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Marcos Coimbra: José Serra, o conselheiro


11/07/2011 - 20h33

por Marcos Coimbra, em CartaCapital

Em um gesto inusitado (mas não imprevisível), o ex-governador José Serra, na qualidade de presidente do conselho político do PSDB, divulgou um documento que deixou embaraçada a direção de seu partido. “Nossa Missão” tem um título que sugere que o autor ao menos tentava olhar o Brasil de uma perspectiva partidária e coletiva, mas não o fazia.

A publicação aconteceu no blog do ex-candidato, talvez para lhe permitir, se necessário, justificá-la como privada. Como não consultou seus colegas ou procurou saber se estavam de acordo com o que queria dizer, melhor ter esse recurso.

Isso não diminuiu o constrangimento dos líderes tucanos. O texto tinha todas as características de um documento oficial do partido, não somente pelo cargo do responsável, mas pela natureza: uma conclamação aos filiados, a proposta de uma agenda, a fixação de um calendário de ações para seus órgãos nacionais e estaduais. Só que era apenas uma manifestação pessoal.

Ao externá-la da forma que fez, Serra extrapolou o papel que lhe havia sido delegado pela convenção peessedebista de junho. Aquela, em que seu grupo foi derrotado pelo de Aécio Neves, em que tentou, sem sucesso, emplacar a direção do Instituto Teotônio Vilela e na qual foi obrigado a se contentar com a presidência do então criado conselho.

Parece que Serra queria dar uma resposta a seus adversários de dentro do partido. Se achavam que ficaria quieto em seu canto, satisfeito com o cargo honorífico a ele destinado, se enganavam. Na primeira oportunidade, veriam do que era capaz.

Escolheu uma hora inconveniente. Veio com um texto agressivo, cheio de acusações e ressentimentos, justo quando a convivência entre o PSDB e o PT começava a perder a beligerância do período eleitoral, quando o clima (por obra sua) ficara mais tenso que o normal para nossos costumes políticos.

Partiu de Dilma Rousseff o primeiro movimento de desanuviamento dos espíritos, na carta de homenagem a Fernando Henrique pelos seus 80 anos. Até contrariando os sentimentos de parte do PT, havia sido bem mais que protocolar no reconhecimento de sua contribuição para o Brasil de hoje.

FHC respondeu acenando com uma proposta de entendimento mínimo entre governo e oposição para enfrentar as dificuldades externas. Embora velhas desavenças permanecessem, o ex-presidente sinalizava que um diálogo mais produtivo entre os dois lados era possível.

Para Serra, não. De seu ponto de vista, tucanos e petistas são inimigos irreconciliáveis e suas visões do Brasil, antagônicas. Uns estão totalmente certos, outros inteiramente errados. No seu partido só há gente notável, no outro só incapazes, oportunistas e bandidos. Lula tinha apenas “talento de animador”, Dilma faz um governo “autoritário e incompetente”.

O mais extraordinário no texto de Serra é entender por que não aproveitou a última campanha presidencial para defender ideias como essas, deixando para fazê-lo agora, de forma tão mais limitada. Como comparar um blog à enorme mídia de que dispunha? Entre agosto e o fim de outubro de 2010, Serra teve mais tempo de televisão e rádio que qualquer anunciante privado. Se quisesse, poderia ter lançado uma marca, uma moda, uma ideia.

Imaginando que a visão de Brasil que transparece em seu texto não foi inventada de repente, que não foi agora que ficou sabendo do que se passa no país que queria governar, a pergunta é por que se calou quando teve oportunidade de falar. Por que subtraiu do cidadão verdades tão graves?

Hoje diz, por exemplo, que o governo FHC não é devidamente “reconhecido”. Como se não fosse ele quem nunca falou em Fernando Henrique nas suas campanhas. Quem sempre pretendeu não ter vínculos com o governo que integrou por oito anos.

Quando pôde se dirigir ao país sem qualquer embaraço, o que fez foi se apresentar como “o candidato mais preparado para prosseguir a obra de Lula”. Nem uma palavra se ouviu para criticá-lo. Seu discurso era ser “O Zé que vai continuar o trabalho do Lula da Silva”.

É, realmente, um percurso peculiar: do mais lulista ao mais radical dos oposicionistas, em questão de meses. Outro dia mesmo, brigava com Dilma pelo posto de campeão da continuidade. Agora, é o tucano incendiário, para quem nada presta no governo.

O texto termina de forma patética: depois de instar “nossas direções em todos os níveis” à “combatividade”, Serra pede a seus companheiros (até com humildade) que “não antecipem as decisões sobre alianças e candidaturas em 2014”. Ou seja, que não o descartem de vez.

O que não quer é reconhecer que seu sonho de ser presidente da República acabou.





