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Maria Inês Nassif: Divã para livrar o país da síndrome do quepe


02/12/2010 - 11h38

2 de Dezembro de 2010 – 11h00

por Maria Inês Nassif, em Valor Econômico, via Vermelho

O período militar é um cadáver insepulto. A jovem democracia brasileira tem uma enorme dificuldade de lidar com seu passado. Nos momentos em que os conflitos políticos são de baixa intensidade, a tendência da sociedade é simplesmente jogar esse período negro da vida do país para debaixo do tapete. Quando são de média intensidade, o passado põe a cabeça de fora e lembra que continua no ar, como uma nuvem, e a chuva pode desabar a qualquer momento sobre nossas cabeças.

Em situações de grandes conflitos, como no recente período eleitoral, grupos sociais mais conservadores retiram do embornal um discurso que parece ter saído da boca de um general-presidente, com grande espaço para teorias conspiratórias dando conta de perigosas “ameaças comunistas”.

Como o uso do cachimbo normalmente entorta a boca, os movimentos políticos, desde o pré-64, voltam sempre para a lógica segundo a qual um lado sempre deve estar na ofensiva e o outro, na defensiva. A contaminação da oposição pelo velho udenismo trouxe junto o hábito de pedir a tutela dos quartéis, quando seu projeto político não consegue se viabilizar pelo voto.

Mas uma das coisas que alimenta a recaída permanente da elite brasileira ao conservadorismo —  e ao militarismo —  é o outro lado. O velho PSD, de Tancredo Neves, também permanece como padrão de comportamento político: a recusa a qualquer tipo de confronto, em especial quando pode resvalar na área militar. Os dois lados se alimentam de um consenso forjado sabe-se lá onde, de que a direita tem legitimidade para levar o confronto ao limite, enquanto, do centro à esquerda, os atores políticos tornam-se irresponsáveis se não estiverem sempre conciliando.

As Forças Armadas são peça central nas situações de confronto: não só assimilam apelos de tutela da democracia, como são a instituição que avaliza as pressões de um grupo minoritário – de direita – sobre o resto da sociedade. A lembrança do passado só vem à cena política quando serve a esse jogo de pressão.

O Ministério da Defesa, concebido teoricamente para submeter o poder militar às instituições democráticas, nem bem nasceu e parece estar contaminado pela visão udenista das Forças Armadas, que requer sempre uma ação pessedista, de conciliação, para evitar o pior. O ministro Nelson Jobim, que o governo Lula considera ter desempenhado um papel importante na consolidação do Ministério da Defesa, é tido como um ponto de equilíbrio não por ter assumido o comando das armas, mas por ter exercido um papel de mediador das pressões militares junto a um governo civil de esquerda.

O vazamento de documentos relativos ao ministro, pelo Wikileaks, trouxe à luz provas de que as forças militares continuam um capítulo à parte na história da democracia brasileira – e isso, mesmo quando o seu chefe é civil. Um ministro da Defesa que foi mantido e se fortaleceu nas brigas que comprou dentro do governo, com colegas mais comprometidos com visões não-conservadoras sobre os Direitos Humanos e sobre a forma de lidar com o passado autoritário do país, expôs as suas divergências com o Ministério das Relações Exteriores a ninguém menos que o embaixador dos Estados Unidos no Brasil.

Gentilmente, cedeu ao embaixador a informação, dada confidencialmente pelo seu chefe, o presidente da República, sobre o estado de saúde do presidente da Bolívia, Evo Morales. As inconfidências ganham os jornais dias depois de Jobim ter sido confirmado, na mesma pasta, para o próximo governo. Continua ministro de Lula e será o ministro de Dilma Rousseff.

O governo Dilma acena para a manutenção de uma situação em que o Ministério da Defesa – e portanto as Forças Armadas – não se integra a um governo legitimamente eleito, mas se mantém no governo com altíssimo grau de autonomia, graças a ondas de pânico criadas por grupos de direita. Paga o mico das inconfidências de “um ministro da Defesa invulgarmente ativo”, segundo definição do próprio Sobel em um de seus telegramas.

