta de normalidade e dignidade.

    HMS TIRELESS

    30 de setembro de 2011 às 16h45

    Matou a pau amigo!

    Jair de Souza

    30 de setembro de 2011 às 17h13

    Você vai me perdoar, Beto_W (Não sei seu nome verdadeiro até hoje), mas estas fotos são as que as agências de propanda do Estado de Israel divulga pelo mundo para dar a entender que a vida em Gaza é boa, que tudo que se fala é pura choradeira sem sentido. Por favor, se você quiser manter credibilidade, não use fotos dos departamentos de propaganda do Estado de Israel. Apresente alguma foto de alguma agência de notícias com alguma respeitabilidade (pode ser até de órgãos imperialistas pró-Israel, como BBC, CNN, etc) que mostre toda essa beleza que há em Gaza. Tenho certeza de que você não vai encontrar. Se havia toda essa beleza em Gaza, a Werhmacht isralense já destruíu há tempo. Não contribua com a desinformação, a pretexto de querer demonstrar equilíbrio.

    Beto_W

    30 de setembro de 2011 às 23h37

    Jair, eu cheguei a essas fotos simplesmente pesquisando no google. Algumas são de sites pró-Israel, outras de sites pró-Palestina, outras ainda de agências de notícias. Não posso afirmar se os edifícios das fotos ainda estão de pé depois das últimas incursões do exército israelense e das disputas internas entre o Hamas e a Fatah, mas até onde sei esses prédios todos são de Gaza. Se eu estiver errado, por favor me prove o contrário.

    Se você ler o que eu escrevi, verá que meu intuito não foi o de suavizar a situação de Gaza. Existe muita pobreza, muita destruição. O que eu quis mostrar é que existe um outro lado, de gente batalhando para tentar imprimir um pouco de normalidade à vida da população.

    Aqui tem alguns links comentando esse tipo de coisa (alguns inclusive com fotos que corroboram aquelas que eu postei): http://www.bighaber.com/haber/hints-of-high-life-http://gaza-today.blogspot.com/

    Tem galerias de fotos de universidades em Gaza (dos próprios sites das universidades, acredito que satisfaçam seu critério de confiabilidade): http://www.iugaza.edu.ps/album/index.html http://www.alaqsa.edu.ps/ar/gallary/index.asp

    E já que você "autorizou", vai uma imagem da BBC:
    <img src="http://news.bbcimg.co.uk/media/images/45350000/jpg/_45350020_gazaskyline466.jpg"&gt;

    Ainda há crise humanitária em Gaza, altíssimos índices de desemprego, pobreza, e muitos outros problemas gerados pelo bloqueio e pelas incursòes do exército de Israel. Mas da mesma forma que tivemos aquele quiprocó todo quando a Vila Vudu quis enfatizar que os assentamentos judaicos na Cisjordânia não são um bando de barracas mas sim prédios com toda a infra-estrutura, eu acho importante que se tenha em mente que Gaza não é apenas uma pilha de escombros, como se vê na cobertura da mídia. Existe vida lá, e gente batalhadora, que acredita que tudo vai melhorar. Se você ainda não acredita, então eu vou ter de usar as palavras do Nelson: vá lá e veja com seus próprios olhos. Eu até gostaria de ir eventualmente, mas acho que eles não são muito amigáveis com judeus por lá…

    Jair de Souza

    01 de outubro de 2011 às 10h23

    Na verdade, eu já vi aquelas fotos de Gaza muitas vezes. São forjadas, um trabalho de montagem grotesco. Você deveria saber disto. Eu entendo como funciona a coisa. Independentemente de suas palavras "equilibradas" e "não tendenciosas", o efeito de fotos de uma Gaza tão linda e exuberante deve exercer influência na mente de muitas pessoas ("A coisa não é tão feia como pintam"). Você sabe disto melhor do que ninguém. Por mais que você procure demonstrar que é ponderado, equilibrado, imparcial, não dá para ser imparcial diante de crimes contra a humanidade como os que Israel vem comentendo contra o povo palestino. Sionismo é judaísmo não são a mesma coisa. Fazer esta identificação é jogar contra o judaísmo, em benefício de uma ideologia política nefasta, como é o sionismo político. Por que você não aceita a ideia de que Israel venha a ser um estado de todos seus cidadãos, e não um estado judaico?

    Beto_W

    01 de outubro de 2011 às 22h05

    Não acho que sejam forjadas nem que seja montagem, Jair. Você pode me dar referências que sustentem seu argumento de "trabalho de montagem grotesco"? Você entrou nos links das próprias universidades de Gaza? Essas fotos também são montagem? Com que propósito a própria Universidade Islâmica de Gaza iria colocar fotos de montagens grotescas forjadas pelo governo israelense?

    Eu sei que em boa parte de Gaza existe miséria e destruição, mas estou tentando mostrar que Gaza não é só isso:
    <img src="http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/01238/gaza_1238615c.jpg"&gt;
    <img src="http://www.topnews.in/files/gaza_damage.jpg"&gt;
    <img src="http://brotherpeacemaker.files.wordpress.com/2009/02/gazaruins1.jpg"&gt;

    Negar ao povo de Gaza sua coragem, sua garra e sua vontade de reconstruir suas vidas é, na minha opinião, um desrespeito ao povo palestino.

    Em nenhum momento eu deixei de denunciar as atrocidades do governo israelense, Jair. Não sou imparcial nesse assunto. Sou um pacifista e abomino qualquer tipo de violência, seja de quem for.

    Quanto a sionismo e judaísmo não serem a mesma coisa, eu acho que você se refere a minha frase final, não é? Eu bem que gostaria de estar enganado, mas acho que seria julgado apenas pelo fato de ser judeu em boa parte de Gaza, e do mundo árabe em geral. Se eu pusesse os pés lá, um judeu não famoso nem influente, simplesmnete um turista judeu, você acha que minha integridade física se manteria intacta? Eu infelizmente acho que não. Muita gente por lá mesmo mistura as duas coisas – e ao menos no caso deles é compreensível, dado que seus opressores são, de fato, judeus.

    Não sei daonde você tirou que eu não aceito a idéia de que Israel venha a ser um estado de todos seus cidadãos. Eu disse algo em contrário? Eu acho que Israel deve garantir direitos iguais a todos seus cidadãos, independente de religião, etnia, ou qualquer outro fator discriminatório.

    Quanto a não ser um estado judaico, eu não sei. Não aceito que seja exclusivamente judaico, ou que outras etnias e religiões não tenham os mesmos direitos. Mas se podemos ter a República Islâmica do Irã, por que Israel não pode manter características judaicas? Desde que, é claro, estejam garantidos os direitos iguais a todos os cidadãos. Eu ainda não tenho opinião formada sobre esse ponto, gostaria de ouvir a sua.