38 comentários

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edir l silva

22 de julho de 2011 às 17h08

piedade o homem é doente.
De todos os pacientes com demência, 50 a 60% têm demência tipo Alzheimer.. É caracterizada por um início gradual e pelo declínio progressivo das funções cognitivas. A memória (especialmente a de curto prazo) é a mais afetada, e a linguagem . demência também pode apresentar uma incapacidade para aprender e evocar novas informações.

As alterações do comportamento envolvem depressão, obsessão (pensamento, sentimento, idéia ou sensação intrusiva e persistente) e desconfianças, surtos de raiva com risco de atos violentos. A desorientação leva a pessoa a andar sem rumo . alterações neurológicas como problemas , na compreensão do que lhe é falado.

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Klaus

12 de julho de 2011 às 22h17

"Para Serra, não. De seu ponto de vista, tucanos e petistas são inimigos irreconciliáveis e suas visões do Brasil, antagônicas. "

Levante a mão quem concorda com o Serra em Viomundo!

_O /

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José Silva

12 de julho de 2011 às 20h51

A Soninha deve ter adorado hehehe!!!

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    Daniel

    13 de julho de 2011 às 12h19

    Deve ter tido múltiplos….

Jairo_Beraldo

12 de julho de 2011 às 14h51

Vaya con Dios, vampiro!!

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    Daniel

    13 de julho de 2011 às 12h19

    Dios não… O capiroto.

Gustavo Pamplona

12 de julho de 2011 às 12h47

Amigos… leia-se senilidade… ele não está batendo muito bem da cabeça… Vai ver que foi culpa da bolinha de papel que ele tomou na cabeça (hahahhahahaha)

—-
Gustavo Eduardo Paim Pamplona – Belo Horizonte – MG
Desde Jun/2007 batendo bem da cabeça no "Vi o Mundo"! ;-)

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Marcelo Fraga

12 de julho de 2011 às 12h01

É triste ver o fim deste senhor. Que decadência!

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    Jairo_Beraldo

    12 de julho de 2011 às 14h45

    Pode ser triste para voce. Eu, particularmente, estou vibrando com este fim "melancólico"…

    Marcelo Fraga

    13 de julho de 2011 às 13h02

    Para mim é triste saber quão baixo e traiçoeiro alguém pode ser.

    Não acho engraçado que aqueles que teoricamente representam o povo sejam assim.

    Jairo_Beraldo

    13 de julho de 2011 às 16h02

    Já que eles se esbaldam com nossa "desgraça", o mínimo que podemos fazer, é ter um momento de ser como eles…aplaudir a desgraça deles!!

    Daniel

    13 de julho de 2011 às 12h21

    Eu também to vibrando com esse ocaso do Zé Sóerra. Ia gastar boa parte do meu salário com fogos, mas farei algo mais produtivo: vou empenhá-lo para auxiliar um lar de amparo a moradores de rua.

Gerson Carneiro

12 de julho de 2011 às 11h26

No twitter, no dia 03 de julho, o Coiso apareceu todo orgulhoso da cáca:

"Em nota de ontem, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, explica o significado do documento A Nossa Missão" – @joseserra_

Ah tá. Marcos Coimbra também.

<img src=http://blogs.diariodepernambuco.com.br/politica/wp-content/uploads/2010/05/jose-serra.jpg>

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Gerson Carneiro

12 de julho de 2011 às 11h23

<img src=http://4.bp.blogspot.com/-HDHGb1yAjOY/ThwLifozjfI/AAAAAAAAPpY/PPPGdel83cY/s200/atrapalhado.jpg>

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H Aljubarrota

12 de julho de 2011 às 11h12

Como bem nos ensina Mestre Bakhtin, jamais se pode confundir discurso com enunciado pois este tem embutido (e que nem sempre são claros…) os "presumidos" do enunciador. O Prof. Marcos Coimbra nos mostra, claramente, os "presumidos" de Serra; tentar convencer os desavisados de que ainda tem voz ativa no tucanato e que continua sendo o único capaz de desalojar o PT do poder central.
Como bem diz no encerramento de seu texto o Prof. Coimbra, é patético…

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    Daniel

    13 de julho de 2011 às 12h23

    Patético, pedante e decrépito.
    Bem que tucano podia ser igual morcego, e um morrer após lamber as costas do outro, que estão envenenados.

Gerson Carneiro

12 de julho de 2011 às 11h05

Isso tem nome: Mau Caratismo.

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operantelivre

12 de julho de 2011 às 07h21

Que desespero está o Cerra, hein!!! Calma Rapaz.
Não precisa apressar sua morte política. Você, senhor EX, já está acabado.
E pior, sem velório em que falem bem de ti.
Já escolheu o epitáfio para sua tumba política?
Só tô esperando isto acontecer com outros como Alckmin e Cia. ilimitada.

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    Jairo_Beraldo

    12 de julho de 2011 às 14h47

    Uai, sô…mas a missa de 7º dia não foi celebrada em 31/10/2010?

    Daniel

    13 de julho de 2011 às 12h24

    é que é um espírito do mal que não se tocou que já desencarnou. Está preso à materialidade e fica aí assombrando. Tem exorcizar pra ele descer logo aos infernos.

