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Inês Nassif: Eduardo Campos é menos candidato do que há um mês
Eduardo Campos queimou a largada para a corrida presidencial de 2018 e não se viabilizou como uma segunda via para 2014
Política

Inês Nassif: Eduardo Campos é menos candidato do que há um mês


16/05/2013 - 15h45

Eduardo Campos queimou a largada para a corrida presidencial de 2018 e não se viabilizou como uma segunda via para 2014

por Maria Inês Nassif, no GGN, sugestão de Julio Cesar Macedo Amorim

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), está menos próximo de uma candidatura à Presidência da República pelo PSB do que há um mês.

Se desistir, todavia, não será porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu isso a ele, mas porque ele próprio concluiu que foi precipitado, ao expor suas intenções de se candidatar contra a presidenta Dilma Rousseff no ano que vem; que suas chances eleitorais são muito pequenas e o caminho que trilhou para tentar um voo solo o colocou numa situação difícil: não está mais junto ao governo federal, que o ajudou firmemente na construção de projeto de desenvolvimento do Estado, e a proximidade com a oposição não acena para ele com a possibilidade de vir a ser um candidato de unidade contra Dilma.

Não pareceu ser factível também a fórmula que pretendia – a ideia de um candidato de oposição a Dilma que é amigo de Lula, definitivamente, tinha poucas chances de emplacar.

Desde o ano passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula usou de infinita paciência e gastou muita saliva para evitar que o PT entrasse em rota de colisão com o governador Eduardo Campos. Não era o seu desejo perder Campos como aliado, inclusive porque considerava que o governador pernambucano poderia ser uma boa opção de candidatura à Presidência para 2018, quando Dilma deixaria o seu segundo mandato e o PT completaria 16 anos de governo.

O neto de Miguel Arraes seria uma opção de candidatura porque é  nordestino, tem carisma, foi um bom aliado nos seus dois mandatos e mostrou capacidade administrativa no governo do seu Estado. O PT, depois de mais um mandato de Dilma, precisaria também de um tempo de afastamento do Palácio do Planalto para se rearticular internamente.

Há muito tempo responsável pela Presidência, o partido foi obrigado a colocar em segundo plano a vida partidária, a formação de quadros e a definição programática. Internamente, isso fortaleceu as burocracias em detrimento da militância. Para o ex-presidente, 2018 seria um bom momento para o PT sair de cena, e seria melhor que isso acontecesse pela vitória de um aliado, e não pela derrota do partido para as forças oposicionistas.

Durante o processo eleitoral para a escolha de prefeitos e vereadores, Lula usou de toda a sua influência no partido para impedir uma cisão com o PSB, na definição do candidato a prefeito de Recife. O PT de Recife não foi inteligente ao preterir o prefeito João Costa (PT) na disputa, mas essa escolha foi apenas o pretexto que Campos usou para lançar o seu próprio candidato.

Nada que o PT fez foi à revelia do governador porque Lula garantiu pessoalmente que isso não acontecesse. E o ex-presidente, até o último momento, não acreditou que fossem sérios os boatos de que Campos lançaria a sua própria candidatura à Presidência.

Quando o governador de Pernambuco explicitou sua intenção de ser candidato contra Dilma, queimou a largada para a corrida presidencial de 2018 e não se viabilizou como uma segunda via para 2014. Naquele momento, as pesquisas internas do PT já deixavam claro que Campos apostara muito alto: Dilma havia reunido, como candidata à reeleição, a aprovação de eleitores incondicionais de Lula e do PT e havia construído um próprio patrimônio político em função de sua firmeza, ao demitir sucessivos ministros devido a denúncias de corrupção.

As pesquisas de opinião divulgadas no último mês mostram o que PT já sabia: a presidenta Dilma desfruta uma situação de conforto muito maior do que a de Fernando Henrique Cardoso em 1997, um ano antes da disputa pelo seu segundo mandato presidencial, que venceu já no primeiro turno; e de mais conforto em relação à Lula em 2005, um ano antes do processo eleitoral.