    Jair de Souza

    02 de outubro de 2011 às 10h53

    Vou tentar responder, mesmo sabendo que, a estas alturas, não há mais ninguém para ler minha resposta. Ser pacifista significa tomar o lado de quem precisa proteção. Só os palestinos precisam proteção na atualidade, são os únicos que vêm sendo massacrados há mais de 6 décadas. É como diz Desmond Tutu: "Nunca situação de opressão, mostrar-se neutro é tomar o lado do opressor". Judaísmo não é a mesma coisa que sionismo (felizmente). Em Gaza, você provavelmente teria problemas. Isto porque uma das grandes metas do sionismo é fazer com que a identificação entre sionismo e judaísmo exista sempre. Só assim o sionismo pode manter sob sua orientação as comunidades judaicas do mundo. Para o sionismo é importante que toda crítica a sua ideologia nefasta e supremacista seja sentida pelo conjunto dos judeus como uma agressão ao próprio judaísmo. Portanto, a confusão em si é deplorável, mas sua existência é um dos "méritos" do sionismo. Soa estranho você dizer que já ouviu falar do apoio sionista aos projetos de Hitler em sua fase inicial. (1/5)

    Jair de Souza

    02 de outubro de 2011 às 10h54

    Com seu conhecimento do assunto você deve ter muito mais conhecimento da questão do um simples ter ouvido falar. Na verdade, os sionistas apoiavam as propostas hitlerianas de segregação racial porque, com isso, teriam maior controle sobre as comunidades judaicas e poderiam evitar (o que era um de seus maiores temores) que os judeus viessem a se integrar plenamente nas sociedades em que viviam. Lógico, eles não imaginavam que a coisa chegaria ao ponto que chegou, mas têm grande responsabilidade por isso. Não tenho religião e não gosto de nada que tenha por base a religião. Não gostaria que nenhuma república fosse islâmica, cristã, católica, budista, etc. Não gosto de que o Irã seja uma republica islâmica, assim como deploro o fato de que o maior aliado dos EUA e de Israel na região (Arábia Saudita) seja um estado integrista islâmico. Mesmo assim, ainda é diferente o que há no Irã e o que ocorre em Israel. No Irã, como a maioria é islâmica, eles se acham no direito de proclamar seu estado como islâmico (um grande erro, em minha opinião). (2/5)

    Jair de Souza

    02 de outubro de 2011 às 10h55

    No entanto, não há nenhuma lei que diga que você só é cidadão pleno se for de religião islâmica; não há nenhuma medida estatal que vise impedir que cidadãos de outras religiões possam eventualmente vir a tornar-se maioria no país. Em Israel, você sabe muito bem, tudo isso é diferente. Israel foi formado sob a batuta de judeus europeus para ser um estado só de judeus, ou melhor, dos judeus. Ou seja, é um estado que tem por base a religião. Um brasileiro de religião judaica, mesmo estando plenamente integrado a nação brasileira, que não fale nada de hebraico, pode tornar-se um cidadão israelense na hora que desejar. Ao passo que, os milhões de palestinos que nasceram naquela região, cujos descendentes viviam por lá há milênios, não podem ser cidadãos israelenses de plenos direitos (os que conseguiram permanecer nos territórios do estado de Israel são cidadãos desclassificados, de categoria muito inferior). Além do mais, há a constante preocupação (por parte de todos os sionistas – direita, centro, esquerda, norte, sul, leste, oeste) de que eles venham a ser maioria numérica algum dia. (3/5)

    Jair de Souza

    02 de outubro de 2011 às 10h58

    Ou seja, é a democracia que só respeita a maioria se a maioria for de seu agrado. Se você se diz defensor de um estado onde todos seus cidadãos tenham os mesmos direitos, você tem de condenar as disposições que só dão privilégios às pessoas de religião judaica (posse e propriedade das terras, participação nas forças armadas, direito de edificação de moradias, etc.). Ilan Pappe, Jeff Halper, Amira Hass, Gideon Levy, Shlomo Sand, Neve Gordon, Akiva Orr, Moshe Machover (todos israelenses) são abertamente contrários a um estado judaico. Por mais que se tente, não é possível ser humanista se não se vai à essência da questão. Fora disso, o que há são os sionistas "bonzinhos", que lamentam as brutalidades cometidas contra os palestinos, mas não defendem nada que de fato leve ao fim do problema. E eu repito, qualquer tentativa de justificar a usurpação da Palestina por europeus de religião judaica, com base no argumento de que lá era sua terra, de onde teriam sido expulsos há 2.000 anos, deve ser repudiada com toda veemência por se tratar de uma desculpa das mais vis imagináveis. (4/5)

    Jair de Souza

    02 de outubro de 2011 às 11h02

    Os palestinos nunca expulsaram os judeus de lá (aliás, como prova Shlomo Sand, ninguém expulsou). Se tivesse sido verdade isso da expulsão, os judeus teriam de acertar contas com os romanos e não com os palestinos. Peço desculpas pela forma de me expressar, mas é que ando tão habituado a encontrar os pseudo-"moderados", pseudo-"equilibrados" (os quais na verdade só estão tratando de encontrar formas de livrar a barra do estado de Israel dos crimes atrozes que vem cometendo) que a gente fica sempre de pé atrás com as argumentações que procuram dividir responsabilidades onde não há como dividi-las. Aquelas fotos forjadas sobre Gaza (não me refiro às fotos de Gaza destruída, e sim sobre as da Gaza de luxo) me deixaram muito preocupado. Torço para que você realmente não estivesse a par dessa falcatrua. Se acreditamos que nossa causa é justa, não devemos lançar mão de mentiras para defendê-la. Podemos até fazer defesas equivocadas, mas nunca tentar conscientemente provar que o falso é verdadeiro. Até hoje, venho acreditando que você é uma pessoa bem intencionada. Gostaria de estar certo quanto a isto. (5/5)

    Beto_W

    03 de outubro de 2011 às 16h35

    Jair, ser pacifista significa condenar qualquer tipo de violência, seja pepetrada por um estado, seja por um grupo de guerrilheiros lutando contra a ocupação. Eu apoio a causa palestina, e não me calo diante das atrocidades cometidas contra o povo palestino. Mas não aprovo grupos que revidem com mais violência, seja compedras, seja com mísseis, seja com bombas.

