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Diário da Resistência


Política

Marcos Coimbra: Os inimigos do Bolsa Família


26/06/2012 - 11h40

Políticas públicas

26.06.2012 09:25

O Bolsa Família e seus inimigos

por Marcos Coimbra, na CartaCapital

O pensamento conservador brasileiro – na política, na mídia, no meio acadêmico, na sociedade – tem horror ao Bolsa Família. É só colocar dois conservadores para conversar que, mais cedo ou mais tarde, acabam falando mal do programa.

Não é apenas no Brasil que conservadores abominam iniciativas desse tipo. No mundo inteiro, a expansão da cidadania social e a consolidação do chamado “Estado do Bem-Estar” aconteceu, apesar de sua reação.

Costumamos nos esquecer dos “sólidos argumentos” que se opunham contra políticas que hoje em dia são vistas como naturais e se tornaram rotina. Quem discutiria, atualmente, a necessidade da Previdência Social, da ação do Estado na saúde pública, na assistência médica e na educação continuada?

Mas todas já foram consideradas áreas interditas ao Estado. Que melhor funcionariam se permanecessem regidas, exclusivamente, pela “dinâmica do mercado”. Tem quem pode, paga quem consegue. Mesmo se bem-intencionado, o “estatismo” terminaria por desencorajar o esforço individual e provocar o agravamento – em vez da solução – do problema original.

O axioma do pensamento conservador é simples: a cada vez que se “ajuda” um pobre, fabricam-se mais pobres.

Passaram-se os tempos e ninguém mais diz essas barbaridades, ainda que muitos continuem a acreditar nelas. Hoje, o alvo principal das críticas conservadoras são os programas de transferência direta de renda. Naturalmente, os que crescem e se consolidam. Se permanecerem pequenos, são vistos até com simpatia, uma espécie de aceno que sinaliza a “preocupação social” de seus formuladores.

Mas é uma relação ambígua: ao mesmo tempo que criticam os programas de larga escala, dizem-se seus mentores. Da versão “correta”. Veja-se a polêmica a respeito de quem inventou o Bolsa Família: irrelevante para a opinião pública, mas central para as oposições. À medida que o programa avançou e se expandiu ao longo do primeiro governo Lula, tornando-se sua marca mais conhecida e aprovada, sua paternidade começou a ser reivindicada pelo PSDB. Argumentavam que sua origem era um programa instituído pelo prefeito tucano de Campinas, José Roberto Magalhães Teixeira, em 1994.

Ele criou de fato o Programa de Renda Mínima, que complementava a receita de pessoas em situação de miséria. Por razões evidentes, limitava-se à cidade e beneficiava apenas 2,5 mil famílias, com uma administração tão complexa que era impossível expandi-lo com os recursos da prefeitura.

Tem sentido dizer que o Bolsa Família nasceu assim? Que esse pequeno experimento local é a matriz do que temos hoje? O maior e mais bem avaliado programa do gênero existente no mundo e que serve de modelo para países ricos e pobres?

O que a discussão sobre o Renda Mínima de Campinas levanta é uma pergunta: se o PSDB estava convencido da necessidade de elaborar um programa nacional baseado nele, por que não o fez?

Não foi Fernando Henrique Cardoso quem venceu a eleição de 1994? O novo presidente não era amigo e correligionário do prefeito? Ou será que FHC não levou o programa do companheiro para o nível federal por ignorá-lo?

Quem sabe conhecesse a iniciativa e até a aplaudisse, mas não fazia parte do arsenal de medidas que achava adequadas para enfrentar o problema da pobreza. Não eram “coisas desse tipo” que o Brasil precisava.

Goste-se ou não de Lula, o fato é que o Bolsa Família só nasceu quando ele chegou à Presidência. E é muito provável que não existisse se José Serra tivesse vencido aquela eleição.
Fazer a arqueologia do programa é bizantino. Para as pessoas comuns não quer dizer nada. Como se vê nas pesquisas, acham até engraçado sustentar que o Bolsa Família não tem a cara de Lula.

Não é isso, no entanto, o que pensam os conservadores. Para eles, continua a ser necessário evitar que essa bandeira permaneça nas mãos do ex-presidente. O curioso é que não gostam do programa. E que, toda vez que o discutem, só conseguem pensar no que fazer para excluir beneficiários: são obcecados pela ideia de “porta de saída”.

