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Diário da Resistência


Mário Scheffer: Sanitaristas, entidades de saúde e movimentos sociais defensores do SUS mandam recado a Lula
Foto: Ricardo Stuckert
Política 05/08/2022 - 20h35

Mário Scheffer: Sanitaristas, entidades de saúde e movimentos sociais defensores do SUS mandam recado a Lula


Por Redação

Lula e Alckmin falam para “Universos Paralelos” da saúde na mesma semana

Por Mário Scheffer, Estadão — blog Política & Saúde 

Em arrimo à campanha de Lula para a Presidência, ocorreu, nesta sexta feira, 5, em São Paulo, a conferência de saúde “Livre, Democrática e Popular”.

Reunindo expectativas antigas e recentes, de promover mudanças na saúde pública, a plenária festiva teve a intenção de construir uma barricada, para o caso de vitória em outubro.

Sanitaristas, entidades de saúde e movimentos sociais fizeram a defesa do SUS e deixaram implícita a mensagem de que é dali que sairão nomes para ocupar os principais cargos na saúde federal.

Um dos presentes, o senador Humberto Costa (PT-PE), chegou a avançar a linha, antecipou-se à plateia como candidato a ministro da Saúde, posição que ocupou no primeiro governo de Lula.

Com o termo “popular”, mas sem espaço para participação e debate de propostas e programa, predominou o lema ‘é meu, ninguém tasca eu vi primeiro’.

Sem Alckmin presente, Lula incensou o SUS, disse que “tudo que é universalizado cai de qualidade se o dinheiro não for também universalizado”.

O ex-presidente prometeu a ampliação do sistema público (100% de cobertura de atenção primária), pregou o fim do teto de gastos e lamentou a extinção da antiga CPMF, o imposto do cheque criado para financiar o SUS, mas sempre desviado para outras finalidades.

Três dias antes, na sede do SindHosp, em São Paulo, Alckmin, sem Lula por perto, disse a empresários da saúde que “se a economia cresce, cresce o setor privado da saúde, cresce a medicina suplementar e isso irá aliviar o SUS.”

Ficou a certeza de que, em matéria de saúde, a coalizão, hoje favorita a vencer a eleição em outubro, não possui fóruns para o diálogo compartilhado.

São dois mundos: o público, dos 45% dos recursos, e o privado, que consome 55% dos gastos do país com saúde.

A conferência popular com Lula, que aconteceu no bairro da Liberdade, afirmou-se como a nação dos políticos de bancadas minoritárias, dos sindicatos de trabalhadores da saúde, movimentos negro, feminista, indígena e contra os manicômios.

Na seleta reunião com Alckmin, em auditório na rica Avenida Faria Lima, também em São Paulo, estavam executivos de empresas que preferem circular onde os recursos para a saúde são abundantes.

Aproximações para encontrar uma arena comum de exposição e decantação das divergências estão fora de cogitação.

Objetos de disputa em campanhas eleitorais são reais, não nascem em repolhos nem em rosas.

Quanto mais se aproxima a eleição, cresce o nível de ansiedade de quem vislumbra cargos e posições de poder, que é o que importa no final.

A saúde entrou na pauta eleitoral, mas por enquanto está confinada em universos paralelos.





6 comentários

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Zé Maria

06 de agosto de 2022 às 18h40

https://twitter.com/i/status/1555927732831371264

“ATENÇÃO, ENFERMAGEM!”

“Não se deixem enganar por Bolsonaro.
Ele nunca foi a favor do Piso.
Ele apenas sancionou o PL
pois sabia que se ele vetasse,
nós iríamos derrubar o veto
no Congresso! E hoje, depois de
2 anos de luta, ele quer capitalizar
a sanção para se reeleger!”

https://twitter.com/ContaratoSenado/status/1555927732831371264

“Todos os 81 Senadores votaram
favoravelmente ao PL 2564.
E, dos 513 Deputados Federais,
apenas 12 votaram Contra o Piso,
inclusive o Filho [03] do Presidente.”

“Bolsonaro só sancionou o Projeto
porque ele sabe que, se ele vetasse,
nós derrubaríamos o veto.”

“A nossa Luta, agora, é para derrubar
o Veto Presidencial para restaurar
a Proposta [aprovada pelo Congresso]
de Reajuste Anual do Piso Salarial.”

Senador Fabiano Contarato (PT/ES)
.
.

Responder

Zé Maria

06 de agosto de 2022 às 12h29

INVESTIMENTO PER CAPITA NO SUS CAI ANO A ANO
Redução maior ocorre nos últimos 5 Anos
após aprovação do Teto de Gastos, em 2017

https://federacaors.org.br/para-2022-ministerio-da-saude-perde-20-do-orcamento-de-2021/

Responder

    Zé Maria

    06 de agosto de 2022 às 12h40

    O SUS Desconcentra Renda

    Segundo Estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)

    de cada R$ 1,00 investido em saúde, a sociedade recebe R$ 1,70 de volta.

    https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_alphacontent&ordering=3&limitstart=5260&limit=20

    Zé Maria

    06 de agosto de 2022 às 14h24

    Cada R$ 1 gasto com educação pública gera R$ 1,85 para o PIB.
    O mesmo valor gasto na saúde gera R$ 1,70.
    Os valores levam em conta gastos de União, Estados e Municípios.