    Quanto ao Irã, realmente há algumas diferenças em relação a Israel. O Irã é aberta e declaradamente uma teologia. No entanto, apesar de realmente não haver nenhuma lei que diga explicitamente que você só é cidadão pleno se for muçulmano (ou pelo menos acho que não haja, não encontrei nada a respeito), e apesar de algumas minorias (judeus, católicos, zoroastrianos) terem garantidos seus direitos de exercer suas crenças, eles são sujeiros a tratamento diferenciado. Eles devem pedir permissão para sair do país (e pagar uma taxa extra por essa requisição); uma compensação monetária por falecimento era até bem pouco tempo de valor diferente para muçulmanos e não-muçulmanos; eles não podem converter um muçulmano, senão tanto o conversor quanto o convertido incorrem em crime passível de pena de morte. Se não há explicitamente nenhuma medida estatal que vise impedir que cidadãos de outras religiões possam eventualmente vir a tornar-se maioria no país, há vários mecanismos que impedem que isso ocorra.

    Em primeiro lugar, há o Conselho Guardião, órgão composto de 12 pessoas cuja função é regular os outros órgãos do governo para que estejam de acordo com o Islã (constituição do Irã, art. 91 a 99). O presidente, por exemplo, antes de ser eleito, deve ser aprovado por esse conselho – e você acha que um não-muçulmano seria aprovado? Não muçulmanos das minorias previstas, mais os armênios e os assírios, têm seus príoprios candidatos no parlamento iraniano, 5 cadeiras de 290 estão reservadas para eles – e só. Mesmo que uma dessas minorias se torne uma maioria, as cadeiras no parlamento estão determinadas pela constituição (art. 64) – e uma mudança na constituição só é possível através do parlamento, e deve ser aprovada pelo Conselho Guardião, pelo presidente e pelo Líder Supremo. Além disso, um estrangeiro que desejar se tornar cidadão iraniano deve seguir os trâmites legais como em qualquer outro país – e eu não estranharia se um não-muçulmano sofresse mais entraves burocráticos para conseguir tal cidadania.

    Já em Israel, o país não é oficialmente uma teocracia, mas os partidos religiosos dominam cada vez mais o parlamento e fazem o que querem lá dentro. No entanto, você afirma: "é um estado que tem por base a religião"; eu não vejo diferençã entre isso e o Irã.

    Você aborda a famigerada Lei do Retorno, que garante cidadania quase imediata a qualquer judeu do mundo – inclusive com um pacote de benefícios fiscais para incentivar e facilitar a vida desses imigrantes. Essa é atualmente uma lei mal-vista inclusive pelos próprios israelenses, já que quem nasceu lá, judeu ou não, não goza desses benefícios. E é uma das leis que eu particularmente acho que deveria ser extinta. Mas, como eu já disse, um muçulmano teria mais facilidade em obter cidadania iraniana que um não-muçulmano – isso só não é tão explícito.

    Continua…

    Beto_W

    03 de outubro de 2011 às 16h38

    Continuando…

    Você segue dizendo que os palestinos, que lá nasceram, não podem ser cidadãos israelenses de plenos direitos – no Irã temos os Baha'i, perseguidos pelo governo, e privados de plena cidadania, apesar de lá viverem há séculos (http://info.bahai.org/persecution_iran.html). E os cidadãos árabes de Israel gozam, ao menos em teoria, de plenos direitos – eles têm partidos políticos, membros no parlamento sem número fixo de cadeiras (mas sim determinados pelas eleições), e ao menos em teoria não há nenhuma lei nem mecanismo que impeça um árabe de se tornar primeiro-ministro ou presidente de Israel, se houver maioria que o eleja (daí a preocupação da direita israelense em tentar barrar o direito de retorno dos palestinos ou impôr o caráter judaico de Israel na legislação). É fato que os árabes israelenses são discriminados, mas também o são os russos que emigraram como resultado da Perestroika. Mas todos têm, ao menos em teoria, plenos direitos e plena cidadania perante a lei.

    Você me conclama a condenar as disposições que só dão privilégios a judeus em Israel – o que eu faço, é só olhar o que escrevi um pouco acima. No entanto, você menciona entre tais privilégios a posse e proriedade de terras, participação nas forças armadas e direito de edificação de moradias. Todo e qualquer cidadão, judeu ou não, tem perante a lei o mesmo direito a terras. Todo e qualquer cidadão pode servir nas forças armadas – o que muda é a obrigatoriedade: árabes, judeus ortodoxos e outras categorias são dispensados do serviço obrigatório mas podem servir se assim o desejarem – há inclusive uma muçulmana servindo desde 2008 numa unidade de resgate de elite (http://www.ynet.co.il/english/articles/0,7340,L-3527584,00.html). E todo e qualquer cidadão tem direito a construir sua moradia. Tudo isso pelo menos em teoria, já que na prática acontece como no Irã, onde teoricamente todos são iguais perante a lei, mas uns são mais iguais que os outros.

    Portanto, se um humanista não pode aceitar que Israel seja um estado judaico, então tampouco pode aceitar que o Irã seja um estado islâmico (só para citar um exemplo). Eu acho que é possível tornar Israel um país de todos os seus cidadãos, independente de religiao ou etnia, onde todos tenham direitos iguais, mas que mantenha o judaísmo como religião "oficial", do mesmo jeito que o Brasil é um país laico mas cujos feriados nacionais refletem o catolicismo. Difícil na prática, dadas as circunstâncias atuais, mas não impossível.

    Sobre as justificativas religiosas a respeito do "direito divino" à terra, eu já me pronunciei contra. E acho que essa discussão de quem tem direito histórico à terra não leva a nada.

    Continua ainda…

    Beto_W

    03 de outubro de 2011 às 16h38

    Continuando (e terminando)…

    Agora, voltando às fotos, você ainda afirma que foram forjadas, eu ainda acho que são verdadeiras – mostram uma pequena parte de Gaza que não aparece na mídia, e que com certeza não reflete a situação da maioria. Mas se você realmente acredita que Gaza é inteiramente formada de escombros, onde vivem as pessoas? E você ainda não me ofereceu nenhuma evidência de que sejam forjadas ou montagens grosseiras, como você afirmou. Aliás, uma retratação: uma das universidades de que falei foi parcialmente destruída em 2008 pelo exército israelense, sob pretexto de que mísseis Qassam eram fabricados e guardados no campus. Uma missão da ONU investigou e não achou nenhuma evidência de tal acusação. No entanto, a Universidade ainda funciona e creio que as instalações danificadas já tenham sido restauradas. E eu pelo menos não vejo nada de luxo nas fotos, mas sim uma tentativa de normalidade. Se você acha que isso ameaça a legitimidade da questão palestina ou atenua a opressão israelense, eu discordo veementemente. Os cidadãos de Gaza e todos os que defendem os palestinos deveriam ter orgulho de mostrar ao mundo que nem um bloqueio imposto por Israel pode impedir os palestinos de tentar ter uma vida normal.