Outro dia, tudo isso estava em um editorial de O Globo intitulado “Efeitos colaterais do Bolsa Família”: a tese da ancestralidade tucana, a depreciação do programa – apresentado como reunião de “linhas de sustentação social (?) já existentes” –, a opinião de que teria ficado “grande demais”, a crítica de que causaria escassez de mão de obra no Nordeste, e por aí vai (em momento revelador, escreveu “Era FHC” e “período Lula” – como se somente o primeiro merecesse a maiúscula).

Para a oposição – especialmente a menos informada –, o Bolsa Família é o grande culpado pela reeleição de Lula e a vitória de Dilma Rousseff. Não admira que o deteste.
Para os políticos, as coisas são, porém, mais complicadas. Como hostilizar um programa que a população apoia?

Por isso, quando vão à rua disputar eleições, se apresentam como seus defensores. Como na inesquecível campanha de Serra em 2010: “Eu sou o Zé que vai continuar a obra do Lula!”.

Alguém acredita?

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



27 comentários

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Arnon Medeiros

28 de junho de 2012 às 21h48

Parabéns ao Marcos Coimbra pelo artigo. Lamentável é que existam pessoas, inclusive aqui no Nordeste que criticam o BF sob a alegação de que o povo não que mais trabalhar. É muito atraso!

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Tetê

28 de junho de 2012 às 07h19

Marcos Coimbra foi muito feliz na abordagem do assunto

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Gerson Carneiro

28 de junho de 2012 às 00h19

Agora tem mais essa:

“@Estadao SP: Dar sopão grátis a moradores de rua deve virar crime, defende Prefeitura”

http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/prefeitura-quer-proibir-sopao-gratis-no-centro/

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Roberto

27 de junho de 2012 às 23h51

Se o PIG é contra é porque o negócio é bom.

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Adilson

27 de junho de 2012 às 22h36

O maior inimigo do BF chama-se Ali Kamel, é ele o autor do antológico artigo denominado Bolsa-Eletrodomésticos, onde critica os usuários que cometeram o “crime de usar parte do dinheiro que recebem para comprar lquidificadores, forninhos, etc.

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Gerson Carneiro

27 de junho de 2012 às 21h50

Responder

    Mário SF Alves

    28 de junho de 2012 às 00h35

    Ômopai?!! E essa expressão não é da Maria Machadão, prostituta, gerente de bordel, e personagem do J. Amado?

    Gerson Carneiro

    28 de junho de 2012 às 07h19

    Ó Paí, Ó…

    Essa expressão é do povo baiano. E o povo baiano está presente também na obra do Jorge Amado.

    Zero em Cultura Baiana pra você.

    Dica: assista uns filminhos com Lázaro Ramos, criatura, pra se inteirar. Vá criatura de Deus. Se adiante. Dêxe de latumia. Ômopai!

    Mário SF Alves

    28 de junho de 2012 às 18h14

    Professor da porra que você é, hein, Gerson? Aproveitou o gancho e desandou a descascar o seu pepino, não foi? Mas, estamos aí. E quer saber mais? Sou de um tempo em que mais importante do que ficar por aí a endeusar – e às vezes, bajular – a obra do J. Amado era entender o autor de Os Subterrâneos da Liberdade. Tá bom pra você? Mas, ainda agradeço a recomendação. Mas, por falar nisso, literatura por literatura, arte por arte, ainda sou mais o Machado. E, claro, com todo o respeito que tenho pela Bahia. Se bem que autor por autor, o Caetano (desastre político) também é da Bahia, ou não?

Walter Cesar

27 de junho de 2012 às 20h28

O bolsa família devería sêr implantado para fome no mundo pelos componentes do Rio+20.

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oziel f. de albuquerque

27 de junho de 2012 às 10h49

A bolsa familia é um avanso social para os pobres do Brasil. as pessoas não morre mais de fome, com este beneficio. Até porque, a globo,o psdb, o dem, o pps, e o pig são contra.