SILOÉ -RJ

12 de julho de 2011 às 04h42

A prepotência, a arrogância, e a burrice contida no seu discurso, sepultaram de vez qualquer possibilidade, mínima que fosse, de se rerererecandidatar a qualquer cargo político pelo PSDB.
Sugiro que mude ou funde ou compre outro partido, como o Kassab, assim pelo menos seria presidente de alguma coisa, ou então quem sabe??? Abra uma igreja, qualquer uma, com a lábia e a ganância que você tem, pode até superar o Macedo e o Malafaia, sabia???
Também tem a vaga de sídico de qualquer prédio aí em SP, com o seu PHD em "mutretas" e "picaretagem", depedendo do codomínio dá pra faturar um bom" dinheirinho", sei que não dá nem pra comparar, mas é o que se tem momento, não é verdade!!!.

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João PR

12 de julho de 2011 às 02h00

O Serra tá parecendo "biruta de aeroporto".
Ele quer o poder, mas não tem estratégia definida para tanto. Muda de opinião, e de aliados, como o vento muda.
E saber que esta triste figura queria ser Presidente do Brasil.

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    Aline C Pavia

    13 de julho de 2011 às 00h09

    O mais triste é saber que 44 milhões de pessoas foram capazes de votar nesse pulha.

    Daniel

    13 de julho de 2011 às 12h25

    O nazismo ainda é latente no Brasil, Aline… Só isso justifica.

noctivagovago

11 de julho de 2011 às 23h10

Grande texto e grande leitura da contemporaneidade política, neste Brasil sofrido.

Isto de um talento que deveria se encaminhar ao Marketing Político. Ah, se o Serrátil
o escutasse. Ou tivesse contratado… mesmo até como Cientista da matemática opinativa.

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Zé Mineiro

11 de julho de 2011 às 22h06

J. J. Veiga deve estar se preparando para escrever a sequência de seu belíssimo livro, "A Hora dos Ruminantes". Após duas sovas nas urnas federais, este senhor Serra dá mostras tacanhas do mal que estas surras lhe causaram. Seu partido poderia lhe indicar para a terceira chicotada, quem sabe, desta forma, ele deixe de ruminar todos os seus rancores.

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Elisa Santana

11 de julho de 2011 às 21h59

Quem aguenta essa coisa? Serra deveria vestir o pijama e calçar suas pantufas e deixar o Brasil em paz, livre dele. Ele não se conforma em ser o que é: um perdedor.

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    Jairo_Beraldo

    12 de julho de 2011 às 14h49

    Paulistas adoram sua arrogancia…ele fala para esta platéia, deixe-o resmugar para eles!!

    Scan

    12 de julho de 2011 às 22h40

    E que o pijama seja de madeira resinosa para conter os fluidos deste ser execrável e não corrermos o risco de contaminação freática.
    As pantufas podem ser quaisquer.

Rodrigo Rod

11 de julho de 2011 às 21h10

Esse título – Nossa Missão – lembra o de outro líder do seu nível e porte que, na década de 20, escreveu um texto parecido em conteúdo e título – Mein Kampf – que do alemão significa – Minha Missão.

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    SILOÉ -RJ

    12 de julho de 2011 às 04h45

    Hitler era tudo, menos burro.

    Sebastian

    12 de julho de 2011 às 10h55

    Lula também não é burro não… tendeu???

    Aline C Pavia

    13 de julho de 2011 às 00h10

    Pelo menos as 10 ou 15 organizações humanitárias e os 5 ou 6 países que o condecoraram nos últimos anos não devem achar isso.

    João

    13 de julho de 2011 às 17h00

    o Sebastian disse: "Lula também não é burro não… tendeu???"

    e a Sra disse q as 10 ou 15 organizações e os 5 ou 6 países q babaram, quer dizer condecoraram o Lula NÃO ACHAM isso?

    se não acham q Lula não é burro, então essas organizações e esses países acham q Lula é burro?

    ahhhhh tááááá

    entendi!

    rsrsrsrsrsrsrs

    Daniel

    13 de julho de 2011 às 14h01

    Entendi, Carmem Leporace, ou Sebastian, ou outro codinome troll qualquer.

    Scan

    12 de julho de 2011 às 22h45

    Digamos que sua inteligência não era figura de mérito…só fez m(*).
    Podia ter governado o povo alemão de forma civilizada e obtido reconhecimento do mundo todo, mas resolveu, com sua "inteligência", colocar a Alemanha de joelhos…de novo.
    Não digo que fosse burro, apenas falto de inteligência.

    João

    12 de julho de 2011 às 10h59

    Mein Kampf = Minha LUTA…

    acho q o seu "alemão" (e o seu "gugou") não é muito bom…

    Daniel

    13 de julho de 2011 às 13h54

    E as semelhanças não param por aí. A tucanalhagem é mais Anauê do que pensamos… Nazipessedebismo.


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