    Para terminar, achei um site bem legal feito por cidadãos de Gaza, sobre a vida cultural da cidade (Gaza é a principal, mas não a única, cidade da Faixa de Gaza): http://gazatoday.com/ . Achei essa foto na galeria deles, aliás, excelente galeria:
    <img src="http://gazatoday.com/files/gallery/viewsize/1_1.jpg"&gt;
    Tirada daqui:

    CC.Brega.mim

    29 de setembro de 2011 às 22h05

    pingos nos is
    todos..
    bancos eua israel
    o papa

    dilma brasil
    coragem e sinceridade.

    Responder

    Jair de Souza

    29 de setembro de 2011 às 20h54

    Ao ler comentários falando sobre os palacetes, o luxo e as grandes comodidades existentes na Faixa de Gaza, tudo me soa como se estivesse lendo alguém alegar que os habitantes do gueto de Varsóvia desfrutavam de ótimo nível de vida, com palacetes, luxo e conforto. É o tipo de coisas que os nazistas diziam , enquanto os judeus trabalhadores pobres (a esmagadora maioria dos quais nada tinha a ver com o sionismo) morria de inanição, de doenças contagiosas e outras desgraças. É a mesma filosofia. Para os que consideram que os palestinos não são seres humanos, a situação de Gaza é boa demais. Só esta identidade ideológica pode justificar que alguém tenha a desfaçatez de disser em público tais aberrações. O pior é que talvez ele até acredite no que diz. O fanatismo ideológico tem o poder de cegar.

    Responder

      Jair de Souza

      29 de setembro de 2011 às 22h03

      Só para que não haja incompreensão, "morria", na quinta linha, deve vir na forma "morriam". "Disser", na penúltima linha, deve ser escrita "dizer".

    NELSON NISENBAUM

    29 de setembro de 2011 às 19h17

    Quem já esteve lá e conhece as narrativas por relatos pessoais levante a mão ou escreva aqui. Vamos ver quantos "cientistas políticos de oriente médio" temos neste fórum.

    Responder

      Martin

      30 de setembro de 2011 às 00h14

      "A Palestina, sendo um estreito trecho de favorável passagem entre a África e Ásia, foi palco de um grande número de conquistas, pelos mais variados povos, por se constituir num corredor natural para os antigos exércitos"…(Wikipedia)
      Resta saber se a "mediação" dos EUA na região é o melhor sinônimo de justiça…

      Att.
      Martin

      Martin

      30 de setembro de 2011 às 00h24

      (Correção):
      …Mediação dos EUA ??

      Os "mediadores", na verdade, têm sido os herdeiros de "alguns grandes banqueiros sem pátria" – judeus ricos, que tiveram a idéia de criar um estado hebraico, a fim de se livrar da presença constrangedora dos judeus pobres na Inglaterra e na Europa Ocidental, como sugeriu Mauro Santayana no texo acima…

      Att.
      Martin

      cronopio

      30 de setembro de 2011 às 15h43

      Caro Nelson, Illan Pappé e Finkelstein conheceram a Palestina, conheceram Israel e possuem opniões muito diferente das suas. Pappé inclusive, nutria interesse pela historiografia oral mesmo antes de debruçar-se sobre o conflito. Por isso, ao coletar dados para a pesquisa de seu primeiro livro sobre o conflito, Pappé visitou as aldeias palestinas, entrevistando sobreviventes dos massacres perpetrados por Israel durante a limpeza étnica de 48. Pappé conhece bem os dois lados da questão (conhece "pessoalmente", como você faz questão de enfatizar, tendo até mesmo participado do primeiro grupo de historiadores a colocar os olhos nos documentos de 48). Finalmente, acho que não é absolutamente necessário (embora possa ser útil) conhecer "pessoalmente" a região em que um conflito se desenvolve para nos posicionarmos. Não é preciso visitar o Iraque, por exemplo, para saber que o argumento utilizado pelo governo americano para justificar suas ações era de uma estupidez sem tamanho. Até porque visitar Israel, o Líbano e a Palestina não está ao alcance de todos, você há de convir, o que não quer dizer que o assunto não seja do interesse de todos. Pelo contrário, é nosso dever tomar posição quando são cometidos crimes contra a humanidade. Acho principalmente problemática a instrumentalização de um evento tão central, tão gigantesco e trágico para a história moderna como o holocausto para fins de propaganda de guerra. De resto, acho que o sionismo teria muito mais a ganhar se abandonasse uma postura belicista e se abrisse ao diálogo. A convenção da ONU demonstrou de forma cabal que o discurso sionista, que enveredou pelos "argumentos de exceção" americanos que, na prática, destróem a democracia (guerra contra o terror), perdeu um espaço político imenso, a despeito da massiva propaganda nacionalista difundida pela direita israelense (com perseguição a intelectuais, etc). Israel é o único país em condições de mudar os rumos do conflito, mas, para isso, precisa frear o avanço da direita israelense, que se alimenta do clima de terror criado com a ajuda de grupos como o Hamas, cujas fileiras são engrossadas pelo desespero e humilhação de jovens sem perspectiva política, econômica e social. Penso, finalmente, que teríamos muito a ganhar se considerássemos as condicionantes econômicas desse conflito. Obrigado.

    Robson Porto

    29 de setembro de 2011 às 17h50

    Esse Estado de Israel que aí está não passa de um porta-aviões americano no meio do deserto para que os Estados Unidos possa controlar a produção e distribuição do petróleo in-loco. A criação de Israel não teve nenhuma motivação histórico-geográfica-religiosa. Buscava apenas dar ao grande vencedor (da II GG) as batatas…

    Responder

    Jorge Zimbábue

    29 de setembro de 2011 às 16h55

    Mais claro que isso, impossível! Excelente artigo Mauro Santayana. Como dói ver na midia especializada palestinos defendendo suas terras contra a invasão além fronteiras de Israel, comprimidos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, com pedras e tijoladas contra os Rifles e Canhões de Israel! E morre palestinos sem nenhuma vergonha da parte daqueles que viveram o cruel holocausto da 2ª Grande Guerra, como se não fôssem seres humanos exercendo lídimo direito de protestar contra o invasor dominador armado até os dentes! Árabes ou Palestinos, mortos ou vivos, par eles que diferença faz?. E tome Canhão, Fuzil neles e Muros de Contenção! Ainda se houve a voz de Sabra e Chatila, o choro de crianças, adultos e idosos, chacinados pelo famigerado general israelita Ariel Sharon, de triste memória. Nem isso os comove, tamanha crueldade!

    Responder

    carl

    29 de setembro de 2011 às 16h41

    Nenhum de vocês conhecem nada. só vêem as suas paixões! É preciso amar a as pessoas como se não houvesse amanhã.
    carl

    Responder

      HMS TIRELESS

      29 de setembro de 2011 às 18h23

      Viva a Legião Urbana! Renato Russo vive!