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Constitucional

27 de junho de 2012 às 08h05

O atual governo é de esquerda? Não apenas privilegia como aprofunda o privilégio ao sistema financeiro. Nos últimos 2 anos, 45% do Orçamento Geral da União foi destinado ao “Sistema da Dívida”, como insistentemente denunciado pela Auditoria Cidadã. Converteram um importante segmento da Seguridade Social (tripé Assistência – v.g. Bolsa Família -, Saúde – v.g. SUS – e Previdência – v.g. aposentadoria), ou seja, a Assistência Social, em populismo angariador de votos da massa retórica de manipulação. O fato é confirmado pela artigo acima reproduzido, isto é, pelas campanhas eleitorais dos diferentes nichos. Por outro lado, mantém-se uma distribuição tributária regressiva pesando sobre o consumo dos mesmos a que se destina a exemplificada medida pretensamente assistencial. Quando se fala em esquerda-direita parece, muitas vezes, que se está falando de Fla-Flu ou Gre-nal, incorrendo-se no enfraquecimento semântico, na anemia significativa. Afinal, esquerda não quer significar revolução transformativa (os burgueses sentavam à esquerda do Parlamento francês em fins do séc. XVIII)? A “aplicar” medidas keynesianas de fomento e a “dialogar” com os diferentes setores sociais, resume-se a transformatividade revolucionária de esquerda? Tudo bem, somos a 6ª economia mais rica do mundo (EIU). Mas também somos a 3ª mais desigual (PNUD) e a 84ª em direitos humanos (IDH/PNUD) O que, desde 1988, diz a Constituição sobre tudo isso…? Parafraseando Konrad Hesse, pode-se dizer que está ela a sofrer de anemia normativa.

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    moacir

    28 de junho de 2012 às 12h45

    Pois é… essa dicotomia “esquerda, direita” está até no cristianismo, onde um dos nomes do “Demo” é “O Esquerdo” e os bons e justos “Sentarão ao lado direito de Deus”.

Lu Witovisk

27 de junho de 2012 às 07h35

Fazem de tudo pra tentar não perder eleição. Vendidos.

Responder

Elton

27 de junho de 2012 às 07h26

O único meio de evitar a corrupção é fiscalização e punição dos corruptores e corruptos. O judiciário brasileiro tem muito a aprender nesse sentido. Observemos os casos recentes de juízes, procuradores, advogados, investigadores, delegados envolvidos com o crime organizado. Porquê a mídia focaliza o Cachoeira, porque não falar do Prevaricador da Republica e do Demóstenes.
O Judiciário tem que começar a dar exemplo dentro da sua própria casa, primeiro tem que se entender como importante o papel do CNJ, e depois eu queria que me explicassem que palhaçada é essa de aposentadoria para juiz corrupto, porque não prender? A aposentadoria para mim é estimular o crime, é igual na CPMI o político corrupto perder os direitos políticos, tem que prender. Quanta coisa podia ser feita com as verbas desviadas, quantos não morreram por causa desse dinheiro que foi desviado?

Responder

    Marcelo T.

    27 de junho de 2012 às 09h23

    Quem tem que fiscalizar somos nós. Não podemos depender exclusivamente do Judiciário. Quem elege as pessoas a cargos eletivos? Deus? Não, Somos nós. Nesse sentido, somos nós os culpados pela podridão do poder. Poucas pessoas lembram em quem votou para Deputado (Federal/Estadual), Senador, Vereador. Muitos acham que esses cargos não fazem o mínimo sentido, que não servem pra nada e que o mais importante é votar somente nos cargos do Executivo. Esquecem que quem norteia o dia-a-dia são os Legisladores.
    A cada eleição temos que extirpar cidadãos como o Demóstenes e Jader Barbalhos da vida. Existem mecanismos para saber o que o Senador/Deputado anda fazendo ou não via site (E alguém procura saber???). Só não procura saber quem não quer. É fácil reclamar da vida e ficar fazendo protestinhos meia-boca que não leva a lugar nenhum. É fácil condenar alianças espúrias nas eleições, agora o que pouca gente sabe é que, se não a fizer o cara simplesmente não consegue governar. O que adianta o Presidente sem aliança no Congresso. Consegue aprovar alguma coisa??? Porque será que em SP o Governador consegue tudo??? Ele é bom??? Amigo de todos??? Não. Simplesmente tem a maioria esmagadora e consegue aprovar tudo o que quer. Barrar tudo que pode. Isso também não é saudável, pois não há o embate de ideias. Portanto, caso vote em alguém, não esqueça do cara. Fiscalize. Se a atuação em 4 anos desse camarada (ou 8 se for senador)for fraquinha, tchau!!! É assim que deveria em tese acontecer, mas não acontece. O cidadão elege o Zé das Couves e esquece que a elegeu. Aqui em SP, alguém sabe do paradeiro do Tiririca??? O que ele fez ou faz e o que fará??? Garanto que a maioria dos que elegeram não sabe. E depois de tudo isso reclamam que os políticos não prestam. Vai chegar na próxima eleição, o cara se candidata à reeleição e…..Não precisa dizer o que irá acontecer. Tenhamos esperança que um dia, não sei quando, o brasileiro vai aprender a votar e, principalmente, fiscalizar as pessoas que votaram.
    Abraços.