A falta de reação a ofensivas da direita tem seu preço. As Forças Armadas são um terreno fértil à pregação conservadora e a absorve com rapidez e clareza. Não deve ser à-toa que, depois de um processo eleitoral particularmente radicalizado —  onde prevaleceu a lógica do udenismo que confronta e apela aos quartéis e do pessedismo que concilia — que a turma que se forma este ano na Academia Militar de Agulhas Negras (Aman) tenha se batizado com o nome do general Emílio Garrastazu Médici, presidente militar do período mais sangrento da ditadura.

Os militares se retiraram para os quartéis, mas é evidente que continuaram reproduzindo internamente uma ideologia altamente conservadora, que não afasta o papel de tutela sobre a sociedade civil. Isso aconteceu porque não houve uma contra-ofensiva capaz de colocar outra visão sobre o papel dos militares na sociedade e fazê-la dominante. A discussão do aprimoramento da democracia deve passar por uma profunda revisão do papel das Forças Armadas e por uma integração, de fato, da instituição nos esforços democráticos da sociedade.

A propósito: as consultas sobre os processos contra os adversários políticos da ditadura instruídos pela Justiça Militar podem ser consultados na Unicamp, que recebeu todos os arquivos reunidos pelo grupo Tortura Nunca Mais, abrigado na Arquidiocese de São Paulo, durante a ditadura. O grupo copiou os processos na Justiça Militar e, com base neles, fez um importante trabalho de denúncia de torturas e assassinatos de opositores políticos do regime. O trabalho final do grupo assume como legítima a ideia de que as denúncias de tortura por parte dos presos políticos, feitas no período à Justiça Militar, tornam sem valor as informações obtidas por esses meios. Para saber o que fizeram os presos políticos para se tornarem presos políticos, é mais garantido que se pergunte isso a eles hoje. Na democracia e em liberdade.

* Repórter especial de Política, para o jornal Valor Econômico





52 comentários

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Olho na oPósição

03 de dezembro de 2010 às 15h40

Isso é FUD: Medo, incerteza e dúvida.
Outras tantas:
– Alternância de poder: quem disse que é o melhor para a democracia? O que o povo acha disso?
– Mulher deve ficar no fogão: sem comentários!
– Iletrado não pode liderar: Lula expôs a ferida!
– Médico é ser supremo e absoluto na saúde: quem trabalha na área sabe que não é bem assim!
– Militar deve ser excluído da participação no governo Dilma: isso acena para revanche!
E outras tantas mais. Até quando?

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Aristeu Alves Lima

03 de dezembro de 2010 às 13h34

Tanto mandam que continuam ocupando os 04 prédios na Esplanada dos Ministérios de quando ainda tinham status de ministério (um para cada força, além do ocupado pela Defesa). Enquanto isto há ministérios relevantes amontoados em um só prédio, na esplanada e longe dela. Simples assim, contudo emblemático.
Só joga com cartas marcadas Ana, quem gosta de perder. E por antecipaçãp…

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Yacov

03 de dezembro de 2010 às 11h10

"…a direita tem legitimidade para levar o confronto ao limite, enquanto, do centro à esquerda, os atores políticos tornam-se irresponsáveis se não estiverem sempre conciliando."

Esse é o nosso grande problema. A Direita reacionária brasileira!!! E aí se concentram a maioria dos militares. Fez-se uma verdadeira lavagem cerebral nos brasileiros ao longo do século passado, de forma que no Brasil, aprece que até pobre é de direita. Em São Paulo o povo luta bravamente, há mais de 16 anos, pelo direito de ser explorado por seus patrões… È o fim da picada!!!! E até o governo LULA, das esquerdas, que dá de 10 a 0 nos governos de direita que tivemos até então, para eles é mera consequência dos governos da direita que prepararam o terreno par que desse certo… È de um descaramento e de uma covardia, sem tamanho. VIVA o BRASIL!!!!

"O BRASIL PARA TODOS não passa na gLOBo – O que passa na glOBo é um braZilpar TOLOS"

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Carlos N Mendes

03 de dezembro de 2010 às 10h56

"…O Ministério da Defesa, concebido teoricamente para submeter o poder militar às instituições democráticas, nem bem nasceu e parece estar contaminado pela visão udenista das Forças Armadas, que requer sempre uma ação pessedista, de conciliação, para evitar o pior." Meu Deus, essa é a melhor análise do desconforto político que sinto há alguns anos. Eu o chamava de eterna-insatisfação-da-direita-mesmo-quando-tudo-está-às-mil-maravilhas. Acabo de sair do divã! Obrigado, Maria Inês!