    NELSON NISENBAUM

    29 de setembro de 2011 às 15h09

    Respeito muito o Mauro Santayana, mas certamente ele não conhece Gaza, Palestina, Cisjordânia, Líbano, Síria, Jordânia, etc. Se conhecesse pessoalmente, não teria escrito as barbaridades que escreveu. Lamentável.

    Responder

      francisco p. neto

      29 de setembro de 2011 às 23h17

      Nisenbaum
      Esse sobrenome me diz algo que não sei explicar. Kkkkk.
      Mal comparando, seria a mesma coisa da raposa se achar no direito de gerenciar o galinheiro.

      cronopio

      30 de setembro de 2011 às 13h04

      Caro Nelson, Illan Pappé e Finkelstein conheceram a Palestina, conheceram Israel e possuem opniões muito diferente das suas. Pappé inclusive, nutria interesse pela historiografia oral mesmo antes de debruçar-se sobre o conflito. Por isso, ao coletar dados para a pesquisa de seu primeiro livro sobre o conflito, Pappé visitou as aldeias palestinas, entrevistando sobreviventes dos massacres perpetrados por Israel durante a limpeza étnica de 48. Pappé conhece bem os dois lados da questão (conhece "pessoalmente", como você faz questão de enfatizar, tendo até mesmo participado do primeiro grupo de historiadores a colocar os olhos nos documentos de 48). Finalmente, acho que não é absolutamente necessário (embora possa ser útil) conhecer "pessoalmente" a região em que um conflito se desenvolve para nos posicionarmos. Não é preciso visitar o Iraque, por exemplo, para saber que o argumento utilizado pelo governo americano para justificar suas ações era de uma estupidez sem tamanho. Até porque visitar Israel, o Líbano e a Palestina não está ao alcance de todos, você há de convir, o que não quer dizer que o assunto não seja do interesse de todos. Pelo contrário, é nosso dever tomar posição quando são cometidos crimes contra a humanidade. Acho principalmente problemática a instrumentalização de um evento tão central, tão gigantesco e trágico para a história moderna como o holocausto para fins de propaganda de guerra. De resto, acho que o sionismo teria muito mais a ganhar se abandonasse uma postura belicista e se abrisse ao diálogo. A convenção da ONU demonstrou de forma cabal que o discurso sionista, que enveredou pelos "argumentos de exceção" americanos que, na prática, destróem a democracia (guerra contra o terror), perdeu um espaço político imenso, a despeito da massiva propaganda nacionalista difundida pela direita israelense (com perseguição a intelectuais, etc). Israel é o único país em condições de mudar os rumos do conflito, mas, para isso, precisa frear o avanço da direita israelense, que se alimenta do clima de terror criado com a ajuda de grupos como o Hamas, cujas fileiras são engrossadas pelo desespero e humilhação de jovens sem perspectiva política, econômica e social. Penso, finalmente, que teríamos muito a ganhar se considerássemos as condicionantes econômicas desse conflito. Obrigado.

      Eduardo Rawet

      30 de setembro de 2011 às 13h17

      Limpeza Etnica e um tanto exagero…

      cronopio

      30 de setembro de 2011 às 15h43

      Discordo, trata-se sim de limpeza étnica, como a que os portugueses e espanhóis realizaram nas Américas. Em todo caso, o livro de Illan Pappé se chama "The ethnic cleansing of Palestine" (Oneworld Publications Limited, 2007). O próprio Benny Morris, sionista radical, utiliza a expressão limpeza étnica (como eu escrevi no comentário, ele apenas lamenta que essa limpeza não tenha sido completa). Que outro nome você daria ao extermínio de um grupo étnico promovido por um estado nacional dentro de seu próprio território? Desculpe por reiterar os mesmo argumentos, mas acontece que você simplesmente não expôs nenhum dos seus argumentos, apenas tentou desqualificar minha argumentação, que, a meu ver, nada tem de exagerada, pelo contrário, é fruto de uma reflexão que empreendo já há algum tempo. É curioso, no entanto, o fato de que a maior parte dos sionistas que comentam as matérias evita aprofundar-se nessa questão. Espero que você exponha mais argumentos para que possamos, assim, enriquecer o debate e adquirir uma visão menos distorcida (ou exagerada, como você diz) do conflito. Um abraço.

      Eduardo Rawet

      30 de setembro de 2011 às 16h28

      Em nenhum momento eu tentei desqualificar os seus argumentos, só queria saber quais eram.

      É que eu nao chamaria de limpeza etnica só isso. O argumento que o Nelson usou é muito bom, 20% da população de Israel é Arabe, E tem direito a voto todos esses. Se houvesse uma limpeza etnica de Estado, bem menos teriamos isso em Israel. O que se pode argumentar é que as guerras levaram a ocorrer uma grande quantidade de mortes de arabes e de judeus, como a maioria foi ganha ( do ponto de vista de quantidade de mortes e sobrevivencia de Estado ) por Israel, consequentemente mais arabem morreram. Muitos desses civis, verdade, muitos tambem por erros de Israel, também. Além de umas operaçoes muito pouco pensadas, erros de algumas pessoas, e de alguns governos, nao do estado, nao algo esquematizado.

      cronopio

      30 de setembro de 2011 às 19h01

      Caro Sr. Eduardo Rawet, sua resposta me mostrou que não fui claro em minha argumentação. Quando mencionei a limpeza étnica não fazia referência às vítimas de guerra, mas aos palestinos que moravam em aldeias espalhadas pelo território de Israel (sendo muitas delas não se comunicavam entre si), antes de sua criação, e que foram mortos ou expulsos das terras onde viviam apenas por serem palestinos, entende? Eles não estavam em guerra e foram expulsos de suas terras porque pertenciam a uma etnia diferente. Por isso o livro de Pappé é tão interessante, pois ele demonstra de forma cabal que centenas de milhares de palestinos foram expulsos ou mortos pelo exército de Israel sem oferecer resistência, o que começou a ocorrer mesmo antes de 48. Para você ter uma ideia, nessa época, estima-se que mais de 70% da população de Israel era composto por palestinos. O que Benny Morris alega a favor da limpeza étnica é que esse número impossibilitava o projeto sionista o que, portanto (e eu não sigo nesse "portanto") justificaria a referida limpeza étnica. Trata-se de verdadeiros massacres que aconteceram com as populações tribais que ocupavam o território. Pappé recolhe documentos, fotos e relatos escritos e orais acerca desses massacres, sobre os quais a historiografia oficial até então calara profundamente. Os 20% que você mencionou são justamente o motivo pelo qual Benny Morris tanto se lamenta. Para ele a limpeza deveria ter sido total. A maior prova de que Pappé não exagerou na dose é o fato de o proprio estado de Israel tê-lo utilizado como referência durante as negociações de Camp David, a fim de demonstrar disposição para com o processo de paz. Enfim, vou tentar traduzir alguns trechos do livro de Pappé e postá-los aqui futuramente.

