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Mãe e mulher de miliciano morto receberam mais de R$ 1 milhão em dinheiro público através de Flávio Bolsonaro
Política

Mãe e mulher de miliciano morto receberam mais de R$ 1 milhão em dinheiro público através de Flávio Bolsonaro


09/02/2020 - 14h19

Da Redação

O miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, morto neste domingo na Bahia, é suspeito de ter atuado com seu amigo Fabrício Queiroz para impedir a investigação das “rachadinhas” praticadas com salários dos funcionários do gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro, hoje senador.

Adriano e Queiroz serviram juntos no 18o. Batalhão da Polícia Militar do Rio.

Adriano empregou a muher Danielle e a mãe Raimunda no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Danielle foi empregada em 6 de setembro de 2007 e demitida apenas em 13 de novembro de 2018.

Raimunda conseguiu dois empregos: primeiro, na liderança do PP, partido ao qual Flávio era então filiado; depois, passou a trabalhar no gabinete do deputado estadual — quando o filho de Bolsonaro transferiu-se para o PSC.

Danielle e Raimunda receberam na Alerj um total de R$ 1.029.042,48, do qual repassaram R$ 203.002,57 a Fabrício Queiroz, de acordo com o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro.

Outros R$ 202.184, 64 foram sacados em dinheiro.

Adriano foi homenageado pela primeira vez pelo clã Bolsonaro em 2003 e novamente em 2005, quando estava preso acusado de homicídio.

Jair Bolsonaro, então deputado federal, compareceu ao julgamento de Adriano em 2005 e fez um discurso na Câmara Federal atacando a condenação do policial militar — mais tarde revertida (trecho abaixo).

Adriano foi alvo de operação policial em 2011 e afastado oficialmente da Polícia Militar em 2014, por envolvimento com o crime organizado.

Ainda assim, sua esposa Danielle manteve o cargo e a mãe Raimunda foi contratada por Flávio Bolsonaro.

O senador atribui as contratações a seu chefe de gabinete, Fabrício Queiroz.

De acordo com o MP, mesmo foragido Adriano atuou conjuntamente com Fabrício para impedir as investigações da rachadinha.

“Boa noite! O amigo pediu para vc não ir em lugar nenhum e tbm não assinar nada”, escreveu Adriano em mensagem a Danielle no dia 15 de janeiro de 2019.

O “amigo”, segundo o MP, seria Queiroz.

Danielle respondeu: “Olá! Acabei de sair do advogado indicado. Assinei na semana passada o ofício que recebi”.

O GAECC (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção) interpretou as mensagens como uma ordem para que Danielle faltasse a um depoimento, atrasando as investigações.

No dia 16 de janeiro, Queiroz perguntou a Danielle se ela já tinha sido chamada a depor.

“Eu já fui orientada. Ontem fui encontrar os amigos”, ela respondeu.

Para o MP, os “amigos” fazem parte da milícia da Zona Oeste do Rio, chefiada por Adriano, que estava pagando pela defesa de Danielle.

A promotoria sustenta que Adriano e Queiroz atuavam paralelamente para impedir o andamento da apuração do caso. Queiroz nega. Adriano, morto na Bahia, não tem mais como depor.

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4 comentários

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Zé Maria

09 de fevereiro de 2020 às 18h43

“PM diz que encontrou 13 celulares no esconderijo
do Miliciano Adriano ligado aos Bolsonaro”

Um Celular pra cada Contato?
Ligação direta pros Gabinetes
em Brasília e no Rio de Janeiro?

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Zé Maria

09 de fevereiro de 2020 às 18h24

E quem pagou para o ex-Policial Militar Adriano Magalhães da Nóbrega,
ex-Capitão do Bope do estado do Rio de Janeiro, e para a sua Família
uma Mansão em um Condomínio de Luxo na Costa do Sauípe, de onde
ele fugiu da PM sumindo numa mata no interior da Bahia?

Segundo reportagem dos Jornalistas Chico Otavio e Vera Araújo, n’O Globo,
em vez de se hospedar em um resort da Costa do Sauípe, Adriano preferiu
uma mansão dentro de um condomínio porque, além de ser um local mais discreto, o imóvel poderia abrigar seus seguranças. A luxuosa residência, com
piscina, foi alugada por um mês, ao custo de Mil Reais [R$ 1.000,00] Por Dia [!!!],
a princípio para festejar seu aniversário, no dia 14 de janeiro.

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