Campos demorou a perceber que, se são remotas as chances da oposição contra Dilma, é igualmente difícil imaginar que um candidato possa dividir votos que já são dela no campo progressista. Em 2014 se dará a quinta eleição em que vale a regra da reeleição. Essa é uma lei nova para a tradição eleitoral brasileira,  mas o eleitor já mostrou que, na vigência dela, vale a máxima de que “time que está ganhando, não se mexe”.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



29 comentários

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Mauricio Dias: Aécio e Eduardo Campos disputam o espaço onde só cabe um - Viomundo - O que você não vê na mídia

24 de maio de 2013 às 16h54

[…] Inês Nassif: Eduardo Campos é menos candidato do que há um mês […]

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Marcos Coimbra: A “síndrome de Collor”, engano recorrente - Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de maio de 2013 às 17h00

[…] Inês Nassif: Eduardo Campos é menos candidato do que há um mês […]

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Mardones

17 de maio de 2013 às 08h39

Eduardo Campos será mais um da base ‘aliada’ que é de oposição. Coisas do Brasil.

O Brasil é muito grande para Eduardo Campos. Às vezes, é difícil perceber isso lá de Pernambuco.

A tentativa de candidatura do governador de Pernambuco foi excelente para mostrar ao Brasil mais um traidor. Mais um que não irá contribuir para sairmos do famigerado subdesenvolvimento. E ainda mostrar o quanto os nossos socialistas não passam de direitistas amadores.

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Emerson Dario Correia Lima

16 de maio de 2013 às 21h06

Sou PTista tritesticular!!! Entretanto, caso Eduardo Campos retorne seu apoio a candidatura de Dilma Eu não voto mais no PT. Esse cara possui o DNA da traição!!!

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Valcir Barsanulfo

16 de maio de 2013 às 20h40

O Dudu Gumex Campos já é considerado o Catilina da política brasileira.

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Paulo Nogueira:Os privilégios da mídia têm que acabar - Viomundo - O que você não vê na mídia

16 de maio de 2013 às 20h39

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Eduardo Guimarães: JN transforma notícia boa em desgraça - Viomundo - O que você não vê na mídia

16 de maio de 2013 às 20h38

[…] Inês Nassif: Eduardo Campos é menos candidato do que há um mês […]

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Antonio Abreu

16 de maio de 2013 às 19h09

Em 2010, Eduardo Campos não permitiu que Ciro Gomes, já conhecido nacionalmente por outras candidaturas a Presidência, fôsse canditado contra Dilma, então desconhecida politicamente. Agora, sem o apoio dos irmãos Gomes, quer enfrentar uma Dilma super bem avaliada(exceto pelo
PIG e pela oposição? A sua estratégia foi uma lástima, desafiar Lula, Dilma e o PT foi um tiro no pé. Ainda é tempo de recuar para salvar suas pretensões futuras.

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Fabio Passos

16 de maio de 2013 às 19h08

Nenhum candidato a direita de Dilma vai vingar. E possivel que aecio tambem nao aceite ir para o sacrificio, porque nao deve ser um tolo suicida… e desista.
Capaz de o serra aparecer novamente e trazer todo aquele obscurantismo como plataforma p/ 2014.

De qualquer forma, e bem simples: Candidato com apoio e simpatia do PiG… nao presta!

Precisamos e de uma alternativa competitiva e nacionalista a esquerda de Dilma.
O melhor nome e Requiao.

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Willian

16 de maio de 2013 às 19h08

Deve ser verdade. Ele deu uma sumida da blogosfera. Se ele voltar, é sinal que é mais candidato.