      Esse link tem uma entrevista interessante com Pappé: http://www.youtube.com/watch?v=buIKKeygWBY

      Obrigado.

      cronopio

      30 de setembro de 2011 às 19h26

      Caro Sr. Eduardo Rawet, sua resposta me mostrou que não fui claro em minha argumentação. Quando mencionei a limpeza étnica não fazia referência às vítimas de guerra, mas aos palestinos que moravam em aldeias espalhadas pelo território de Israel (sendo muitas delas não se comunicavam entre si), antes de sua criação, e que foram mortos ou expulsos das terras onde viviam apenas por serem palestinos, entende? Eles não estavam em guerra e foram expulsos de suas terras porque pertenciam a uma etnia diferente. Por isso o livro de Pappé é tão interessante, pois ele demonstra de forma cabal que centenas de milhares de palestinos foram expulsos ou mortos pelo exército de Israel sem oferecer resistência, o que começou a ocorrer mesmo antes de 48. Para você ter uma ideia, nessa época, estima-se que mais de 70% da população de Israel era composto por palestinos. O que Benny Morris alega a favor da limpeza étnica é que esse número impossibilitava o projeto sionista o que, portanto (e eu não sigo nesse "portanto") justificaria a referida limpeza étnica. Trata-se de verdadeiros massacres que aconteceram com as populações tribais que ocupavam o território. Pappé recolhe documentos, fotos e relatos escritos e orais acerca desses massacres, sobre os quais a historiografia oficial até então calara profundamente. Os 20% que você mencionou são justamente o motivo pelo qual Benny Morris tanto se lamenta. Para ele a limpeza deveria ter sido total. A maior prova de que Pappé não exagerou na dose é o fato de o proprio estado de Israel tê-lo utilizado como referência durante as negociações de Camp David, a fim de demonstrar disposição para com o processo de paz. Enfim, vou tentar traduzir alguns trechos do livro de Pappé e postá-los aqui futuramente.

      Eduardo Rawet

      01 de outubro de 2011 às 04h37

      Sr. Cronopio, eu entendi o seu argumento, só quis dizer que nao houve uma politica de governo nem Estatal. Mas seu ultimo post foi mais claro, você se refere a guerraa de 48.

      Primeiro, esse numero de 70% é um tanto exagerado. Mas de qualquer forma de acordo com a partilha da palestina de 47, pela ONU, a maioria desses arabes, moraria em um futuro Estado arabe, entao, qualquer que fosse o numero elevado, tal, nao impossibilitaria um "projeto sionista".

      Beto_W

      30 de setembro de 2011 às 14h04

      Excelente, cronopio!

    Orellano Paz

    29 de setembro de 2011 às 14h04

    existe o "NuncaDantes",
    e agora também existe a "NuncaDantes".

    Responder

    Julio

    29 de setembro de 2011 às 12h54

    Os palestinos não querem qualquer Estado. Querem Jerusalém. Então não são pasivos nesta história e sim bastante ativos em suas intrangisencias.

    Responder

      luiz pinheiro

      29 de setembro de 2011 às 15h31

      Jerusalem é a capital palestina há muitos séculos. Lá está sua principal mesquita, lá estão suas ruas, suas casas. Reivindicá-la de modo algum é "intransigência". Não haverá solução pacífica para o Oriente Médio sem o reconhecimento do direito palestino a parte de Jerusalem.

      Beto_W

      30 de setembro de 2011 às 11h09

      Luiz, na verdade Jerusalém só foi determinada como capital do Mandato Britânico iniciado em 1920, apos a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial. Durante o domínio otomano, a região era chamada de Síria e sua capital era Aleppo, e só em 1874 foi criado o distrito (mutesarrifiyyet) de Jerusalém, com administração própria – mas a área desse distrito englobava apenas os entornos de Jerusalém, e não toda a Palestina. Portanto, Jerusalém não é capital palestina há muitos séculos, foi determinada como capital pelos britânicos – que aliás definiram junto com os franceses o mapa atual do oriente médio, inclusive as fronteiras da Palestina como são hoje.

      A mesquita de Al-Aqsa realmente é importante para os muçulmanos da região, bem como o Domo da Rocha (o edifício de cúpula dourada ao lado da mesquita) que, segundo a crença muçulmana, é o local para onde Maomé viajou em sua Viagem Noturna, tornando o lugar o terceiro mais importante para o Islã. O primeiro lugar mais sagrado é a Kaaba em Meca, para onde se voltam os muçulmanos ao rezar, e o segundo é o túmulo de Maomé em Medina – curiosamente, nas duas cidades é proibida a entrada de não-muçulmanos. Por outro lado, Jerusalém é a cidade mais sagrada para os judeus e cristãos, e o lugar mais sagrado para os judeus é justamente onde estão a mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha, que é onde ficava o Templo Sagrado dos judeus.

      Eu concordo com você, um dos passos para a paz é dividir Jerusalém, deixando a parte oriental para os palestinos, incluindo a mesquita, e deixando a parte ocidental, a partir do Muro das Lamentações, como território israelense. Mas não sei se é isso que eles reivindicam, ou se querem toda a Cidade Velha (como era antes de 1967).

      luiz pinheiro

      30 de setembro de 2011 às 14h55

      Eu citei Jerusalem como capital paletina porque sempre foi a principal, a maior cidade palestina. Mas os palestinos nunca tiveram um país independente, portanto nunca tiveram uma capital do ponto de vista formal. Foram ocupados pelos otomanos, pelos ingleses, por Israel. Mas são uma nação, tem uma vigorosa cultura própria, merecem e tem o direito de formarem um país independente. Com a capital em Jerusalem, que precisa ser dividida entre as tres religiões. Esse é o ponto.

    Jair de Souza

    29 de setembro de 2011 às 12h41

    Muito obrigado Mauro Santayana por expressar a verdade com toda clareza e contundência. É reconfortante constatar que um jornalista de seu talhe não aceita ser condicionado (como muitos outros, sim, aceitam) às determinações dos poderosos "donos da história". É muito importante que alguém como você nos leve a entender que o sionismo é de fato o que o sionismo é: a versão do nazi-fascismo desenvolvida e difundida pelos ideólogos da burguesia judaica. Tudo isso à custa do sacrifício de milhões de judeus trabalhadores pobres (que nunca foram sionistas) na Europa e, principalmente, na Alemanha nazista. Essa mesma Europa que levou à morte tantos judeus pobres (não-sionistas) agora quer expiar sua culpa com o sangue e as terras do povo palestino.