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ana cruz

03 de dezembro de 2010 às 10h49

Os milicos se aliam a quem tentou doar parte do territorio brasileiro (BASE DE ALCANTARA) aos gringos, retirando das mãos da Aeronautica brasileira, aquela area estrategicamente situada para lançamento a preço baixos de satelites e foguetes. Os militares brasileiros não acham suspeito o "acidente" que matou miltares e civis na base de alcantara. A tragedia deixou a impressão para o mundo e para o povo brasileiro que a Aeronáutica é incompetente e deveria entregar a área para quem tem competencia, os USA. O povo brasileiro admite tudo menos militar traidor da patria e que não defenda nosso território dos gringos.

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monge scéptico

03 de dezembro de 2010 às 09h52

Essa geração não poderá se esquecer facilmente. Quem não levou pau literalmente,
sofreu com os salários achatados e,cassetetes na reclamação.
Se formos ao divâ, não haverá divâs para todos. I jeito é deixarmos uma democracia
encaminhada para os jovens e morre a seguir; a morte esquece. Tétrico? Não reali-
-dade!.

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Humberto

03 de dezembro de 2010 às 08h32

Como sempre, a Maria Ines Nassif deu um banho de discernimento no seu artigo desta quinta-feira.

Seu artigo semanal e' leitura obrigatoria para quem quer entender e refletir sobre politica nacional.

Achei particularmente iluminadora a sacassao (nao tenho cedilha) de que nalgum momento do passado, teria sido estabelecida a norma da politica brasileira segundo a qual a direita udenista pode ser radical, irresponsavel e ameacar com o golpe de estado sempre que isto lhe interesse; ao passo que a esquerda, pessedista, e' acusada de irresponsabilidade e radicalismo sempre que tentar defender suas posicoes e resistir 'a sanha golpista da direita idem.

Nalgum momento, alguem tera' que desafiar este suposto axioma da nossa vida politica e joga-la no lixo, estabelecendo uma outra norma, aquela segundo a qual a democracia, a responsabilidade, e a integridade politica vale para todos.

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    ana cruz

    03 de dezembro de 2010 às 10h37

    Radical e violenta so a direita pode ser. Vivemos em uma sociedade em que vive com uma espada de Dâmocles sobre sua cabeça. Terrorismo puro.

Sergio

02 de dezembro de 2010 às 23h27

A milicada, amante de figuras odiadas como Garrastazú não são do mesmo Brasil do povão, nunca foram. Tenha o pais o governo que tiver, eles vão continuar achando que são o poder moderador, que estão acima da sociedade. Nada como uma guerrinha para ocupá-los e ver se estão á altura do motivo pelo qual existem. A biografia do general Lott é muito didática para entender a cabeça deles.

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Maria Lucia

02 de dezembro de 2010 às 22h54

A nossa presidente eleita declarou que, fora os três ministros da área econômica, ótimas escolhas, a meu ver, ainda não indicou nenhum outro ministro e que pretende fazer as indicações de todos os ministérios restantes em bloco, sem data fixada para tal.
Portanto, gostaria muito de saber de onde surgiu essa súbita certeza sobre a permanência do Johnbim.
Que o PIG faça especulações de seu interesse é o que se espera deles. Mas os que apoiaram a eleição de Dilma Rousseff deveriam se abster de ficar fazendo o jogo dos eternos desconstruidores de imagem dos presidentes eleitos.
Convenhamos que para que o Johnbim seja mantido seria preciso que um verdadeiro golpe secreto estivesse em curso. E não temos sinais disso.
Quanto ao imaginário cancer no cérebro do Evo Morales, o governo boliviano já declarou que o Evo Morales foi operado de desvio no septo, que o incomodava muito e produzia dores de cabeça, por excelentes médicos cubanos há cerca de um ano. E que jamais teve diagnóstico de qualquer tumor ou cancer.
Pelo Wikileaks aprendemos que considerar que um governante desafeto dos EUA está com cancer é habito dos embaixadores estadunidenses. Pessoalzinho ousado esse. Não acreditam na lei do retorno!

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assalariado.