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edu marcondes

16 de maio de 2013 às 18h56

Seria muito interessante conhecer o resultado da pesquisa feita pelo PSB após o programa de rádio e TV do Partido. Nada se falou sobre seus resultados. Talvez não tenham sido o esperado. Quem vazar ganha um doce

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lidia virni

16 de maio de 2013 às 18h44

Nem 2014, nem 2018, nem 2022, nem nunca. A máscara de bom mocismo já caiu há muito tempo tal como de seu cupincha beberrão, Beócio Never. Em time que está ganhando não se mexe, e se com o PT vamos avançando a passos de gigante, melhorando a vida do povo (tenho inúmeras amigas em comunidades e vejo a mudança em suas vidas depois de 2002), por que mudarmos? Alternancia de poder é um falso slogan para trazer a direita novamente ao poder e entregar o Brasil de mão beijada, não com concessões mas com doações das estatais, como fizeram Serra e FHC e faria o Dudu fingidão.

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Ed.Lima

16 de maio de 2013 às 18h28

Em 2018 será Haddad!

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Ed.Lima

16 de maio de 2013 às 18h27

A Traíra do Capibaribe!

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Douglas

16 de maio de 2013 às 18h07

É ser bastante hilário para não dizer idiotice de uma jornalista escrever que o governo de Pernambuco foi ajudado pelo governo federal. Terá sido isso um favor? De onde vem esse favor? Do governo federal ou do dinheiro de todos os brasileiros? Porque governo nenhum tem dinheiro. Ele detém o dinheiro. Esse, por sua vez, é destinado a todos os estados. Agora cada governante administre o estado de forma competente. Isso faz grande diferença. Mas, certamente, que os jornalistas partidários do PT insistem nessa tese. E quanto a roubalheira instalada pela quadrilha petista? Nada a dizer?

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    Marcos

    17 de maio de 2013 às 00h36

    Se houve mesmo roubo, é insignificante perto da privataria tucana encoberta pelo PIG.

    Marcio H Silva

    17 de maio de 2013 às 00h58

    Quanta Asneira…………

    Luiz (o outro)

    17 de maio de 2013 às 09h04

    Mais um que vai sofrer de desidratação de tanto chorar junto com Willian, lulipe, Sagarana…

Coutinho

16 de maio de 2013 às 17h57

É lamentável que Eduardo tenha queimado a largada. Acho que a vaidade ganhou da razão. Realmente ele está fazendo o melhor governo desde muitos anos. Mas será que se ele tivesse recebido de Lula o mesmo tratamento que FHC deu ao seu avô, teria feito tanto. Naquela época, Pernambuco foi simplesmente boicotado por FHC e seu intrépido vice Marco Maciel. Aviso: não moro em Pernambuco, mas na Paraíba, de onde dá pra ver o que acontece lá.

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    Marcio H Silva

    17 de maio de 2013 às 01h00

    Boa lembrança……será que seria tão eficiente governando na penúria?

João Eduardo

16 de maio de 2013 às 17h29

Muito se fala que Campos deveria aguardar 2018 para ser o candidato à presidência, que seria o canditato ideal para uma boa alternância de poder e que inclusive teria o apoio do próprio PT, como desejaria Jacques Wagner e outros setores do partido.

No entanto, e acredito que Campos tenha consciência disso, é que o PT prefere sempre o PT em detrimento de qualquer. Lançar sua candidatura em 2014 seria tentar se viabilizar de forma real para 2018, onde teria reais chances de vitória.

O PT so tem se diferenciado dos demais partidos existentes pelo seu apego ao poder, nunca largaria o “osso” e apoiaria outro canditato que não o seu próprio. Essa sede, essa sanha pelo poder, nem nos militares vi tamanha. A propósito, o palanque em cima de Haddad já deixa bem claro essa movimentação.

Finalizando, em relação aos perigos de tentar um voo solo, que este prejudicaria o maciço apoio que recebeu da União para seu projeto de desenvolvimento. Nao deveria ser de qualquer partido que se diga republicano? Sabemos que não é assim que funciona, principalmente com esse partido que se esfacelou para preservar a governabilidade.