    Responder

    Gilvan

    29 de setembro de 2011 às 12h33

    Cuidado com o "revisionismo" histórico ,sempre tendencioso em relação à existência e autodeterminação de Israel. As fronteiras adentro que nasceu Jesus sempre foram conhecidas como terra de Israel. Porque o bloco árabe rejeitou a Resolução que dividia a "palestina" , e por compulsão pela guerra (1948, 1967 e 1973), resolveram empurrar os judeus para o mar? Uma nação palestina árabe, sim; revisionismo histórico: imoral.

    Responder

      Leider_Lincoln

      29 de setembro de 2011 às 13h31

      Negar as atrocidades, roubos, assassinatos, torturas e manipulação israelenses sim, que é moralidade,não é mesmo? E em 1973 os árabes ganharam. Só não levaram por que os Estados Unidos não deixaram.
      Aliás, um importante filósofo do século passado,salvo engano judeu, disse que nem toda paz é meritória e nem toda guerra uma imoralidade. Se lesse suas palavras, acrescentaria que elas são de um cinismo atroz. Mala!

      HMS TIRELESS

      29 de setembro de 2011 às 18h22

      Leider Lincoln:

      Pare de assassinar a história! Os Ärabes não ganharam nada em 1973. Pelo contrário: As força israelenses, inferiores em números e atacadas covardemente e de surpresa no Yom Kippur, viraram a mesa e chegara a 40 km de Damasco e 100km do Cairo, a despeito dos árabes contarem com muito mais soldados e infinitos suprimentos de armas da antiga URSS. Quem teve de intervir para evitar (mais um) vexame dos árabes foram justamente os soviéticos, que ameaçaram atacar Israel caso a contra-ofensiva não cessasse. Vai uma historinha pra você; O presidente da Argélia, Boumedienne, foi à Moscou pedir mais armas para os exércitos árabes e ouviu uma negativa pois tudo o que os árabes estavam fazendo com tais armas era "entregá-las para Israel"

      luiz pinheiro

      30 de setembro de 2011 às 09h19

      "Quem teve de intervir para evitar (mais um) vexame dos árabes foram justamente os soviéticos, que ameaçaram atacar Israel caso a contra-ofensiva não cessasse"
      A história foi bem outra. Os soviéticos apoiavam sim o Egito e a Síria, mas do outro lado os Estados Unidos e as potencias ocidentais apoiavam Israel, e o peso desse apoio era ainda maior. O que conteve a contraofensiva israelense não foi o apoio sovietico aos árabes. Foi a decisão da Arábia Saudita e outros produtores árabes de petróleo de suspender o fornecimento se as tropas de Israel prosseguissem. Foi aí que se deu o chamado primeiro choque dos preços do petróleo, que na época custava apenas 3 ou 4 dolares o barril.

      HMS TIRELESS

      30 de setembro de 2011 às 16h43

      Não Luiz, somente os EUA vendiam armas para os Israelenses. Os Franceses haviam decretado um embargo de armas a Israel em 1967 e em 1969 os britânicos fizeram o mesmo. A ameaça da URSS também foi verdadeira, mas o amigo acertou ao mencionar o embargo de petróleo que eu havia esquecido.

      Eduardo Rawet

      30 de setembro de 2011 às 17h42

      Na verdade o apoio americano a Israel do modelo que vemos hoje nao é nao antigo. O primeiro grande apoio que Israel teve foi da França, essa que mandava muitos armamentos para Israel, e também outros acordos como a Usina nuclear de Dimona.

      Eduardo Rawet

      29 de setembro de 2011 às 14h23

      Só corrigindo um pequeno erro. As fronteiras que Jesus nasceu nao era nem Palestina nem Israel, e sim Judeia.

      NELSON NISENBAUM

      30 de setembro de 2011 às 07h49

      Sim, Eduardo, Jesus era judeu e nasceu na pátria dos judeus, naquele momento invadida pelos romanos.

      luiz pinheiro

      30 de setembro de 2011 às 09h09

      Judeia era apenas uma parte da Palestina, aquela onde, na época de Jesus Cristo, vivia a maioria dos judeus. Mas havia também a Galiléia, Cananéia, e outras, todas na Palestina.

      Eduardo Rawet

      30 de setembro de 2011 às 10h48

      aiaiaiaiai…………….

      O nome Palestina só nasceu no Século II da Era Comum, ma precisamente depois da revolta de Bar Cochba, nessa os judeus foram massacrados. Como uma forma de humilhar mais ainda os judeus os romanos mudaram o nome do lugar ( antes Judeia ) para Palestina.
      Agora o que significa para os judeus da época o nome Palestina? uma relação com os Philisteus, um dos inimigos deles no periodo biblico, é só ler o livro de davi e de salomão. Philisteus – Palestina. Só o nome, esse povo ja desapareceu Séculos antes da mudança de nome.

      Pronto negativem a História.

      cronopio

      30 de setembro de 2011 às 13h18

      Acho que essa discussão não leva a lugar nenhum. Os argumentos históricos devem ser colocados em uma perspectiva atual, sob o risco de se tornarem pura ideologia nacionalista. Os franceses exaltam os gauleses, os espanhóis, os asturianos, os alemães, os germanos, os italianos, os romanos. Cada povo cria uma narrativa heróica para si, sob a qual erige suas colunas e põe seus exércitos a marchar. Contra o alegado direito dos judeus sobre o solo de Israel seria possível argumentar que, antes de as tribos judaicas se instalarem, povos autóctones já habitavam a região, isso sem falar nas lutas intestinas entre as tribos, que põem por terra o argumento de uma união identitária entre elas (os direitos dos índios brasileiros também são contestados com argumentos parecidos), mas o fato é que essa discussão não leva a lugar nenhum. É pura abstração. todo ser humano e todo agrupamento de seres humanos tem direito à terra, e ponto. O que nós precisamos é de uma solução para esse conflito sangrento que não signifique o massacre de um povo em prol do outro,

      Beto_W

      30 de setembro de 2011 às 14h14

      Mais um excelente comentário do cronopio! Discutir épocas bíblicas, khazares, ou história antiga não irá resolver o conflito, e sim perpetuá-lo. Existem dois povos com aspirações nacionais naquela terra, e nenhum irá varrer o outro da face da terra. Por mais que se discuta o direito, divino ou não, de um dos povos, ninguém vai fazer as malas e desistir de seu país.