02 de dezembro de 2010 às 22h09

No mundo ocidental onde o capital deita e rola e de quebra,tem nas forças armadas nacionais o seu braço politico em armas,nada mais Natural (sem aspas)- que,em caso da alternância do poder entre as diferentes correntes da burguesia estiver ameaça,nada mais natural/ "democratico",que os quartéis se rebelem, em socorro aos seu donos ideológicos direitistas -(alias,muito bem treinados/ensinados a golpear governos ditos populares,e ou,de ideologias de esquerda).

É histórico,golpes e mais golpes dos quartéis em nome da "democracia" das elites,atitudes estas que o empresariado,mundo afora,importam -(made in USA/ CIA)-, para adestrarem os comandantes militares de varios paises.Os limites de democracia dada/ imposta pelas elites,no caso do Brasil,já esta limite,por isso,teremos que em caso de indisciplina militar (se antecipar a tentativa de golpe),não tenhamos duvidas que,a comandante em chefe das FFAA (Dilma Roussef),puna exemplarmente os golpistas de plantão e seus aliados das elites que,alias,em última analise,não passam de pessoas/ ideologicas com visões nitidamente colonizadas,todos adestrados,conforme a lógica e a ordem imperialista da burguesia internacional…

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Armando do Prado

02 de dezembro de 2010 às 21h48

Soberania é incompatível com militares e Jobim entreguistas. Não ao Jobim.

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Flavio Lima

02 de dezembro de 2010 às 21h48

Sera que não da pra chamar na xinxa essa turma da AMAN que homengeia ditador? Logo o médici? Pode deixar não, é provocação ao poder civil. Enquadrar esses milicos ridiculos, que só tiveram aumento de soldo com o Lula. Vendidos, ignorantes e ingratos.

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Rafael

02 de dezembro de 2010 às 21h36

Eu votei na Dilma e ficaria decepcionado se Dilma nomeasse nelson jobim para ministério da defesa, mas sei que esse cargo na verdade não é o presidente que escolhe. É um cargo que os militares escolhem. Acredito que deve ser complicado para uma presidente eleita bater de frente com um setor extremamente conservador e que não é confiável. O certo é não bater de frente com os militares, todos nós sabemos do que eles são capazes. Cabe ao povo conhecer quem são os militares e o que eles defendem para então fazer um julgamento. Acredito que jobim é o que os militares merecem, uma pessoa sem dignidade e honra bem a cara dos militares.

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Rafael, BHte

02 de dezembro de 2010 às 20h16

Realmente a ser verdade q 'que a turma que se forma este ano na Academia Militar de Agulhas Negras (Aman) tenha se batizado com o nome do general Emílio Garrastazu Médici' é para não se esperar nada q valha a pena vinda do mundo militar no futuro, lamentável mas não chega a ser surpresa para mim q quando recruta nos anos 80 fui obrigado a assistir até palestra da TFP, queriam fazer-nos uma lavagem cerebral, tivesse o Brasil uma justiça q valhesse a pena eu os teria processado por danos psicológicos!

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Rafael, BHte

02 de dezembro de 2010 às 20h07

Se os militares (oficiais superiores) não fossem tão ligados a coisas como o passado golpista (não só 64 vide a história do Brasil toda!), TFP, EUA, a irem contra governos eleitos (veja como a Marinha agiu quando Lula homenageou o ‘Almirante Negro’ e alguns destemperos verbais de generais nesse e no governo anterior) enfim se tudo estivesse pacificado e a democracia realmente instalada em todos os níveis da relação da nossa sociedade com os militares e eles realmente não viessem mais a representar uma sombra de perigo já teríamos há muito satisfeito nossa sanha por ministros civis, incluíndo-se aí a ilustre deputada comunista e poderíamos evoluir e escolher um profissional do ramo, com currículo e conhecimento como fazem com os da área econômica, mas é óbvio q essa hora AINDA irá demorar!

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Aristeu Alves Lima

02 de dezembro de 2010 às 19h19

Sobre comentário que fiz há alguns minutos, segue correção dos meus dados.

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Daniel

02 de dezembro de 2010 às 19h07

Vamos votas na nossa presidente:
http://www.whopopular.com/Dilma-Roussef

abraços

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Urbano

02 de dezembro de 2010 às 19h02

Em Recife, alguns dos trevosos vez por outra se reúnem em companhia de um dono de restaurante, assim no estilo de clube de reaças.