Fabio Passos

27 de junho de 2012 às 07h08

psdb e dem odeiam os pobres e puxam o saco dos ricos descaradamente.

josé serra é o boneco desta direita atrasada… e covarde.
A “elite” branca e rica quer acabar com todos os programas sociais, mas nas eleições aparece falando o contrário.

E o PIG é a máquina de propaganda que combate tudo que seja a favor da maioria pobre e defende sem pudor os privilégios indecentes desta minoria que contruiu o Apartheid Social.

Responder

O_Brasileiro

27 de junho de 2012 às 00h43

Se o Bolsa-Família fosse suficiente para pagar, além da alimentação, aluguel, escola, plano de saúde, energia elétrica e água, ai talvez as críticas tivessem fundamento.
Só pessoas muito mesquinhas podem ser contra esse programa, pois é um valor que só dá pra alimentar os membros da família, e olhe lá!
Ou seja, tem gente que quer que os pobres morram de fome mesmo! E o bolsa-família atrapalha sua política de higienização. Eles também devem ter horror a levar segurança às favelas e ao sistema público de saúde de qualidade…
O Bolsa Família ainda tem a vantagem de sofrer menos desvios com a corrupção.
Mesmo assim, continuo achando que o melhor “bolsa família” que o governo pode dar aos pobres é segurança, saúde e educação públicas de qualidade, que devem ser bem fiscalizadas para não haver desvio de recursos.

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lulipe

26 de junho de 2012 às 17h05

“Marcos Coimbra: Os inimigos do Bolsa Família”

Será que autor inclui o lula nessa lista?Veja o que ele pensava dessa maneira de fazer política:

http://www.youtube.com/watch?v=83WUqpvddq8

Responder

    LEANDRO

    27 de junho de 2012 às 07h43

    Fantástico esse link. É muita cara de pau do lula. Como ele mesmo se definiu, uma metamorfose ambulante sem coerência alguma, sem nenhum respeito a sua origem.

    Antônio Carlos

    27 de junho de 2012 às 09h41

    O cara colocar que o Bolsa Família e as antigas cetas básicas são a mesma coisa ou é ignorante de como eram feitas as eleições antigamente e é um sujeito de má fé mesmo. Sempre viajei pelo interior od Nordeste e me lembro de como era distribuído estas cestas básicas, somente próximos as eleições e os políticos em pessoa ia entregar estas cestas!!! O motivo deles ir pessoalmente não precisa nem dizer!! O Bolsa Família ninguém entrega pessoalmente e não fica ligado a imagem a nenhum político e o sujeito tem a ajuda nos anos não eleitorais. Sem falar que as pessoas responsáveis de cadastrar os que recebem o Bolsa Família são funcionários das prefeituras e que eu me lembre, o PT de Lula não tem nestas prefeituras, prefeitos do PT. Agora, que tem muito vereador querendo que acabe com o Bolsa Família pra poder voltar a ter alguma importância com o porcesso antigo dessas chamadas Cestas Básicas!!!!!!

    LEANDRO

    27 de junho de 2012 às 10h36

    OK.Só que o lula era contra a criação de qualquer programa nesse sentido.
    lula atacando o “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de 11 de abril de 2001″
    “” Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. Eu sempre disse que não há nada mais digno para um homem e para uma mulher do que levantar de manhã, trabalhar e, no final do mês ou no final da colheita, poder comer às custas do seu trabalho, às custas daquilo que produziu, às custas daquilo que plantou. Isso é o que dá dignidade.”

    lulipe

    27 de junho de 2012 às 11h16

    Se com um vídeo você não entendeu, caro Antonio Carlos, não será escrevendo novamente que vou me fazer entender, não é???

Roberto Locatelli

26 de junho de 2012 às 16h45

Realmente, essa contradição é muito interessante. A direita diz: “o Bolsa Família foi criado no governo FHC”. Mas ao mesmo tempo diz: “sou contra”. E, nas eleições, diz: “sou a favor desde criancinha”.

Responder

    Mário SF Alves

    28 de junho de 2012 às 00h33

    É o samba do discurso doido, meu caro.

Renato

26 de junho de 2012 às 14h53

Ótimo e esclarecedor este texto.

Responder

fatimacoelho

26 de junho de 2012 às 13h29

não acredito nãoooooooooooooooo?

Responder

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