      Israel, bem ou mal, já existe há mais de 60 anos, e já existem duas gerações de cidadãos nascidos e criados lá. Os palestinos também já vivem lá há tempos, e têm o direito a um estado e à auto-determinação. Qualquer solução que determine a legitimidade de um lado e a ilegitimidade de outro, resultando na remoção do segundo, está fadada ao fracasso antes mesmo de começar.

      Beto_W

      30 de setembro de 2011 às 14h22

      Eduardo, se me permite, uma correção: há referências a uma região vizinha ao Egito chamada "Peleset" em documentos que datam da vigésima dinastia, por volta do século 11 A.C.; os assírios chamavam a região de "Palashtu". A primeira referência considerada clara à região data do século 5 A.C., em textos gregos, como "Palaistine", termo que consta de textos inclusive de Aristóteles.

      Eduardo Rawet

      30 de setembro de 2011 às 17h39

      Desculpe Beto,

      Nunca ouvi nada perto disso, poderia mandar alguns links com isso?

      Beto_W

      30 de setembro de 2011 às 18h37

      Alguns links para começar:
      http://www.jewishencyclopedia.com/view.jsp?artid=http://books.google.com/books?id=sCY4sAjTGIYC&amphttp://www.pef.org.uk/oldsite/Paldef.htm http://www.specialtyinterests.net/harris.html (Contém menção a Peleset) http://classics.mit.edu/Aristotle/meteorology.2.i… (Traduzido para inglês, contém a palavra Palestine, Palaistine no original) http://books.google.com/books?id=_HiVUkU6gBIC&amphttp://ldolphin.org/cooper/appen2.html

      Apesar da credibilidade da wikipedia não ser lá grandes coisas, as referências lá apontadas podem ser interessantes: http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_the_name_

      Eduardo Rawet

      30 de setembro de 2011 às 19h23

      Desculpe Beto,

      Mas todos esses links só corroboram o que eu disse. Palestina é de Philisteia, terra dos philisteus, um dos povos inimigos dos judeus dos tempos biblicos.

      De qualquer forma essa discussão de nomes nao leva a nada. Concordo com o que você disse lá em cima, "Israel, bem ou mal, já existe há mais de 60 anos, e já existem duas gerações de cidadãos nascidos e criados lá. Os palestinos também já vivem lá há tempos, e têm o direito a um estado e à auto-determinação." Eles se auto-denominam palestinos porque moram nessa regiao que se chama palestina há pelo menos 1800 anos. E sao um povo e merecem um estado assim como os judeus. Dois povos, dois estados.
      Só nao sei quanto a Jerusalém, é uma questao um pouco mais complicada.

      NELSON NISENBAUM

      29 de setembro de 2011 às 15h07

      Tendencioso é chamar conflito palestino de holocausto. Quantos morreram em conflitos com Israel nesses 60 anos? 60.000. Quantos árabes morreram em conflitos entre eles? 12.000.000. Quase a mesma coisa.Mauro Santayana é um desse que precisa ir até lá e conhecer a realidade com os próprios olhos. Os bairros ricos de Gaza, a economia próspera da Cisjordânia, todos construídos com ajuda da economia israelense.

      luiz pinheiro

      29 de setembro de 2011 às 15h35

      "Bairros ricos de Gaza?" – Quem precisa ir lá é voce, Nelson. Mas temo que, para voce, não adiante. O que esperar de alguém que acha normal Israel ter matado 60.000 mil palestinos (na verdade, foram muito mais) alegando que os "árabes, entre si, se matam muito mais"?

      Lucas

      29 de setembro de 2011 às 17h12

      Concordo, mas daí a chamar de "holocausto" é exagero claramente direcionado a fazer paralelos entre Israel e a Alemanha nazista. É verdade que Israel é Estado etnocêntrico, e cada vez mais fascista, mas Israel tá mais pra África do Sul do Apartheid do que Alemanha nazista.

      Tentar comparar Israel à Alemanha de Hitler é jeito fácil de ser tachado de antissemita. Mais fácil e mais útil é se ater aos fatos. Não existem campos de extermínio de Palestinos. Existem bantustões, existe a ocupação, existe a opressão, a discriminação institucional, e o roubo de terras.

      NELSON NISENBAUM

      29 de setembro de 2011 às 18h51

      Não estou justificando nada. Não aceito nem estimulo a guerra. Apenas números, motivações e causas devem ser adequadamente comparadas, se se pretende um debate minimamente produtivo e honesto.

      NELSON NISENBAUM

      29 de setembro de 2011 às 18h57

      Sim, tem muita riqueza em Gaza. Tem desigualdade como em S.Paulo, palacetes ao lado da favela. Shopping Center, bancos, e muito conforto. Vai lá para conhecer, você precisa. Mas cuidado para não ir contra o Hamas, senão você vai ficar por lá, bem mortinho.

      cronopio

      30 de setembro de 2011 às 08h57

      Acho que contar cadáveres não acrescenta nada ao debate…

      luiz pinheiro

      29 de setembro de 2011 às 15h27

      Errou feio, Gilvan. "As fronteiras adentro que nasceu Jesus sempre foram conhecidas como" – Palestina, é o nome histórico correto, está inclusive na Bíblia. Israel foi o patriarca de um antigo clã, cuja descendência formou o povo judeu. E veio Israel a ser o nome usado para batizar o novo Estado, construído sobre o martírio e a exclusão dos palestinos árabes, infelizes descendentes de Ismael, o irmão amaldiçoado. Israel é nome abertamente racista, escolhido para advertir os palestinos ser o país propriedade apenas do clã dos judeus. Não há no mundo outro Estado declaradamente racista, no próprio nome, como este.

      Eduardo Rawet

      29 de setembro de 2011 às 19h24

      Onde na Biblia está escrito Palestina?

      Marat

      30 de setembro de 2011 às 09h01

      Dependendo de quem a traduz, podem aparecer ali quaisquer termos… Vide Lutero!

      Beto_W

      30 de setembro de 2011 às 14h31

      Luiz, vamos com calma. Entendo seu ranço contra Israel, mas o nome não é racista, nem foi escolhido para advertir ninguém. Senão poder-se-ia dizer que "República Islâmica do Irã" também é declaradamente racista, ou que a França é declaradamente exclusiva para os Francos, ou a Alemanha é dos Germânicos ou a Palestina é um nome escolhido pelos palestinos para excluir os judeus de seu futuro estado. Não confunda políticas e ações segregacionistas com identidade cultural.

      Quanto à bíblia, lá constam vários nomes: Peleshet, Canaã, Judéia…

    Marcio H Silva

    29 de setembro de 2011 às 11h59

    "Pela primeira vez" é o que se houve do Brasil de 2002 para cá.

    Responder

      HMS TIRELESS

      29 de setembro de 2011 às 18h25

      Especialmente em virtude da ânsia do ParTido em tentar reescrever e distorcer a história…..


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