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Luiz Fortaleza

02 de dezembro de 2010 às 18h56

Quem não leu "O Princípe" de Maquiavel, não entende o que significa as forças militares para as classes dominantes em qualquer modo de proudução econômico-social, seja o modo de produção antigo, feudal, pré-capitalista, capitalista moderno e contemporâneo, os seja, as forças militares, dizia Maquiável, são mercenárias e agem de acordo com o poder econômico e não político. Se o governante é amado pelo povo, as forças armadas ficam quietas, se é odiado, elas tomam o poder, mas se o governante é odiado pelo povo, mas quisto pelas forças militares, então o governante está protegido. O q é melhor? Um governante amado pelo povo e tendo as forças armadas contra? ou um governante admirado pelas forças militares, mas odiado pelo povo? Diz Maquiável que melhor é a primeira, pq as forças militares são mercenárias, basta aumentar seus soldos. Ele escreveu isso mais ou menos em 1569, como um presente a um principe.

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Antonio Carlos

02 de dezembro de 2010 às 18h53

Que Jobim é um traíra do governo nao é nenhuma novidade. Nao é primeira vez que ele demonstra que é infiltrado em um governo democrático.

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    Aristharco

    03 de dezembro de 2010 às 11h20

    O Johnbin não deu uma dentro desde que entrou espinafrando o probo Waldir…
    Fora Johnbin! Fora Johnbin! Fora Johnbin!

El Cid

02 de dezembro de 2010 às 18h41

Por 204 votos a favor, 66 contra, 2 abstenções e 3 obstruções, os deputados aprovaram na noite desta quarta-feira (1º) o projeto do marco regulatório do pré-sal, que institui o modelo de partilha e cria o Fundo Social.

Os 71 traidores (66 contra + 2 abstenções + 3 obstrução) votaram contra o povo brasileiro ficar com uma parcela maior da riqueza, e entregá-las para os estrangeiros. Por isso o voto dele significa que foi um voto de lesa-pátria e de lesar o povo brasileiro.

Tucanos e DEMos são os partidos mais traidores do Brasil:

PSDB: 94% de traição (34 do contra e 2 a favor)
DEMOS: 92% de traição (22 do contra e 2 a favor)
PR: 33% de traição (7 do contra e 14 a favor)
PPS: 25% de traição (1 do contra e 3 a favor)
PV: 13% de traição (1 do contra * Gabeira, e 7 a favor)
PDT: 13% de traição (2 do contra e 13 a favor)
PSB: 11% de traição (2 do contra e 16 a favor)
PMDB: 3% de traição (1 do contra * Raul Henry, e 37 a favor)

PTC: só um deputado presente (Paes de Lira/SP) e fez obstrução.

PCdoB, PHS, PMN, PP, PRB, PSC, PSOL, PT, PTB só tiveram votos a favor, nenhuma traição.

O levantamento não levou em conta os deputados faltosos, computando apenas os que compareceram à sessão.

Relação dos deputados traíras:

AMAPÁ:

Lucenira Pimentel /PR/AP

BAHIA:

Fábio Souto /DEM/BA
Jorge Khoury /DEM/BA
José Carlos Aleluia /DEM/BA
João Almeida /PSDB/BA
Jutahy Junior /PSDB/BA

CEARÁ:

Raimundo Gomes de Matos /PSDB/CE

DISTRITO FEDERAL:

Jofran Frejat /PR/DF

ESPÍRITO SANTO:

Luiz Paulo Vellozo Lucas /PSDB/ES
Capitão Assumção /PSB/ES (Obstrução)

GOIÁS:

Sandro Mabel /PR/GO
João Campos /PSDB/GO
Leonardo Vilela /PSDB/GO
Professora Raquel Teixeira /PSDB/GO

MARANHÃO:

Davi Alves Silva Júnior /PR/MA
Pinto Itamaraty /PSDB/MA

MINAS GERAIS:

Marcos Montes /DEM/MG
Vitor Penido /DEM/MG
Ademir Camilo /PDT/MG
Júlio Delgado /PSB/MG
Eduardo Barbosa /PSDB/MG
Paulo Abi-Ackel /PSDB/MG
Rafael Guerra /PSDB/MG
Rodrigo de Castro /PSDB/MG

MATO GROSSO:

Wellington Fagundes /PR/MT
Thelma de Oliveira /PSDB/MT

PARÁ:

Lira Maia /DEM/PA
Lúcio Vale /PR/PA
Nilson Pinto /PSDB/PA
Zenaldo Coutinho /PSDB/PA

PARAÍBA:

Rômulo Gouveia /PSDB/PB
Major Fábio /DEM/PB (Obstrução)

PERNAMBUCO:

Raul Henry /PMDB/PE
Bruno Araújo /PSDB/PE
Bruno Rodrigues /PSDB/PE

PIAUÍ:

José Maia Filho /DEM/PI
Júlio Cesar /DEM/PI

PARANÁ:

Alceni Guerra /DEM/PR
Cassio Taniguchi /DEM/PR
Eduardo Sciarra /DEM/PR
Luiz Carlos Setim /DEM/PR
Alfredo Kaefer /PSDB/PR
Gustavo Fruet /PSDB/PR
Luiz Carlos Hauly /PSDB/PR

RIO DE JANEIRO:

Rodrigo Maia /DEM/RJ
Rogerio Lisboa /DEM/RJ
Andreia Zito /PSDB/RJ
Marcelo Itagiba /PSDB/RJ
Otavio Leite /PSDB/RJ
Fernando Gabeira /PV/RJ

RIO GRANDE DO NORTE:

Rogério Marinho /PSDB/RN

RORAIMA:

Francisco Rodrigues /DEM/RR
Sá /PR/RR

RIO GRANDE DO SUL:

Germano Bonow /DEM/RS
Cláudio Diaz /PSDB/RS

SANTA CATARINA:

Paulo Bornhausen /DEM/SC
Paulo Bauer /PSDB/SC

SERGIPE:

Albano Franco /PSDB/SE
Mendonça Prado /DEM/SE
Pedro Valadares /DEM/SE (Abstenção)

SÃO PAULO:

Walter Ihoshi /DEM/SP
William Woo /PPS/SP
Duarte Nogueira /PSDB/SP
Emanuel Fernandes /PSDB/SP
José C Stangarlini /PSDB/SP
Lobbe Neto /PSDB/SP
Silvio Torres /PSDB/SP
Vanderlei Macris /PSDB/SP
Fernando Chiarelli /PDT/SP (Abstenção)
Paes de Lira /PTC/SP (Obstrução)

TOCANTINS:

João Oliveira /DEM/TO

Responder

    Arthos

    03 de dezembro de 2010 às 11h22

    O Gabeira sô! o do livreto da revolução? Um homúnculo de crochê…

Aristeu aAlves Lima

02 de dezembro de 2010 às 18h38

Mandam tanto, que ocupam 4 prédios (um para cada Força e um para Defesa) na esplanada dos ministérios, enquanto alguns ministérios se amontoam em condições inóspitas, na esplanada e longe dela.
Perguntar não ofende: Sentar em baioneta vicia?

Responder

O_Brasileiro

02 de dezembro de 2010 às 18h11

Varios paises sao "governados" pelas Forcas Armadas: EUA,Israel, Colombia, etc.
Outros tantos sao "governados" por lideres religiosos!

Responder

paulo da rocha

02 de dezembro de 2010 às 17h56

Infelizmente esta nuvem [ milicos ] ainda paira sobre a nossa democracia, queiramos ou não ! Eu ainda sinto-os à espreita – facilitou, eles dão o bote ! Tomara que eu me engane!.

Responder

Luiz Soares

02 de dezembro de 2010 às 17h40

Não olvidemos Honduras!

Responder

Eduardo Aguilar

02 de dezembro de 2010 às 17h10

Eu lamento muito que o Nelson Jobim vá permanecer como ministro da defesa de Dilma, mas a respeito da veracidade ou não do que foi apresentado no wikileaks, me parece que cabe a pergunta certa: De fato, o Presidente Evo Morales está com um tumor? Digamos que todos se omitam de responder por razões óbvias, o Lula com certeza sabe se essa informação procede ou não, e em caso afirmativo, se isso consta de um dos telegramas, o Lula tb. sabe qm vazou a informação, logo, esse dado é o diferencial, pois pode haver intenção de intriga com o Samuel Pinheiro, mas não com essa informação, alguém poderia tentar checar isso!