    “Em termos gerais, ampliar em 1% do PIB os gastos sociais redunda em 1,37%
    de crescimento do PIB. Ou seja, é o tipo de gasto que tem mais benefícios
    do que custo” – explica a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea,
    Joana Mostafa.

    Os Benefícios Sociais que apresentam maior retorno são aqueles feitos com o Bolsa Família, que geram R$ 2,25 de renda familiar para cada R$ 1 gasto com o benefício; e os benefícios de prestação continuada – destinados a idosos e portadores de deficiência cuja renda familiar per capita seja inferior a 25% do salário mínimo -, que geram R$ 2,20 para cada R$ 1 gasto.

    “Para cada 1% a mais investido em educação e saúde, há um efeito multiplicador
    que aumenta em 1,78% o PIB e em 1,56% a renda das famílias”

    Além disso, 56% desses gastos retornam ao caixa do Tesouro na forma de
    tributos.
    Os dados referem-se ao ano de 2006 [Governo LULA] e constam do Estudo
    “Gasto com a Política Social: Alavanca para o Crescimento com Distribuição de Renda”,
    divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

    “O gasto na educação não gera apenas conhecimento.
    Gera economia, já que ao pagar salário a professores aumentam-se o consumo,
    as vendas, os valores adicionados, salários, lucros …” – avalia o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão.

    Portanto, a política social brasileira não apenas protege, como promove
    o cidadão.

    “Em termos gerais, ampliar em 1% do PIB os gastos sociais, redunda
    em 1,37% de crescimento do PIB.
    Ou seja, é o tipo de gasto que tem mais benefícios do que custo” –
    explica a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Joana Mostafa.

    Investimento
    Cada R$ 1 gasto em educação pública gera R$ 1,85 para o PIB, diz Ipea

    Segundo ela, a renda das famílias é responsável por cerca de 80% do PIB.

    “Dessa forma, aumentar em 1% do PIB o gasto social gera 1,85% de crescimento da renda das famílias” – disse a pesquisadora.

    “No caso da saúde, além de esses gastos representarem empregos, envolvem também a aquisição de aparatos tecnológicos, o que também contribui para a demanda nas indústrias.

    Mostafa explica que a pesquisa leva em consideração os reflexos desses gastos
    no PIB e na renda familiar:

    “Para cada 1% a mais investido em educação e saúde, há um efeito multiplicador que aumenta em 1,78% o PIB e em 1,56% a renda das famílias”.

    No caso do Bolsa Família, o aumento de 1% do que ele representa para o PIB resultaria no aumento de 1,44% do PIB. Mas, nesse caso, o mais significativo está relacionado ao fato de que, ao receber e usar esse benefício, o cidadão acabar gerando renda para outras famílias.

    “Cada R$ 1 gasto com esse programa gera R$ 2,25 em rendas familiares”
    – afirma a responsável pelo estudo.

    O mesmo não pode ser dito dos gastos com exportações de commodities
    agrícolas e extrativas.

    “Apesar de agregarmos ao PIB 40% de cada real investido nessa área,
    os efeitos para a renda familiar são pequenos e limitados a R$ 1,04
    para cada R$ 1,00 gasto.

    Como utiliza dados referentes a 2006, o estudo não mensura os reflexos das ações recentes do governo em favor do setor da construção civil.

    “O que podemos dizer é que, em 2006, os gastos com construção civil
    pouco contribuíram para a redução das desigualdades sociais.
    Isso certamente terá um quadro diferenciado quando agregarmos dados
    de 2009 a uma nova pesquisa, porque certamente houve aumento do número
    de empregos formais” – justifica Abrahão.

    O Estudo do IPEA considera como ‘gastos públicos sociais’
    os feitos em Previdência Social geral e pública, educação,
    saúde, assistência social, trabalho e renda, desenvolvimento
    agrário, saneamento básico, habitação e urbanismo – nos
    âmbitos Federal, Estadual e Municipal.

    https://www.andifes.org.br/?p=12201

Zé Maria

05 de agosto de 2022 às 23h51

Excerto

“o público, dos 45% dos recursos,
e o privado, que consome 55%
dos gastos do país com saúde.”

Questionamento

Esses Percentuais não se referem
ao Orçamento Público. Correto?

Responder

    José

    07 de agosto de 2022 às 07h12

    Creio que se referem aos gastos totais em saúde. O Brasil, apesar do SUS, tem um padrão de gastos que favorece o setor privado.


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