Governabilidade, em sede de eufemismo. Para mim, preservação do poder pelo poder.

Responder

    Neotupi

    16 de maio de 2013 às 18h37

    Independente do PT ter candidato, eu vejo a candidatura de Eduardo Campos legítima para 2018, se Lula não vier a ser candidato. Aí haverá renovação e ele pode se apresentar como herdeiro do lulismo, mesmo que o PT tenha outro candidato.
    No campo político que ele está desde 2003, a candidata natural é Dilma, e se ela desandar, seria o Lula. Se ele sair candidato não tem como se apresentar como sendo desse campo político, será visto como oposição, perdendo o bonde da história. O lulismo hoje é como Vargas ontem, cuja influência eleitoral foi até 1964, não está esgotado.
    O problema é que Campos parece temer que seu nome se esvazie até 2018, sem ser governador e com o surgimento de novas lideranças. Acho que em 2014, ele deveria tentar eleger uma bancada grande do PSB e negociar ficar com um ministério importante no governo Dilma, se cacifando para 2018. Seria a melhor estratégia.

    Marcio H Silva

    17 de maio de 2013 às 01h02

    Caro Tupi, “ele deveria tentar eleger uma bancada grande do PSB”, para ele conseguir o entre aspas anterior, tem que negociar com o povo.

    CarmenLya

    16 de maio de 2013 às 22h08

    Concordo com você, João Eduardo. Mas não podemos esperar lucidez dos blogueiros…continuam vociferando contra o Pig, numa alucinação coletiva, exercendo a “servidão voluntária”. Só passei por aqui para ver se comentavam o JN falando na “modernização dos portos” e a ministra da Casa Civil, em entrevista, dando conta da alegria da nossa Dilma “Tachter” Roussef. E sobre o “sucesso” dos leilões do nosso petróleo. E segue a farra do nosso dinheiro em estádios e obras da Copa e Olimpíada. Para professores é claro que não tem.
    Para mim será uma pena se o Eduardo Campos não se candidatar…queria fazer campanha para ele. Quero me redimir por ter feito campanha para a “entreguista” de plantão no Planalto.

    Sergio Menezes

    18 de maio de 2013 às 05h05

    Carmem, vc não deve morar em Pernambuco pra ver o que esse homem fez com os professores e demais funcionários públicos. Reze pra ele jamais ser presidente, pois não vale nada mesmo. É puro engodo.

    CarmenLya

    19 de maio de 2013 às 00h46

    Sergio Menezes…realmente não moro em Pernambuco…moro no Rio de Janeiro e atualmente estou passando uma temporada na minha terra, RGS, primeiro estado a eleger um prefeito de capital do PT, Olivio Dutra em Porto Alegre. Mas sei muito bem o que Dilma Roussef fez com o funcionalismo público e com os professores, com a ajuda do PIG que ela usou muito bem para desqualificar essas categorias. Sei muito bem o que Sérgio Cabral e Eduardo Paes estão fazendo no Rio, com a cobertura dos amigos de Brasilia e do PIG carioca, sei muito bem o que Tarso Genro está fazendo com os professores no RGS, se recusando a pagar o piso que ele mesmo aprovou quando ministro…sei muito bem o que a turma do meu ex-partido, pelo qual lutei durante anos, está fazendo. Eles mudaram…eu não!!!!! O PSDB nunca enganou sobre seus programas de entrega do país, mas a Da. Dilma se tornou arrogante e prepotente e aplica o mesmo programa entreguista.

wagner paulista de souza

16 de maio de 2013 às 17h12

Vá, daqui pra frente, Edward Fields, ostentando essa cara de b….dão. Impagável.

Responder

Gerson Carneiro

16 de maio de 2013 às 16h15

Toooinnnn… Próximo!

Responder

    Antônio Mattarazzo

    17 de maio de 2013 às 15h47

    KKK, é isto mesmo, próximo…


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