Responder

dukrai

02 de dezembro de 2010 às 16h55

o nerson bobin pagou mico e ficou exposto pro mundo inteiro o cabo anselmo que é. A Dilma vai engolir porque um manco das duas pernas, desmoralizado pela trairagem, fica bem pra ministro da defesa e representante das forças armadas que jogam contra a democracia, exemplo dos cadetes que se miram no fascista Carrasco Azul Médici.

Responder

Edmar

02 de dezembro de 2010 às 16h53

Olha Maria Inês, eu também acho esse tal de Nelson Jobim um grande bosta. Mas, enquanto o Rio de Janeiro seguir elegendo o Bolsonaro e quase metade dos brasileiros, com tristeza os ditos mais "letrados", seguirem a conversa fiada de um tranqueira tipo Zé Serra, o "PSD" não tem muita alternativa não. Tem mesmo que "transigir" pra não entornar o caldo. E, na defesa do povão, tem de ir "comendo pelas beiradas" como se diz popularmente.

Responder

Rafael

02 de dezembro de 2010 às 15h54

Nelson Jobim nada mais é do que a imagem dos militares brasileiros. Jobim é o garoto propaganda dos militares. Nenhum militar se preocupa com o Brasil ou eles aceitariam Nelson Jobim como seu ministro?
São entreguistas. O dia que poderem vão tomar conta do governo com a desculpa esfarrapada de ameaça à democracia. São capachos dos americanos.

Responder

    RBM

    02 de dezembro de 2010 às 18h44

    Você tem o direito de antipatizar com os militares. Mas se estudasse só um pouquinho de história veria que o projeto desenvolvimentista deles, principalmente na década de 70, procurou construir uma maior autonomia em relação aos EUA. Se eles fossem "capachos" não teriam feito o acordo nuclear com a Alemanha, por exemplo.

    Alan

    02 de dezembro de 2010 às 23h00

    RBM se você estudasse um pouquinho mais a história brasileira,perceberia que foi no regime militar que o Brasil ficou ainda mais submisso aos interesses dos EUA.

    Marcio

    03 de dezembro de 2010 às 10h08

    Se você também estudasse mais um pouquinho veria que todo o processo de "desenvolvimento" do período da DITADURA foi comandado pelos EUA. As grandes obras feitas por empresas americanas. Os empréstimos pelo bancos americanos. E toda a ideologia do que 'É BOM PARA OS EUA É BOM PARA O BRASIL". Isso tudo sem falar que todo o treinamento para aprender a torturar foi feito por "especialistas do governo americano". Quem acredita em "independência" do Brasil naquele período acredita também em Papai Noel.

    RBM

    02 de dezembro de 2010 às 18h46

    E viva a democracia.

cassiov

02 de dezembro de 2010 às 15h54

ESCREVO EM CAIXA ALTA PRA DEIXAR CLARO QUE COMEÇO A ME ARREPENDER, AMARGAMENTE, NÃO APENAS DE TER VOTADO, MAS DE TER CONVENCIDO PARES DE AMIGOS A VOTAREM NA MESMA CANDIDATA EM QUEM VOTEI. SINTO-ME TRAÍDO AO VER QUE NELSON JOBIM VAI PERMANECER NO POSTO NO GOVERNO DILMA. SINTO-ME TRAÍDO.

Responder

    Flavio Lima

    02 de dezembro de 2010 às 21h43

    Esse deve ser troll "disfarçado". Sentir-se tããão traido assim por causa do xupim é coisa ridicula de troll. Ainda mais com esse nick…

rocmatos

02 de dezembro de 2010 às 15h42

É evidente que o ministro Nelson Jobim deve ser afastado imediatamente do alto cargo de confiança que ocupa e posteriormente julgado pelo seu crime de entrega-pátria.

Responder

José Manoel

02 de dezembro de 2010 às 14h46

Azenha: defenestrem o Jobim, já!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Responder

MirabeauBLeal

02 de dezembro de 2010 às 14h29

.
As sequelas da Ditadura Militar só vão acabar,

quando forem processados, na Justiça Comum,

todos os agentes públicos acusados

de haverem praticado os crimes

de tortura e assassinato

no período de 1964 a 1985.
.

Responder

    O_Brasileiro

    02 de dezembro de 2010 às 18h08

    So vao processa-los quando estiverem todos mortos!

Regi

02 de dezembro de 2010 às 13h37

Quero crer que os interesses dos militares como a defesa da Amazônia, da Amazônia Azul (área de toda a costa brasileira, sobretudo a que tem o pré-sal) estão afinados tanto com o governo Lula, quanto no próximo da Dilma.
Penso que tanto Dilma, quanto militares, são nacionalistas; daí todo o investimento do governo Lula nas FA o que continuará no governo Dilma.
Neste sentido acho que a mírdia, tucanos, jobim jogam um contra o outro; querendo incutir nos corações e mentes divergências aonde não há.
O momento é outro.
Fora jobim, insistentemente.

Responder

jpremor

02 de dezembro de 2010 às 12h17

Então, postei alguma coisa sobre isso e olhem os comentários.
Convidei o cidadão para uma discussão mas até agora nada.

Eu pensava que isso não existia mais, mas Bolsonaro tá ai difundindo sua filosofia!
http://novaordempolitica.wordpress.com/2010/12/01

Responder

Tania R Guimaraes

02 de dezembro de 2010 às 12h05

Anted e mais nada gostaria que Jobim nao tivesse nenhum posto importante na politica brasileira. Mais este meu desejo e independente de qualquer wikileak. A minha maior peocupacao e em os brasileiros facilmente darem credito a estes telegramas, como se eles fossem integros. Parece importantissimo ficarem cegos a possibilidade que estes 'segredos" foram todos montadoes e que o proprio wikileaks fazem parte de estrategia USA em criar encrencas e conflitos na maior parte do mundo possivel.
Ah! Sim, podem me chamar de paranoica ou apelarem para o fato dos leak serem constrangedores para os gringos, dai nao foram nada plantados.
Como uma brasileira que vive a mitissimos anos nos USA, ve sua televisao diarimente e estuda a finco como funciona a mente americana, as redes de comunicacao americana, o pensamento tipico e a cultura americana, so me resta rir muito de voces. e como se o gringo estivesse atras dos bastidores se aplaudindo e dizendo: Viu como funciona/ A gueera psicologica tem o seu valor.

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    BeauGeste

    02 de dezembro de 2010 às 15h13

    Essa brasileira aí, deve ter jurado à bandeira americana defender o país de seus inimigos, inclusive o Brasil.

    ana cruz

    03 de dezembro de 2010 às 10h56

    A verdade é que Johnbim é um mal necessário, assim como foi Meireles no governo Lula.
    As cartas ainda estão marcadas pela direita golpista. E a esquerda tem que saber usar as cartas marcadas que lhes são impostas. Ruptura institucional que possibilitaria uma mudança radical so com revolução e uma nova ordem constitucional. Dilma se mantiver Johnbim demonstra que governará como Lula, seu mestre, comendo pelas bordas. Ao contrario do Brasil, na Argentina não teve anistia´aos crimes praticados pela ditadura. Os milicos argentinos foram exemplarmente punidos e por isso estão nos quarteis.

    ebrantino

    02 de dezembro de 2010 às 17h31

    Tania, voce pode ter razão ou não, mas é uma dúvida razoavel. Não creio que qualquer precipitação ou atropelo sirva bem à montagem de um ministério. Assim como não vi provas da culpa do Zé Dirceu, e nem do conteudo politico do assassinato de Celso Daniel, também não vejo nada de provas contra o Jobim. Quem sabe deixemos a Dilma decidir, que afinal ela é que vai responder se algo der errado. DEIXA A DILMA TRABALHAR.
    Ebrantino

    Aristharco

    03 de dezembro de 2010 às 11h35

    ebrantino, a questão não é de provas é de postura… o sujeito é um fanfarrão soltador de bufos, ou seja, língua solta, não tem gabarito algum para o cargo…
    Fora Johnbim!

    edv

    02 de dezembro de 2010 às 23h20

    O Jobim já se "explicou" (?) sobre o que foi vazado, portanto não é ete o caso, embora quando falamos de agências que trabalham nas sombras por princípio, tudo é possível.
    O que me espanta é que o povo americano continue permitindo passivamente que grupos "especiais" decidam o que é bom ou ruim para eles e posssam agir impunemente nas sombras em nome deles.

    Aristharco

    03 de dezembro de 2010 às 11h30

    O Johnbin já se explicou? Desde que entrou, em todas as interferências só fez lambanças, no caso do avião da Air France foi desmentido pela Marinha… nada afinada com ele na ocasião…


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